JACOB

Eu já havia participado de casamentos suficientes para saber que todos possuíam uma característica em comum: pessoas demais preocupadas com detalhes que, depois de algumas horas, ninguém lembraria. O meu não era diferente, apesar das ordens bastante específicas que eu dera a Rebecca. A mansão havia sido transformada desde as primeiras horas da manhã. A cerimônia seria realizada no jardim principal, onde fileiras de cadeiras haviam sido organizadas diante de um corredor coberto por um tapete vermelho, com arranjos claros distribuídos de maneira suficientemente elegante para agradar minha irmã e suficientemente discreta para não me fazer arrepender de tê-la colocado no comando. A recepção aconteceria nos salões internos e na área coberta próxima ao jardim. Segurança, funcionários, fornecedores e convidados haviam sido verificados antes de atravessarem os portões. Rebecca reclamara de cada restrição e, ainda assim, cumprira todas.

Cem convidados também deixara de ser uma regra absoluta.

Eu mesmo alterara isso.

A mudança acontecera depois de Allentown, quando uma investigação que deveria apenas esclarecer a origem de Renesmee colocara em minhas mãos um medalhão Cullen e a possibilidade de que a mulher que eu escolhera justamente por não possuir vínculos fosse Elizabeth Cullen, filha de Edward e única descendente direta de sua linhagem. Desde então, os exames e as verificações que ordenara haviam fortalecido uma conclusão que eu já considerava praticamente inevitável, embora continuasse guardando a informação dentro de um círculo tão restrito que nem minha própria família conhecia a verdade.

Renesmee muito menos.

Na manhã seguinte à minha volta, eu chamara Rebecca ao escritório e mandara ampliar discretamente a lista de convidados.

Ela havia me olhado como se eu tivesse perdido a razão.

— Você ameaçou reduzir meu limite para noventa porque pedi cento e dez.

— Mudei de ideia.

— Jacob Black mudou de ideia sobre uma festa?

— Não transforme isso em um acontecimento histórico.

— É exatamente o que é. Quantos?

— Não quero quantidade. Quero representação.

A expressão divertida desaparecera.

— Representação de quem?

— Das famílias.

Rebecca me observou com atenção.

— Todas?

— As que importam.

— Você me disse que não queria transformar seu casamento em reunião política.

— Continuo não querendo.

— Então não estou entendendo.

— Não precisa.

Ela evidentemente odiara a resposta, mas recebera uma lista algumas horas depois e fizera o que pedi.

Naquela tarde, enquanto caminhava entre convidados que não compreendiam por que haviam recebido um convite para um casamento organizado com tão pouca antecedência, eu sabia exatamente por que cada um estava ali.

Testemunhas.

Quando a verdade sobre Renesmee viesse à tona, eu não queria espaço para versões convenientes. Representantes de famílias antigas teriam visto Renesmee Miller entrar naquela cerimônia voluntariamente. Teriam assistido ao casamento, ouvido os votos, visto as assinaturas e reconhecido diante de todos que ela saíra dali como senhora Black. Nenhum deles sabia que estava testemunhando o casamento de Elizabeth Cullen. Para eles, eu simplesmente tomara uma esposa inesperada.

Depois, compreenderiam.

Eu cumprimentava pessoas que, em circunstâncias normais, jamais teria considerado necessárias naquele dia. Os Denali haviam enviado representantes. Os Hale também estavam presentes, assim como os Whitlock. Havia ainda homens ligados a famílias menores, empresários com influência suficiente para serem úteis e alguns políticos que preferiam chamar a relação que mantinham conosco de amizade antiga. Eu conhecia cada um deles, sabia o que queriam e sabia quanto valia a palavra de cada homem naquela propriedade.

Uma família, entretanto, não recebera convite.

Os Volturi.

Aquilo não fora uma omissão.

Os Volturi haviam acumulado conflitos com famílias demais ao longo dos anos e, entre as guerras que ainda produziam consequências, estava justamente aquela que terminara com uma criança Cullen declarada morta. Eu ainda não conhecia todos os detalhes do ataque de vinte anos antes, nem sabia até onde a participação deles havia chegado, mas sabia o suficiente para não colocar um Volturi no mesmo terreno que Renesmee antes de compreender completamente o que acontecera.

Convidar os Cullen seria acender o pavio cedo demais.

Convidar os Volturi seria colocar fogo na casa inteira.

Por isso, nenhum dos dois estava ali.

— Black.

Virei-me ao ouvir meu nome e cumprimentei um dos representantes dos Denali. A conversa foi breve. Recebi os cumprimentos pelo casamento, respondi algumas perguntas suficientemente educadas sobre os negócios e ignorei outras que tentavam descobrir de onde surgira minha noiva. A curiosidade era previsível. Jacob Black passara anos recusando qualquer possibilidade de casamento e, de repente, convidava algumas das famílias mais importantes para assistir à cerimônia com uma jovem que ninguém daquele meio conhecia.

Renesmee Miller era um mistério para eles.

Por enquanto, eu preferia assim.

Depois de me livrar de mais uma conversa, procurei Rebecca entre os convidados. Encontrei-a próxima à entrada da mansão dando instruções a uma funcionária e fui diretamente até ela.

— Onde está Renesmee?

Rebecca nem sequer olhou para mim imediatamente.

— Boa tarde para você também.

— Rebecca.

— Está se arrumando.

— Está se arrumando há horas.

— É uma noiva.

— Isso altera a passagem do tempo?

Ela finalmente me encarou.

— Você está nervoso?

— Não.

— Está.

— Onde ela está?

Rebecca sorriu.

— No quarto.

— Isso eu sei.

— Então por que perguntou?

Respirei lentamente.

Minha irmã riu e aproximou-se antes de segurar minha gravata.

— Fique quieto.

— Minha gravata estava perfeitamente adequada.

— Para um funeral, talvez.

— É a mesma gravata.

— Exatamente.

Ela afrouxou discretamente o nó e tornou a ajustá-lo, satisfeita com uma diferença que apenas ela provavelmente seria capaz de enxergar.

— Renesmee já vai descer. Emma está com ela.

— Rachel também deveria estar.

— Rachel estava, mas eu mandei sair porque estava deixando Renesmee mais nervosa.

— Como?

— Perguntando a cada três minutos se ela estava nervosa.

— Parece eficiente.

Rebecca soltou minha gravata.

— Não suba.

— Não disse que subiria.

— Conheço você.

— Evidentemente não o suficiente.

— Jacob, se aparecer no quarto da noiva porque decidiu que cinco minutos de atraso constituem uma emergência, Renesmee pode usar a janela para fugir.

— A segurança cobre o lado externo.

Rebecca me encarou durante dois segundos antes de começar a rir.

— Isso foi uma brincadeira?

— Talvez.

— O casamento já está fazendo milagres.

Não tive oportunidade de responder porque uma pequena movimentação chamou minha atenção. William atravessava uma parte do jardim correndo ao lado dos filhos de Emma, os três desviando de convidados e quase derrubando um garçom que carregava uma bandeja.

— William.

Não precisei elevar a voz.

Meu filho parou no mesmo instante.

As outras duas crianças também pararam, provavelmente por reflexo.

William virou lentamente em minha direção.

— Pai.

— Venha aqui.

Ele caminhou até mim com a expressão de quem já sabia exatamente qual seria a conversa.

— O que eu disse sobre correr entre os convidados?

— Para não correr.

— E o que estava fazendo?

Ele olhou para trás.

— Indo rápido.

Rebecca virou o rosto para esconder a risada.

— William.

— Correndo.

— Exatamente.

Abaixei-me apenas o suficiente para ajeitar a pequena gravata dele, que já estava torta.

— Hoje há muita gente nesta casa. Alguns deles não conhecem você, e há funcionários carregando bandejas e objetos de vidro. Se quiser brincar, vá para a parte lateral do jardim e permaneça onde os homens da segurança possam vê-los.

— Podemos correr lá?

— Com cuidado.

— Isso não é correr.

— Então caminhe.

Ele suspirou com o peso de uma criança injustiçada pelo mundo.

— Está bem.

— E mantenha os filhos de Emma com você.

— Eu estou cuidando deles.

— Isso me preocupa ainda mais.

William sorriu e voltou para os amigos em um passo exageradamente lento até estar suficientemente distante para acreditar que eu não perceberia quando acelerasse.

Rebecca colocou a mão no meu braço.

— Você está ficando engraçado.

— Vá cuidar do casamento.

— Estou cuidando.

Ela se afastou, e eu continuei observando o ambiente.

Foi então que encontrei Claire.

Minha filha estava próxima a uma das portas laterais conversando com dois adolescentes. Não havia nada particularmente preocupante nisso até eu notar a taça que segurava.

Champanhe.

Caminhei até ela.

Claire me viu aproximar e, com a inteligência questionável própria dos quatorze anos, tentou deslocar discretamente a taça para trás do corpo.

Estendi a mão.

— Entregue.

— É só champanhe.

— Fico satisfeito por reconhecer a bebida que não deveria estar tomando.

Um dos adolescentes ao lado dela teve a sensatez de desaparecer.

Claire entregou a taça.

— Todo mundo está bebendo.

— Todo mundo não tem quatorze anos.

— É seu casamento.

— Essa informação não altera sua idade.

Tomei a taça da mão dela e a coloquei na bandeja do primeiro garçom que passou.

— Nada de álcool.

— Pai...

— Não negocie uma regra que não será negociada.

Ela cruzou os braços.

— Você deixa Will correr pela festa.

— William tem sete anos e ainda não descobriu champanhe.

— Injusto.

— Sobreviverá.

Claire revirou os olhos, mas não discutiu mais. Quando começou a se afastar, segurei delicadamente seu braço.

— Claire.

Ela voltou o rosto.

— O quê?

Observei-a por alguns segundos.

Estava bonita. Mais velha do que eu gostava de admitir, mas ainda havia muito da menina de seis anos que eu lembrava naquela expressão contrariada. Em um dia como aquele, algumas memórias eram inevitáveis.

— Fique perto da família.

Sua expressão mudou discretamente.

— Eu vou ficar.

Soltei seu braço.

— E água.

— Eu sei.

— Claire.

— Água — repetiu, irritada. — Entendi.

Ela se afastou.

Eu ainda a observava quando Rachel surgiu praticamente marchando em minha direção.

— Jacob.

— O quê?

— Vá para o altar.

Olhei para ela.

— Estou na minha própria casa. Não preciso ser conduzido.

— Hoje precisa. Rebecca está quase tendo um colapso porque você continua circulando entre os convidados e Renesmee está pronta.

Minha atenção mudou imediatamente.

— Ela está descendo?

— Sim.

— Então por que ainda está falando comigo?

Rachel abriu a boca e depois fechou.

— Você consegue transformar até o próprio casamento em uma ordem operacional.

— E funciona.

— Vá.

Caminhei em direção ao jardim principal.

Conforme avancei pelo corredor central, algumas conversas diminuíram. Cumprimentei mais duas pessoas com um movimento de cabeça e assumi meu lugar diante do juiz que Rebecca havia escolhido para conduzir a cerimônia civil. Ele me cumprimentou discretamente, e respondi sem realmente prestar atenção.

Eu conhecia o objetivo daquele casamento desde o início.

Primeiro fora estabilidade. Uma esposa para ocupar um lugar vazio dentro da minha casa, alguém capaz de alcançar William onde empregados haviam falhado e talvez impor a Claire limites que eu, por culpa ou ausência, não conseguira manter. Depois existira a sucessão. Um filho biologicamente meu, algo que a estrutura Black exigia de um Don mesmo que, para mim, Claire e William fossem meus filhos em todos os sentidos que realmente importavam.

Agora havia Elizabeth Cullen.

Uma variável que transformava aquele casamento em algo muito maior do que eu havia planejado.

Os convidados começaram a ocupar seus lugares.

Minha mãe sentou-se na primeira fileira. Rachel estava próxima dos filhos. Rebecca ainda dava instruções a alguém. Solomon assumira uma posição da qual conseguia observar boa parte da propriedade, hábito que nenhum de nós abandonava mesmo durante cerimônias. Claire apareceu pouco depois e sentou-se perto de Sarah. William precisou ser chamado duas vezes antes de ocupar seu lugar.

A música começou as conversas cessaram. ergui os olhos para a entrada da mansão.

As portas estavam abertas.

Durante alguns segundos não aconteceu nada.

Então Renesmee apareceu.

E todos os cálculos que eu vinha fazendo desde Allentown simplesmente deixaram de ocupar minha cabeça.

Ela estava no início do tapete vermelho, com Emma alguns passos atrás, e por um momento eu não ouvi a música, não pensei nos representantes das famílias sentados ao redor, não pensei em Edward Cullen, no medalhão escondido em meu escritório ou na razão verdadeira pela qual ampliara aquela lista de convidados.

Eu apenas olhei para a mulher que vinha em minha direção.


RENESMEE

Fiquei diante do espelho durante tanto tempo que comecei a desconfiar de que estava usando meu próprio reflexo como desculpa para não sair daquele quarto. O vestido era exatamente como eu queria e, ao mesmo tempo, muito mais do que algum dia imaginei que usaria. O corpete estruturado acompanhava meu corpo e terminava em um decote delicado que deixava os ombros descobertos, cercado por aplicações de renda que desciam pela cintura e continuavam pela saia. A parte frontal seguia linhas mais próximas ao corpo antes de se abrir em camadas leves e transparentes, enquanto a cauda se espalhava atrás de mim, coberta pelos mesmos bordados delicados. Meus cabelos estavam presos em um coque elegante, com alguns fios soltos ao redor do rosto, e pequenos pontos de brilho haviam sido colocados entre os fios. Eu mal reconhecia a garota que, poucas semanas antes, servia café no Riverside contando mentalmente quanto dinheiro ainda tinha para sobreviver até o fim do mês.

Agora eu estava prestes a me casar com Jacob Black.

A ideia continuava absurda mesmo vestida de noiva.

— Você está maravilhosa.

Olhei para Emma através do espelho. Ela estava atrás de mim havia alguns minutos, alternando entre sorrir e enxugar discretamente os olhos enquanto fingia que não estava emocionada.

— Você já disse isso quatro vezes.

— Posso dizer mais vinte. É meu direito.

— Acho que não existe esse direito.

— Existe no manual das melhores amigas. — Emma aproximou-se, ajeitou uma parte da renda sobre meu ombro e tornou a olhar para meu reflexo. — Ainda não acredito que você vai casar.

— Nem eu.

— Com Jacob Black.

— Emma.

— Estou apenas constatando.

— Você constata demais.

Ela sorriu.

— E é hoje.

Franzi a testa.

— É hoje o quê?

A expressão dela tornou-se maliciosa.

Demorei dois segundos.

— Emma!

Ela começou a rir.

— O quê? É seu casamento. É hoje que você perde a virgindade.

Senti meu rosto esquentar imediatamente.

— Você sabe muito bem que não é assim. Eu contei sobre os trinta dias e...

— Não. — Emma ergueu a mão. — Não venha com esse negócio de trinta dias porque isso é uma grande besteira.

Virei-me para ela, indignada e divertida ao mesmo tempo.

— Foi uma condição minha.

— Eu sei. E apoio completamente seu direito de escolher quando, onde e como. Isso é muito importante. Agora, dito isso... — Ela segurou meus braços e assumiu uma expressão séria que durou aproximadamente dois segundos. — Você olhou direito para o homem com quem vai casar?

Comecei a rir.

— Emma.

— Estou falando sério. O Black é gostoso, bonito, milionário e está colocando uma aliança no seu dedo. Você quer mesmo passar trinta noites olhando para aquele homem do outro lado do corredor enquanto preserva um prazo contratual?

— Você é impossível.

— Sou prática.

— Você tem dois filhos. Sua definição de praticidade nesse assunto já produziu consequências.

Emma abriu a boca, ofendida.

— Isso foi baixo.

— Mas foi verdade.

— Meus filhos são maravilhosos.

— São. E eu amo os dois. Ainda assim, continuam sendo provas materiais de que talvez você não deva ser minha principal conselheira sobre abstinência.

Ela ficou em silêncio por um segundo antes de começar a rir.

— Está bem. Essa você ganhou.

— Obrigada.

— Mas continuo achando desperdício.

— Você não está ajudando!

Minha risada saiu mais alta, e por alguns segundos a tensão que me acompanhara desde que acordara naquela manhã desapareceu. Emma sempre tivera esse efeito sobre mim. Talvez fosse justamente por isso que eu quisera tanto que ela estivesse ali. Todo o restante daquela casa podia ter mudado, minhas roupas podiam custar mais do que meu antigo salário anual e havia homens do lado de fora que me chamavam de senhorita Miller com uma formalidade que ainda me deixava desconfortável, mas Emma continuava falando comigo como fazia no Riverside.

Ela segurou meus ombros e me virou novamente para o espelho.

— Agora olhe.

Obedeci.

Emma ficou atrás de mim, e nosso olhar se encontrou pelo reflexo.

— Você está maravilhosa, Nessie. E não estou falando isso porque sou sua amiga.

— Está, sim.

— Também. Mas olhe para você.

Dessa vez não fiz nenhuma piada.

Meus olhos percorreram o vestido lentamente.

— Estou com medo.

A confissão saiu antes que eu decidisse fazê-la.

Emma deixou de sorrir.

— De Jacob?

Pensei.

— Não exatamente.

E aquela talvez fosse a parte mais estranha.

Eu deveria ter medo dele. Sabia que Jacob era poderoso, sabia que existiam coisas sobre sua vida e seus negócios que ele ainda não me contara e não era ingênua o bastante para acreditar que tantos homens o chamavam de Don por algum capricho familiar. Mas o homem que eu conhecera dentro daquela casa não me assustava da maneira que deveria. Eu vira Jacob com William. Vira sua relação complicada com Claire. Vira como tratava Sarah, Rachel e Rebecca. Estivera sozinha com ele de madrugada e, mesmo percebendo que existia atração entre nós, ele respeitara exatamente a distância que eu exigira.

— É tudo — expliquei. — Há algumas semanas eu estava em Allentown. Agora vou me casar com um homem que conheço há tão pouco tempo que ainda estou aprendendo quais expressões ele faz quando está irritado.

— Quantas você descobriu?

— Três.

Emma sorriu.

— Progresso.

— Em poucos minutos vou entrar num jardim cheio de pessoas que eu não conheço e dizer sim para uma vida que também não conheço. Acho que tenho direito de estar assustada.

— Tem.

Ela apertou suavemente meus braços.

— Só não confunda medo de mudança com arrependimento.

Olhei para ela através do espelho.

— Desde quando você ficou sensata?

— Desde que percebi que você estava realmente nervosa.

Sorri.

Uma batida na porta nos interrompeu.

Antes que eu respondesse, ela se abriu e Rebecca colocou a cabeça para dentro.

— Posso?

— Você já entrou — observei.

— Excelente. Então não preciso esperar autorização.

Ela entrou completamente e parou ao me ver.

Sua expressão mudou.

— Renesmee...

Por algum motivo, aquilo me deixou ainda mais nervosa.

— Está ruim?

— Está brincando?

Rebecca aproximou-se e examinou o vestido.

— Está perfeita.

— Obrigada.

Ela consultou o relógio.

— E precisa descer.

Emma soltou uma risada.

— Sabia que vinha alguma ordem.

— Não é uma ordem. É prevenção.

— Prevenção de quê? — perguntei.

Rebecca me lançou um olhar significativo.

— De Jacob subir.

Meu estômago se contraiu.

— Ele faria isso?

— É Jacob.

— Isso não responde.

— Responde para quem conhece meu irmão. Ele já perguntou duas vezes onde você está.

Emma virou-se para mim com um sorriso enorme.

— Está vendo?

— Não comece.

— O homem está impaciente.

Rebecca segurou parte da cauda do vestido.

— E eu passei dias organizando esta cerimônia. Não permitirei que Jacob estrague minha entrada da noiva porque decidiu vir buscá-la pessoalmente.

Olhei novamente para o espelho.

Dessa vez não havia mais razão para adiar.

Meu coração batia tão depressa que parecia impossível que as duas não ouvissem, mas respirei fundo e ajeitei uma das mãos sobre a saia.

Emma me observou.

— Pronta?

Eu poderia ter respondido que não. Provavelmente seria a resposta mais verdadeira.

Mas pensei em Jacob esperando lá embaixo.

— Estou.

Saímos do quarto.

Caminhar com aquele vestido exigia mais concentração do que eu esperava. Rebecca e Emma seguravam a cauda atrás de mim enquanto avançávamos pelos corredores, e a mansão parecia estranhamente diferente. O movimento que existira durante toda a manhã diminuíra. Os funcionários já estavam em suas posições, os convidados haviam seguido para o jardim e, conforme nos aproximávamos da escada, a música instrumental que vinha do lado de fora se tornou mais perceptível.

— Devagar — Rebecca orientou quando comecei a descer. — Se cair, Jacob mata alguém.

Olhei para ela.

— Por que alguém?

— Porque dificilmente admitiria que a culpa foi sua.

Emma riu atrás de mim.

— Estou começando a entender essa família.

— Não incentive — pedi.

Conseguimos chegar ao andar inferior sem que eu caísse, destruísse o vestido ou provocasse uma execução injustificada. Rebecca nos conduziu por uma área lateral da mansão para que eu não atravessasse diante dos convidados antes da hora, e foi somente quando chegamos às grandes portas que davam para o jardim que meu nervosismo deixou de ser abstrato.

Havia pessoas lá fora.

Muitas.

Eu conseguia enxergar as fileiras de cadeiras, os arranjos, o tapete vermelho e homens de terno espalhados discretamente pelos limites da propriedade. Reconheci Sarah na primeira fileira. Rachel estava alguns lugares adiante. Claire estava sentada com uma expressão surpreendentemente tranquila, e William parecia incapaz de permanecer completamente imóvel mesmo depois de alguém ter evidentemente mandado que ficasse.

Então meus olhos chegaram ao altar.

Jacob estava lá.

De terno escuro, impecável, diante do juiz que conduziria a cerimônia. De onde eu estava, não conseguia distinguir perfeitamente sua expressão, mas bastou vê-lo para que meu coração acelerasse ainda mais.

Emma soltou a cauda do meu vestido.

— Vou sentar com as crianças.

Virei o rosto para ela.

— Você vai me deixar aqui?

— Você não precisa de mim para essa parte.

— Isso é discutível.

Ela sorriu, aproximou-se e me abraçou cuidadosamente para não estragar nada.

— Vai ficar tudo bem.

— Se eu desmaiar, diga que foi o vestido.

— Se você desmaiar, Jacob provavelmente manda chamar cinco médicos antes de você tocar no chão.

Ri, apesar do nervosismo.

— Vá.

Emma beijou minha face e seguiu discretamente para ocupar seu lugar com os filhos.

Rebecca permaneceu comigo apenas o suficiente para organizar a cauda do vestido e conferir mais uma vez se tudo estava certo. Depois apertou minha mão.

— Ele está esperando.

Olhei novamente para Jacob.

Dessa vez ele também estava olhando para mim.

Não para os convidados, não para Rebecca, não para os homens posicionados ao redor do jardim.

Para mim.

Engoli em seco.

— Você consegue, Nessie — sussurrei para mim mesma.

As primeiras notas da marcha nupcial começaram.

As pessoas se levantaram.

Respirei profundamente, segurei o pequeno buquê com as duas mãos e dei o primeiro passo sobre o tapete vermelho.

Eu não tinha pai para me conduzir até o altar, nem mãe esperando na primeira fileira. Durante anos imaginei que, se algum dia me casasse, essa ausência seria a parte que mais doeria. Naquele momento, entretanto, não me senti abandonada caminhando sozinha. Emma estava entre as pessoas que eu amava, seus filhos sorriam para mim, Sarah me observava com uma emoção que tentava esconder, Rachel já parecia prestes a chorar e até Claire mantinha os olhos em mim.

E, no fim daquele caminho, Jacob continuava esperando.

A cada passo, o restante do jardim parecia perder importância. Eu ainda estava nervosa, ainda tinha dúvidas suficientes para preencher todos os quartos daquela mansão e continuava sem saber exatamente como minha vida havia me levado até ali.

Mas não parei.

Mantive os olhos em Jacob e caminhei até ele.