A esposa do Don
10 Ajustes contratual
O som da porta de Claire batendo no andar superior ainda ecoava quando minha mãe voltou para o hall. Sarah acompanhou com os olhos a escada vazia, depois olhou para mim com aquela expressão que conhecia desde criança. Não precisava dizer nada para deixar claro que desaprovava pelo menos metade do que acabara de acontecer.
— Nem comece — avisei, antes que ela abrisse a boca.
— Eu não disse absolutamente nada.
— Está pensando alto.
Minha mãe soltou um suspiro e caminhou até a mesa onde Claire havia jogado a bolsa. Pegou-a, colocou-a sobre uma das cadeiras e ajeitou a alça como se aquela pequena tarefa lhe desse tempo para escolher as palavras.
— Você sabe que ela vai tentar sair do quarto.
— Sei.
— E provavelmente já está pensando em como fazer isso.
— Também sei.
— Então talvez trancá-la não seja exatamente a melhor maneira de ensinar alguma coisa.
Passei a mão pela nuca. A discussão havia me deixado mais irritado do que queria admitir, principalmente porque parte do que Claire dissera não estava completamente errada. Minha casa tinha câmeras, homens armados, veículos blindados e protocolos de segurança que fariam qualquer adolescente se sentir vigiado. A diferença era que Claire acreditava que tudo aquilo existia porque eu gostava de controlá-la. Eu sabia quantas vezes aquela segurança impedira que alguém se aproximasse dos meus filhos.
— Não estou tentando ensinar uma lição neste momento. Estou impedindo que ela desapareça novamente enquanto descubro quem estava naquela festa e por que ninguém percebeu sua ausência durante mais de uma hora.
— Paul disse que era uma festa de adolescentes.
— Paul disse que havia adolescentes mais velhos, álcool e pessoas que ele ainda não identificou. Isso é diferente.
Sarah me observou em silêncio por alguns segundos.
— Você está relacionando isso ao que aconteceu nos últimos dias.
Olhei para ela.
Minha mãe podia não participar diretamente dos negócios, mas vivera tempo suficiente ao lado de homens Black para perceber quando alguma coisa estava errada.
— Um carregamento desapareceu. Dois homens meus foram emboscados. Alguém teve acesso a uma rota que não deveria conhecer e, até agora, o homem que capturamos não disse quem forneceu as informações. Enquanto isso acontece, minha filha decide passar uma hora completamente fora do nosso alcance. Então, sim, estou relacionando as duas coisas.
A expressão dela ficou mais séria.
— Acha que alguém poderia tentar chegar até as crianças?
— Sempre existe alguém disposto a tentar chegar até meus filhos para chegar até mim.
— Jacob...
— É a verdade, mãe. Não adianta torná-la mais agradável.
Ela se aproximou.
— Também é verdade que Claire perdeu a mãe e está tentando descobrir como viver dentro de tudo isso. Quanto mais você apertar, mais ela vai lutar.
— Então ela vai lutar dentro de casa, onde eu consigo mantê-la viva.
— Você percebe como isso soa?
— Perfeitamente.
Sarah balançou a cabeça, mas não insistiu. Eu sabia que aquela conversa voltaria em algum momento. Minha mãe raramente abandonava um argumento; apenas sabia reconhecer quando continuá-lo não produziria resultado.
Peguei o telefone e liguei para o chefe da segurança interna.
— A senhorita Black está proibida de sair do quarto até segunda ordem. Quero alguém no corredor e outro homem cobrindo a área externa daquele lado da casa. Nenhuma janela será aberta sem que vocês saibam, nenhum funcionário vai ajudá-la a sair e ninguém entra no quarto sem autorização minha ou da minha mãe.
Sarah fechou os olhos.
Ignorei.
— Não quero que a tratem como uma prisioneira. Não entrem, não a constranjam e não discutam com ela. Apenas impeçam que saia. E avisem a cozinha de que as refeições serão levadas ao quarto.
Desliguei.
— "Não quero que a tratem como uma prisioneira" — minha mãe repetiu. — Depois de colocar dois homens vigiando a porta e as janelas.
— Considerando que ontem doze perderam uma menina de quatorze anos, dois talvez ainda seja otimismo.
Ela quase sorriu, mas se conteve.
— Você vai se arrepender quando ela começar a gritar.
— Meu escritório tem portas grossas.
— Seu senso de humor piora quando está irritado.
— Não era humor.
Sarah me deixou sozinho no hall e seguiu em direção à sala de jantar. Eu deveria ir ao escritório. Embry me esperava na empresa dentro de uma hora, Quil ainda estava em Red Hook, Paul verificava cada pessoa que estivera naquela festa e eu precisava revisar as mudanças nas rotas antes que outro carregamento desaparecesse.
Em vez disso, permaneci parado olhando para a escada.
Claire era inteligente. Muito mais do que eu gostaria em determinadas situações. Planejara a fuga, estudara a própria segurança, identificara o ponto mais fraco da rotina e explorara exatamente aquele ponto. Em outras circunstâncias, eu teria sentido orgulho da capacidade dela de observar uma estrutura e encontrar uma falha.
O problema era que havia usado essa capacidade para desaparecer.
Meu telefone vibrou.
Olhei para a tela.
Uma mensagem de Sarah, embora ela estivesse a poucos cômodos de distância.
Sua futura esposa chegou.
Franzi a testa.
Reli.
Então olhei para o corredor por onde minha mãe havia desaparecido.
Ela não poderia estar falando sério.
Outra mensagem apareceu.
E antes que pergunte: sim, Renesmee Miller. Está no escritório.
Guardei o telefone lentamente.
Dois dias.
Eu lhe dera três.
Apesar da manhã desastrosa com Claire, aquilo conseguiu despertar minha atenção de maneira imediata.
Quando Renesmee saíra do meu escritório dois dias antes, estava genuinamente ofendida. Não fora uma recusa calculada para melhorar condições financeiras, nem uma tentativa infantil de fazer com que eu aumentasse a oferta. Eu conhecia negociações. Passara boa parte da vida diante de pessoas fingindo desinteresse enquanto esperavam que eu colocasse mais dinheiro sobre a mesa. Renesmee não fizera isso. Ela realmente achara minha proposta absurda e saíra convencida de que nunca mais pisaria naquela casa.
Alguma coisa havia mudado.
E não acreditava que fossem apenas dois dias procurando emprego.
Caminhei até meu escritório, mas parei antes de entrar quando encontrei minha mãe no corredor.
— Você poderia simplesmente ter me dito.
— Eu disse.
— Por mensagem, estando dentro da mesma casa.
— Você parecia ocupado transformando o segundo andar em uma instalação de segurança máxima.
— Claire saiu escondida ontem.
— Eu me lembro. Estava aqui.
Olhei para a porta fechada do escritório.
— O que Renesmee disse?
— Que não encontrou emprego melhor.
Voltei os olhos para Sarah.
— E você acreditou?
— Não.
Minha mãe respondeu sem hesitar.
— Eu também não.
— Ela está diferente.
Isso me interessou.
— Como?
Sarah pensou por um instante.
— Preocupada. Não exatamente com o contrato. Quando perguntou se queria falar sobre alguma condição antes de você chegar, ela disse que falaria diretamente com você.
— Disse mais alguma coisa?
— Não. E eu não pressionei.
Assenti.
— Fez bem.
Minha mãe cruzou os braços.
— Jacob, antes de entrar aí, lembre-se de que ela tem vinte anos.
— Estou perfeitamente consciente da idade dela.
— Então não trate essa menina como trata os homens que entram no seu escritório na empresa.
— Ela está vindo negociar um contrato comigo.
— Ela está vindo discutir um casamento com um homem que conheceu há dois dias. Há uma diferença considerável.
— Foi escolha dela voltar.
— Exatamente. Descubra por quê antes de transformar isso numa disputa que precisa vencer.
Olhei novamente para a porta.
Minha mãe tinha razão em uma coisa: Renesmee voltara cedo demais.
Pessoas mudavam de opinião por dinheiro, medo, necessidade ou interesse. Eu precisava descobrir qual deles a colocara novamente naquela casa.
Abri a porta.
Renesmee estava sentada diante da minha mesa.
O contrato estava sobre a madeira.
Ela não percebeu imediatamente minha presença. Parecia concentrada nas próprias mãos, e havia alguma coisa diferente na mulher que eu vira sair dali dois dias antes. A indignação continuava presente, eu podia percebê-la assim que ela levantou os olhos, mas havia também cansaço e uma tensão que não existiam durante nossa primeira conversa.
Fechei a porta atrás de mim.
— Dois dias.
Ela me olhou.
— Eu lhe dei três e, ainda assim, levou apenas dois para voltar à minha porta.
A resposta veio imediatamente.
— Posso voltar por onde entrei, se isso for um problema.
Aquilo quase me fez sorrir.
Não porque fosse engraçado, mas porque confirmava que pelo menos uma parte da mulher que discutira comigo naquela sala continuava intacta.
— Não seria um problema, senhorita Miller. Seria apenas uma pena descobrir que atravessou Nova York inteira para fugir de uma proposta e precisou de apenas quarenta e oito horas para compreender que talvez fosse mais perigoso recusá-la do que sentar diante de mim e negociar.
O rosto dela mudou.
Foi sutil, mas suficiente.
Medo.
Não de mim.
Aproximei-me da mesa sem tirar os olhos dela e ocupei minha cadeira.
— Portanto, fique. Tenho a impressão de que desta vez nossa conversa será consideravelmente mais interessante.
Renesmee não respondeu imediatamente. Apertou os dedos sobre o colo e respirou fundo antes de endireitar os ombros.
— Eu voltei para conversar, senhor Black. Não para assinar o contrato do jeito que está.
— Imaginei.
— Então existem condições.
— Naturalmente.
Ela pareceu surpresa.
— O senhor não vai perguntar quais são?
— Você veio até minha casa para apresentá-las. Imagino que consiga chegar a essa parte sem minha ajuda.
Seus olhos estreitaram.
— Continua sendo insuportável.
— E você voltou mesmo assim.
— Não se acostume.
Recostei-me na cadeira e a observei. A irritação era verdadeira, mas havia outra coisa por baixo dela. Renesmee estava tentando sustentar uma postura que não correspondia ao estado em que chegara. As mãos continuavam unidas com força excessiva, e ela olhara duas vezes para a própria bolsa desde que eu entrara.
Alguma coisa acontecera.
— Muito bem — falei. — Quais são suas condições?
Ela respirou fundo novamente.
— Antes delas, preciso saber uma coisa.
— Pergunte.
Renesmee sustentou meu olhar.
— Quando o senhor escreveu naquele contrato que sua esposa estaria sob a proteção dos Black, estava falando sério?
A pergunta eliminou qualquer vestígio de humor da conversa.
Olhei para ela por alguns segundos antes de responder.
— Eu não coloco promessas que não posso cumprir em contratos, senhorita Miller.
Ela assentiu lentamente.
Então percebi que minha mãe estava certa.
Renesmee Miller não havia voltado por dinheiro.
Alguém a havia assustado o suficiente para fazê-la procurar proteção.
Eu a observei sem dizer nada.
Renesmee tentava esconder o nervosismo mantendo as mãos juntas sobre o colo, mas havia sinais que ela não controlava. Os dedos se apertavam de tempos em tempos, os ombros estavam rígidos e sua respiração não seguia o ritmo tranquilo que tentava demonstrar. Duas vezes, desde que eu entrara, seus olhos haviam ido até a bolsa ao lado da cadeira. Não era apenas desconforto por estar diante de um homem que lhe propusera um casamento contratual dois dias antes.
Era medo.
Eu conhecia medo.
Estava acostumado a vê-lo em homens que sabiam que poderiam não deixar uma sala vivos. Já o vira surgir depois de horas de silêncio, ameaças e resistência, quando finalmente compreendiam que dinheiro, sobrenome ou lealdade não seriam suficientes para salvá-los. Havia aprendido cedo que o medo raramente precisava ser anunciado. Ele alterava a respiração, os movimentos, a maneira como alguém escolhia as palavras.
Renesmee Miller estava com medo de alguma coisa.
Mas ainda não de mim.
Isso tornava sua pergunta sobre a proteção dos Black consideravelmente mais interessante.
Não a pressionei. Se ela havia atravessado a cidade para voltar até mim, acabaria chegando ao verdadeiro motivo. Bastava esperar.
Renesmee respirou fundo e finalmente falou:
— Eu aceito sua proposta, senhor Black, mas quero alguns ajustes no contrato.
Mantive os olhos nela.
— Não costumo aceitar contrapropostas.
A expressão dela mudou imediatamente, e percebi que estava prestes a responder quando completei:
— Mas costumo ouvi-las antes de recusá-las. Fale.
Ela estreitou os olhos.
— Isso deveria me tranquilizar?
— Não era essa a intenção.
Renesmee soltou lentamente o ar e ajeitou-se na cadeira.
— Certo. Então vou começar pela parte mais simples.
— Estou ouvindo.
— O contrato diz que, enquanto estivermos casados, eu não posso ter nenhum relacionamento com outra pessoa.
— Correto.
— Quero que isso valha para o senhor também.
Não respondi imediatamente.
Ela prosseguiu antes que eu pudesse fazê-lo.
— Se o casamento precisa parecer real para todos, então as regras precisam funcionar para os dois lados. Não vou passar três anos sendo apresentada como sua esposa enquanto o senhor mantém amantes e espera que eu finja que não sei.
Pensei em Bree.
A relação entre nós já estava encerrada antes mesmo de Renesmee aparecer naquela casa, portanto aquela condição não me exigiria qualquer sacrifício imediato. Ainda assim, havia algo interessante na firmeza com que ela a apresentava.
— Está exigindo fidelidade.
— Estou exigindo reciprocidade. O senhor colocou fidelidade no contrato, não eu.
— Porque uma esposa Black envolvida publicamente com outro homem criaria problemas que não pretendo administrar.
— E acredita que eu gostaria de administrar os problemas de descobrir que meu marido está dormindo com outra mulher?
— Nosso casamento não será convencional.
— Isso não muda o sobrenome que pretende colocar em mim.
Ela fez uma pequena pausa e então continuou:
— E tem mais uma coisa. Não quero amantes circulando dentro da minha casa.
Ergui uma sobrancelha.
— Sua casa?
Renesmee apontou para o contrato.
— Foi o senhor quem escreveu isso, não eu. Está aqui. Enquanto o casamento estiver vigente, esta será nossa residência familiar e eu serei a senhora Black. O contrato ainda diz que terei autoridade sobre questões domésticas e funcionários. Então, sim, minha casa.
Havia uma coragem peculiar naquela mulher. Dois dias antes, quase se engasgara quando descobrira que eu esperava um herdeiro. Agora estava sentada diante de mim reivindicando direitos sobre minha propriedade antes mesmo de assinar o próprio nome.
Gostei mais do que deveria.
— De acordo.
Ela piscou.
— De acordo?
— Esperava uma discussão?
— Considerando a sua personalidade, sim.
— Não existe razão para discutir uma condição que não me prejudica. Enquanto formos casados, nenhum de nós manterá outros relacionamentos. E nenhuma mulher com quem eu tenha me relacionado terá liberdade para entrar nesta casa como se tivesse algum direito sobre ela.
Renesmee pareceu entender perfeitamente a quem eu me referia, embora não mencionasse Bree.
— Quero isso escrito.
— Será escrito.
Ela assentiu.
— Certo.
— Segundo ponto.
Dessa vez, a mudança foi evidente.
Renesmee desviou os olhos para o contrato e demorou alguns segundos antes de falar. A firmeza continuava presente, mas seu rosto começou a ganhar uma coloração que me chamou a atenção.
— É sobre o filho.
— Imaginei.
— Para termos um filho, nós...
Ela parou.
Esperei.
— Nós teremos que ter relações.
A seriedade com que pronunciou aquilo quase me divertiu.
— A menos que esteja propondo inseminação artificial, bebês normalmente são feitos através de sexo, senhorita Miller.
Ela ficou ainda mais vermelha.
— Eu sei como bebês são feitos.
— Já estabelecemos isso em nossa primeira conversa.
— Então não precisa falar desse jeito.
— Foi você quem levantou a questão.
Ela respirou fundo, claramente tentando não perder a paciência.
— E a inseminação?
— Descartada.
Renesmee franziu a testa.
— Por quê?
— Porque não vou entregar uma questão sucessória dessa importância a uma clínica e confiar que o material utilizado é o meu simplesmente porque alguém colocou meu nome em um recipiente. Existem maneiras de verificar, naturalmente, mas criariam riscos desnecessários e pessoas demais envolvidas em algo que prefiro manter dentro desta família.
Ela ficou me olhando.
— O senhor realmente não confia em ninguém.
— Confio nas pessoas certas. É por isso que ainda estou vivo.
Renesmee baixou os olhos novamente.
— Então será... naturalmente.
— Sim.
O silêncio que se seguiu foi diferente.
Foi quando compreendi que aquilo não era apenas constrangimento.
Ela esfregou discretamente o polegar contra os próprios dedos antes de continuar.
— Nesse caso, quero tempo.
— Defina tempo.
— Não sei.
— Então não é uma condição. É uma intenção.
Ela levantou os olhos, irritada.
— Estou tentando explicar.
— Explique.
Renesmee respirou fundo.
— Eu conheço o senhor há dois dias. Na verdade, se somarmos o tempo que estivemos na mesma sala, provavelmente nem algumas horas. Não consigo simplesmente assinar um papel, entrar num quarto com alguém que mal conheço e agir como se isso não significasse nada.
Não respondi.
Ela continuou, agora mais devagar:
— Eu sei o que estou aceitando. Li o contrato inteiro. Sei que existe a cláusula do herdeiro e, se eu assinar, não vou fingir depois que não sabia. Mas quero alguns dias para me adaptar ao senhor, à casa, aos seus filhos, a tudo isso. Quero poder me acostumar com a ideia de estar casada antes que espere que eu...
Ela parou novamente.
Dessa vez não a provoquei.
A irritação havia desaparecido do rosto dela, substituída por uma vulnerabilidade que ainda não tinha visto. A jovem que enfrentara Bree no corredor e discutira comigo sobre cada cláusula parecia subitamente muito próxima dos vinte anos que constavam em seus documentos.
Observei-a por alguns segundos.
Havia algo que ela não estava dizendo.
— Você é virgem?
O rosto dela ficou completamente vermelho.
Seus olhos baixaram imediatamente para as próprias mãos.
Não respondeu.
Não precisava.
Recostei-me na cadeira.
— Entendi.
Ela ergueu os olhos de imediato.
— Não precisa dizer dessa maneira.
— De que maneira?
— Como se tivesse acabado de descobrir alguma informação extremamente relevante para seus negócios.
— Para esta negociação, é relevante.
— Isso é pessoal.
— Estamos discutindo um contrato de casamento que prevê um filho entre nós. Poucas coisas continuarão inteiramente pessoais depois que você assinar.
Ela pareceu não gostar da resposta.
— E é exatamente por isso que estou colocando essa condição agora.
Assenti.
Não havia vantagem alguma em pressioná-la nesse ponto. Eu precisava de um herdeiro durante o casamento, não naquela semana. Forçar intimidade com uma mulher que demonstrava desconforto apenas criaria um problema onde não precisava existir um.
Além disso, havia uma diferença considerável entre exigir que ela cumprisse uma obrigação que aceitara conscientemente e transformar aquela obrigação em algo que a fizesse se sentir comprada.
— Um mês.
Ela me encarou.
— O quê?
— Você terá um mês para se adaptar.
Renesmee pareceu surpresa.
— Eu estava pensando em alguns dias.
— Eu ouvi.
— Então por que um mês?
— Porque alguns dias não mudariam o fato de que mal me conhece. Um mês lhe dará tempo suficiente para compreender a rotina desta casa e se acostumar com sua nova posição. Durante esse período, não haverá qualquer expectativa de intimidade entre nós.
Ela continuou me olhando como se procurasse alguma armadilha.
— E depois de um mês?
— Depois de um mês conversaremos novamente.
— O contrato diz que eu preciso dar um filho ao senhor.
— O contrato dirá que existe um prazo inicial de adaptação de trinta dias. Depois disso, a cláusula sucessória permanece, mas não pretendo estabelecer uma data e uma hora para levá-la para a cama, senhorita Miller.
Ela corou novamente.
— O senhor consegue falar sobre isso de uma forma menos...
— Direta?
— Constrangedora.
— Provavelmente. Não vejo utilidade.
Renesmee balançou a cabeça, mas percebi que parte da tensão em seus ombros havia diminuído.
— Quero os trinta dias escritos.
— Terá.
— E não quero que depois diga que mudou de ideia.
— Se eu assinar, não mudo as condições unilateralmente.
Ela assentiu devagar.
Peguei uma caneta e anotei as duas alterações que deveriam ser encaminhadas aos advogados. Fidelidade recíproca, restrição de antigos relacionamentos à residência familiar e período inicial de trinta dias sem expectativa de intimidade. Quando terminei, coloquei a caneta sobre a mesa e voltei a observá-la.
Ainda faltava o mais importante.
— Qual é o terceiro pedido?
A mudança em Renesmee foi imediata.
Toda a segurança que recuperara durante os últimos minutos desapareceu. Ela olhou para a bolsa ao lado da cadeira e, naquele instante, tive certeza de que o verdadeiro motivo para ter voltado finalmente apareceria.
Renesmee permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de erguer os olhos para mim.
— Antes de fazer o terceiro pedido, preciso contar por que vim para Nova York.
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