Bree se virou completamente para mim. A surpresa inicial durou pouco; conhecia bem demais a maneira como ela reagia quando se sentia contrariada. Primeiro vinha o silêncio, depois a indignação, quase sempre acompanhada pela certeza de que uma explicação suficientemente convincente faria os outros enxergarem a situação da maneira que ela desejava.

— Jacob, você não ouviu o que aconteceu. Essa garota me desrespeitou desde o momento em que chegou.

Meus olhos passaram brevemente por Renesmee. Ela continuava no mesmo lugar, sem qualquer tentativa de se justificar. Havia algo curioso naquilo. A maioria das pessoas, quando se via diante de mim pela primeira vez e percebia que havia acabado de ser envolvida em um conflito dentro da minha casa, apressava-se em explicar sua participação. Renesmee simplesmente me observava, talvez tentando decidir que espécie de homem tinha acabado de entrar naquela discussão.

Voltei a atenção para Bree.

— A senhorita Miller ainda não é funcionária dos Black.

— Então não existe razão alguma para ela continuar nesta casa.

— Não terminei.

Bree se calou.

— Mesmo que fosse funcionária — continuei —, você não teria autoridade para demiti-la. Não administra minha casa, não responde pelos meus funcionários e não decide quem permanece ou deixa de permanecer aqui.

A expressão dela se alterou.

— Eu estava apenas...

— Não me interessa o que estava tentando fazer. Interessa-me que não volte a fazê-lo.

— Jacob...

— Está suficientemente claro agora?

Ouvi passos no corredor antes que ela respondesse.

— O que está acontecendo aqui?

Minha mãe surgiu na entrada da galeria e olhou primeiro para mim, depois para Bree e finalmente para Renesmee. Pela expressão de Sarah, não precisou de grande esforço para compreender que havia chegado depois de algum confronto.

Bree abriu a boca.

— Sarah, eu...

— Mãe — interrompi antes que começasse outra discussão —, leve a senhorita Miller ao meu escritório. Preciso conversar com Bree.

Sarah me observou por alguns segundos. Em seguida, lançou um olhar breve para Bree e assentiu.

— Claro. Senhorita Miller, venha comigo.

Renesmee voltou os olhos para mim.

Foi a primeira vez que pude observá-la sem a limitação de uma fotografia.

Era ainda mais jovem do que parecera no arquivo, embora não houvesse nada infantil em sua postura. Os cabelos ruivos caíam sobre os ombros, e os olhos claros permaneceram presos aos meus durante alguns segundos. Ela certamente já sabia quem eu era. Talvez minha mãe tivesse lhe contado, talvez Jéssica. Ainda assim, havia cautela em seu olhar, acompanhada por uma curiosidade que ela tentou esconder assim que percebeu que eu também a observava.

Desviou os olhos primeiro.

— Por aqui, querida — disse minha mãe.

Renesmee acompanhou Sarah sem dizer nada. Esperei até que as duas desaparecessem pelo corredor antes de voltar minha atenção para Bree.

Ela estava furiosa.

— Era necessário fazer isso?

— Fazer o quê?

— Falar comigo daquela maneira na frente de uma estranha.

— Você estava ameaçando expulsar uma mulher da minha casa sem possuir qualquer autoridade para isso. Eu apenas esclareci a situação.

— Poderia ter esperado que ficássemos sozinhos.

— Você não esperou estar sozinha para humilhá-la.

Bree cruzou os braços.

— Então agora vai defendê-la?

— Não estou defendendo ninguém. Estou estabelecendo limites dentro da minha própria casa, algo que aparentemente deveria ter feito com você há mais tempo.

Ela me encarou.

— Não fale comigo como se eu fosse uma de suas funcionárias.

— Meus funcionários costumam compreender uma ordem quando ela é dada. Neste momento, a comparação não seria favorável a você.

— Você está sendo um desgraçado.

— Isso não é novidade.

A raiva apareceu nitidamente no rosto dela, mas eu já não tinha interesse em prolongar aquela conversa. Bree vinha insistindo havia semanas em algo que eu considerava encerrado. Eu permitira aquela insistência por mais tempo do que deveria, talvez porque durante algum tempo sua companhia tivesse sido conveniente. Não havia promessas entre nós. Nunca houvera. O problema era que Bree começara a transformar conveniência em expectativa.

Aproximei-me da mesa e peguei a taça que ela deixara ali, colocando-a sobre uma bandeja próxima.

— Já que está aqui, vamos aproveitar a oportunidade para evitar que essa situação volte a acontecer. Que parte você ainda não compreendeu quando eu disse que o que existia entre nós terminou?

Bree ficou imóvel.

— Não faça isso.

— Estou fazendo uma pergunta.

— E eu não vou responder porque você sabe exatamente o que está fazendo.

— Sei. Estou encerrando uma situação que deveria ter encerrado definitivamente antes.

Ela soltou uma risada amarga.

— Você fala como se eu tivesse sido uma distração qualquer.

— Nunca disse isso.

— Não precisa dizer. É exatamente assim que está me tratando.

— O fato de termos nos relacionado não lhe dá direitos sobre a minha vida, Bree. Assim como não me dá direitos sobre a sua.

— Relacionado? — repetiu, incrédula. — É essa a palavra que escolheu?

— Escolha outra se isso a fizer se sentir melhor. O resultado continuará sendo o mesmo.

Ela se aproximou.

— Você não pode simplesmente me descartar quando decide que não sou mais conveniente.

— Posso encerrar uma relação da qual não quero mais participar. Você também poderia fazê-lo. Isso não é descarte, é uma decisão.

— Uma decisão sua.

— Bastava que um de nós quisesse terminar.

Bree desviou o rosto e respirou profundamente. Quando tornou a me olhar, havia menos raiva e algo muito mais próximo de desespero.

— Carlisle já está fazendo planos.

Aquilo não era novidade.

Carlisle Cullen não chegara à posição que ocupava permitindo que questões familiares permanecessem separadas dos negócios. Bree era sua neta, uma Cullen em idade apropriada para um casamento vantajoso, e eu sabia que havia pelo menos duas famílias interessadas naquela união.

— Sei.

Ela pareceu surpresa.

— Sabe?

— Carlisle não é exatamente discreto quando pretende negociar uma aliança.

— Ele escolheu alguém.

— Também sei.

— Eu não vou me casar com aquele homem.

— Então diga isso ao seu avô.

— Você sabe que não funciona dessa maneira.

— Na família Cullen, talvez não.

Bree se aproximou mais.

— Você pode impedir.

Observei-a em silêncio.

Ali estava, finalmente, a verdadeira razão para sua presença.

— Não.

Ela franziu a testa.

— O quê?

— Não vou impedir.

— Jacob, se você falar com meu avô...

— Não tenho intenção alguma de falar com Carlisle sobre o seu casamento.

— Ele ouviria você.

— Provavelmente.

— Então faça.

— Não.

A resposta saiu tranquila, e talvez por isso a tenha atingido com mais força.

Bree me encarou como se estivesse esperando que eu reconsiderasse.

— Você poderia simplesmente dizer que existe um compromisso entre nós.

— Eu estaria mentindo.

— Poderia existir.

— Não.

— Por quê?

Passei a mão pelo punho da camisa, ajustando-o.

— Porque eu também vou me casar.

O silêncio que se instalou foi imediato.

Bree não se moveu.

Por alguns segundos, tive a impressão de que sequer respirava.

— O quê?

— Você ouviu.

— Você vai se casar?

— Sim.

Ela soltou uma pequena risada, mas não havia humor algum nela.

— Com quem?

Não respondi.

— Jacob, com quem?

— Isso não lhe diz respeito.

— É claro que diz respeito!

— Não. Deixou de dizer quando o que havia entre nós terminou.

Bree passou a me observar com atenção, como se pudesse encontrar alguma resposta em minha expressão.

— Existe outra mulher.

— Eu acabei de dizer que pretendo me casar. Evidentemente haverá uma mulher envolvida.

— Não seja cínico comigo.

— Então não faça perguntas cuja resposta é óbvia.

— Quem é ela?

Mantive o silêncio.

Não havia sequer uma resposta definitiva para aquela pergunta. Minha mãe encontrara uma candidata. Nada além disso. Eu ainda não havia conversado com Renesmee Miller, não conhecia sua capacidade de compreender a dimensão da proposta e tampouco sabia se ela aceitaria permanecer naquela casa depois de descobrir que a vaga de babá era apenas parte do que lhe seria oferecido.

Bree, entretanto, não precisava saber de nada disso.

— Quem é ela, Jacob?

— Você não vai descobrir por mim.

— Eu conheço todas as famílias importantes desta cidade.

— Esse é precisamente um dos problemas.

Ela estreitou os olhos.

— O que isso significa?

— Significa que esta conversa terminou. A partir de hoje, quero que pare de vir à minha casa sem ser convidada e, principalmente, que pare de agir como se possuísse uma posição que nunca lhe dei. Não dê ordens aos meus funcionários, não interfira nas decisões da minha mãe e não volte a ameaçar ninguém em meu nome.

— Está me proibindo de entrar aqui?

— Estou pedindo que comece a se comportar de acordo com a realidade da nossa relação atual. Se isso exigir uma proibição explícita para que compreenda, posso providenciá-la.

Os olhos dela se encheram de indignação.

— Tudo isso porque vai se casar?

— Tudo isso porque deveria ter sido estabelecido antes.

Bree ficou em silêncio por alguns instantes. Então balançou lentamente a cabeça.

— Não consigo acreditar.

Esperei.

— Você prefere se casar com outra mulher a se casar comigo.

— Não se trata de preferência.

— Claro que se trata.

— Não, Bree. Trata-se do mundo ao qual pertencemos. Você o conhece tão bem quanto eu. Casamentos entre famílias como as nossas raramente são decisões sentimentais. São negócios, alianças e movimentos de poder.

Ela me encarou.

— E?

— E casar com você não é um bom negócio para mim.

A expressão dela mudou como se eu a tivesse esbofeteado.

Não retirei as palavras.

Era cruel, talvez, mas também era verdade. Uma união com uma Cullen colocaria duas estruturas poderosas dentro do mesmo casamento, e Carlisle jamais permitiria que sua neta entrasse na família Black sem exigir contrapartidas. Rotas, participação em operações, influência, informações, acordos territoriais. Eu passara anos construindo uma organização na qual ninguém possuía autoridade suficiente para me impor condições. Não entregaria parte dela em troca de uma esposa que sequer desejava ter.

— Você é repugnante — disse Bree furiosa.

— Pode ser.

— Frio, arrogante e incapaz de sentir qualquer coisa que não envolva poder.

— Se essa é sua opinião sobre mim, deveria tornar o fim da nossa relação consideravelmente mais fácil.

Ela me lançou um olhar carregado de ódio.

— Um dia alguém vai fazer com você exatamente o que está fazendo comigo.

— Nesse dia, lidarei com as consequências.

Bree pegou a bolsa que havia deixado sobre uma das poltronas.

— Espero que essa mulher descubra exatamente com quem está se casando antes de cometer o erro de aceitar você.

Dessa vez, não respondi.

Ela passou por mim e seguiu pelo corredor. Ouvi seus passos descendo as escadas e, pouco depois, o som distante da porta principal.

Permaneci alguns segundos onde estava.

Então olhei na direção do meu escritório.

Minha mãe me aguardava ali com uma garota de vinte anos que, até aquela manhã, acreditava estar concorrendo a uma vaga de babá.

E Bree acabara de dizer algo com que eu, surpreendentemente, concordava.

Renesmee Miller precisaria saber exatamente o que eu estava propondo antes de tomar uma decisão.



Deixei a galeria e segui para a sala onde havia encontrado minha mãe minutos antes. A conversa com Bree tomara mais tempo do que eu pretendia, mas pelo menos não precisaria repeti-la. Ela poderia me considerar frio, arrogante ou qualquer outra coisa que tornasse mais fácil aceitar o fim do que existira entre nós. Pouco me importava. O único ponto que precisava compreender era que não havia espaço para negociação.

Quando entrei na sala, minha mãe estava novamente sentada, embora a revista tivesse sido abandonada sobre a mesa. Ergueu os olhos imediatamente.

— Pela maneira como Bree passou por mim, imagino que a conversa tenha sido produtiva.

— Depende do conceito de produtividade.

— Ela quase derrubou um vaso no hall.

— Então mande a conta para Carlisle.

Sarah reprimiu um sorriso.

— Não acredito que ele apreciaria receber uma cobrança porque a neta saiu furiosa da casa de Jacob Black.

— Talvez seja uma oportunidade para descobrir que não precisa pagar por todos os problemas que ela causa.

Minha mãe cruzou as pernas.

— Você terminou?

— Sim.

— Terminou como deveria ou terminou da maneira como das outras vezes, deixando espaço suficiente para que ela apareça novamente daqui a três dias?

— Fui bastante claro.

— Isso significa que...

A porta da sala foi aberta antes que ela concluísse e Paul entrou , Claire veio com ele.

Na verdade, dizer que veio era generoso. Paul segurava minha filha pelo braço enquanto ela tentava se desvencilhar, visivelmente furiosa. O cabelo escuro estava desarrumado, a mochila pendia de um dos ombros e o casaco que deveria estar usando havia desaparecido. Assim que me viu, entretanto, ela parou de lutar contra Paul.

A expressão dela mudou.

Paul soltou seu braço. — Está entregue, chefe.

Não respondi imediatamente.

Olhei para o relógio.Depois para Claire.

Minha filha teve a sensatez de permanecer calada.

Por aproximadamente três segundos.

— Pai, antes que você comece...

— Para o seu quarto.

— Você nem sabe onde eu estava.

— Neste momento, não me interessa onde estava.

— Então como pode ficar bravo se nem sabe o que aconteceu?

Olhei para ela. — Claire.

— Eu só fui...

— Eu disse para o seu quarto.

Ela apertou os lábios. — Mas eu posso explicar.

— Não quero sua explicação agora.

— Você nunca quer ouvir!

— Chega.

Minha voz saiu mais ríspida do que antes e encerrou qualquer tentativa de resposta.

Claire ficou imóvel.

A raiva que havia em seu rosto desapareceu por um instante, substituída por algo que reconheci e não gostei de ver. Ainda assim, não recuei. Eu passara mais de uma hora sem saber onde minha filha estava depois de ela deliberadamente enganar os homens responsáveis por sua segurança. Não discutiria aquilo enquanto estivesse irritado e ela parecesse determinada a transformar irresponsabilidade em argumento.

— Você passou mais de uma hora desaparecida em Nova York depois de planejar uma maneira de despistar sua segurança. Doze homens estavam procurando por você, Paul abandonou tudo o que estava fazendo para encontrá-la e sua avó ficou nesta casa sem saber se você estava em perigo. Portanto, não, Claire, não vou ouvir neste momento uma justificativa preparada durante o caminho. Vá para o seu quarto.

— Eu não estava em perigo.

— Você não tem como saber disso.

— Eu sei me cuidar.

— Tem quatorze anos.

Ela ergueu o queixo. — Isso não significa que eu seja uma criança.

— Significa exatamente que ainda é minha responsabilidade.

— Eu não pedi doze homens me seguindo!

— E não precisa pedir.

— Pai...

— Para o quarto. Agora.

Claire me encarou, respirando com força.

Sarah fez menção de se levantar, mas um olhar meu foi suficiente para que permanecesse sentada. Se minha mãe interferisse naquele momento, Claire encontraria exatamente a abertura que procurava.

— Eu odeio esta casa — disparou minha filha.

Aquilo me atingiu.

Não permiti que aparecesse. — Ainda assim, é nela que você vai dormir esta noite.

Os olhos dela se encheram de lágrimas, embora Claire fosse orgulhosa demais para permitir que caíssem diante de mim.

Virou-se bruscamente. — Claire — chamou Sarah.

Minha filha não respondeu. Saiu correndo da sala e, segundos depois, ouvi seus passos rápidos subindo as escadas.

O silêncio permaneceu depois dela.

Paul passou a mão pela nuca. — Se servir de alguma coisa, ela estava bem quando encontramos.

Olhei para ele. — Onde?

— Em uma festa no apartamento de uma colega da escola. Upper West Side. Havia outros adolescentes, alguns mais velhos. Encontramos o telefone dela dentro de uma bolsa no banheiro.

Minha expressão se fechou ainda mais.

— Ela deixou o telefone escondido?

— De propósito. Acho que percebeu que estávamos rastreando.

— Evidentemente percebeu.

Paul permaneceu calado.

Minha filha não havia simplesmente escapado dos seguranças. Planejara como fazê-lo.

— Bebida? — perguntei.

— Havia na festa.

— Claire bebeu?

— Não sei. Quando chegamos, ela estava com duas amigas na varanda. Não parecia bêbada, mas não vou afirmar que não bebeu.

Assenti lentamente. — Alguém a tocou?

Paul entendeu perfeitamente o que eu perguntava.

— Não que tenhamos identificado. Os homens estão verificando quem estava no apartamento.

— Quero todos os nomes.

— Já pedi.

Passei a mão pela mandíbula e olhei novamente para o andar superior.

Eu conversaria com Claire no dia seguinte, quando estivesse em condições de ouvi-la sem transformar a discussão em algo pior. Naquela noite, minha paciência já havia sido consumida por homens que não falavam, uma filha desaparecida e uma Cullen que acreditava possuir minha casa.

Voltei-me para Paul. — Amanhã cedo, reúna toda a equipe responsável pela segurança de Claire.

— Os doze?

— Todos.

— Certo.

— Quero saber quem estava em cada posição, quem autorizou a troca de rota, quem verificou a garota que entrou no carro e quanto tempo demoraram para perceber que minha filha havia desaparecido.

Paul assentiu. — Oito horas?

— Sete.

Ele fez uma pequena careta.

— Eles vão adorar.

— Não são pagos para me adorar.

— Justo.

— E ninguém está dispensado até eu terminar de ouvir o que aconteceu.

— Vou avisar.

Paul já se preparava para sair quando olhei para minha mãe.

Sarah me observava com aquela expressão que eu conhecia desde a infância. Era a expressão que antecedia uma opinião que eu provavelmente não gostaria de ouvir.

Não lhe dei oportunidade.

— Ligue para a escola de Claire amanhã.

Ela franziu a testa. — Para quê?

— Ela vai assistir às aulas em casa por algum tempo.

Minha mãe retirou lentamente os óculos.

— Jacob.

— Providencie professores para as disciplinas que não puderem ser acompanhadas remotamente. Quero tudo organizado até o final da semana.

— Você está falando sério?

— Pareço estar brincando?

— Não. Esse é justamente o problema.

Paul teve a inteligência de permanecer calado.

Sarah levantou-se. — Retirar Claire da escola não resolve o que aconteceu.

— Impede que aconteça novamente da mesma maneira.

— Isso não é a mesma coisa que resolver.

— Neste momento, é suficiente.

— Para você.

— Para a segurança dela.

Minha mãe me encarou por alguns segundos.

— Ela vai odiá-lo por isso.

— Claire já deixou bastante claro o que pensa de mim esta noite.

— Ela estava com raiva.

— Eu também.

— E talvez seja exatamente por isso que você não deveria tomar essa decisão agora.

Aproximei-me da mesa e peguei meu celular. — A decisão está tomada.

Sarah soltou o ar devagar. — Você não consegue proteger seus filhos de tudo mantendo os dois dentro desta casa.

Ergui os olhos. — Não pretendo protegê-los de tudo. Pretendo impedir que minha filha de quatorze anos desapareça novamente depois de enganar doze homens responsáveis por mantê-la viva.

Minha mãe não respondeu imediatamente.

Eu sabia o que ela pensava. Sabia também o que não diria na frente de Paul: desde a morte da mãe de Claire, eu havia transformado segurança em uma obsessão. Talvez estivesse certa.

Não fazia diferença.

Eu conhecia o mundo que existia além daqueles portões melhor do que minha filha.

Naquela mesma noite, um homem estava amarrado a uma cadeira em Red Hook porque alguém vinha atacando meus negócios e tentando descobrir onde eu era vulnerável. Claire acreditava ter escapado de doze seguranças para ir a uma festa.

Eu sabia que, para os meus inimigos, ela havia ficado mais de uma hora sem doze seguranças entre eles e minha filha.

Essa era a diferença. — Ligue para a escola — repeti.

Sarah sustentou meu olhar por mais alguns segundos antes de assentir. — Está bem.

— Obrigado.

Paul caminhou até a porta. — Vou verificar o que os homens conseguiram sobre a festa e mando tudo para você.

— Faça isso.

Ele saiu. Minha mãe continuou diante de mim.

— Terminou de organizar a vida de todos por esta noite?

— Ainda não.

Ela arqueou uma sobrancelha.

Só então me lembrei da outra pessoa que esperava por mim. Renesmee Miller.

— Onde está a candidata?

— No seu escritório.

Olhei para o corredor. — Sozinha?

— Há alguns minutos. Achei melhor deixá-la respirar depois do encontro particularmente agradável que teve com Bree.

— Ela disse alguma coisa?

Um pequeno sorriso apareceu nos lábios de minha mãe. — Apenas perguntou se todas as entrevistas de emprego nesta casa costumavam ser assim.

Apesar da noite que estava tendo, quase sorri.

— E o que você respondeu?

— Que ela ainda não tinha chegado à entrevista.

Minha mãe pegou a revista da mesa e voltou a se sentar.

— Boa sorte, Jacob.

— Não preciso de sorte.

Sarah abriu a revista. — É exatamente o que homens como você costumam dizer pouco antes de precisar desesperadamente dela.