A esposa do Don
32 Noite de núpcias ( final)
Eu ainda estava tentando recuperar o fôlego, meu corpo vibrando com os resquícios daquele orgasmo avassalador, quando senti Jacob se mover. Ele subiu no colchão e se posicionou exatamente entre as minhas pernas, a silhueta imponente bloqueando a vista das luzes de Nova York. Ele se inclinou e beijou a dobra da minha coxa, um gesto que parecia quase terno, mas que carregava a promessa de algo brutal. Com as mãos firmes, ele afastou minhas pernas ainda mais, abrindo-me completamente para ele.
Senti o peso do seu corpo me pressionando contra os lençóis, e sua boca buscou a minha em um beijo mais contido, quase solene, mas carregado de uma possessividade que me deixou sem ar. Ele se afastou apenas alguns centímetros, fixando seus olhos nos meus com uma intensidade que me fez tremer.
— Você é minha, Nessie? — ele perguntou, a voz baixa, rouca, vibrando no meu peito.
— Sim... — respondi, a voz ofegante, mal conseguindo formar a palavra. — Sim, eu sou.
Jacob soltou um riso sombrio e me olhou com um desejo predatório. — Olhe nos meus olhos. Não desvie. Porque agora eu vou te foder até você implorar para que eu pare.
O nervosismo me dominou instantaneamente. Senti o membro dele, rígido e quente, forçando a entrada, pressionando contra a minha abertura estreita e úmida. Eu prendi a respiração, meus dedos cravando-se nos lençóis, e então, com um impulso decidido, ele me penetrou.
Senti uma dor aguda, um rasgo súbito que me fez soltar um grito abafado contra o ombro dele. O romper da minha virgindade foi como um choque elétrico que percorreu todo o meu corpo, uma sensação de preenchimento absoluto que beirava o insuportável. Jacob congelou, permanecendo enterrado profundamente dentro de mim, sua respiração pesada batendo contra meu rosto.
— Você é apertada demais... — ele rosnou, a voz carregada de luxúria. — Foi feita exatamente para mim.
Ele começou a se mover. Lentamente no início, permitindo que meu corpo se acostumasse com a invasão, mas logo o ritmo tornou-se mais firme, mais exigente. — Toque em mim, Nessie. Quero sentir suas mãos enquanto eu te possuo — ele ordenou.
Minha mão deslizou pelo seu peito e desceu pelo abdômen trincado, sentindo cada músculo contraído pelo esforço. A sensação da pele dele sob meus dedos, combinada com a fricção interna, começou a transformar a dor em um prazer quente e pulsante. Jacob começou a sussurrar coisas obscenas no meu ouvido, descrevendo exatamente o que estava fazendo comigo e como eu me sentia apertada ao redor dele.
— Você vai dar para mim todos os dias, não vai? — ele perguntou, aumentando a velocidade das estocadas, cada golpe batendo fundo no meu útero.
— Sim! — eu gemi, perdendo a compostura.
— Diga que essa buceta é minha! Diga agora! — ele exigiu, a voz subindo de tom, a possessividade atingindo o ápice.
— Sim! É sua! Essa buceta é sua, Jacob! — gritei, minha voz ecoando pelo luxuoso quarto do hotel.
Ao ouvir minhas palavras, Jacob perdeu completamente o controle. Ele abandonou qualquer resquício de gentileza e começou a me foder com uma selvageria primitiva. O ranger rítmico da cama King size misturava-se ao som úmido e visceral de nossos corpos colidindo, criando uma sinfonia de luxúria. Cada estocada era um impacto devastador que me levava mais perto do abismo.
Senti a pressão crescer novamente, as paredes do meu interior apertando-o em espasmos frenéticos. Eu gozei novamente, gritando o nome dele enquanto meu corpo se contraía em ondas de prazer puro. No mesmo instante, Jacob soltou um rugido gutural e descarregou tudo dentro do meu útero, preenchendo-me completamente com seu calor.
Ele desabou sobre mim, o peito subindo e descendo violentamente, a respiração pesada e quente contra a minha pele. — Você me deixa louco, Nessie... — ele sussurrou, exausto e satisfeito, enquanto ainda permanecíamos fundidos um ao outro.
Tivemos apenas alguns minutos de recuperação, mas o silêncio do quarto era preenchido por nossas respirações pesadas e a eletricidade que ainda vibrava entre nós. O desejo não havia sido saciado; ele tinha sido apenas atiçado. Os beijos voltaram a ser urgentes, famintos, como se cada segundo longe do contato fosse uma tortura. Minhas mãos deslizaram pelas costas dele, sentindo a força dos seus músculos, e cravei as unhas suavemente em sua pele, marcando-o como meu.
Jacob não perdeu tempo. Sua boca desceu pelo meu pescoço com voracidade, distribuindo chupões profundos e possessivos. Eu sabia que, na manhã seguinte, haveria marcas roxas espalhadas por todo o meu colo, evidências permanentes de que ele tinha me reivindicado.
De repente, ele saiu de cima de mim com um movimento ágil e me girou de costas. Senti o lençol frio contra meu peito enquanto ele beijava a curvatura da minha coluna, descendo lentamente, centímetro por centímetro, até chegar ao meu bumbum. Suas mãos grandes subiram novamente, apertando minha carne com força, e com um puxão decidido, ele me deixou de quatro sobre a cama.
— Empina para mim, Nessie. Quero ver tudo — ele ordenou, a voz agora mais sombria e dominante.
Eu obedeci instantaneamente, arqueando as costas e oferecendo-me a ele. Antes que eu pudesse processar, senti o impacto de um tapa estalado na minha nádega. O som ecoou no quarto e a ardência súbita me fez soltar um gemido alto, que misturava susto e um prazer proibido. Sem dar tempo para eu respirar, ele me penetrou novamente por trás.
O impacto foi visceral. Por estar nessa posição, ele conseguia ir ainda mais fundo, atingindo pontos que me faziam perder o sentido. A sensação era de ser completamente dominada, de ser preenchida por algo maior e mais forte que eu. Jacob não tinha mais qualquer traço de hesitação; ele me fodia com um ritmo implacável, cada estocada sendo um golpe seco que sacudia todo o meu corpo.
Enquanto me possuía, Jacob esticou o braço e encontrou meu clitóris, estimulando-me com precisão enquanto seus quadris colidiam contra os meus com um som úmido e rítmico.
— Você é minha, Nessie... minha garota gostosa... minha putinha — ele rosnou no meu ouvido, as palavras obscenas disparando descargas de adrenalina pelo meu sistema. — Você nasceu para ser foda assim, sentindo tudo o que eu tenho para te dar.
Eu estava em transe, a mente nublada pelo prazer bruto e pela entrega total. A sensação de ser chamada daquelas coisas por ele, naquele ambiente luxuoso, era paradoxalmente excitante.
— Diga que eu sou seu Don! — ele exigiu, apertando meus quadris com tanta força que eu sabia que ficariam marcas. — Diga agora!
— Você é meu Don! — eu gritei, a voz embargada, sentindo meu corpo inteiramente à mercê da vontade dele. — Jacob, meu Don!
Ele perdeu qualquer resquício de controle. A foda tornou-se frenética, sem pudor, sem delicadeza. Era puro instinto. Eu sentia cada centímetro dele me rasgando e me reconstruindo ao mesmo tempo. O ranger da cama era ensurdecedor, acompanhando os gritos de prazer e os comandos possessivos dele. Eu era apenas um instrumento para o seu prazer, e nunca me senti tão viva.
A pressão subiu rapidamente, o atrito tornando-se quase insuportável de tão intenso. Eu senti as ondas do orgasmo me atingirem novamente, me fazendo tremer violentamente enquanto Jacob soltava um rugido gutural, enterrando-se profundamente em mim uma última vez e despejando todo o seu desejo dentro de mim, em uma explosão final que nos deixou exaustos e fundidos no silêncio luxuoso de Nova York.
Despertei devagar, ainda naquele estado em que o corpo parecia acordar antes da cabeça, e durante alguns segundos não reconheci o quarto, a luz suave atravessando as cortinas nem o calor sob meu rosto. Foi apenas quando respirei profundamente e senti o perfume de Jacob que as lembranças da noite anterior voltaram de uma vez. Eu estava deitada sobre o peito dele, com uma das pernas presa entre as dele e o braço pesado de Jacob ao redor da minha cintura, como se em algum momento durante a madrugada ele tivesse me puxado para perto e decidido que eu permaneceria ali. Meu rosto esquentou quando me lembrei da noite anterior e, principalmente, da facilidade assustadora com que os trinta dias que eu mesma exigira haviam perdido qualquer importância.
Ergui a cabeça com cuidado e observei Jacob. Era a primeira vez que o via dormindo, e a diferença me prendeu por alguns instantes. Não havia o Don Black naquele rosto, pelo menos não aquele que eu conhecia. A expressão dura estava relaxada, os cabelos ligeiramente desalinhados e a respiração profunda fazia seu peito subir e descer lentamente sob minha mão. Dormindo, parecia mais jovem e estranhamente vulnerável, uma palavra que eu jamais imaginara associar a Jacob. Até então, eu sempre o encontrara preparado para alguma coisa, vestido impecavelmente, atento a cada movimento ao redor, como se nada pudesse alcançá-lo sem que ele percebesse primeiro. Naquela manhã, porém, estava simplesmente dormindo ao meu lado.
Com cuidado, ergui o braço que ainda repousava sobre minha cintura e o afastei. Jacob se mexeu, e congelei imediatamente, esperando que abrisse os olhos. Ele apenas virou um pouco o rosto sobre o travesseiro e continuou dormindo. Saí da cama em silêncio, peguei o robe que estava próximo e o vesti antes de caminhar até o banheiro.
A luz diante do espelho me fez perceber rapidamente que a noite anterior deixara algumas evidências.
Afastei o cabelo do pescoço e suspirei.
— Maravilhoso.
Havia marcas avermelhadas próximas ao meu pescoço que seriam difíceis de explicar caso Rachel resolvesse aparecer cedo demais. Passei os dedos sobre uma delas e imediatamente me lembrei de como fora parar ali. Fechei os olhos, sentindo minhas bochechas aquecerem novamente, e balancei a cabeça para mim mesma.
Eu tinha realmente feito aquilo.
Não estava arrependida, e talvez essa fosse a parte mais assustadora.
Abri o chuveiro e esperei a água aquecer antes de tirar o robe e entrar. O banheiro era grande demais, a área do chuveiro revestida de pedra e vidro, com espaço suficiente para várias pessoas, embora eu preferisse não pensar no motivo de um hotel considerar aquilo necessário. Deixei a água quente cair sobre meus ombros e fechei os olhos, tentando relaxar enquanto organizava os pensamentos. Eu ainda precisava conversar com Jacob sobre Lucy, ainda havia coisas naquele casamento que me incomodavam e uma quantidade absurda de assuntos que tínhamos simplesmente abandonado na noite anterior. Dormir com ele não resolvera nenhum deles.
Mas havia mudado alguma coisa.
Não conseguia mais fingir que Jacob era apenas o homem de um contrato.
Eu o desejava. Tinha escolhido ficar com ele e, pior, descobrira que a proximidade que tanto temera era exatamente aquilo que agora me deixava querendo ficar mais perto.
Estava tão concentrada nos próprios pensamentos que não percebi quando ele entrou.
Só percebi sua presença quando ouvi a voz rouca junto ao meu ouvido.
— Bom dia, senhora Black.
Meu coração disparou.
Girei o corpo rapidamente e encontrei Jacob diante de mim, ainda com o rosto marcado pelo sono e os cabelos desarrumados.
— Você quase me matou de susto.
— Seria inconveniente ficar viúvo na manhã seguinte ao casamento.
— Você não faz barulho quando anda?
— Faço quando quero ser ouvido.
— Isso é perturbador.
— Você se acostuma.
— Não pretendo.
Ele olhou para mim durante alguns segundos, e reconheci imediatamente aquele olhar da noite anterior. Instintivamente, cruzei os braços.
— Pare de olhar.
— Você é minha esposa.
— Isso não lhe dá autorização para ficar me examinando.
— Ontem você apresentou menos objeções.
Senti o rosto queimar.
— Ontem eu claramente estava tomando decisões questionáveis.
— Posso listar algumas excelentes.
— Jacob...
Não consegui terminar. Ele segurou meu rosto e me beijou, e toda a provocação desapareceu no instante em que correspondi. Minhas mãos encontraram seus ombros enquanto a água continuava caindo sobre nós, e Jacob me puxou para perto. Aquele beijo tinha alguma coisa diferente da ansiedade da noite anterior; não havia mais a barreira do desconhecido, apenas a consciência de que eu já sabia como era estar nos braços dele e que meu corpo reconhecia aquilo depressa demais.
Quando ele interrompeu o beijo por um instante, manteve a testa próxima da minha.
— Ainda pode mandar que eu saia.
Eu deveria ter considerado a oferta com mais seriedade.
Em vez disso, segurei seu rosto e o beijei novamente.
Jacob correspondeu imediatamente, e deixei de pensar na conversa que precisávamos ter, na hora ou no que aconteceria quando saíssemos daquela suíte e voltássemos à vida real. Naquele momento, permiti que a proximidade entre nós falasse mais alto, entregando-me novamente à intimidade que eu mesma escolhera na noite anterior. Quando a manhã finalmente voltou a exigir nossa atenção, permaneci por alguns segundos abraçada a ele sob a água, tentando recuperar a respiração e compreender a rapidez com que todas as minhas certezas haviam mudado.
Não havia mais como voltar à distância segura que eu planejara manter durante aqueles trinta dias.
A constatação deveria ter me assustado apenas pela velocidade com que tudo acontecera, mas havia algo ainda mais inquietante. Jacob possuía sobre mim um efeito que eu não sabia controlar. Bastava aproximar-se, tocar minha cintura ou baixar a voz junto ao meu ouvido para que a mulher racional que negociara cada cláusula daquele casamento começasse a perder espaço para outra que eu mal reconhecia.
Apoiei o rosto por um instante em seu peito, ouvindo a respiração dele voltar lentamente ao normal. Eu nunca gostara de me sentir vulnerável diante de ninguém. Naquela manhã, pela primeira vez, compreendi que Jacob tinha o poder de me deixar exatamente assim.
E eu acabara de entregar esse poder a ele por vontade própria.
Jacob decidiu que não retornaríamos imediatamente para a mansão. Depois do banho, enquanto eu imaginava que começaríamos a nos arrumar, ele simplesmente informou que pretendia ficar mais algumas horas no hotel. Segundo ele, depois de passar a própria festa de casamento conversando com homens sobre negócios, cumprimentando pessoas que não desejava ver e resolvendo problemas que sequer deveriam ter atravessado os portões de sua casa, tinha o direito de aproveitar algumas horas com a esposa antes de voltar à rotina. Não discuti. Na verdade, a ideia de permanecer naquela suíte, longe da movimentação da mansão e de qualquer pessoa que pudesse perceber pelas minhas expressões exatamente o que acontecera desde que saímos da festa, pareceu excelente.
Meu celular começou a vibrar enquanto eu estava sentada na cama usando o robe do hotel e tentando decidir se deveria pedir o café da manhã. Emma havia enviado uma sequência de mensagens que começou educadamente com um bom dia e evoluiu rapidamente para perguntas que nenhuma amiga decente deveria fazer antes das dez da manhã.
Emma: Você está viva?
Ignorei.
Emma: Preciso saber se os 30 dias continuam valendo.
Continuei ignorando.
Emma: NESSIE.
Mordi o lábio para não rir.
Emma: Eu sou sua melhor amiga. Tenho direitos.
Olhei discretamente para Jacob. Ele estava próximo à mesa, falando ao telefone sobre alguma coisa que aparentemente exigia a substituição de dois homens da segurança da mansão. Seu tom era baixo e controlado, mas não precisava levantar a voz para deixar evidente que alguém teria uma manhã desagradável.
Voltei ao celular.
Eu: Eu dei pra ele.
Enviei.
A resposta apareceu tão depressa que tive certeza de que Emma estava segurando o telefone esperando.
Emma: O QUÊ???
Logo depois:
Emma: RENESMEE VOCÊ NÃO PODE ME MANDAR ISSO E SUMIR.
Sorri.
Emma: QUERO DETALHES.
Outra mensagem.
Emma: OS 30 DIAS DURARAM QUANTAS HORAS???
Bloqueei o celular e o coloquei sobre o criado-mudo.
— Está sorrindo para quem?
Levantei os olhos. Jacob havia encerrado a ligação e me observava.
— Emma.
— Isso explica.
— Explica o quê?
— A expressão de quem está falando alguma coisa que eu provavelmente preferiria não saber.
Meu sorriso aumentou.
— Nesse caso, sua avaliação está correta.
Ele não perguntou mais nada, o que foi prudente. O problema foi ter começado a caminhar na minha direção com aquela expressão que eu já aprendera a reconhecer. Algumas horas depois, eu descobriria que permanecer no hotel talvez não tivesse sido a melhor decisão para qualquer tentativa de preservar minha capacidade de raciocinar perto daquele homem.
Eu já havia perdido a conta de quantas vezes nos procuráramos desde que entramos naquela suíte. Parecia absurdo quando lembrava do medo que sentira antes do casamento, da negociação dos trinta dias e da quantidade de vezes em que repetira para Emma que precisava de tempo. Quando Jacob me envolvia nos braços, porém, todo aquele planejamento parecia pertencer a uma versão de mim que não conhecia o próprio marido da maneira como eu começava a conhecer.
Mais tarde, estávamos novamente na cama, completamente envolvidos um no outro, e eu já não tentava esconder o quanto aquela proximidade me afetava. Jacob estava sobre mim, sustentando parte do peso nos braços enquanto me beijava, e eu me agarrava aos seus ombros, acompanhando seus movimentos e sentindo a intensidade crescer até que qualquer pensamento coerente se tornou impossível. Enterrei o rosto próximo ao pescoço dele quando o prazer finalmente me venceu, fechando os olhos e deixando escapar seu nome enquanto meu corpo inteiro parecia perder a tensão de uma única vez.
Jacob permaneceu comigo, a respiração pesada junto ao meu rosto, até também atingir o próprio limite. Ouvi seu gemido mais alto do que de costume antes que ele escondesse o rosto junto ao meu pescoço e relaxasse sobre mim por alguns segundos. Passei os braços ao redor dele, ainda tentando recuperar o fôlego, e comecei a rir baixinho quando uma ideia absolutamente inconveniente surgiu.
A cláusula do filho.
Meu Deus.
Eu havia passado semanas discutindo um contrato que previa que eu teria um filho de Jacob em algum momento durante nosso casamento e, considerando a maneira como tínhamos aproveitado aquelas primeiras horas, comecei a pensar que talvez estivéssemos sendo eficientes demais no cumprimento daquela parte.
A possibilidade deveria ter me assustado.
Em vez disso, minha mão passou distraidamente pelas costas dele enquanto eu me perguntava, pela primeira vez, se já poderia existir alguma consequência daquela noite que nenhum de nós descobriria durante semanas.
Jacob ergueu a cabeça.
— Por que está sorrindo?
— Estava pensando no contrato.
Ele franziu o cenho.
— Neste momento?
— Especificamente em uma cláusula.
A compreensão surgiu devagar em seus olhos.
— Entendo.
— Se continuarmos nesse ritmo, seu advogado vai ficar muito satisfeito com a eficiência das partes envolvidas.
Jacob soltou uma breve risada e beijou minha testa antes de finalmente sair de cima de mim. Deitou-se ao meu lado e ficou alguns segundos olhando para o teto, recuperando a respiração, antes de verificar o horário.
— Precisamos ir.
Virei a cabeça para ele, incrédula.
— Você disse isso antes do banho.
— E estava correto naquela ocasião também.
— Entretanto, demonstrou uma capacidade impressionante de ignorar a própria agenda.
Ele virou o rosto para mim.
— Minha esposa estava dificultando minha saída.
— Sua esposa estava tomando banho sozinha quando você invadiu o chuveiro.
— Um erro que eu corrigi.
Ri e puxei o lençol um pouco mais para cima.
— Se continuarmos aqui por mais uma hora, talvez precisemos reservar a suíte por uma semana.
Jacob apoiou-se sobre um braço e se inclinou em minha direção.
— Não me provoque, senhora Black. Tenho recursos suficientes para descobrir até onde você pretende sustentar essa coragem.
Meu sorriso diminuiu.
Havia algo profundamente injusto na maneira como ele conseguia dizer determinadas coisas sem alterar o tom de voz.
— Isso foi uma ameaça?
— Uma promessa.
Antes que eu respondesse, Jacob segurou meu rosto e me beijou, dessa vez devagar, sem a urgência das horas anteriores. Quando se afastou, seus olhos permaneceram nos meus.
— Agora se vista antes que eu mude de ideia sobre voltar para casa.
Ele saiu da cama e caminhou em direção ao banheiro como se não tivesse acabado de fazer meu coração acelerar outra vez.
Fiquei observando-o até desaparecer pela porta.
Então fechei os olhos e repeti silenciosamente a única regra que deveria ter sido mais importante do que qualquer cláusula daquele contrato.
Eu não podia me apaixonar por Jacob Black.
Não por um homem que ainda escondia partes demais da própria vida. Não por um casamento que começara como um acordo. Não por alguém que, em algum momento, poderia simplesmente cumprir o contrato e continuar a vida enquanto eu teria de descobrir como reconstruir a minha.
Abri os olhos.
O problema era que aquela advertência já não parecia preventiva.
Parecia tardia.
Em algum momento entre as madrugadas na cozinha, a maneira como ele cuidava de William, nossas discussões, os beijos roubados e aquela primeira noite como sua esposa, eu havia atravessado uma linha que nem sequer percebera existir.
Eu não estava começando a correr o risco de me apaixonar por Jacob Black.
Eu já estava apaixonada.
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