Eu me encontro no mesmo lugar em que Sebastian me deixou sozinha a aproximadamente três horas. Milhões de coisas passam pela minha cabeça. E Jasmine é a principal de todas elas, eu não sei o que eu ainda estou fazendo aqui, mas sei que não consigo voltar para casa e encarar minha filha. Estou perdida nos meus próprios pensamentos, imaginando um jeito de sair de tudo isso, quando meu celular começa a tocar no bolso da jaqueta, pego o aparelho e olho no visor, dou graças a Deus por não ser ele. Exito um pouco antes de atender.

– Alô?

– Oi Emy. – é tão bom ouvir a voz dele depois de tudo.

– Luke.

– A onde você está? – ele pergunta e eu escuto o riso da minha princesa ao fundo.

– Vim até o Central Park dar uma volta. – mentirosa.

– Ah... Claro. Certo. – ele fica em silêncio por alguns segundos e eu também não digo nada. – Eu estou com a Jas e o Max, será que você vai demorar?

– Eu chego em vinte minutos. – digo.

– OK. Vamos te esperar então...

– Porque me esperar?

– Vamos ao cinema amor.

– Acho melhor irem vocês três, eu estou um pouco cansada. – ele suspira frustado.

– Tudo bem, nos vemos mais tarde então.

– Obrigada Luke.

– Não é nada querida. – posso sentir o sorriso dele do outro lado da linha. – Eu te amo.

– Também te amo. – sorrio.

– Tchau. – ele diz e eu desligo com um sorriso bobo no rosto. Finalmente decido que está na hora de voltar para casa.

Exatos vinte e sete minutos depois estou no meu apartamento, jogada em um dos sofás vermelhos que combinam com o restante da decoração da sala. Estou com um livro em mãos mas não consigo ler nem um paragrafo sem que meus pensamentos voltem para o meu nada querido ex-namorado e tudo o que ele me disse mais cedo.

– Eu preciso fazer alguma coisa. – falo em voz alta para mim mesma, já que mais uma vez me encontro sozinha.

Jogo o livro para a mesinha que fica no centro da sala e volto a me deitar no sofá, fico um bom tempo encarando o teto, tentando ter alguma idéia genial para afastar o Sebastian da minha princesa. Em vão...

(...)

Escuto um barulho vindo da porta e abro meus olhos, percebo que acabei adormecendo, acho que por um longo tempo. Lentamente me sento no sofá e vejo quando Max entra e logo em seguida Luke com a pequena Jasmine adormecida em seus braços. Observo quando Luke cruza a sala e segue em direção ao quarto da minha filha, sorrio involuntariamente.

– Você está bem? – Max se senta ao meu lado no sofá e eu me viro para encara-lo.

– Precisamos conversar mais tarde. – suspiro e encosto minha cabeça no seu ombro.

– Vai ficar tudo bem Emy. – ele sussurra e me abraça me apertando mais contra o seu corpo. – Vai ficar tudo bem. – eu me limito em confirmar com a cabeça, não tendo tanta certeza assim.

– Assim eu vou ficar com ciúmes. – diz Luke descendo as escadas com um sorriso.

– Que exagero. – saiu dos braços de Max e Luke se senta do meu outro lado no sofá, me aproximo dele e ele me beija.

– Pra mim já deu. – Max se levanta e vai em direção ao quarto.

Eu e Luke caímos na gargalhada. Ele me conta sobre como foi o seu dia e o cinema com Jasmine e Max. Também contei sobre o meu dia, tirando a discussão com o pai da minha filha.

Duas horas depois, Luke está sentado no sofá com os pés em cima da mesinha de centro e eu deitada com o meu corpo esticado no couro vermelho, com a minha cabeça sobre a coxa dele. Ele carinhosamente acaricia meus cabelos, enquanto assistimos um filme qualquer. Igual o Sebastian fazia. Merda.

– Emy esqueci de te falar. – ele diz me fazendo pausar o filme e olhar em direção a ele.

– O que?

–Semana que vem eu tenho um casamento para ir. Eu vou ser o padrinho. – ele fica em silêncio alguns segundos. – E o noivo convidou vocês.

– Quem vai se casar? – pergunto confusa.

– O Sebastian. – engulo em seco e sinto todo o meu corpo paralisar e estremecer, meu coração dispara e meus olhos ficam marejados.

– Com quem ele vai se casar? – me levanto do seu colo e sento ao seu lado, olhando para frente.

– Você não conhece, ela é filha de um dos sócios do pai dele. Amber Collins. – eu sinto que ainda estou em estado de choque.

– Ele ainda é novo... – sussurro. – Quer dizer ele ainda é novo para se casar. – digo ao perceber que Luke me encara confuso.

– Eles namoram a cinco anos. – o que? Cinco anos? – Eles ficaram noivos no verão passado, formam um casal bonito. Ela é modelo, eu acho.

– Entendi. – não, eu não entendi porra nenhuma.

– Ele até que tentou, mas ela não iria mais aceitar a enrolação da parte dele. – ele ri e eu me mexo desconfortável ao seu lado, encosto minha cabeça em seu ombro e permito que uma lágrima solitária escorra pelo meu rosto.

– E nós temos que ir? – não, por favor, não.

– Eu gostaria que vocês fossem. – que merda!

– Então nós iremos. – viro em direção a ele que sorri e dou um selinho.

– Já está tarde Emy. – ele me devolve outro selinho. – Eu tenho que ir. – ele me olha e eu faço biquinho. – Não faz assim amor.

– Tudo bem, eu também preciso descansar. – ele passa as mãos pelos cabelos bagunçados e se levanta do sofá.

O acompanho até a porta e ele me beija novamente dessa vez dou passagem para que sua língua explore cada cantinho da minha boca. Depois de alguns minutos ele se vai.

Corro em direção ao quarto de Max na esperança de que ele ainda esteja acordado e para minha sorte ele está. Paro em frente a porta e ele levanta o olhar para mim, sorri carinhosamente ao me ver.

– Posso entrar? – ele confirma com um aceno de cabeça e dá dois tapinhas na cama de casal, me convidando a me juntar a ele. Mais que depressa eu pulo na cama e encosto na cabeceira da cama, com as pernas cruzadas.

– O que há com você? – viro minha cabeça na direção dele e ele coloca uma mecha do meu cabelo para trás da orelha.

– Ele me pediu para conhecer a Jas. – ele fica em silêncio. – E ele também. – suspiro. – ele também vai se casar, na próxima semana. – deixo outra lágrima escorrer e ele logo em seguida enxuga meu rosto com o polegar.

– A minha querida. – ele passa o braço por cima dos meus ombros e me aperta contra o seu corpo. – As coisas nem sempre são como gostaríamos. – eu me limito em concordar com a cabeça. – O que você vai fazer em relação a Jasmine?

– Eu esperava que você me dissesse o que fazer Max. – digo quase em um sussurro.

– Ele é o pai dela Emy. – ele respira fundo. – Ela tem o direito de saber.

– Eu... – gaguejo. – Eu tenho de que ele a machuque...

– Ele não seria nem louco querida. – ele me conforta.

– Ele disse que se arrepende e pediu desculpas. – digo.

– Eu acredito que seja verdade. – ele beija o topo da minha cabeça.

– O pior é que eu também... Será que algum dia eu vou conseguir perdoar ele?

– Quem sabe algum dia... – ele diz e se mexe na cama.

– É... Quem sabe.

– Você reparou no jeito que ele olha para ela? – ele pergunta repentinamente.

– Ele olha como um pai babão. Ele sorri só de ver o sorriso dela, o que é ridículo. – sorrio só de lembrar.

– Ele vai ser um bom pai. – Max diz e eu me afasto um pouco e vejo um sorriso em seu rosto.

– Eu espero que sim. – volto a encostar minha cabeça no ombro dele. – Max eu só vou falar com ele depois do casamento.

– O importante é que você fale Emy. – ele pega o livro que ele tinha deixado de lado e volta sua atenção para ele.

(...)

– MAX, ATENDE A MERDA DA PORTA! – grito ainda de olhos fechados.

Quando finalmente decido abrir os olhos a claridade me atinge, fazendo fecha-los em seguida. Na segunda tentativa percebo que estou no quarto de Max e não me lembro de ter ido para o meu quarto na noite passada. Olho para o relógio ao lado da cama e ainda são 07:45 da manhã, sei que Max já foi para o trabalho e aproveitou para levar Jas para o colégio. Essa campainha chega no minimo a ser irritante. Bufo. Me levanto decidida a acabar com a raça do retardado que não para de tocar a campainha feito louco. Desço as escadas correndo. Quase caiu.E abro a porta com um movimento rápido.

– Que foi? – grito irritada e ele desce o olhar pelo meu corpo surpreso. Merda, esqueci de me trocar. Sério que ele vai ficar com esse sorriso sacana no rosto? Aí meu Deus.

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– E-eu... – ele sobe lentamente os olhos e para quando encontra os meus. – Será que você pode ir colocar uma roupa?

– Você já me viu com muito menos Sebastian. – ele abafa um riso e eu me arrependo imediatamente.

– Você está ainda mais gostosa que antes. – ele desce os olhos novamente e eu fecho a porta na cara dele.

– Vou trocar de roupa. – grito.

– OK. – ele responde.

Parabéns Emily. O que você tem na cabeça? Ir atender a porta vestida daquele jeito. E ainda fazer uma piadinha daquelas... Ai que vergonha!

Me olho no espelho. É, bem melhor. – penso.

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(...)

Abro novamente a porta e ele me olha com um sorriso travesso e eu respondo com um sorriso amarelo.

– O que você quer?

– Posso entrar? – ele pergunta já entrando.

– Claro. – oi ironia. Bufo e fecho a porta atrás de mim, me viro para ele que segura um porta retrato nas mãos. Ele olha para mim e sorri.

– Você ficou ainda mais linda grávida. – me jogo no sofá. – Queria voltar atrás e...

– Não dá. – o interrompo e ele me olha. Caminha até mim em silêncio e também se senta no sofá.

– Eu sei que não. – parece estar triste. – Emy. – o fuzilo com o olhar. – Emily, sobre ontem... E-eu queria pedir desculpas.

– Desculpas aceitas. – ele olha para mim surpreso e sorri.

– E sobre a Jas...

– A gente conversa sobre isso depois do seu casamento. – o interrompo novamente e sua boca forma um perfeito “o”. Ele tenta falar duas ou três vezes, mas desiste. – Luke.

– Claro. O Luke contou. – conclui.

– Eu fico feliz por você Sebastian. – sorrio.

– Eu queria ser feliz com você. – ele segura minha mão e a aperta. Seus olhos encontram os meus e ele sussurra : Eu ainda te amo.