A escolha.
7 Nublu Club.
Notas iniciais
– Eu fico feliz por você Sebastian. – sorrio.
– Eu queria ser feliz com você. – ele segura minha mão e aperta. Seus olhos encontram os meus e ele sussurra: Eu ainda te amo.
Ele não me amava, talvez nunca tenha amado, eu sabia disso e ele também. Mas aquilo me afetou de tal forma, que eu senti o meu coração disparar e fiquei sem reação por alguns segundos antes de retomar a consciência.
– Sebastian... – eu digo dez tons mais baixos que o normal. – Você nunca me amou.
– O que? – ele pergunta surpreso. – Emily, eu...
– Chega. – o interrompo. – Isso não vai levar a lugar algum. – solto minha mão das suas e me levanto indo em direção a porta. Ele está bem atrás de mim, apenas a alguns passos.
– A gente conversa depois do casamento então? – ele pergunta e eu concordo com a cabeça.
– Depois do casamento. – abro a porta e ele para bem ao meu lado, fica de frente para mim, ele coloca suas mãos uma de cada lado do meu rosto e me beija na testa. Fecho os olhos e vejo aquela garota de dezesseis anos apaixonada em mim.
– Me perdoe... Por tudo! – ele sussurra.
– Quem sabe algum dia. – digo, ele sorri e se afasta.
Ele vai em direção ao elevador sem olhar para trás nenhuma vez sequer. Sei que ele não conseguiria me encarar depois de tudo, ele sabe tanto quanto eu, que isso é um adeus.
Fecho a porta do apartamento no mesmo instante em que a porta do elevador.
E involuntariamente me lembro da última vez em que vi meu pai. Major Charlie Moore. Major Moore, como ele gostava de ser chamado, servia ao exercito americano. Com orgulho. Foi morto em combate no Iraque quando eu tinha dez anos.
A última vez em que eu o vi me lembro perfeitamente, cheguei do colégio e vi um carro do exercito estacionado em frente de casa, como muitas vezes eu já tinha visto, entrei e minha mãe estava chorando. Procurei por um motivo e encontrei meu pai fardado com outros dois oficiais ao seu lado. Ele pegou a mochila e jogou sobre os ombros, se aproximou da minha mãe e se despediu, dizendo que voltaria logo e que ela não deveria chorar. Em seguida abraçou Max e eu ouvi quando ele sussurrou:
– Cuide delas enquanto eu não estiver. – Max assentiu com a cabeça e sorriu em meio às lágrimas.
Meu pai olhou para o lado e encontrou o meu olhar sobre ele, se aproximou de mim e me pegou no colo, me apertou contra o seu corpo e eu chorei, acho que bem no fundo eu sabia. E ele também.
Ele me colocou no chão e colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha. Se ajoelhou para ficar da mesma altura que eu e um pouco mais baixo do que Max.
– Eu vou sentir saudade. – puxou Max que estava ao meu lado e nos envolveu em um último abraço. – Eu amo vocês. – ele disse.
– Eu te amo pai. – Max chorava.
– Eu te amo papai. – eu disse e ele nos afastou e sorriu, se levantou e foi em direção a porta.
E ele foi embora sem olhar para trás, nenhuma vez sequer. Eu sabia que ele estava chorando. E o Major Charlie Moore se foi, para nunca mais voltar.
Ele morreu como um herói, quatro meses depois de partir. Morreu salvando a vida de um garoto, um novato de 19 anos que não soube o que fazer. Ele morreu para que um jovem pudesse voltar para casa, foi isso que o seu superior disse no enterro do meu pai. Minha mãe se foi um ano e sete meses depois. Depressão foi o que os médicos disseram.
Só ficamos eu e Max no mundo, um pelo outro. E sobrevivendo da gorda pensão que recebíamos por meu pai ter morrido servindo ao exército. Um oficial de alta patente que morreu defendendo o seu país.
Eu me sento da mesma maneira vendo o Sebastian sair do meu apartamento. Sei que ele não vai mais voltar, pelo menos não para mim.
(...)
Não consigo dormir e fico rolando na cama de um lado para o outro. Eu me lembro de quando o Sebastian disse que iria se casar comigo e o quanto eu fiquei feliz em ouvir aquilo, eu tão tola, acreditei. E por um minuto me imagino no altar no lugar da tal de Amber. Que Besteira.
Os últimos dias foram basicamente: Levar e buscar a Cece na escola, já que Max esteve ocupado. Choramingar no colo de Max. Passar um tempo com o Luke. Trabalhar. Trabalhar. Trabalhar. E por fim, trabalhar mais um pouco.
Foi bom passar tanto tempo trabalhando, assim não tive muito tempo para pensar no Sebastian. O casamento é amanhã. E Luke e Cece não param de falar sobre isso um minuto sequer. De acordo com o que eu ouvi de Luke, vai ser em um dos hotéis mais caros e luxuosos da cidade. E promete ser o casamento do ano. Já que Sebastian é filho único do advogado mais conceituado de Nova York e vai se casar com ninguém menos que Amber Collins, modelo da temporada.
Eu vi ela em uma revista esses dias atrás enquanto eu caminha pela rua e fui obrigada a entrar na livraria e comprar. Max disse que ela é maravilhosa, acho que foi um pouco de exagero da parte dele. Já a minha pequena Cecelia disse que eu sou mais bonita e esse comentário arrancou uma gargalhada de Max. É claro que eu não sou mais bonita que ela, mas ela também não é tudo isso. Acho que o dinheiro do pai dela deve ajudar na carreira da filha.
(...)
Meu celular toca mais uma vez. Estou prestes a jogar o aparelho na parede ou pela janela. Sebastian deve ter me ligado umas cem vezes nessa última semana. Sem nenhum exagero. E claro, eu não atendi nenhuma das cem vezes. Ele realmente é insistente e eu me pergunto como ele conseguiu o número de Max, o endereço de casa e agora o meu celular. Uma hora ele vai ter que desistir, assim eu espero. Afinal o casamento dele está chegando e eu vou conversar com ele após tudo isso acabar.
Fecho meus olhos e acredito que tenha dormido por alguns minutos quando meu celular toca novamente. Ele realmente é insistente. Me sento na cama e começo a tatear em busca do meu celular. Eu não adormeci por minutos e sim por horas. Já que o relógio ao lado da cama marca 04h15min da manhã. Agora eu mato o Sebastian. Acho meu celular que estava perdido em baixo do lençol.
– O que é que você quer? – pergunto irritada e ele ri do outro lado da linha.
– Emy? Emily? Meu amor... – ele diz enrolado e eu consigo perceber que ele está muito bêbado. Que merda!
– Sebastian vai dormir. – eu imploro.
– Emy, você precisa me perdoar. Você precisa...
– Claro Sebastian. – sei que ele não vai se lembrar de nada pela manhã e eu estou a ponto de desligar, quando escuto um barulho de música e conversas ao fundo. – Onde você está?
– Eu não sei. – ele solta uma gargalhada.
– Como não sabe? – bufo e ele fica em silêncio. – Sebastian passa esse celular pra alguém.
Ele demora aproximadamente cinco minutos para achar alguém. E me deixa falando sozinha. Porque eu ainda não desliguei esse telefone? – penso.
– Alô? – finalmente.
– Oi. Desculpa a pergunta mais você pode me dizer onde vocês estão?
– Um barzinho na Avenida 62entre4ºe5ºStr. em East Village. Nublu Club.
– Claro. É... Se não for pedir muito você pode segurar esse babaca ao seu lado até eu chegar ai? – que merda eu estou fazendo?
– Se você não demorar muito, eu posso.– ele responde gentilmente.
– Vinte minutos. – digo sem nem pensar. – Vinte minutos e eu chego aí.
(...)
Eu já estou no táxi indo em direção ao tal bar a onde o meu “carma” está. E ainda não faço idéia do porque eu estou fazendo isso.
– Chegamos senhora. – o motorista aponta para um bar na esquina.
– É senhorita. – ele sorri, desço do taxi e peço para o mesmo aguardar já que achar outra taxi essas horas é algo quase impossível.
Caminho em direção a esquina e quando chego em frente ao bar encontro Sebastian sentada em uma das cadeiras, junto com outro rapaz que imagino ser o do telefone. Caminho em direção a eles e paro em frente à mesa, com as mãos na cintura e logo cruzando os braços. Bufo e os dois olham na minha direção.
– Você deve ser a Emily? – o homem com um terno de linho preto sem gravata pergunta enquanto sorri.
– É, eu sou. – sorrio também.
– Parece que o nosso amiguinho aqui gosta de dar bastante trabalho. – o homem se levanta e vai em direção a Sebastian.
– Eu que o diga. – faço o mesmo caminho que ele e fico do outro lado.
– Você é... Noiva, namorada, amiga dele? – aponta com a cabeça para o bêbado.
– E-ela. Emy é o a-amor da minha vida. – bêbado. Completamente bêbado. Eu solto uma risada debochada e o homem me encara confuso.
– Nenhuma das quatro opções. – ele continua a me encarar. – Eu sou a mãe da filha desse canalha. – sorrio.
– Cecelia. – Sebastian murmura.
– É. É Sebastian, Cecelia. – olho de Sebastian para o homem parado ao meu lado e ele está sorrindo. – Afinal qual o seu nome?
– Liam. Liam Gissoni. – ele responde.
– Como você já sabe, eu sou a Emily. – digo e ele solta um riso contagiante.
– Ouvi bastante sobre você nessa noite.
– Eu imagino. – sussurro.
– Bom... – ele morde o lábio inferior. – Será que vocês precisam de uma carona?
– Na verdade não. Tem um táxi me esperando... – aponto com a cabeça na direção ao carro do outro lado da rua. – Será que você pode me ajudar com ele?
– Claro. – ele se movimenta e ergue Sebastian e apóia o peso dele sobre os seus ombros, impedindo que ele caísse.
O que quase aconteceu uma ou duas vezes no curto caminho até o táxi. Fazendo nós dois cairmos na gargalhada e Sebastian murmurar algo. Finalmente conseguimos colocar ele dentro do carro.
– Obrigada. Obrigada mesmo Liam, por tudo. – ele sorri e faz sinal de continência, igual ao meu pai.
– Sempre as ordens. – ele se aproxima de mim e beija minha bochecha e vai em direção ao meu ouvido.
– Ele ainda te ama. – sussurra. Engulo em seco e ele se afasta. – Ele disse isso pelo menos umas cinqüenta vezes enquanto te esperávamos.
– Chega até ser patético. – dou de ombros.
– O que? – ele arqueia uma das sobrancelhas.
– Amanhã... Ou melhor, hoje é o casamento dele. E não é comigo que ele vai se casar.
– Bom... Eu acho que a noiva deveria ser você.
– Não diz besteira Liam. – ele da de ombros. – Eu tenho que ir.
– Eu também. – ele sorri e eu também. – Foi um prazer Emy.
– Igualmente Liam. – ele se afasta e volta em direção ao bar.
Entro no táxi e me viro sobre o ombro para encarar Sebastian que dormi no banco de trás. Dou um longo suspiro e me viro para o motorista que sorri para mim.
– Midtown East. Avenida Lexington, 52Nd Street, por favor. – ele sorri e confirma com a cabeça.
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