A esposa do Don
41 Loft
RENESMEE
— Renesmee, este é Edward Cullen.
O sobrenome me era familiar. Não porque eu conhecesse aquele homem, mas porque já ouvira falar dos Cullen desde que entrara na vida de Jacob. Além disso, Bree carregava o mesmo sobrenome.
— Senhor Cullen — cumprimentei, estendendo a mão. — É um prazer.
Edward olhou para minha mão antes de aceitá-la.
— O prazer é meu, senhora Black.
Seu aperto foi firme, mas algo me chamou atenção imediatamente. A mão dele estava fria e levemente suada. Não combinava com a imagem de um homem que parecia tão controlado. Levantei os olhos para seu rosto e percebi que continuava me observando com atenção demais.
Não disse nada.
Talvez a reunião tivesse sido difícil. Talvez estivesse indisposto. Talvez simplesmente não gostasse de ser interrompido pela esposa de alguém.
Edward soltou minha mão e esboçou um sorriso que pareceu exigir algum esforço.
— Entrarei em contato com você, Black. Precisamos encerrar os últimos pontos do nosso acordo.
Jacob assentiu.
— Estarei esperando.
Olhei de um para o outro.
— Eu interrompi alguma coisa importante?
— De forma alguma, senhora Black — Edward respondeu antes de Jacob. — Já havíamos terminado.
— Espero que sim. Eu realmente disse que podia esperar.
— Acredito que seu marido discordaria.
Olhei para Jacob.
— Ele discorda de muitas coisas apenas pelo prazer de discordar de mim.
Edward sorriu novamente, mas havia tristeza naquele sorriso. Eu não soube explicar por quê.
— Imagino.
Ele recolheu a pasta que estava sobre a mesa e, antes de sair, estendeu a mão para Jacob. Os dois se cumprimentaram com aquela formalidade masculina que parecia esconder uma conversa muito maior do que a que eu presenciara.
— Black.
— Cullen.
Edward então voltou a olhar para mim.
Por alguns segundos, tive novamente aquela sensação estranha. Seu olhar percorreu meu rosto devagar, como se estivesse tentando memorizar alguma coisa.
— Foi um grande prazer conhecê-la, senhora Black.
— Igualmente, senhor Cullen.
Ele pareceu querer dizer algo mais, mas desistiu.
— Tenha um bom dia.
— O senhor também.
Edward saiu.
A porta se fechou.
Fiquei olhando para ela por um instante.
— Ele é estranho.
— Cullen?
— Ele ficou me olhando.
— Você costuma provocar esse efeito.
Virei o rosto para Jacob.
— Não tente transformar tudo em cantada.
— Não foi uma cantada. Foi uma constatação.
— Claro.
— Além disso, você entrou sem avisar numa reunião importante. Talvez ele estivesse apenas tentando entender quem tinha autoridade suficiente para conseguir isso.
— Sam disse que preferia interromper você a explicar por que me deixou esperando.
— Sam gosta de continuar vivo.
— Vocês são muito dramáticos.
Jacob não respondeu. Apenas segurou minha cintura com as duas mãos e me puxou contra ele. Apoiei as mãos em seu peito por reflexo.
— Jacob...
— Agora que expulsou minha visita, explique o que trouxe minha esposa ao meu território em pleno horário comercial.
— Eu não expulsei ninguém.
Ele inclinou o rosto e beijou lentamente meu pescoço.
Fechei os olhos por um instante.
— Você está trabalhando.
— Estava.
— E estamos na sua empresa.
— Uma observação impressionante.
— Tem gente do lado de fora.
— A porta fecha.
Empurrei levemente seu peito.
— Comporte-se.
Jacob ergueu o rosto.
— Você veio ao meu escritório, interrompeu minha reunião e agora pretende estabelecer regras de comportamento?
— Eu nem sabia que estava interrompendo.
— Então resta descobrir qual assunto de extrema importância fez a senhora Black atravessar Manhattan para falar pessoalmente comigo.
A provocação desapareceu um pouco quando me lembrei da razão pela qual estava ali.
Afastei-me apenas o suficiente para olhar para ele.
— Na verdade, eu precisava pedir uma coisa.
Jacob percebeu minha hesitação imediatamente.
— Emma?
— Não.
— As crianças dela?
— Também não.
Ele esperou.
Passei a mão pela alça da bolsa.
— É uma mulher chamada senhora González. Foi ela quem ajudou Emma quando chegou a Nova York. Conseguiu o apartamento onde Emma está morando com Jason e Jully e, pelo que Emma me contou, sempre ajudou muita gente do prédio.
Jacob permaneceu em silêncio, dando-me espaço para continuar.
— O prédio é dela, mas existe uma hipoteca. Eu não entendi todos os detalhes porque Emma também não sabe exatamente o que aconteceu. Parece que a dívida venceu ou chegou a um ponto em que o banco pode tomar o imóvel. A senhora González tentou negociar, mas não está conseguindo. Emma disse que ela anda muito nervosa e que a saúde dela está começando a sentir tudo isso.
Jacob me observava.
— E você quer pagar a hipoteca dela.
— Eu não disse isso.
— Ainda.
— Jacob.
— Continue.
Suspirei.
— Eu nem sei quanto ela deve. Não sei qual é o banco, não sei se existe processo, não sei se o prédio já está em execução ou se ainda existe alguma possibilidade de renegociação. Por isso vim falar com você. Talvez você conheça algum advogado que possa olhar os documentos. Alguém que entenda desse tipo de coisa e diga se existe uma maneira de ajudá-la antes que ela perca o prédio.
— Quanto?
— Acabei de dizer que não sei.
— Descubra.
— Eu não vim pedir que você pagasse.
— Eu sei.
A resposta me fez parar.
Jacob conhecia suficientemente minha expressão para entender o restante.
— Então não faça essa cara.
— Que cara?
— A que você faz quando precisa pedir alguma coisa que envolve meu dinheiro.
— Não estou fazendo cara nenhuma.
— Está.
— É estranho para mim.
— O quê?
Olhei para ele.
— Isso. Pedir. Eu sei que somos casados, mas seu dinheiro continua parecendo... seu.
Jacob arqueou uma sobrancelha.
— Uma percepção juridicamente questionável.
— Não comece.
— Você é minha esposa.
— Isso não significa que eu possa aparecer dizendo que conheci alguém com uma dívida e quero que você resolva.
— Ainda bem que não foi isso que fez.
— Exatamente.
Ele segurou meu queixo delicadamente.
— Você veio pedir ajuda para uma mulher que ajudou sua amiga quando ela precisava. Pediu um advogado, não um cheque. Não há nada para ficar constrangida.
A simplicidade com que disse aquilo diminuiu parte da tensão que eu carregava desde o almoço.
— Então você conhece alguém?
— Conheço muitos.
— Que trabalhe com hipoteca e esse tipo de problema?
— Renesmee, minha empresa possui imóveis suficientes para manter uma equipe inteira trabalhando apenas com assuntos que você chama de “esse tipo de problema”.
— Certo. Esqueci que você é irritantemente rico.
— Não esqueceu. Apenas continua tentando fingir que não percebe.
Sorri.
— Pode ajudar?
— Posso.
— Sem tomar o prédio da mulher?
Jacob me olhou.
— Que imagem você tem de mim?
— Quer mesmo que eu responda?
— Não.
Eu ri.
— Então?
— Vou pedir a Paul que verifique a situação da hipoteca. Quero saber qual instituição detém a dívida, valores, prazos, existência de execução, garantias e qualquer tentativa anterior de negociação. Depois decidimos o que pode ser feito.
— Nós?
— Você trouxe o problema para mim. Agora é nosso.
Meu sorriso surgiu antes que eu conseguisse evitar.
— Obrigada.
— Ainda não fiz nada.
— Mas vai fazer.
— Essa confiança excessiva em mim acabará se tornando um problema.
— Acho que já se tornou.
Jacob passou o polegar pelo meu rosto.
— Concordo.
Ele me beijou brevemente e depois se afastou. Pensei que voltaria à mesa e aos compromissos que eu interrompera. Em vez disso, pegou o telefone interno.
— O que você está fazendo?
Ele ignorou a pergunta.
— Helena.
Esperei.
— Cancele o restante da minha agenda de hoje.
Arregalei os olhos.
— Jacob.
Ele levantou um dedo, mandando-me esperar.
— Reorganize o que for necessário para amanhã. O que não puder ser movido, passe para Sam. Se houver alguma coisa que realmente exija minha autorização, envie para meu telefone.
Desligou.
Fiquei encarando-o.
— Você enlouqueceu?
— Não recentemente.
— Não pode simplesmente cancelar um dia inteiro de trabalho porque eu apareci.
— Acabei de fazer.
— Jacob, eu só vim falar da senhora González.
— E falou.
— Então eu posso ir embora.
— Pode.
Esperei.
— Mas?
— Não vai.
Cruzei os braços.
— E quem decidiu?
Ele se aproximou.
— O homem que acabou de cancelar uma agenda inteira.
— Isso não lhe dá autoridade sobre a minha.
— O que tem para fazer hoje?
Abri a boca.
Parei.
Jacob arqueou uma sobrancelha.
— Isso não vem ao caso.
— Naturalmente.
— Eu poderia ter coisas importantes.
— Poderia.
— Talvez tenha.
— Não tem.
— Como sabe?
— Porque, se tivesse, já teria usado como argumento em vez de inventar possibilidades.
Aquele homem era insuportável.
— Você gosta muito de ter razão.
— Não. Gosto do efeito que isso provoca em você.
— Qual efeito?
Jacob se aproximou até quase não existir espaço entre nós.
— Esse olhar.
— Que olhar?
— O que antecede a decisão de discutir comigo mesmo sabendo que vai acabar fazendo exatamente o que eu quero.
Soltei uma risada incrédula.
— Sua autoestima devia pagar imposto.
— Provavelmente paga.
— Você é impossível.
— E ainda assim veio me visitar voluntariamente.
— Vim pedir ajuda.
— Já conseguiu.
— Então minha missão acabou.
Tentei passar por ele.
Jacob segurou minha mão.
— A minha não.
Olhei para nossos dedos entrelaçados.
— E qual é sua missão agora?
Ele pegou o paletó e começou a me conduzir em direção à porta.
— Aproveitar o fato de minha esposa ter cometido o erro de aparecer aqui sem planos para fugir de mim.
— Isso parece ameaçador.
— Era a intenção.
— Para onde você está me levando?
Jacob abriu a porta, mas antes de atravessá-la olhou para mim com aquela expressão calma que sempre tornava suas provocações muito piores.
— Para um lugar onde eu possa foder minha esposa sem me preocupar com minha mãe, meus filhos ou metade dos empregados da mansão ouvindo você reclamar de mim.
Meu rosto esquentou imediatamente.
— Jacob Black!
Ele saiu da sala segurando minha mão como se não tivesse acabado de dizer aquilo.
— Fale baixo, senhora Black. Estamos em uma empresa respeitável.
Olhei para ele, indignada.
— Você acabou de...
— Eu sei perfeitamente o que acabei de dizer.
Helena levantou os olhos quando nos aproximamos. Tive certeza de que meu rosto estava vermelho, enquanto Jacob parecia o mesmo homem sério que minutos antes comandava uma reunião.
— Senhor Black, sua agenda já está sendo reorganizada — ela informou.
— Ótimo.
— O compromisso das três...
— Sam assume.
Helena assentiu.
Jacob continuou andando.
— Você é inacreditável — murmurei.
Ele apertou minha mão.
— E você ainda não respondeu.
— A quê?
— Se pretende vir comigo.
Olhei para ele.
— Você está me arrastando pelo corredor.
— Estou segurando sua mão. Existe uma diferença jurídica considerável.
— E se eu disser não?
Jacob parou.
A provocação permaneceu em seus olhos, mas a mão dele afrouxou imediatamente na minha.
— Então eu volto para minha sala, restauro minha agenda e passo o restante da tarde tentando descobrir por que minha esposa atravessou Manhattan apenas para me provocar e abandonar.
Sorri.
Era exatamente o tipo de resposta que eu esperava dele. Controlador até o limite em quase tudo, mas jamais naquele.
Entrelacei meus dedos aos seus novamente.
— Não precisa restaurar a agenda.
O sorriso de Jacob foi lento.
— Excelente decisão.
— Não fique convencido.
— Tarde demais.
Voltamos a caminhar em direção ao elevador, e eu ainda conseguia sentir os olhares discretos dos funcionários enquanto passávamos. Provavelmente aquela seria mais uma informação a circular pela Holding antes do fim do dia: a jovem senhora Black aparecera sem aviso, interrompera uma reunião que ninguém podia interromper e fizera Jacob Black cancelar todos os compromissos da tarde.
O que nenhum deles sabia era que eu ainda não fazia ideia de para onde meu marido estava me levando.
E, pela expressão satisfeita de Jacob, ele pretendia aproveitar cada minuto dessa vantagem.
O sol do meio-dia em Manhattan não era gentil. Ele entrava a fio pelas imensas janelas de vidro à prova de som, transformando o loft em uma caixa de luz crua e luxuosa. O ar condicionado zumbia baixo, uma presença constante contra o calor lá fora, que eu podia quase sentir pulsando contra os vidros. Aqui dentro, porém, o clima era outro. Um silêncio carregado, interrompido apenas pela nossa respiração e pelo distante zumbido da cidade, trinta andares abaixo. O cheiro era de couro novo, madeira polida e, sutilmente, de Jacob. Da sua pele quente, do seu cheiro único de floresta e algo selvagem que nunca conseguiram domesticar, nem mesmo aqui, neste apartamento de linhas tão limpas e preços tão obscenos.
Eu estava de pé diante da janela, o skyline de Nova York se estendendo como um brinquedo de criança rica e complicada à minha frente. O vestido era um deslize de seda cor de vinho, caro, um presente de Bella. A alça fina escorregava sobre meu ombro sem eu perceber, até que senti o calor dos lábios dele ali. Um toque leve, quase um suspiro, que fez um calafrio percorrer minha espinha de forma totalmente involuntária. A seda era fria, seus lábios eram uma brasa.
“Então,” eu disse, minha voz soando mais rouca do que eu pretendia. Não olhei para trás. Mantive os olhos nos carros minúsculos, nas pessoas formigas. “Meu marido tem um apartamento em Manhattan e eu não sabia.” A provocação estava lá, na ponta da língua, doce e afiada. “Guardando segredinhos, Jacob Black?”
As mãos dele, largas e ásperas, desceram para minha cintura, virando-me de uma vez. De frente para ele, o mundo lá fora desapareceu. Tudo que existia era o marrom profundo dos olhos dele, aquele calor que parecia vir de um sol interno. Ele não sorriu. A expressão era intensa, possessiva, maravilhosamente séria.
“Nós temos,” ele corrigiu, a voz grave como o ronronar de um motor potente. A palavra ecoou no espaço vazio e elegante. Nós. Não era dele. Era nosso. Um refúgio, um segredo, um lugar que não cheirava a família, a história, a sobrenatural. Cheirava a possibilidade.
E então ele me beijou.
Não foi um beijo de introdução. Foi uma reivindicação. Seus lábios se fecharam sobre os meus com uma urgência que me tirou o fôlego. Era um beijo que sabia a verdade, a promessa, a fome acumulada de anos de espera e contenção. Seu gosto era familiar e sempre novo – café forte, algo doce que ele devia ter comido, e aquela essência pura, indomável, que era só dele. Sua língua invadiu minha boca, não pedindo permissão, mas tomando posse de um território que já era seu há muito tempo. Minhas mãos subiram, encontrando os músculos duros de seus ombros sob a camisa de algodão simples. Eu me agarrei a ele, me inclinando no abraço, sentindo o corpo dele, sólido como uma rocha, contra todo o comprimento do meu. O beijo era úmido, profundo, desesperado. Ele roubava o ar e dava fogo em troca. Eu conseguia sentir o pulso dele acelerado batendo contra o meu, um tambor tribal ecoando no silêncio carregado do loft.
Enquanto suas mãos exploravam minhas costas, uma delas encontrou o zíper do vestido. Um ruído metálico, baixo e decisivo, rasgou o ar. Ele não hesitou. Puxou o fecho num movimento contínuo, da nuca até a base da minha coluna. A seda, de repente sem estrutura, escorregou dos meus ombros com um sussurro obsceno. O ar frio do condicionado tocou minha pele nua, fazendo meus mamilos endurecerem instantaneamente. O vestido amoleceu em um pool cor de vinho aos meus pés, me deixando parada diante dele apenas com a calcinha de renda preta, um contraste gritante contra minha pele pálida.
Jacob afastou-se o suficiente para olhar. Seu olhar era como um toque físico, percorrendo cada curva, cada centímetro exposto. Não havia vergonha em seus olhos, apenas admiração crua e uma fome que fazia meu estômago dar um nó de desejo. Ele baixou a cabeça, e seus lábios, agora mais suaves, encontraram primeiro a curva do meu seio. Um beijo ali, depois outro mais abaixo, até que sua boca quente fechou-se em volta do meu mamilo.
Um gemido escapou dos meus lábios. Eu enterrei as mãos nos cabelos dele, negros e ásperos como pelagem de lobo. Ele não era gentil. Ele chupou, lambeu, mordiscou com uma intensidade que me fez dobrar os joelhos. A sensação era avassaladora – o calor úmido de sua boca, a leve dor da mordida, a língua insistente circulando o ponto mais sensível. Enquanto devorava um seio, sua mão livre agarrava o outro, apertando e acariciando, seus dedos calosos criando um atrito delicioso contra minha pele.
“Jacob…” eu suspirei, meu corpo já arqueando em sua direção, buscando mais.
Ele pareceu entender. Com um movimento fluido que falava de sua força sobrenatural, ele me envolveu em seus braços e me carregou os poucos passos até a enorme cama de dossel que dominava um canto do loft. A superfície era coberta por lençóis de algodão egípcio de um branco imaculado, frios e suaves como água. Ele me deitou sobre eles, e o contraste da frescura do tecido contra minhas costas aquecidas, contra a pele dos meus seios ainda úmidos de sua boca, foi outro choque de prazer.
Ele não perdeu tempo. Seu corpo cobriu o meu, o peso dele uma âncora deliciosa. Ele voltou aos meus seios, sua boca e língua dedicando-se a deixar marcas invisíveis, a me levar à beira da loucura. Eu me contorcia sob ele, minhas pernas se enrolando em volta de seus quadris, os calcanhares pressionando as costas dele. Meus dedos ainda estavam entrelaçados em seus cabelos, puxando, guiando, implorando sem palavras.
Então, seus beijos começaram a descer. Uma trilha de fogo pela minha barriga lisa, parando para beijar a curva do meu quadril, a parte interna da minha coxa. Cada beijo era uma promessa, cada toque de língua um prenúncio. A renda preta da minha calcinha era uma barreira ridícula, transparente de desejo. Ele chegou ao vão entre minhas pernas, e sua respiração quente contra o tecido molhado me fez estremecer violentamente.
Uma de suas mãos deslizou por cima da renda, palma larga cobrindo-me completamente. A pressão era perfeita, firme. Ele apertou uma vez, devagar, e eu gemi, meu quadril levantando do lençol para encontrar sua mão.
“Sempre molhada pra mim,” ele rosnou, a voz tão baixa e áspera que parecia sair do seu peito. A afirmação, crua e possessiva, não era uma pergunta. Era um fato. Um fato que me encheu de um calor ainda mais intenso, de uma vergonha que não era vergonha, apenas pura entrega.
Os dedos dele engancharam as laterais da calcinha. Com um único puxão, a renda se partiu sem cerimônia. O som do tecido rasgando foi primitivo, final. Ele jogou o pedaço de pano para o lado, e então não havia mais barreiras.
O ar frio do quarto tocou meu sexo exposto, mas o calor da sua respiração era mais forte. Ele não fez rodeios. Ele não beijou minhas coxas ou fez um teatro lento. Ele simplesmente… abocanhou.
Sua boca quente e úmida selou-se sobre mim com uma precisão devastadora. A língua, larga e ágil, encontrou meu clitóris num instante, e um grito arrancou-se da minha garganta.
“JACOB!”
O som ecoou no loft vazio, cru, nu, sem nenhum constrangimento. Era o único nome que existia, a única verdade naquele momento. Seus braços passaram por baixo das minhas pernas, segurando-me aberta para ele, seus ombros me empurrando ainda mais para a cama. E então ele começou a brincar.
Deus, como ele brincava.
Sua língua era um instrumento de tortura divina. Ela circulava meu clitóris com pressões variadas, às vezes amplas e lentas, às vezes focadas em um ponto minúsculo que fazia luzes explodirem atrás das minhas pálpebras. Ele sugava, leve e depois forte, criando uma sucção que me fazia ver estrelas. Ele alternava padrões, mantendo-me no limiar, tirando-me de lá, me levando de volta. Minhas pernas tremiam violentamente sobre seus ombros. Meus quadris tentavam seguir o ritmo, tentavam cavar mais fundo naquele paraíso, mas suas mãos fortes me mantinham no lugar, à mercê de sua boca.
Eu estava gritando, gemendo, ofegando. As palavras tinham se desintegrado. Eram apenas sons, seu nome, sim, por favor, mais. Meus dedos se enterravam em seus cabelos, não mais guiando, apenas segurando-me à realidade enquanto ele me desmontava pedaço por pedaço. O mundo se reduziu às sensações: o sabor salgado e único de mim na língua dele (eu podia sentir, um eco distante de minha herança estranha), o som úmido e obsceno de sua boca trabalhando em mim, o cheiro do meu próprio desejo misturado ao dele, intensificando no ar condicionado.
Ele inseriu dois dedos dentro de mim, num movimento súbito e profundo, e eu arquei as costas, um novo grito sendo arrancado. A combinação era intoleravelmente boa – a pressão interna, o preenchimento, o atrito dos dedos curvados, e a língua implacável no clitóris. Ele achou um ritmo, dedos e língua em uma sinfonia perfeita de prazer.
“Jacob… Jacob, eu vou…,” eu gemi, minha voz um fio de desespero. A tensão no meu baixo ventre era uma corda prestes a se romper, uma onda gigantesca se formando nas profundezas.
Ele respondeu com um rosnado contra minha pele, a vibração enviando novos choques de eletricidade por todo o meu corpo. Ele não diminuiu o ritmo. Ele acelerou. A língua mais rápida, mais firme, os dedos bombardeando aquele ponto interno que me fazia perder completamente o controle.
A onda quebrou com uma força que me cegou. Um tremor violento percorreu meu corpo todo, dos dedos dos pés ao couro cabeludo. Eu gritei, um som longo e rouco que não parecia meu, enquanto a convulsão de prazer me consumia. Meu sexo pulsava em volta dos dedos dele, e sua boca continuou a trabalhar, suave agora, prolongando cada espasmo, sugando cada onda de êxtaso até que eu ficasse completamente esgotada, um tremor quente e mole sobre os lençóis brancos.
Ele subiu devagar, seus lábios brilhantes, seu rosto marcado por uma expressão de satisfação selvagem. Ele me olhou, seus olhos escuros queimando com um triunfo suave, e então se inclinou para beijar meus lábios novamente. Eu pude sentir meu próprio gosto em sua boca, salgado e íntimo, e bebi dele, fraca e agradecida, enquanto as últimas reverberações do meu orgasmo ainda tremiam dentro de mim. O sol de Manhattan continuava a inundar o quarto, testemunha silenciosa do nosso segredo luxuoso e perfeitamente humano.
O tremor do orgasmo ainda percorria minhas pernas, uma onda quente e preguiçosa que me deixava mole e derretida sobre os lençóis brancos. A respiração era um esforço, cada puxada de ar um suspiro profundo que enchia os pulmões e depois escapava, leve. Eu estava consciente de tudo, de cada fio de algodão egípcio sob minha pele suada, da luz dourada e impiedosa do sol cortando o quarto, do zumbido constante do ar condicionado tentando, e falhando, em esfriar o calor que nós dois gerávamos.
E então, ele se moveu.
Jacob. Meu Jacob. Seu corpo, nu agora, uma escultura de músculos tensos e pele bronzeada sob a luz, cobriu o meu. O peso dele era uma âncora, uma segurança. Eu senti a textura diferente da pele dele contra a minha – mais áspera nas palmas das mãos, suave e quente no peito, a leve cicatriz aqui e ali, mapa de batalhas que eu conhecia de cor. Ele se apoiou nos cotovelos, evitando esmagar-me, e seus olhos, aqueles olhos cor de floresta profunda, prenderam os meus.
Sem uma palavra, ele baixou a cabeça e beijou-me.
Era um beijo diferente agora. Mais lento, mais profundo, menos desesperado do que o primeiro, mas não menos intenso. Era um beijo de posse, de familiaridade, de um homem saboreando algo que era inquestionavelmente seu. Seu sabor misturava-se ao meu na boca dele – café, eu, sal, desejo. Minhas mãos subiram fracamente, descansando sobre seus ombros, sentindo os músculos se moverem sob a pele enquanto ele explorava minha boca com sua língua.
Enquanto seus lábios trabalhavam, suas mãos começaram a percorrer meu corpo. Não com a urgência de antes, mas com uma reverência gananciosa. Palmas largas e calosas deslizaram dos meus ombros para os seios, apertando-os suavemente, os polegares passando sobre os mamilos ainda sensíveis, fazendo-me estremecer e gemer dentro do beijo. Desceram pela minha cintura, pela curva do quadril, agarrando a carne ali com uma firmeza que fazia meu estômago revirar. Ele conhecia cada centímetro, cada ponto que fazia eu me contorcer, e tocou cada um deles, como um músico relembrando um instrumento amado.
Minhas pernas, ainda tremendo, se abriram por vontade própria quando senti a pressão dele, dura e quente, contra minha coxa. Era uma presença inegável, imponente. Um rosnado baixo saiu da garganta dele, vibrando contra meus lábios. Ele afastou-se o suficiente para que nossos olhos se encontrassem novamente. A fome nele era crua, sem filtro, e acendeu uma resposta imediata nas minhas entranhas, um novo desejo surgindo das cinzas do último.
— Não canso — ele disse, a voz um rosnado áspero que cortou o ar condicionado. — Nunca vou cansar de querer te foder, Nessie. Você é… deliciosa.
A palavra, dita daquela maneira, com aquele olhar, foi como um choque elétrico. Não havia poesia. Era verdade crua, animal. E eu me abri mais para ele, um convite silencioso, uma necessidade gritante.
Ele se posicionou, a ponta dele pressionando minha entrada, ainda sensível e molhada. Ele prendeu meu olhar, e eu vi a pergunta lá, mesmo sabendo a resposta. Eu balancei a cabeça, um movimento quase imperceptível, e então ele empurrou.
Um gemido longo e rouco escapou dos meus lábios quando ele entrou.
— Meu Jake… — suspirei, meus dedos se enterrando nas costas dele.
Ele parou, completamente dentro, e baixou a cabeça para meu pescoço. Sua respiração estava quente contra minha pele.
— Seu — ele corrigiu, rosnando a palavra como um fato primordial. — Todo seu.
—Agora me fode, meu dono.
O comando, dado naquele tom rouco, foi como desatar um nó. Toda a força contida, toda a fera sob controle, se soltou.
Ele começou a se mover, e não havia gentileza, não havia contenção. Era força pura, um ritmo primal que fez a cama de estrutura sólida gemer em protesto. Cada investida era uma reivindicação, cada retirada uma promessa de retorno. Eu sentia ele em cada fibra do meu ser – grande, duro, preenchendo-me de um jeito que quase doía, mas de uma dor tão boa que beirava o êxtase. Ele batia fundo, tão fundo que eu podia sentir a ponta dele encontrando meu colo do útero, um impacto surdo e intenso que me fazia prender a respiração a cada vez.
— Mais — eu gemei, minha voz estranha para meus próprios ouvidos. — Por favor, Jake, mais…
Ele atendeu.
Com um movimento fluido que falava de sua agilidade sobrenatural, ele agarrou minha perna direita pelo joelho e puxou, colocando meu tornozelo sobre seu ombro. O ângulo mudou imediatamente, aprofundando a penetração de uma forma que me fez gritar. Agora, cada golpe era mais direto, mais intenso. Eu conseguia ver os músculos de seu abdômen tensionando com cada movimento, o suor começando a brilhar em seu peito.
O sexo era selvagem. Descontrolado. Era o som da nossa pele se encontrando, úmida e quente. Eram os gemidos que eu não conseguia conter, guturais e altos, quebrando o silêncio luxuoso do loft. Era o rosnado constante na garganta dele, um som animal de pura satisfação. Ele me fodia com uma intensidade que era quase violenta, mas em cada toque, em cada olhar que ele me lançava – mesmo neste frenesi – havia uma posse tão absoluta que era, paradoxalmente, a coisa mais segura do mundo.
Minhas mãos agarravam o que podiam – os lençóis, os músculos das suas costas, seus cabelos. Meu corpo arqueava sob o dele, tentando encontrar cada centímetro, cada milímetro de profundidade que ele oferecia. O calor dentro de mim era uma fornalha, crescendo a cada investida brutal.
— É isso — ele rosnou, sua voz cortada pelo esforço. — Me dá tudo. Toda essa putaria que é só minha.
As palavras vulgares, no contexto daquele momento, na boca dele, eram apenas outra camada de verdade, outro degrau na escalada vertiginosa. Eu estava me aproximando de novo, a pressão se acumulando de uma forma mais rápida, mais urgente desta vez, alimentada pela força bruta do ritmo dele.
Ele mudou o ângulo novamente, baixando seu corpo sobre o meu, sua boca encontrando a minha em um beijo devorador e desleixado, enquanto seus quadris continuavam a bater contra os meus com uma força que prometia marcas. Eu bebi dele, saboreando o suor, o desejo, o Jacob de tudo aquilo, enquanto meu corpo se preparava para despedaçar-se mais uma vez em suas mãos.
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