Notas iniciais
Com amor...

Para de chorar. Para de chorar agora Emily. Para. Isso é uma ordem! Fraca. Como eu posso ser tão fraca? Eu estou chorando a mais de duas horas por aquele idiota. Eu preciso parar com isso. Preciso parar antes dele chegar em casa. Max não pode me ver assim.

— Max? – abro a porta de casa bem devagar na esperança que ele ainda não tenha chego. Respiro aliava. Jogo-me no sofá. Ele ainda não chegou e não poderia me ver nesse estado. Levanto-me. Preciso de um banho. Agora.

Se passam exatos 2 minutos e eu sigo em direção a escada, quando escuto a porta se abrir. Viro-me involuntariamente e encontro os olhos de Max. Consigo ver o exato momento em que sua expressão de alegria se altera... E ele agora parece confuso, aflito e em seguida preocupado.

— O que há com você? – seus olhos ainda permanecem nos meus.

— Max... – as lágrimas voltaram. Agora eu choro compulsivamente e antes que eu consiga pronunciar qualquer outra palavra, já estou protegida entre os braços do meu irmão.

— Vai ficar tudo bem Emily. – me afasto dele para poder encara-lo, ele sorri. Sei que esta tentando me passar segurança.

— Max eu estou grávida. – fecho os olhos sabendo que não teria mais como prolongar. Ele não responde nada. Eu vou ter que repetir. – Eu estou...

— Grávida? — abro meus olhos e volto a encara-lo. Max não parece bravo, nem com raiva, também não parece triste, nem decepcionado. Talvez feliz. Eu não consigo saber o que passa nesse momento na mente dele. Então afirmo com a cabeça, deixando mais algumas lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

— Vamos dar um jeito nisso Emily. – nesse mesmo momento eu sinto meu corpo todo se paralisar. Eu tive medo. Medo do que ele queria dizer com “dar um jeito nisso”. Eu respirei fundo sabendo ou pelo menosimaginando o que viria a seguir...

— Vo-você não quer que eu tire essa criança não é? – eu vi seus olhos se arregalarem e senti um enorme alivio.

— O QUE? – gritou. – Pelo amor de Deus Emily. Isso nem passou pela minha cabeça... E eu espero que também não tenha passado pela sua. – arqueou uma das sobrancelhas.

— O Sebastian... E-le... – ele não conseguiria terminar aquela frase. Eu sabia. Afinal era o Sebastian o pai do meu bebê. O melhor amigo de Max. Então resolvi facilitar as coisas.

— É... Ele não quer um filho agora. Isso só atrapalharia as coisas... – fico em silêncio por alguns segundos. — Ele sugeriu que eu abortasse.

— E você quer um filho agora?

— E-eu quero... Quero. Claro. — um enorme sorriso se formou em seu rosto. Sorri também.

Não iria tirar essa criança. Não porque o Sebastian queria que eu tirasse. Eu queria aquela criança. Era meu filho ou filha. E eu já amava aquele bebê mesmo não sabendo o sexo. E eu tinha o Max. Que me ajudaria sempre. Ele sempre ficou ao meu lado. Desde a morte de nossos pais. E não seria agora que ele iria me abandonar. Eu não preciso ter medo. Eu sei que não.

O final de semana passou voando. Bem mais rápido do que eu gostaria. Hoje é segunda-feira. E eu ainda não tenho certeza se quero ir ao colégio. Acabar me encontrando com Sebastian em um dos corredores. Isso soa como fraqueza, eu sei. Mas afinal eu ainda sou só uma garota de 16 anos. Que está grávida. Grávida de um babaca que fique bem claro.

Esse é o último ano de Sebastian no Mackleen. No próximo ano ele estará morando em Nova Iorque. Fazendo faculdade e conhecendo várias garotas novas e apaixonadas pelos seus olhos verdes, frequentando festas todas as noites e voltando bêbado para casa. Provavelmente fazendo estágio em alguma das firmas do seu pai. Ele vai ser advogado.

E pela primeira vez em dois anos eu estou feliz com a ideia de Sebastian viver longe daqui. Longe de mim e dessa criança que eu carrego no meu ventre. Só mais três meses e ele estará longe. Longe o bastante para que eu possa esquecê-lo e ele fazer o mesmo em relação a mim.

— Emily? – olho para fora da janela do carro e percebo que já chegamos. – Se quiser eu posso te levar de volta para casa.

— Não! – fiz careta. – Max eu estou bem.

— Ótimo. – sorri.

Abro a porta do carro e respiro fundo. Eu estou bem. Saiu devagar enquanto Max faz o mesmo e da à volta no carro vindo em minha direção ainda com um sorriso.

— Emy, antes da aula eu preciso resolver algumas coisas com o treinador.

— Para de se preocupar comigo Max. Eu já disse que estou bem.

— Ok. Nos vemos mais tarde então. – sorri e em seguida me manda um beijo no ar e sai em direção ao campo. Onde eu sei que Sebastian está treinando. Futebol.

Olho para o relógio e ainda falta 20 minutos para começar as aulas. Sigo pelos corredores menos movimentados do colégio evitando a todo custo “trombar” com o Sebastian. Finalmente cheguei em frente ao meu armário. Começo a guardar alguns livros que só vou usar no segundo período. Quando escuto alguns passos se aproximarem atrás de mim. Sinto uma mão em meu ombro direito. Ah não. Que merda.

— Precisamos conversar. – é ele.

— Pode falar... – esperança, é assim que estou me sentindo agora, cheia de esperança.

Decidida me viro em direção a ele para encarar aquelas malditos olhos verdes. Nossa. Ele segura o nariz com a mão direita tentando controlar o sangue. E olha fixamente em minha direção. Agora ele decidiu que vai sorrir? Eu sei que estou com o vestido favorito dele. Mas porque raios ele está sorrindo?

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Que merda Sebastian. Isso é golpe baixo.

— O que foi isso? – pergunto apontando para o seu nariz.

— Levei um soco Emy. – Emy? Porque ele está me chamando de Emy? Meu nome é Emily. Emily. – Um soco do Max. – engoli seco.

— E o que eu tenho a ver com isso? — tento ser fria. Mas é claro que eu estou preocupada. Meu irmão se meteu em uma briga com o quarterback do time e isso não era boa coisa. OK. OK. Também estou um pouco, bem pouco, preocupado com o Sebastian.

— Você é minha namorada Emily. – Agora ele resolveu me chamar de Emily? Não. Espera. Ele acabou de dizer que sou namorada dele? Ai meu Deus. – Você vai ter que conversar com o seu irmão.

As palavras de Sebastian me atingiram e de algum modo eu perdi totalmente a capacidade de pensar ou falar ou respirar.

— Emily? – ele aumenta o tom de voz me trazendo de volta para a realidade.

— Eu não sou mais sua namorada. — olhei diretamente em seus olhos verdes e logo em seguida para o chão. Senti sua mão em meu queixo me obrigando a olhar novamente para ele.

— O que? – ele parecia confuso. – Você só está nervosa porque tem várias coisas acontecendo. Quando tudo isso acabar – ele queria dizer quando você tirar esse bebe – podemos voltar a sermos os mesmos de antes. – ele sorri.

— Não Sebastian! – ele segura meus dois braços com força me prensando entre seu corpo e os armários. Só agora me dei conta que seu nariz parou de sangrar.

— ME SOLTA! – grite.

— Emily me escuta. – eu me debatia tentando me soltar e ele me segurava cada vez com mais força.

— ME SOLTA! — gritei novamente.

— Olha... Você só tem 16 anos, você não quer ter um filho agora. É um erro Emy! Por isso o aborto foi a decisão mais correta no meio disso tudo. Pelo amor de Deus. Eu te amo e sei que você também me ama, então para de ser tão infantil... – eu não acredito. Ele não se arrependeu. Em nenhum momento. Pra ele era certo tirar a vida daquela criança... Como eu fui me apaixonar por esse babaca?

— Sebastian... Eu deixei de te amar no momento em que você me pediu para tirar a criança. – ele abriu a boca duas ou três vezes, mas não conseguiu falar nada. Ele me soltou aos poucos quase que em um movimento involuntário. E ficou ali. Parado da minha frente com seus olhos verdes presos nos meus.

— Foi um erro. E agora é tarde demais para tentar corrigir Sebastian. – é claro que eu estava falando da gravidez, mas é claro que ele achou que eu me referia ao aborto. É melhor assim, para nós três.

— E-eu sinto muito! Mas eu não queria... Não quero um filho agora.

— E eu quero que você me deixe em paz. – ele mordeu o lábio inferior em seguida erguendo as mãos em sinal de rendição e me dando passagem.

— Eu te amo. – sussurrou em meu ouvido enquanto eu passava por ele. Não Sebastian você não me ama. Nunca amou.

Dois anos. Dois anos da minha vida desperdiçados com o “maravilhoso” Sebastian Owen. Ele é dois anos e meio mais velho que eu. É o quarterback do time do colégio, foi o rei do baile de outono nos últimos três anos seguidos. Fui coroada rainha em dois desses bailes ao lado dele. Era o presidente do grêmio estudantil e nada menos que o garoto mais rico e desejado do colégio. Que burrice a minha pensar que alguém como ele soubesse o significado da palavra amor. E mais burra ainda foi eu fazer daquele babaca o pai do meu bebê. Para o meu alívio em poucos meses ele vai embora. E tudo o que eu sinto por ele também.