A esposa do Don
18 Enfermaria escolar
Renesmee
A sala do diretor parecia ainda mais desagradável na segunda vez que entrei nela. Talvez porque, algumas horas antes, eu tivesse me sentado diante daquele mesmo homem e explicado com todas as palavras que William estava sofrendo agressões dentro da escola, apenas para ouvi-lo falar sobre protocolos, acompanhamento psicológico e conflitos comuns entre crianças. Agora Will estava na enfermaria com um corte no canto da boca, Mason havia sido encontrado batendo nele em uma área afastada do pátio e, ainda assim, eu tinha a impressão de que o maior esforço daquela administração era encontrar uma maneira de transformar a situação em outra coisa.
Permaneci sentada diante da mesa enquanto o diretor falava com uma expressão severa que não tivera quando eu lhe contara o que estava acontecendo com Will. A professora estava próxima à porta e uma mulher que eu não conhecia, provavelmente alguém da coordenação, permanecia junto à estante. Eu queria estar na enfermaria. Queria ver Will, verificar o corte em sua boca e ter certeza de que não havia mais nada machucado. Em vez disso, estava presa naquela sala ouvindo um homem preocupado demais com a minha presença e pouco demais com o fato de um aluno de sete anos ter sido espancado debaixo de uma árvore.
— Senhorita Miller, existe outra questão que precisamos esclarecer antes de prosseguir — disse o diretor, juntando as mãos sobre a mesa. — Verificamos a ficha de William Black. A senhora não consta entre as pessoas autorizadas pelo pai para representá-lo perante a instituição.
Eu o encarei.
— Isso é o que o preocupa agora?
— É uma questão séria.
— Will acabou de ser agredido.
— E chegaremos a isso. Entretanto, o senhor Black indicou formalmente apenas a avó de William, senhora Sarah Black, além dele próprio, como responsável autorizada a tratar de assuntos acadêmicos e administrativos. A senhora não possui autorização para retirar o aluno, tomar decisões em nome dele ou representá-lo diante desta escola.
Inclinei-me um pouco para a frente.
— Eu não retirei William da escola, não assinei documento algum e não tomei nenhuma decisão administrativa por ele. Eu o acompanhei porque ele estava com medo de vir para cá.
O diretor apertou os lábios.
— Ainda assim, apresentou-se esta manhã como futura esposa do pai.
— Porque sou.
— Isso não lhe concede autoridade legal sobre a criança.
— Eu nunca disse que concedia.
— Mas veio à minha sala para fazer uma denúncia em nome dele.
Aquilo finalmente esgotou o pouco de paciência que eu ainda tentava conservar.
— Não. Eu vim à sua sala contar que uma criança de sete anos estava sendo perseguida e agredida dentro da instituição que o senhor dirige. Não é necessário ter autoridade legal sobre uma criança para informar que ela está sofrendo violência.
A mulher próxima à estante desviou os olhos. O diretor permaneceu impassível.
— A senhora está mudando o ponto da discussão.
Soltei uma pequena risada sem humor.
— Eu estou mudando o ponto? O senhor passou a manhã inteira falando sobre protocolos e agora que o problema que eu denunciei aconteceu diante dos meus olhos decidiu discutir se meu nome aparece na ficha de William. O senhor está mudando o rumo desta situação porque é muito mais conveniente discutir a minha autorização do que explicar como um menino de sete anos consegue ser levado para uma parte afastada do pátio por um adolescente de treze sem que nenhum adulto perceba.
— Mason Carter tem treze anos, sim, e a situação entre os alunos será investigada.
— Investigada? Eu vi.
— E existem procedimentos que precisam ser respeitados.
— Procedimentos que não impediram Mason de empurrá-lo no intervalo, roubar o lanche dele e, horas depois, levá-lo para outro pátio e bater nele.
O diretor apoiou as costas na cadeira.
— Neste momento, senhorita Miller, existe uma situação ainda mais grave.
Fiquei olhando para ele.
— Mais grave do que um adolescente bater em uma criança de sete anos?
— Uma mulher adulta agredir um adolescente dentro das dependências desta escola.
Demorei alguns segundos para acreditar que ele realmente dissera aquilo.
— Eu não agredi Mason.
— Há relatos de que a senhora o segurou e o derrubou.
— Há relatos? — repeti. — Eu estava lá. Posso poupar o trabalho da investigação. Mason segurava William contra uma árvore e estava batendo nele. Quando levantou a mão para acertá-lo novamente, eu segurei o braço dele e o afastei. Ele tentou se soltar, perdeu o equilíbrio e caiu.
— A professora encontrou Mason no chão.
— E encontrou Will com a boca cortada.
— Isso não lhe dá o direito de usar força física contra outro aluno.
A raiva subiu tão depressa que precisei apoiar as mãos sobre as pernas para não me levantar.
— Eu usei a força necessária para impedir que ele continuasse agredindo Will.
— A senhora deveria ter chamado um funcionário.
— Eu estava vendo um garoto quase duas vezes maior do que Will levantar a mão para bater nele outra vez. O senhor realmente acredita que eu deveria ter ficado parada procurando um funcionário?
— A senhora deveria ter seguido o procedimento da escola.
— O procedimento da escola já tinha falhado com ele.
O diretor me encarou em silêncio.
Continuei antes que pudesse interromper.
— Eu estive nesta sala antes. Contei exatamente o que estava acontecendo. O senhor me explicou que a escola tinha medidas contra bullying e insinuou que o relato de uma criança poderia ser apenas um conflito comum. Poucas horas depois, eu vi esse mesmo aluno agredir William duas vezes. Portanto, não tente transformar a minha intervenção no principal problema porque isso não apaga o que aconteceu antes dela.
A mandíbula do diretor se contraiu.
— A senhora terá oportunidade de explicar sua versão aos pais de Mason. Eles estão vindo para a escola.
— Ótimo.
— E à polícia.
Aquilo me fez ficar imóvel.
— O senhor chamou a polícia?
— Diante da alegação de agressão física de uma adulta contra um menor, somos obrigados a tratar a situação com seriedade.
Levantei-me.
— Interessante.
— Senhorita Miller...
— Não. É realmente interessante. Quando eu disse que William estava sendo agredido, o senhor precisava ouvir o responsável legal antes de fazer qualquer coisa. Agora Mason caiu no chão porque eu impedi que ele continuasse batendo em Will e, de repente, o senhor sabe usar um telefone.
— Recomendo que tenha cuidado com a forma como se dirige a mim.
— E eu recomendo que tenha muito cuidado com a maneira como está conduzindo isso.
A professora abriu a boca, mas permaneceu calada.
Olhei diretamente para o diretor.
— Já que o senhor descobriu como entrar em contato com responsáveis, também chamou o pai de William?
Ele não respondeu imediatamente.
Foi suficiente.
— Chamou Jacob Black?
— A senhora não precisa se preocupar com as providências administrativas que estamos tomando.
— Eu fiz uma pergunta.
O diretor desviou os olhos para a porta.
— Segurança.
Dois homens que aguardavam do lado de fora entraram.
Olhei para eles e depois novamente para o diretor.
— O senhor está falando sério?
— A senhora está exaltada. Até que a situação seja esclarecida, não deve circular desacompanhada pelas dependências da escola. — Ele olhou para os dois homens. — Acompanhem a senhorita Miller e certifiquem-se de que ela não permaneça sozinha.
Eu fiquei possessa.
— O senhor deveria ter colocado metade desse empenho em vigiar o pátio.
— Senhorita Miller, por favor.
— Não me peça educação depois de passar a manhã ignorando uma criança e agora me tratar como se eu fosse o problema.
Peguei minha bolsa e saí da sala antes que dissesse alguma coisa da qual realmente me arrependesse. Os dois seguranças vieram imediatamente atrás de mim. Eu mal havia dado alguns passos pelo corredor quando um deles segurou meu braço.
— Senhorita, precisamos que espere.
Puxei o braço.
— Tire a mão de mim.
Ele tentou segurá-lo novamente.
Não chegou a fazê-lo.
— Tire as mãos da senhorita Miller.
A voz masculina veio alguns metros adiante.
Os dois seguranças de Jacob que eu vira discretamente pela manhã já estavam no corredor. Até aquele momento, haviam mantido distância suficiente para que eu quase esquecesse que estavam ali. Agora não havia nada discreto na postura dos dois.
O segurança da escola olhou para eles.
— Somos da segurança da instituição.
— Nós sabemos — respondeu um dos homens de Jacob. — E ela pediu que não a tocasse.
— Recebemos orientação do diretor para acompanhá-la.
— Acompanhar não exige colocar as mãos nela.
O segundo homem da escola pareceu avaliar a situação antes de recuar.
— Precisamos garantir que ela permaneça nas dependências até a chegada da polícia.
O segurança de Jacob sequer alterou a expressão.
— Então garanta mantendo distância.
Os dois homens da escola trocaram um olhar e recuaram alguns passos.
Eu respirei fundo, tentando controlar a raiva que ainda fazia meu coração bater depressa. Então me lembrei do único motivo pelo qual ainda estava naquele lugar.
Will.
Virei-me para os homens de Jacob.
— Vocês viram William?
Um deles assentiu.
— Sim, senhorita Miller.
— Onde ele está?
— Na enfermaria.
— Está sozinho?
— Não. Uma professora está com ele. Ficamos próximos desde que o levaram para lá.
Apertei a alça da bolsa.
— Ele está bem?
— Pelo que nos informaram, sim. O ferimento na boca é superficial, mas a enfermeira está examinando o restante.
Assenti e comecei a andar.
O segurança da escola fez menção de me acompanhar, mas um dos homens de Jacob simplesmente se colocou entre nós, sem tocá-lo e sem precisar dizer nada.
Continuei em direção à enfermaria.
Naquele momento, eu não estava preocupada com os pais de Mason, com o diretor ou sequer com a polícia que estava a caminho. Eu tinha prometido a um menino de sete anos que não permitiria que ele enfrentasse aquilo sozinho.
E essa era a única autorização de que eu precisava para chegar até ele.
Segui pelo corredor até a enfermaria ainda tentando controlar a irritação que o diretor havia conseguido despertar em mim. Um dos homens de Jacob caminhava alguns passos atrás, enquanto o outro permanecera próximo à diretoria. A escola parecia ter se tornado repentinamente muito eficiente em segurança, embora toda aquela eficiência tivesse surgido depois que Will já havia sido agredido. Eu não queria mais discutir com ninguém naquele momento. Queria apenas encontrá-lo, ver como estava e permanecer ao lado dele até que tudo fosse resolvido.
Quando abri a porta da enfermaria, descobri que Will não estava sozinho. Ele estava sentado em uma das macas, com uma pequena compressa próxima ao canto da boca, enquanto Mason ocupava outra do lado oposto da sala. O mesmo garoto que eu vira empurrar Will no intervalo e que, poucas horas depois, encontrara batendo nele debaixo de uma árvore agora segurava o próprio pulso contra o peito enquanto a enfermeira mantinha uma bolsa de gelo sobre a região.
Mason me viu entrar e imediatamente fez uma expressão de sofrimento.
— Meu pulso ainda está doendo muito.
Olhei para ele por alguns segundos, impressionada com o descaramento. Quando o deixei no pátio, ele movimentava aquele braço perfeitamente bem, apontara para mim e ainda encontrara disposição para reclamar com todos ao redor. Agora se comportava como se eu tivesse quebrado todos os ossos de sua mão. Não estava disposta a perder tempo discutindo com um garoto de treze anos, por isso simplesmente o ignorei e fui até Will.
— Nessie.
Will desceu da maca assim que me viu, e eu o abracei antes mesmo que terminasse de se aproximar. Ele passou os braços pela minha cintura e encostou o rosto em mim. Passei a mão pelos cabelos dele e depois me afastei o suficiente para observar seu rosto.
— Deixe-me ver isso.
O corte no canto da boca estava limpo, mas havia uma marca avermelhada na lateral do rosto. Toquei delicadamente próximo à bochecha, tomando cuidado para não pressionar.
— Está doendo?
— Só um pouco.
— E o resto?
Ele apontou para o ombro.
— Aqui também. Foi quando ele me empurrou na árvore.
Minha expressão endureceu.
— A enfermeira examinou?
— Sim. Ela disse que vai ficar roxo.
Assenti e o puxei novamente para perto.
— Certo. Depois vamos cuidar disso com calma.
Will ficou abraçado a mim por alguns segundos antes de murmurar:
— Você voltou.
— Eu prometi que ficaria até você sair, lembra?
Ele assentiu contra mim.
— Eu achei que o diretor ia mandar você embora.
— Ele tentou.
Will ergueu o rosto, curioso.
— E você não foi?
— Você já deveria saber que eu tenho alguma dificuldade em obedecer quando acho que estão errados.
Um pequeno sorriso apareceu no rosto dele, mas desapareceu quando Mason voltou a reclamar do outro lado.
— Ela machucou meu braço.
Dessa vez não respondi. Will olhou para Mason e depois para mim.
— Ele não estava assim antes.
— Eu sei.
— Ele estava até mexendo a mão.
— Eu também vi.
A enfermeira se aproximou, visivelmente desconfortável com a presença de nós dois no mesmo ambiente.
— Senhorita Miller, talvez seja melhor aguardar do lado de fora. Mason está bastante abalado com a sua presença.
Olhei para ela sem acreditar.
— Mason está abalado comigo?
Como se tivesse recebido uma deixa, ele começou a chorar.
— Ela me machucou! — reclamou, mostrando o pulso para a enfermeira. — Está doendo muito.
Will me olhou com uma expressão tão incrédula que, em qualquer outra situação, eu teria rido.
— Eu não vou deixar William sozinho — respondi.
— Ele não ficará sozinho. Eu permanecerei aqui com os dois.
— Justamente. Com os dois. Will acabou de ser agredido por esse garoto e agora estão na mesma enfermaria. Acho que alguém deveria ter pensado nisso antes de colocá-los juntos.
A enfermeira respirou fundo, mas não teve oportunidade de responder porque a porta se abriu. Um casal entrou apressadamente, e bastou a reação de Mason para que eu soubesse quem eram. A mulher atravessou a sala diretamente até ele, enquanto o homem veio logo atrás.
— Mason! Meu Deus, querido, o que aconteceu?
A mãe sentou-se ao lado dele e segurou seu rosto antes de olhar para o pulso que ele mantinha junto ao peito.
— Foi ela, mãe. Ela me jogou no chão.
A mulher imediatamente me encarou, mas foi o pai quem perguntou:
— Quem machucou você?
Mason apontou para mim.
— Aquela mulher. Ela segurou meu braço e me derrubou.
O homem virou-se completamente na minha direção. Eu mantive uma das mãos sobre o ombro de Will, que permanecia encostado em mim.
— A senhora fez isso com meu filho?
— Eu não machuquei seu filho. Impedi que ele continuasse agredindo William.
— Mason disse que a senhora o jogou no chão.
— Mason estava com Will contra uma árvore e levantou a mão para bater nele novamente. Eu segurei o braço dele e o afastei. Quando tentou se soltar, perdeu o equilíbrio e caiu.
A mãe de Mason olhou para o filho. — Você bateu naquele menino?
— Não! A gente só estava brincando.
Will se encolheu ao meu lado, e aquilo me irritou ainda mais.
— Não estava brincando. Eu vi seu filho bater nele.
O homem finalmente olhou para Will e para o corte em sua boca, mas sua expressão não demonstrou qualquer preocupação.
— Meu filho não tem histórico de violência.
— Will tem sete anos. Mason tem treze. Eu o vi empurrar Will no intervalo, pegar seu lanche e depois o encontrei batendo nele em uma parte afastada do pátio. Se o senhor pretende conversar sobre comportamento, sugiro começar por isso.
— Sugiro que não me diga como devo educar meu filho.
— Então não tente me convencer de que eu deveria ter ficado parada enquanto ele batia em uma criança.
A mulher passou o braço pelos ombros de Mason.
— Você é uma adulta. Não tinha direito algum de encostar nele.
— Eu tinha o direito de impedir que Will recebesse outro golpe. Foi exatamente o que fiz.
O pai de Mason avançou um passo, e Will segurou minha mão. Senti seus dedos apertarem os meus e imediatamente o mantive um pouco mais atrás de mim.
— A polícia está vindo — o homem disse. — Vamos descobrir se eles concordam com essa sua versão.
— Ótimo. Espero que também estejam interessados em saber por que seu filho de treze anos levou uma criança de sete para uma área afastada da escola e começou a bater nela.
— Cuidado com suas acusações.
— Não é uma acusação quando eu vi acontecer.
Ele me encarou com crescente irritação.
— Você não sabe o problema que arranjou para si mesma.
— Se o problema foi impedir seu filho de bater em Will, consigo conviver com isso.
— Vai se arrepender de ter encostado no meu filho. Eu vou me certificar pessoalmente de que...
— Isso é uma ameaça?
A voz de Jacob veio da porta e interrompeu o homem no meio da frase.
Todos olharam naquela direção.
Jacob acabara de entrar na enfermaria acompanhado por Paul. As roupas denunciavam que ele provavelmente não havia passado em casa desde a noite anterior. A barba estava um pouco mais marcada e havia sinais discretos de cansaço em seu rosto, mas nada na postura dele sugeria um homem que tivesse atravessado uma noite sem dormir. Seus olhos encontraram primeiro Will e imediatamente desceram para o corte no canto da boca do filho. A mudança em sua expressão foi mínima, porém eu já o conhecia o suficiente para perceber o endurecimento do maxilar antes que ele voltasse a atenção para o homem à minha frente.
O pai de Mason ficou calado.
Jacob entrou na sala e parou ao meu lado, olhando diretamente para ele.
— O senhor estava dizendo que ela se arrependeria de ter encostado no seu filho e que se certificaria pessoalmente disso. Perguntei se devo interpretar suas palavras como uma ameaça.
O homem olhou para Jacob em silêncio.
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