A esposa do Don

31 Noite de nupcias( parte 1)


RENESMEE

Eu só descobri para onde estávamos indo quando o carro entrou na Quinta Avenida e Jacob mencionou, com a naturalidade de quem falava sobre qualquer hotel comum, que havia reservado uma suíte no . Eu conhecia o nome, embora nunca tivesse imaginado que entraria naquele lugar como hóspede. O hotel ocupava o histórico Crown Building, na Quinta Avenida, próximo ao Central Park, e era o tipo de endereço em que luxo parecia significar principalmente privacidade, silêncio e a capacidade de fazer alguém esquecer que ainda estava no centro de Manhattan.

Virei o rosto para Jacob, que estava sentado ao meu lado no banco traseiro com uma tranquilidade que eu considerava quase ofensiva diante do meu nervosismo.

— Você reservou uma suíte no Aman para passarmos uma noite?

— Reservei.

— Jacob, isso é absurdo.

— Discordo.

— Naturalmente.

Ele passou os olhos pelo meu conjunto rosa e demorou-se um pouco mais do que seria necessário para simplesmente observar minha roupa. Eu já havia percebido aquele olhar outras vezes, mas havia alguma coisa diferente nele naquela noite. Talvez fosse a consciência de que estávamos casados. Talvez fosse culpa da conversa com Emma. Ou talvez eu estivesse apenas excessivamente consciente de que, quando chegássemos ao quarto, não haveria Rachel, crianças, funcionários ou convidados entre nós.

— Como não poderemos viajar agora, merecemos passar nossa primeira noite de casados em algum lugar especial — explicou.

— Poderíamos ter escolhido alguma coisa menos...

— Cara?

— Eu ia dizer extravagante.

— Estava pensando cara.

— Também.

Jacob inclinou discretamente a cabeça.

— Felizmente, não é você quem está pagando.

— Que argumento elegante.

— E eficiente.

Revirei os olhos e olhei pela janela, mas não antes de perceber que ele continuava me observando. Quando voltei o rosto alguns segundos depois, seus olhos percorreram lentamente meu corpo outra vez. Não havia qualquer vulgaridade naquele gesto. Isso o tornava pior. Jacob conseguia permanecer perfeitamente imóvel, com a expressão controlada, e ainda assim olhar para mim de uma maneira que fazia parecer que o tecido rosa entre nós simplesmente não existia.

— Pare.

— De quê?

— De me olhar assim.

— Assim como?

— Você sabe.

— Não sei.

— Como se eu estivesse sem roupa.

A resposta escapou antes que eu pudesse impedi-la.

Jacob não sorriu imediatamente. Seus olhos encontraram os meus e permaneceram ali enquanto senti minhas bochechas queimarem.

— Eu não disse nada.

— Não precisava.

— Então talvez o problema esteja na sua interpretação.

— Minha interpretação está ótima.

Dessa vez um pequeno sorriso apareceu.

— Também acho.

O carro parou antes que eu encontrasse uma resposta adequada. O motorista desceu e abriu a porta do lado de Jacob. Meu marido saiu primeiro, abotoou o paletó e se virou imediatamente para mim, estendendo a mão.

Olhei para ela por um segundo antes de aceitar.

Seus dedos se fecharam nos meus e ele me ajudou a sair do veículo. Não soltou minha mão depois disso.

Entramos juntos. O interior do Aman tinha uma elegância diferente da ostentação que eu esperaria de um dos hotéis mais exclusivos da cidade. Havia madeira, pedra, iluminação baixa e uma serenidade quase estranha para Manhattan; tudo parecia calculado para afastar o barulho da cidade. As acomodações do hotel seguiam a mesma proposta, com inspiração japonesa, lareiras funcionais e grandes banheiros com banheiras de imersão.

Caminhei ao lado de Jacob observando o ambiente enquanto ele parecia conhecer perfeitamente o caminho.

Aquilo chamou minha atenção.

E chamou ainda mais quando chegamos à recepção.

— Senhor Black, boa noite.

A mulher atrás do balcão abriu um sorriso assim que o viu.

Não um sorriso profissional comum.

Um sorriso de reconhecimento.

— Boa noite, Caroline.

Ela sabia o nome dele.

Ele sabia o dela.

Interessante.

— É um prazer recebê-lo novamente. Sua acomodação está preparada exatamente como solicitado.

— Obrigado. Esta é minha esposa, Renesmee Black.

A recepcionista finalmente olhou para mim.

— Naturalmente. Parabéns pelo casamento.

— Obrigada.

O sorriso foi educado e breve. Imediatamente depois, os olhos dela voltaram para Jacob.

Duas outras atendentes estavam alguns metros adiante. Uma delas também sorriu quando o reconheceu, e a outra cochichou alguma coisa. Tentei não prestar atenção. Talvez Jacob frequentasse o hotel por negócios. Homens como ele provavelmente tinham reuniões em lugares assim o tempo inteiro.

Ou talvez não fosse por negócios.

Depois de Lucy, meu cérebro havia adquirido uma inconveniente disposição para suspeitas.

— Senhor Black, preciso apenas atualizar alguns dados — disse outra atendente, aproximando-se. — Pode vir comigo por um momento?

Jacob olhou para mim.

— Fique aqui. Será rápido.

— Eu consigo sobreviver alguns minutos sem supervisão.

Ele apertou minha mão antes de soltá-la.

— Não tenho dúvida.

Acompanhei-o com os olhos enquanto caminhava poucos metros até a outra extremidade do balcão. Então me apoiei discretamente na superfície e olhei ao redor.

As recepcionistas também olhavam.

Para mim.

Uma cochichou alguma coisa no ouvido da outra.

As duas sorriram.

Meu humor, que já não estava particularmente generoso naquela noite, piorou.

Esperei alguns segundos antes de me aproximar um pouco mais.

— Posso fazer uma pergunta?

As duas imediatamente assumiram expressões profissionais.

— Claro, senhora.

— Há quanto tempo meu marido frequenta este hotel?

Uma delas hesitou. A outra respondeu:

— O senhor Black é nosso hóspede há bastante tempo.

— Bastante quanto?

— Alguns anos.

Aquilo não deveria significar nada.

Infelizmente, depois de conhecer Lucy algumas horas antes, significava coisas demais para minha imaginação.

— Entendo.

— Procurando alguma coisa, senhorita?

A voz masculina veio atrás de mim.

Virei-me e encontrei um homem elegantemente vestido, provavelmente na casa dos cinquenta anos. O distintivo e a maneira como as recepcionistas imediatamente corrigiram a postura deixaram claro que ocupava uma posição superior.

— Algum problema? — perguntou gentilmente.

Olhei para ele.

— Senhora.

Ele não entendeu.

— Perdão?

— Não é senhorita. É senhora. Senhora Black.

A mudança em seu rosto foi imediata.

— Naturalmente. Peço desculpas, senhora Black. — Ele sorriu e lançou uma rápida olhada na direção de Jacob. — Esposa do senhor Black. Meus parabéns.

— Obrigada.

— Posso fazer alguma coisa pela senhora enquanto o senhor Black termina o cadastro? Talvez providenciar uma bebida?

Olhei de relance para as duas atendentes.

Elas haviam parado de cochichar.

Sorri.

— Na verdade, adoraria.

— Será um prazer. O que deseja?

Pensei por alguns segundos. Então me lembrei de uma bebida que Emma havia me feito experimentar meses antes em um pequeno café especializado, depois de insistir que eu precisava conhecer coisas além do café comum servido no Riverside.

— Quero um ube latte gelado com leite de coco.

O gerente hesitou.

— Receio que não tenhamos ube latte no nosso menu, senhora Black.

— Que pena.

— Posso recomendar alguma outra coisa. Nosso bar certamente...

— Não é necessário. Existe um lugar que vende a menos de três quilômetros daqui.

As duas atendentes olharam para mim.

O gerente também.

Mantive meu sorriso.

— Tenho certeza de que uma das moças pode buscá-lo.

O silêncio durou apenas um instante.

— Senhora Black, normalmente nós poderíamos solicitar...

— Prefiro que alguém vá pessoalmente. — Olhei para as recepcionistas e reconheci justamente a que estivera rindo segundos antes. — Ela pode ir.

A jovem perdeu o sorriso.

O gerente pareceu avaliar se eu estava falando sério.

Eu estava.

Inclinei-me ligeiramente na direção dele e baixei a voz, mantendo a expressão mais gentil que consegui.

— Acabei de me casar, estou cansada, descobri há poucas horas que meu marido conhece este hotel muito melhor do que eu gostaria e realmente quero aquela bebida. Se ele terminar o cadastro e descobrir que pedi uma coisa tão simples e ninguém conseguiu providenciar, provavelmente ficará muito bravo.

O gerente olhou discretamente para Jacob.

Eu também.

Meu marido continuava do outro lado do balcão tratando dos documentos, aparentemente alheio ao pequeno abuso de autoridade que eu acabara de cometer usando seu nome.

O gerente tornou a olhar para mim.

— Naturalmente, senhora Black. Vamos providenciar.

— Muito obrigada.

A atendente que eu escolhera parecia muito menos divertida agora.

Ela saiu de trás do balcão e desapareceu por uma porta lateral.

Voltei a me apoiar tranquilamente no mármore, sentindo uma satisfação talvez um pouco infantil, mas inteiramente merecida.

— Renesmee.

Ouvi a voz de Jacob atrás de mim.

Fechei os olhos por um segundo.

Pelo tom, havia uma possibilidade considerável de ele ter escutado pelo menos parte da conversa.

Virei-me devagar.

Jacob estava parado a poucos passos, com uma das mãos no bolso e uma expressão impossível de interpretar.

— Terminou?

Ele olhou para o gerente, depois para a porta por onde a recepcionista acabara de sair e finalmente voltou os olhos para mim.

— Algum problema ?

Sorri da maneira mais inocente que consegui.

— Pedi uma bebida.

A suíte conseguiu me fazer esquecer por alguns minutos a pequena vingança que eu havia acabado de praticar na recepção. Assim que entramos, fiquei parada próxima à porta enquanto Jacob conversava rapidamente com o funcionário que nos acompanhara. Eu esperava luxo, naturalmente, mas não a sensação de que havíamos deixado Manhattan do lado de fora. A sala era ampla e silenciosa, com madeira escura, tecidos claros, iluminação suave e móveis elegantes sem qualquer excesso. Havia uma lareira, uma mesa preparada com champanhe e frutas, flores discretas e portas que levavam a um quarto ainda maior. Quando passei por ele, encontrei uma cama enorme, um banheiro revestido de pedra e uma banheira que parecia grande o bastante para ocupar metade do meu antigo quarto em Allentown.

— Isso é completamente desnecessário — comentei quando o funcionário finalmente saiu.

Jacob fechou a porta.

— Você já disse isso no carro.

— Agora tenho mais elementos para sustentar minha opinião.

— Considere um investimento na primeira noite do nosso casamento.

— Prefiro não perguntar quanto custou.

— Finalmente uma decisão sensata.

Olhei para ele por cima do ombro, mas continuei caminhando. A verdadeira atração da suíte estava diante de mim. As grandes janelas ofereciam uma vista impressionante de Nova York, e me aproximei até ficar quase diante do vidro. A cidade se espalhava iluminada abaixo de nós, os edifícios recortando a noite enquanto milhares de pontos de luz se estendiam à distância. Por alguns segundos fiquei apenas observando, tentando assimilar a quantidade de mudanças que cabiam em tão pouco tempo. Duas semanas antes eu era Renesmee Miller, uma mulher que ainda tentava descobrir como reconstruiria a própria vida. Naquela noite usava uma aliança Black e estava em uma das suítes mais luxuosas de Manhattan com um homem que parecia ter virado minha existência de cabeça para baixo desde o primeiro momento.

Ouvi Jacob se aproximar antes de senti-lo atrás de mim.

— Vale a pena?

— O quê?

— A vista.

— É linda.

— Foi uma das razões pelas quais escolhi esta suíte.

A voz dele veio próxima demais.

Meu coração acelerou.

Fechei os olhos por um instante, irritada comigo mesma. Desde aquela madrugada na cozinha, quase duas semanas antes, meu corpo vinha demonstrando uma irritante disposição para trair tudo aquilo que minha mente tentava organizar. Eu havia pedido trinta dias porque precisava conhecer Jacob, acostumar-me ao casamento e principalmente compreender o que sentia antes de permitir qualquer intimidade. Era um plano perfeitamente racional.

Então ele precisava apenas ficar atrás de mim para que toda aquela racionalidade começasse a apresentar falhas.

Mantive os olhos na cidade.

— Você não precisava pagar uma fortuna por uma suíte apenas para me dar explicações sobre suas amantes.

Ouvi uma respiração que poderia ter sido uma risada.

— Amantes, no plural?

— Não conheço seu histórico completo.

— E isso a incomoda.

— Não comece.

— Nosso contrato é bastante detalhado, mas não me lembro de uma cláusula tratando de ciúmes.

Virei-me parcialmente.

— Porque eu não estou com ciúmes.

— Evidentemente.

— Estou falando sério.

Tentei me afastar da janela, mas a mão dele alcançou minha cintura.

Parei.

O gesto foi lento, sem força suficiente para me impedir de sair, e talvez exatamente por isso tenha sido muito mais difícil simplesmente continuar andando. Os dedos de Jacob deslizaram pela lateral da minha cintura sobre o tecido fino da roupa e se acomodaram ali. Minha respiração mudou imediatamente.

Ele percebeu.

Claro que percebeu.

— Jacob...

— Sim?

A proximidade da voz dele fez um arrepio percorrer minha pele.

— Nós precisamos conversar.

— Estamos conversando.

— Isso não parece uma conversa.

— Ainda não fiz nada.

— Você sabe exatamente o que está fazendo.

Ele se inclinou ligeiramente, e senti sua respiração tocar a pele próxima ao meu ouvido.

— Pretende realmente manter a cláusula dos trinta dias?

Fechei os olhos.

A pergunta deveria ser fácil.

Eu mesma havia exigido aquela condição.

— É uma cláusula — sussurrei.

— Eu sei.

— Então deve ser cumprida.

— Cláusulas podem ser alteradas por acordo entre as partes.

Apesar do coração acelerado, quase ri.

— Você está tentando negociar comigo agora?

— Estou apresentando uma possibilidade.

— Muito conveniente para você.

— Posso abrir mão da multa.

Dessa vez uma pequena risada escapou.

— Não existe multa.

— Melhor ainda.

— Jacob, você é...

A boca dele tocou a pele do meu pescoço, logo abaixo da orelha, e esqueci o restante da frase.

Meus dedos se fecharam instintivamente sobre a borda da janela enquanto um arrepio descia por minhas costas. O toque foi breve, quase cuidadoso, mas meu corpo reagiu com uma intensidade que me deixou ainda mais consciente da mão em minha cintura e da proximidade dele atrás de mim.

— Jacob, por favor — murmurei.

Ele parou imediatamente.

Por um segundo, achei que se afastaria.

Em vez disso, sua voz veio baixa junto ao meu ouvido.

— Está pedindo que eu pare?

Abri os olhos.

A pergunta me devolveu exatamente a escolha que eu temia ter de fazer. Bastava dizer sim. Ele já havia demonstrado que respeitaria aquela resposta, e eu sabia que sua mão sairia da minha cintura no mesmo instante.

Mas não era isso que eu queria.

Virei o rosto o suficiente para encontrá-lo pelo canto dos olhos.

— Não.

Jacob permaneceu imóvel por um instante, como se quisesse ter certeza de que havia me ouvido corretamente. Então sua mão se firmou delicadamente na minha cintura e ele girou meu corpo até que eu ficasse de frente para ele.

Nossos olhos se encontraram.

— Ainda está com ciúmes? — perguntou.

— Se continuar falando de Lucy, posso mudar minha resposta anterior.

Um pequeno sorriso surgiu.

— Então não falaremos de Lucy.

— Finalmente concordamos em alguma coisa.

Ele baixou o rosto devagar. Dessa vez não houve surpresa como no altar nem a raiva que existira no beijo durante nossa discussão. Eu sabia exatamente o que estava prestes a acontecer e poderia ter recuado a qualquer momento.

Não recuei.

Quando a boca de Jacob encontrou a minha, minhas mãos subiram até seu peito quase por reflexo. Ele me beijou sem pressa, e eu correspondi com a mesma consciência que tentara negar durante toda a noite. Seus braços me aproximaram, e por alguns instantes a cidade continuou brilhando atrás de nós enquanto tudo aquilo que eu pretendia perguntar sobre Lucy, sobre o casamento e sobre os inúmeros segredos que ainda existiam entre nós deixou de parecer urgente.

O beijo perdeu a delicadeza inicial sem que eu soubesse dizer exatamente em que momento isso aconteceu. Talvez quando minhas mãos deixaram o peito de Jacob e alcançaram seus ombros, ou quando ele me puxou para mais perto e eu parei definitivamente de fingir que aquela atração era apenas uma inconveniência que poderia controlar durante trinta dias. Eu havia passado as últimas duas semanas impondo limites à minha própria imaginação, repetindo que precisava de tempo, que mal conhecia aquele homem e que nosso casamento nascera de um contrato, mas naquele instante nenhuma dessas razões desaparecia; apenas pareciam muito distantes diante da consciência de que eu queria continuar beijando meu marido.

Jacob interrompeu o beijo apenas o suficiente para me olhar. Sua respiração estava mais pesada do que antes, embora ele ainda mantivesse aquele controle irritante que parecia acompanhá-lo em qualquer situação. Quando voltou a me beijar, senti suas mãos firmarem-se em minha cintura e, no instante seguinte, meus pés deixaram o chão. Soltei uma exclamação surpresa e passei os braços ao redor de seus ombros por reflexo.

— Jacob!

— Ainda pode mudar de ideia — disse ele, começando a caminhar em direção ao quarto enquanto me carregava. — Basta dizer uma palavra e eu paro.

A lucidez daquela frase deveria ter me feito pensar.

Em vez disso, olhei por cima do ombro dele e vi a porta do quarto cada vez mais próxima.

— E depois?

Jacob parou antes de atravessá-la. Seus olhos encontraram os meus e, dessa vez, não havia provocação em sua expressão.

— Depois que passarmos por essa porta, não quero jogos nem decisões tomadas pela metade. Se não estiver pronta, diga agora.

Meu coração parecia querer sair do peito. A razão finalmente tentou se manifestar, lembrando-me dos trinta dias, de tudo o que ainda não sabia sobre ele e até da discussão que deveríamos estar terminando naquela suíte. Eu poderia pedir que me colocasse no chão. Jacob faria isso. Eu sabia que faria.

Mas a possibilidade de recuar me incomodou mais do que a de continuar. Não respondi com palavras.

Segurei seu rosto e o beijei antes que minha cabeça encontrasse um argumento suficientemente convincente para me fazer mudar de ideia.

Jacob permaneceu imóvel por uma fração de segundo e então correspondeu, atravessando comigo a porta do quarto. Quando voltou a me colocar no chão, minhas pernas pareceram menos confiáveis do que eu gostaria. Permaneci próxima dele, com uma das mãos ainda apoiada em seu ombro, enquanto tentava recuperar o fôlego.


A mão dele alcançou minhas costas devagar, dando-me tempo suficiente para interrompê-lo. Seus dedos encontraram o zíper da minha blusa.

Meu coração disparou novamente.

Jacob sustentou meu olhar enquanto o abria lentamente, e senti o tecido afrouxar sobre meu corpo. Instintivamente segurei a parte da frente da blusa, mais por nervosismo do que por arrependimento, e ele parou ao perceber o gesto.

— Nervosa?

— Muito.

— Quer parar?

Balancei a cabeça.

— Não. Só... me dê um segundo.

Ele retirou a mão imediatamente.

Respirei fundo e olhei para o homem diante de mim. Algumas horas antes eu caminhara até ele diante de uma centena de pessoas e prometera me tornar sua esposa. Aquilo, estranhamente, parecera muito mais simples. Agora não existiam convidados, música ou juiz. Existíamos apenas nós dois e uma decisão que, pela primeira vez desde o início daquele contrato, não estava escrita em documento algum.

Aproximei-me novamente e segurei a gravata de Jacob.

— Acho que os trinta dias acabaram de se tornar uma negociação muito ruim para mim.

O sorriso dele surgiu devagar.

— Eu me ofereci para dispensar a multa.

— Continue falando e posso restabelecer a cláusula.

Dessa vez ele riu baixo, passou a mão pelo meu rosto e voltou a me beijar. Eu o abracei, permitindo que a tensão daquela noite finalmente desse lugar a outra coisa. O restante da conversa podia esperar um pouco. Pela primeira vez, eu não estava cumprindo uma obrigação do contrato nem representando a senhora Black diante de ninguém.

Eu estava fazendo uma escolha.



Eu estava deitada na imensa cama King size do hotel Aman New York, sentindo-me pequena diante da opulência do quarto. Pela janela, as luzes frenéticas de Nova York brilhavam como diamantes espalhados por um manto de veludo negro, mas meus olhos não conseguiam se desviar de Jacob. Minhas roupas já estavam espalhadas pelo chão, descartadas na urgência do momento, e eu me sentia vulnerável e excitada sob os lençóis de fios egípcios.

Meu coração batia tão forte que eu sentia que ele ia saltar pela boca. Eu havia imaginado minha primeira vez inúmeras vezes ao longo da vida, mas nunca em meus sonhos mais ousados imaginei que seria assim: em um hotel luxuoso, cercada por silêncio e sofisticação, com um homem que eu conhecia há apenas um mês.

Observei Jacob se despindo, a silhueta dele recortada contra o horizonte luminoso da cidade. Para um homem de 38 anos, ele era a definição de perfeição física. O corpo era imponente, com ombros largos e um abdômen trincado que denunciava a disciplina de quem cuida de cada músculo. A pele dele parecia irradiar calor, e a maneira como ele se movia tinha uma confiança predatória que me fazia estremecer.

Ele subiu na cama com a agilidade de um felino, deslizando para que metade do seu peso ficasse sobre o meu corpo, me prendendo suavemente contra o colchão. Senti sua respiração quente contra a minha pele quando ele começou a beijar meu pescoço, enquanto sua mão grande e quente deslizava lentamente pelo interior da minha coxa, subindo com uma pressão deliberada.

Ele parou por um instante e olhou profundamente nos meus olhos, a expressão carregada de um desejo sombrio e intenso.

— Eu não costumo ser tão gentil quando transo, Nessie — ele sussurrou, a voz rouca e vibrante. — Mas como é a sua primeira vez, eu vou ser cuidadoso. Só não se acostume com isso.

Aquelas palavras enviaram um choque elétrico por todo o meu corpo. Antes que eu pudesse responder, a boca dele encontrou a minha em um beijo urgente, faminto, que roubou todo o meu oxigênio. Meus dedos, trêmulos, deslizaram pelos ombros largos e firmes dele, sentindo a textura de sua pele enquanto eu me perdia naquele contato.

Jacob afastou o beijo lentamente, descendo os lábios pelo meu pescoço, traçando um caminho de fogo até o meu tórax. Quando a boca dele encontrou meus seios, senti meu corpo inteiro estremecer em um arco. Ele prendeu o bico do meu seio entre os dentes, puxando com uma pressão firme que me fez soltar um suspiro agudo, misturando dor e um prazer avassalador.

Sem romper o contato com a minha pele, ele continuou a descer, deslizando o corpo até ficar posicionado exatamente entre as minhas pernas. Eu agarrei os lençóis com força, sentindo o tecido amassar sob meus dedos, no momento em que ele tocou o centro da minha intimidade.

— Já está encharcada... — ele murmurou, um sorriso satisfeito brincando em seus lábios. — Completamente pronta para mim.

Ele afastou a renda da minha calcinha com um movimento decidido. No instante em que senti a ponta da língua dele tocar meu clitóris, eu gritei seu nome, a voz ecoando pelo quarto:

— Jacob!

Foi uma sensação que eu nunca imaginei existir. A língua dele era quente, firme e precisa. Ele começou a lamber-me em círculos lentos, alternando com movimentos rápidos e sugados que me faziam perder a noção de onde eu estava. Cada toque era como uma descarga elétrica que subia pelas minhas pernas e se concentrava em um ponto único de prazer intenso.

Eu me contorcia sob ele, os quadris subindo instintivamente para encontrar a boca dele. A estimulação era tão precisa e voraz que senti a pressão crescer dentro de mim, acumulando-se como uma tempestade prestes a desabar. Meus sentidos ficaram nublados, e tudo o que eu conseguia ouvir era a minha própria respiração ofegante e o som úmido da língua dele trabalhando em mim.

De repente, o mundo explodiu. Senti as paredes da minha intimidade contraírem-se em ondas violentas de prazer, um espasmo elétrico que percorreu cada nervo do meu corpo. Meu primeiro orgasmo me atingiu com a força de um tsunami, deixando-me sem fôlego, trêmula e completamente entregue aos cuidados daquele homem que, em apenas um mês, havia se tornado o dono dos meus desejos mais profundos.