A epidemia

8 Idas e vindas


Notas iniciais
Olá, queridos(as)!!!! Faz um tempo que não nos vemos, não é mesmo? Gostaram do suspense? hahaha Só que não, eu realmente atrasei a postagem do novo capítulo. Sinto muito. A história vai começar a ganhar novos rumos a partir de agora, teremos alguns conflitos também. Espero que gostem, mesmo depois de toda essa demora. E me deixem saber o que acharam. Um beijo grande e até mais!!

Durante muito tempo, setembro costumava ser uma época do ano pela qual Hermione ansiava que chegasse, pois marcava o início de um novo ano letivo. Uma nova oportunidade de estar perto de seus amigos, de viver experiências que, por ter nascido em uma família trouxa, ela nunca imaginou que experimentaria. Depois da guerra, todos os meses do ano só indicavam a ausência de entes queridos. Agora, ela sempre se lembraria de setembro como um mês sombrio, de tristezas, perdas e doenças.

Naquele dia, ela estava um pouco nostálgica, se lembrando de coisas que havia vivenciado até então, e de como havia chegado até ali. Estava sentada em um banquinho no laboratório com os cotovelos apoiados contra o balcão de pedra, uma pena pendendo de uma mão e, na outra, um punhado de pergaminhos que ela, momentaneamente, havia parado de escrever neles para se ater nesses pensamentos, saídos do seu subconsciente.

Fazia tão pouco tempo desde que setembro começara, e Hermione tinha a impressão de já ter vivido tantas coisas desde então. Tinha estado lá quando um anúncio de epidemia havia sido feito para uma turma lotada; e depois tinha passado dias difíceis em isolamento na torre da Grifinória. Ela não gostava de se sentir insegura, e só de lembrar daqueles dias lhe dava um arrepio gelado nas espinhas.

Endireitou-se após um suspiro e molhou a pena novamente no tinteiro, voltando toda sua atenção para as palavras que não havia terminado de escrever ali. Mas sua mente não correspondeu aos comandos e voltou a se lembrar da sua trajetória até aquele momento. Tinha escapado da sua torre uma noite e terminado na enfermaria implorando para ficar e ajudar a cuidar dos doentes; tinha comemorado um aniversário; tinha sido beijada por seu professor; e tinha terminado na cama com ele, mais de uma vez.

Com essa última linha de pensamento, decidiu parar por ali mesmo. Balançou a cabeça para afastar essas ideias e se ateve novamente aos pergaminhos. Estava fazendo anotações para a pesquisa do professor, a fim de encontrar uma nova fórmula para a poção imunnis. Estava dando mais trabalho do que pensou que daria, até porque nunca tinha experimentado aquelas combinações de ingredientes antes, e não sabia se podia funcionar.

Quando se deu por satisfeita, organizou tudo em um canto e se levantou. Ao passar pelas portas do laboratório, ouviu o ruído de água corrente vindo dos aposentos particulares. Soube que seu professor estava no banho. Na noite anterior, eles haviam se amado naquele mesmo laboratório, sem nenhum conforto ou cuidado, e mesmo assim tinha sido maravilhoso. De repente, a água parou de cair e ela voltou a si, seu estômago indicando que estava faminta naquele início de tarde. Era hora do almoço, e ele já estava servido em seus aposentos, por isso entrou.

O que ela não esperava era encontrá-lo no meio do quarto, secando os cabelos com a toalha que deveria estar enrolada em sua cintura, mas que não estava. Paralisou por um momento e, por sorte, ele a notou e rapidamente tratou de se cobrir, apenas dedicando-lhe um olhar de lamentação pelo ocorrido, embora nada arrependido. Mas não era só aquilo que os incomodava, e sim a crescente intimidade entre eles.

— Desculpe, eu deveria ter batido na porta antes de entrar. – ela disse, um pouco sem jeito.

— Não precisa, os aposentos também são seus.

Mas ela queria dizer que isso não lhes dava o direito de sair andando desnudos por lá. Acabou não dizendo nada, só desviou os olhos por um instante.

— Vamos almoçar? – ela sugeriu, para quebrar o desconforto entre eles.

Concordando, Severo recolheu suas peças de roupas e se dirigiu ao banheiro. Quando voltou de lá vestido e com os cabelos secos, Hermione já tinha iniciado sua refeição.

— O que acha de começarmos a testar os novos ingredientes que você selecionou para a pesquisa? – ele perguntou, sem olhá-la diretamente.

— Acho ótimo. – ela ficou verdadeiramente animada – Podemos fazer isso assim que terminarmos aqui.

— Acalme-se. – ele sugeriu, vendo-a comer com pressa – Vamos primeiro cuidar dos doentes, depois estudar os ingredientes e então começar os testes.

Ela concordou, um pouco menos ansiosa agora, pois aquela parte toda de estudar os ingredientes ela já tinha feito e estava exausta de tantos livros e pergaminhos. Ela queria a prática, agora.

— Por acaso, chegou alguma correspondência enquanto eu estava no banho? – ele perguntou, de um modo pouco interessado, mas só para disfarçar seu nervosismo.

— Não. E imagino que esteja esperando por uma resposta ao pedido de transferência da professora McGonagall, estou certa?

Ele sinalizou que sim.

— Talvez seria melhor reforçar o seu pedido?

— Não há necessidade. – ele afirmou, lhe direcionando o olhar – Eles irão responder em breve, você verá.

Era o que ela mais queria, ver a situação de sua professora definitivamente resolvida. Lembrar-se disso tudo a deixou um pouco abatida, somado ao cansaço daquele dia e uma vontade de ir deitar-se e dar um cochilo. De repente, toda sua animação de antes se esvaiu, deixando-a em movimentos automáticos. A mudança de comportamento não passou batida para Severo, que rapidamente pensou e disse:

— Posso lhe conceder a tarde de folga, se quiser.

— Por quê? – ela não entendeu.

— Para descansar. – ele disse, erguendo os ombros, como se fosse óbvio.

— Eu estou bem. Mas mesmo assim, obrigada. – ela deixou um pequeno sorriso nos lábios, sentindo-se importante para ele.

Severo não disse mais nada, pois estava óbvio que seu excesso de cuidado pela saúde física e mental de Hermione tinha ficado evidente com aquela sugestão. Que grande tolo, ele pensou consigo mesmo, e tratou de terminar logo sua refeição, para poder sair dali. No final, Hermione foi deixada à mesa sozinha para terminar o almoço, com uma singela despedida. Mais tarde, eles fizeram juntos as medicações dos doentes e deram assistência àqueles que precisavam.

— Boa tarde, professora. – Hermione entrou no leito, cumprimentando-a com um sorriso nos lábios.

Minerva se limitou a devolver-lhe o sorriso, os olhos semicerrados, pois estivera dando um cochilo quando Hermione entrou e fez barulho com seus materiais.

— Como está se sentindo, professora?

— Bem, querida. Veio coletar mais sangue?

— Não, não. – ela sorriu amigável, estendendo-lhe uma poção para que pudesse ingerir – São só medicamentos mesmo.

Ao aceitar o frasco, Minerva ingeriu da poção com uma careta após as últimas gotas. O final era sempre amargo. Enquanto isso, Hermione sondava-a para ter certeza de que estava bem mesmo, como havia dito.

— Notei que quase não comeu do seu almoço, professora. – ela comentou, notando a bandeja quase intocada sobre uma mesinha próxima – Não sente fome?

— Estou um pouco enjoada de tanta abóbora nas minhas refeições, se quer saber. Quando não é sopa, é purê.

Hermione deixou um riso escapar, pois aquela não era a primeira reclamação que recebia sobre as comidas servidas na enfermaria.

— Podemos mudar sua dieta. O que gostaria de comer?

— Que diferença faria? Se eu não estivesse prestes a partir...

De algum modo, as palavras da Diretora soaram tristes, embora com uma leve ponta de indignação. Hermione sabia que a senhora havia se posicionado contra a decisão de Severo, pois ele lhe contou sobre o pedido dela de permanecer na enfermaria. E ainda não conseguia entender como podia ser melhor para ela ficar, ao invés de ser cuidada de verdade.

— Vou pedir para prepararem algo diferente, na próxima refeição. – Hermione se limitou a dizer, não querendo parecer rude, mas também não querendo prolongar aquela conversa.

— Hermione? – Minerva lhe chamou, antes que ela escapasse através das cortinas que cercava o leito – Perdoe-me por ontem, não deveria tê-la envolvido daquela forma.

A mulher se referia ao pedido feito à Hermione para escrever anotações importantes, que mais tarde a aluna descobriu que era um prelúdio para um suposto testamento de sua Diretora.

— Não há nada para desculpar, professora. Gostaria apenas que não pensasse em coisas ruins, isso não lhe fará bem nenhum.

Essas palavras, Hermione sabia que tinha repetido da fala de Severo na noite anterior, quando se despediram depois de uma tórrida relação íntima. Achou que as palavras cabiam bem naquele momento. Minerva concordou levemente e com um pequeno sorriso despediu-se de sua aluna, voltando a ajeitar-se na cama. Lá fora, Hermione soltou todo o ar como se o tivesse mantido preso o tempo inteiro, mas era só uma leve crise de nervos que se manifestava.

Quando a aluna regressou ao laboratório com todos os medicamentos devidamente ministrados, encontrou seu professor debruçado sobre a bancada lendo seus pergaminhos da pesquisa, enquanto separava ingredientes sobre a pedra. Parecia loucura, mas se tinha algo que a deixava excitada, era ver seu professor dando valor às suas anotações. Essa imagem, ela se lembraria sempre.

— Já está de volta? – ele perguntou sem esperar resposta, acabando de notá-la na porta – Estou separando os ingredientes que me parecem conter as propriedades que precisamos para a poção immunis. – ele sequer havia parado de fazer o que estava fazendo para olhá-la enquanto falava – Você fez um bom trabalho aqui, mas alguns desses ingredientes não estão nem a nossa disposição.

Aproximando-se de onde ele estava, ela foi recapitulando mentalmente suas listas de ingredientes e não se lembrava de nenhum que não pudesse ser facilmente obtido. Não acreditava que tivesse se enganado.

— Por que a raiz de árgon está riscada na lista? – ela quis saber, um cenho franzido e uma postura defensiva já formada.

— Essa? – ele trouxe para perto uma amostra da raiz que estava sobre a bancada – Ela não tem as propriedades de que precisamos.

— Está equivocado, professor. Ela tem sim.

Severo só então notou a postura da aluna, e o quão perto estava dele. Parecia prestes a pular em seu pescoço só porque ele tinha riscado o seu pergaminho.

— Não, não tem. Ela vai causar uma reação inversa à que precisamos.

— Eu selecionei esses ingredientes criteriosamente, e revisei todas as propriedades pelo menos duas vezes. Não posso ter me enganado quanto a essa raiz.

— Pois se enganou. – ele tentou dar fim àquela discussão, concentrando-se nos próximos ingredientes.

Mas Hermione não pretendia sair dali sem questionar mais algumas coisas.

— E por que as ervas do mato também estão riscadas, professor?

Severo bufou irritado, já prevendo que ela iria importuná-lo a cada novo item rasurado. Ele era o único ali que detinha o conhecimento necessário para apurar se aquela lista era mesmo válida, mas a aluna parecia disposta demais a contestar tudo.

— Não temos esse ingrediente à disposição. De nada nos vale.

— Temos sim, professor.

Ele então se virou na direção dela, determinado a fazê-la entender que a parte dela tinha sido feita, agora era a vez dele de revisar o conteúdo apresentado por ela. Mas quando ficou frente a frente, pareceu perder a coragem de enfrentá-la, embora ainda estivesse irritado.

— Então me diga, senhorita, onde encontrar tais ervas?

— São ervas do mato, e temos a Floresta Proibida logo aqui. O que pode ser mais fácil que isso?

— Está esquecendo, apenas, que não temos mais a permissão das criaturas que habitam a floresta para adentrá-la.

— Mas isso pode ser arranjado, não pode? É pela saúde dos bruxos...

— As criaturas da floresta não ligam para nós. Precisamos trabalhar com possibilidades, e não probabilidades.

— Mas você está riscando todos os ingredientes que eu selecionei. – ela questionou, a voz acabou saindo um pouco esganiçada – Eu levei dias, horas a fio pesquisando tudo isso, para você chegar aqui e riscar tudo. Isso não está certo.

Severo conteve-se, tentando relaxar os músculos, pois não queria iniciar uma discussão com ela onde terminaria deixando-a magoado. Por isso, achou mais justo apelar para o consolo. Apoiou uma de suas mãos sobre as dela, unindo-as entre as dele, e trouxe-as para próximo de seu peito, acariciando e trazendo-lhe de volta à calmaria.

— As pesquisas científicas quase sempre se resumem a dias e horas exaustivas em torno de um tema específico, e muitas das vezes o resultado final não é satisfatório o suficiente e toda a pesquisa precisa ser refeita.

— Não me diga que vai me pedir para refazer tudo?

— Não, não vou. Mas o que temos aqui ainda não é suficiente para a reformulação da poção.

Ela pareceu, de repente, ficar triste com aquela notícia, pois tinha tido tantas esperanças de ter encontrado as fórmulas que ele queria. E ficaria tão contente se pudesse ser útil de alguma forma, mas agora só achava que tinha perdido seu tempo.

— Eu vou continuar com as pesquisas até produzir uma lista em que você não precise riscar nenhum dos ingredientes que estiverem nela.

Severo deixou um riso discreto escapar, achando um tanto engraçado ouvi-la dizer daquela forma, como se precisasse muito provar para ele que podia fazer a tarefa completa. Mas na verdade, ela não gostava de ter seu trabalho rasurado, por ninguém. Ele liberou as mãos dela das suas e as guiou até os seus ombros, fazendo com que ela apoiasse os braços sobre eles, e reduzisse em muito a proximidade deles.

— Está tudo bem se não conseguir listar tudo corretamente nas primeiras tentativas. – ele disse, jogando seu hálito de encontro à face dela – As descobertas científicas são processos lentos, e devem ser apreciados etapa por etapa. Assim como estamos apreciando esse momento, por exemplo.

Ela sorriu com aquela declaração, achando que era uma grande evolução no relacionamento deles, ao menos ele a fizera saber que apreciava estar com ela. Mas isso não podia ser suficiente para Hermione, não quando ela queria extrair mais daquela relação. Mais envolvimento, mais contato e mais reciprocidade.

— Não deveríamos estar testando os ingredientes, ao invés? – ela questionou, fazendo uma expressão de falsa preocupação.

— Eu já comecei os testes. – ele disse, apontando com os olhos para os caldeirões fumegantes, no que ela se espantou pelo fato de não ter notado antes – Assim, ainda temos um tempo antes dos primeiros resultados.

— E o que tem em mente para ocupar esse tempo?

Ela achou que aquela indagação havia soado um tanto ousada da sua parte, e se arrependeu um pouco de ter dito aquilo. Mas ele pouco se importou com isso ou qualquer outra coisa, pois na mente dele só lhe viam coisas muito interessantes que poderiam fazer. E mesmo assim, ele se segurou, pois ainda era dia e estavam em seus horários de trabalho.

— Vamos ocupar esse tempo rabiscando suas listas. – ele respondeu, trazendo de volta um dos pergaminhos e obrigando-a a esboçar uma careta.

Ela queria que ele tivesse dito algo diferente, ou no mínimo feito. Antes de começar a se afastar dele, sentiu ser envolvida pela cintura, as mãos grandes e firmes dele transmitindo toda a possessão dos músculos, puxando-a para perto e mais perto. Seus lábios foram lascivamente capturados pelos dele, logo em seguida, promovendo uma reação em cadeia de sensações em ambos.

Naquele momento, não importava se ainda era dia, porque desde o início daquela epidemia os dias e noites quase sempre se confundiam. Aos poucos, o beijo foi desacelerando, as mãos dele subindo pelas curvas e alcançando os contornos de sua face, ajudando a separá-la dele com um último roçar dos lábios, molhado, levemente mordiscado.

Ela sorriu, satisfeita. Mas ele queria mais. Ela teria visto o desejo nos olhos dele, se tivesse aberto os seus a tempo. Mas foi novamente trazida para perto e preenchida por um novo contato de seus lábios, dessa vez com uma intensidade diferente, mais contida, carregada de algo novo. Parecia desejo, mas ainda havia algo de diferente no ritmo, na habilidade de intensificar e acalmar, e preencher cada canto com lábios, línguas, saliva. Podia ser desejo, mas era certo que tinha muito mais sentimento envolvido. Terminou com um leve selinho, enquanto tentavam retomar o ritmo da respiração.

Ela sorriu, novamente. Ele também, mas ela não viu, porque demorou para abrir os olhos. Hermione queria que aquele momento tivesse durado uma vida inteira, pois tinha sido o beijo mais perfeito de todos que já tivera, com qualquer outra pessoa, e especialmente com ele. Por aqueles breves instantes, ela esqueceu tudo, até mesmo que não podia se apaixonar. Temia que estivesse perdidamente apaixonada por ele agora, depois de ter sido tão carinhosamente beijada.

Ele soltou um pigarro, movendo-se calmamente onde estava sentado, trazendo-a à margem do momento novamente, enquanto ela ia se afastando.

— Vou lhe explicar como vão funcionar os testes dos ingredientes, assim poderá me ajudar com os demais. – ele foi dizendo, sentindo-se um pouco tonto.

Ela concordou, e puxou um banco para se sentar, não porque queria prestar atenção, mas porque precisava descansar as pernas que tinham ficado um pouco bambas. Que beijo tinha sido aquele, ela pensou.

— No caldeirão da direita, preparamos os ingredientes da fórmula original, em solução reagente. – ele começou a explicar – E no caldeirão da esquerda, o novo ingrediente coletado, no mesmo tipo de solução reagente. Assim, podemos comparar os resultados.

— Entendi. Mas como vamos saber que todos irão reagir bem?

— Saberemos através da mudança de coloração do líquido. Tonalidades claras, indicam uma boa tolerância.

Ela concordou, tendo entendido tudo. Eles ainda não tinham se encarado, não depois do beijo, mas para ter aquela conversa tão técnica, eles não precisam de muito contato visual. Na verdade, qualquer contato agora só os faria perder o foco, pois era evidente que se desejavam ainda. Assim permaneceram, sentados ali naquela bancada, trocando conhecimento e apreensivos com os resultados dos testes.

Quando se deram conta, as sombras já adentravam as frestas das janelas e o primeiro resultado dos testes dos ingredientes estava pronto. Severo se levantou de onde estava e contornou o balcão para ficar mais próximo do caldeirão. Com o aceno da varinha, apagou o fogo e esperou o vapor dissipar para poder olhar por cima do artefato. Ele não esboçou nenhuma reação, o que deixou Hermione bastante ansiosa a ponto de levantar-se e ir até lá ver por si mesma.

— Está... escura. – ela sussurrou, perdendo a voz e o ânimo – O que aconteceu de errado?

Ele a olhou por um instante e não apreciou o que via. De repente, sua aluna brilhante tinha perdido todo o brilho nos olhos devido o desapontamento por achar que tinha errado na tarefa.

— Não há nada de errado, ainda, Srta.

— Mas... você disse que só daria certo se as tonalidades fossem claras. – ela tinha interpretado ao pé da letra, e agora não entendia.

— Eu não disse isso. – ele rejeitou aquela ideia, começando a engarrafar o resultado da poção testada – Eu disse que era tolerável, apenas. O ingrediente que usamos aqui é um corante natural, também, então era de se esperar que resultasse em um líquido de tonalidade escura.

— E como vamos saber, então?

— Amanhã saberemos. – ele concluiu o processo e mostrou a ela a garrafa com o líquido azul escuro – A arte da alquimia consiste em ser paciente. Não apenas durante o preparo, mas depois dele, também.

Dizendo isto, ele se afastou para guardar o objeto em uma estante próxima, seguro. Seus movimentos foram assistidos de perto por Hermione, que agora estava novamente animada para as descobertas que fariam no dia seguinte, e encantada com todo o conhecimento que aprendia dia após dia com seu professor.

Quando ele se aproximou novamente, ela sentiu uma vontade inexplicável de tocá-lo, senti-lo, e por um segundo inteiro ela quase o fez. Mas por alguma razão, não se moveu, apenas observou-o enquanto começava a limpeza do balcão. Eram nesses momentos que Hermione mais se sentia frustrada, quando não entendia até que ponto era o limite, e se seria bem aceita se tentasse ultrapassá-lo.

Naquele final de dia, eles se despediram no salão da enfermaria com um aceno de cabeça quando ela informou que iria se retirar para os aposentos. Hermione sentia-se cansada e nem fez questão de pensar nas razões pelas qual eles não se despediram de forma mais calorosa. Até porque ela também sabia que ele compartilhava do mesmo cansaço que o dela.

Na manhã seguinte, depois de ter dormido um sono profundo e sem sonhos, o que era bom, eles trabalharam juntos, mas pouco conversaram. As tarefas do dia tomaram boa parte do tempo deles, e um pouco perto da hora do almoço, uma coruja piou fora de uma das janelas, atraindo a atenção de Severo, que estava próximo. Ao longe, entre um afazer ou outro, Hermione assistia o seu professor receber a correspondência e abri-la muito calmamente. Quando se deu por vencida pela curiosidade, largou o que estava fazendo e se dirigiu até ele.

— E então? – ela perguntou, porque para ela era óbvio que aquela era a correspondência que eles tanto esperavam.

Severo pensou por um momento, dobrando novamente o pergaminho.

— Eles estarão aqui dentro de algumas horas.

Com um suspiro exageradamente longo, Hermione expulsou todo o ar do pulmão, sentindo-se aliviada, muito embora também estivesse com um aperto profundo no peito.

— Escute, eles não podem saber que uma aluna está na linha de frente dos cuidados aos doentes. – Severo achou melhor explicar o seu plano – Por isso, depois do almoço, quero que você fique nos aposentos, escondida, até que eu lhe diga a hora de sair.

— Mas, e se eles quiserem entrar lá?

— Eles não irão. Certifique-se de não denunciar sua presença, apenas.

Ela concordou e se afastou para terminar o que estivera fazendo antes. Mas qualquer coisa que tivesse que fazer, não conseguia se concentrar o suficiente. Quando o almoço foi servido, Hermione se dirigiu aos aposentos e o encontrou ali, já sentado, mas com o prato ainda vazio. Ele estava pensativo, e demorou para notá-la.

Ao final da refeição, que fizeram em completo silêncio, Severo dedicou-lhe a atenção, finalmente.

— Você já terminou? – ele quis saber.

— Estou quase. – ela respondeu.

— Então, quando terminar, pode ir se despedir da Diretora, se quiser. – ele parecia desconfortável ao dizer isso, de repente desviou o olhar para os guardanapos.

— Tudo bem. Irei assim que terminar.

— E, mais uma coisa... – ele se lembrou quando estava quase se levantando da cadeira – Não ligue se não for muito bem tratada, ela ficou bastante irritada quando dei a notícia.

Hermione imaginava como sua Diretora devia estar se sentindo, os medos e incertezas que deviam estar consumindo sua sanidade. Hogwarts também tinha sido um lar para Hermione, e depois da guerra foi difícil dizer adeus. Por isso ficou tão contente quando soube que poderia regressar para a conclusão dos estudos.

Depois que Severo se retirou dos aposentos, Hermione continuou pensando com seus botões e quando se deu conta já tinha perdido um tempo precioso. Acabou não conseguindo ir se despedir da senhora, pois ouviu as vozes de pessoas no salão da enfermaria. Por outro lado, preferia que fosse assim, pois as despedidas lhe deixavam extremamente emotiva e não queria parecer fraca diante da mulher, especialmente porque acreditava na sua recuperação.

— Minerva, eles estão aqui. – Severo anunciou, adentrando as cortinas que separavam o leito dos corredores.

— Pontuais. – ela comentou, sem nenhum ânimo.

Minerva já estava pronta para a partida, novamente vestida com seus trajes usuais e não mais o pijama de paciente. Um pequeno malão estava ao pé da cama e ela se levantou de lá parecendo um pouco fraca, no que Severo se adiantou para ajudá-la a caminhar. Mas inesperadamente ela interrompeu os passos e o obrigou a olhá-la, temeroso pelo comportamento da mulher.

— Algum problema, Minerva?

Ela pensou por alguns instantes, parecia indecisa sobre dizer algo ou não, mas se decidiu, por fim:

— Esta será uma conversa particular, Severo.

Ele não precisou de mais palavras para entender que precisavam de alguma privacidade, por isso, retirou a varinha das vestes e lançou um feitiço acústico para impedir que os ouvissem. Os visitantes que esperassem.

— Eu planejava ir embora sem levantar essa questão, Severo, porque, veja bem, ela é constrangedora demais para mim, que o tenho em tão boa estima, assim como Alvo também o tinha.

Severo bufou irritado.

— Sempre trazendo Alvo para as nossas conversas, não é mesmo? – ele queixou-se, ajudando-a a apoiar-se em um móvel para poder ficar de frente para ela – Então me diga, o quão constrangedora é essa questão, afinal?

— O suficiente para eu achar que você está tentando seduzir sua aluna.

Tal afirmação, dita daquela forma, tão ríspida, fez a atmosfera entre eles ganhar um ar pesado e, de fato, crescer um constrangimento entre eles, que haviam se tornado amigos muito próximos nos anos de reconstrução de Hogwarts.

— Como imaginei, não tem argumentos para isso. – ela disse, mas a voz foi perdendo força – Gostaria de acreditar que você não seria capaz de tal coisa, mas as evidências não negam, meu caro.

Por alguma razão estúpida, Severo não conseguia encontrar a sua voz para contestar as palavras da mulher, não porque ele concordasse com ela ou acreditasse naquelas absurdidades, mas porque ele queria primeiro saber de que forma ela tinha descoberto aquilo.

— Eu deveria ter notado antes, sim, o seu repentino interesse em ensinar coisas à Srta. Granger, quando você foi categoricamente contra a permanência dela na enfermaria. Mas como eu poderia imaginar? – ela dizia fitando o chão sob seus pés – Depois de tê-los vistos, ontem, no laboratório, ficou claro para mim que suas investidas foram bem-sucedidas.

Na cabeça de Severo, um redemoinho de palavras refletia sua consternação. Sedução, investidas... nada daquilo fazia sentido.

— Espere um pouco, Minerva... – ele ia dizendo, mas ela não ouviu.

— Como lamento essa situação, Severo. Pobre coitada, não podia imaginar que seria vítima disso...

— Do que está falando, Minerva? – ele questionou, um tom de voz um pouco mais alto para chamar a sua atenção – Está me acusando de ter seduzido a Srta. Granger?

— A mim que não foi. – ela já estava furiosa.

— O que exatamente você viu, Minerva? Sim, porque para estar me acusando de tal coisa, deve ter visto algo, no mínimo?

— Sim, eu os vi no laboratório ontem, e estavam... praticamente... agarrados. – ela quase não conseguia dizer as palavras.

Severo não acreditava que tivessem sido pegos pela mulher, mas a descrição que ela fazia era bastante real. Ele andou um pouco pela sala, em silêncio, pensando em como continuar aquela conversa.

— E porque estava fora da cama, para início de conversa? – ele perguntou abruptamente – O laboratório fica do lado oposto deste leito.

— Eu ia procurá-lo e dizer para que desistisse dessa ideia de transferência. – ela explicou – Mas agora que sei da verdade, quero que saiba: Eu não serei a favor disso, Severo.

— A favor do quê, exatamente?

— Dessa sua postura cafajeste com a minha aluna.

Foi inevitável deixar uma risada nervosa escapar por seus lábios, quando Severo ouviu aquela declaração.

— Estou realmente encantado com o julgamento que faz de mim, depois de tantos anos trabalhando juntos nesta escola, Minerva.

— Então agora sabe como me sinto, ao descobrir que estive ao lado de alguém capaz de usar os sentimentos de uma pobre garota apenas para satisfação própria.

— Escute a si mesma, Minerva. – ele disse, visivelmente exaltado – Pare de chamá-la de pobre, de coitada, de vítima... a senhorita Granger não é absolutamente nada disso. Ela é de fato uma aluna muito brilhante, como você mesma sempre fez questão de exaltar, e uma mulher adorável, também.

As palavras dele tiveram impacto direto na expressão de Minerva, que se mostrou surpresa por ouvir tantas declarações numa única frase dita por aquele homem de comportamentos sempre frios, medidos e introvertidos.

— Gostaria de ter tido a oportunidade de lhe contar sobre meu envolvimento com a Srta. Granger, antes que tivesse descoberto dessa forma.

— O que existe entre vocês, afinal?

Para essa pergunta, no entanto, Severo não tinha uma resposta. O que eles eram um para o outro, permanecia sendo uma incógnita, um assunto que eles não discutiam quando estavam juntos. Embora Hermione já tenha tentado iniciar aquela conversa, mas ele fez o possível para evitar.

— Está vendo, Severo? Você sequer sabe o que sente por ela. Foi sedução, não há dúvida.

— Não, não foi! – ele disse, categórico – Esse não é o melhor momento ou lugar para termos essa conversa, Minerva. Estão esperando por nós lá fora.

— A enfermaria também não é o melhor lugar nem momento para um romance, especialmente um entre professor e aluna, e mesmo assim você não pensou nisso. – ela estava furiosa novamente – Vou encerrar essa questão, por hora. Mas quero que resolva isso com a Srta. Granger na minha ausência. Se não pretende assumi-la, então reforço o que disse: não serei a favor.

Ele não disse nada, mas tinha entendido o recado muito bem. Aproximando-se, ela voltou a segurar em seu braço para ter algum apoio enquanto caminhava.

— Diga a Hermione que sou muito grata pelos serviços prestados à enfermaria durante minha recuperação.

— Por que não disse isso a ela, pessoalmente? – ele quis saber.

— Porque não a vi o dia todo. Vamos? Quero acabar logo com isso.

A revelação o deixou curioso, pois achou que tivesse dito à Hermione que podia se despedir da diretora, se quisesse. A menos que ela não tenha querido, e isso era ainda mais inesperado, vindo da pupila favorita de McGonagall.

Desfazendo a proteção acústica, Severo ajudou Minerva a caminhar em direção aos medibruxos trazidos para conduzir a transferência da senhora para o hospital de referência, St. Mungus. Ambos se despediram com um aceno de cabeça e uma promessa muda de que logo voltariam a se reunir, em condições melhores para ambos.

A partida de Minerva e dos oficiais do Ministério deixou um vazio imenso nos salões da enfermaria quando, por fim, as portas de carvalho se fecharam para os corredores do castelo. Severo nunca tinha se sentido tão confinado como agora, certo de que não tinha para onde ir ou o que fazer, além de estar ali e cuidar daquelas pessoas. Meio atordoado com os acontecimentos, quase se esqueceu de que Hermione estava escondida nos aposentos esperando por sua ordem para sair.

Quando entrou no cômodo, o encontrou completamente vazio e por um momento sentiu o sangue gelar na circulação, imaginando se ela teria sido descoberta e levada pelos oficiais enquanto estava tendo uma discussão com Minerva. Mas não, por sorte ela estava apenas no banheiro e quando saiu de lá, assustou-se com a presença de seu professor, pois ele carregava expressão indecifrável. Ela sorriu para incentivá-lo a dizer algo, mas ele só a fitava, mudo.

— Ocorreu tudo bem com a partida da professora? – ela perguntou, se aproximando bem devagar, receosa.

Ele balançou a cabeça levemente, mas não emitiu nenhum som, as mãos brincando no ar, visivelmente deslocado. Sem saber mais o que dizer, Hermione achou que valia a pena tentar algum contato, e assim foi chegando mais perto dele, testando os limites. Ao alcançá-lo, o contato visual sempre inquebrável, repousou uma de suas mãos na dele, e foi guiando-o até o sofá, distante dali. Tinha sido fácil fazer isso, ela notou, mas Severo estava tão aéreo naquele momento que ele próprio só se deu conta quando já estava sentado no sofá.

Em sua cabeça, ele só conseguia reviver as palavras de Minerva, o quão duras tinham sido as acusações feitas por ela, e em como ele se sentiu quando sua mente o enganou e o fez acreditar que ela estava certa. Mas não, ela não estava. Porque ele nunca tinha tentado seduzir sua aluna, ao menos não intencionalmente. Ainda de pé, de frente para ele, Hermione estranhou aquele comportamento do homem, e sentou-se ao lado dele.

— Gostaria que soubesse que pode conversar comigo, se precisar. – ela disse, acariciando o contorno de seu braço, exposto pelas mangas da camisa que estavam erguidas até os cotovelos.

Ali, sentado, as pernas abertas, as mãos cruzadas no meio delas, o olhar perdido e o silêncio reinando, ele parecia outra pessoa. Parecia envolto por diversas camadas e livre de quaisquer reações. O teto poderia desabafar em cima dele, e Hermione duvidava de que ele se moveria dali. Aquilo a assustou um pouco, mas fez com que se lembrasse de que ele era tão humano quanto ela, e aquela certamente era a forma com que ele lidava com as situações das quais não tinha o controle, como a partida de McGonagall.

Eles ficaram ali, sentados, em completo silêncio, por alguns minutos, ambos refletindo sobre tudo que lhes vinha a mente. Quando, inesperadamente, ele começou a retribuir o carinho que ela ainda lhe fazia no braço. Com aquela mudança de postura, Hermione relaxou e se sentiu mais confortável para se aproximar. Ele a aceitou bem, dando espaço para ela encostar a cabeça em seu peito, enquanto com uma mão lhe acariciava a face.

No instante em que uma das mãos dela invadiu por dentro da camisa que ele vestia, Severo sentiu todos seus pelos se arrepiaram e caiu em si. A reação imediata que teve foi afastá-la dele, pois em sua mente ecoaram as declarações de Minerva sobre ele estar se aproveitando da moça. A verdade é que aquela conversa inacabada com a Diretora certamente iria atormentá-lo por muito tempo, ainda.

Sem pedir permissão, Hermione ignorou a rejeição dele e voltou a acariciá-lo, mas dessa vez jogou suas pernas ao redor da cintura dele e o prendeu contra o sofá com o seu corpo. Ali, sentada de frente para ele, forçou seus olhares a se encontrarem novamente.

— O que está fazendo, Srta. Granger?

Ela esboçou uma careta, ouvindo-o chamá-la tão formalmente. Mas depois achou excitante.

— Estou tentando chamar sua atenção. – ela respondeu, um sorriso travesso nos lábios quando se movimentou e notou a atenção dele crescendo por baixo das calças – Faça amor comigo.

O raciocínio de Severo estava lento, naquele final de tarde, e ele teve dificuldades para se concentrar depois que ela rebolou em seu colo.

— O que foi que disse? – Ele perguntou novamente.

—Disse que quero você. Agora.

O pedido dela teria sido atendido mesmo que não fosse uma ordem, porque o corpo de Severo ansiava por aquele contato. Mas a consciência dele entrava em conflito, dizendo que não era certo, que não tinha a aprovação de Minerva e que... eram muitas problemáticas. Mas todas foram jogadas para o espaço quando Hermione capturou os lábios dele, mordiscando de leve para forçá-lo a abri-los para ela, para que ela pudesse invadir com a língua e explorar com desejo. Enquanto se beijavam, as roupas começavam a ficar pesadas entre eles, e por isso iam sendo tiradas uma a uma, revelando seus corpos quentes e sedentos.

Severo conseguiu livrá-la da saia que vestia, sem fazê-la sair de seu colo, e quase não se conteve quando finalmente a teve completamente nua sobre ele. Percorreu a pele macia de suas costas, descendo pelo vão e apertando-lhe a cintura no final, ajustando-a sobre seu membro ainda protegido do contato. Ele estava certo quando tinha dito que ela era uma mulher adorável, e achava que deveria ter acrescentado, também, a palavra deliciosa.

Quando seus lábios se separaram, ele percorreu uma trajetória de beijos pelo pescoço dela, descendo para o colo e detendo-se em um dos seios, forçando-a a arquear o corpo para receber mais daquela carícia. Suas mãos agarraram-na pelos cabelos e ficou impossível mover-se, estava completamente presa e ela só pensava em como era bom estar ali.

Com as mãos ainda livres, Hermione tateou até conseguir libertá-lo das calças que vestia, embora só tenha conseguido abaixá-las até o joelho, mas era o suficiente. Livre dos bloqueios, foi a vez dele de arquear-se ao sentir seu membro ser preenchido por ela, liberando faíscas de prazer por todo o corpo. Ele tinha planejado conduzi-la até a cama, mas estava evidente que Hermione queria estar no comando e, percebendo, Severo não ousou atrapalhá-la na tarefa de conceder-lhe o prazer que buscava.

Movimentando-se sobre ele, ela ia alcançando a satisfação conforme deixava alguns gemidos escaparem, e ele se deliciava só de saber que ela podia ter prazer com ele. Em pouco tempo, o ritmo dela diminuiu e um gemido mais demorado brincou ao pé do ouvido dele, indicando que agora era a hora dele assumir o controle. Mas quando menos esperou, ela logo retomou o ritmo, dessa vez o suor escorrendo devido o esforço. Ele foi acompanhando com as mãos, forçando-a a penetrá-lo mais fundo, mais forte.

Quando abocanhou um dos seios dela, e o outro segurou nas mãos, Hermione teve seu prazer pela segunda vez, e Severo se derramou dentro dela com um gemido sufocado contra a pele dela. Todo o seu corpo pareceu sentir a corrente quase elétrica, tornando-se mais sensível para senti-la, também, pulsando em seu membro. Por fim, eles estavam exaustos, abraçados naquela posição. Assim permaneceram até ele decidir deitá-la sobre o sofá e abraçá-la com a cabeça dela descansando em seu peito.

—Hermione? – ele a chamou, e sentiu a respiração dela parar.

— Huh? – ela respondeu, ainda não muito acostumada a ouvi-lo chamar dessa forma.

— Por que não foi se despedir da Diretora?

Hermione não respondeu, mas suspirou.

— Eu não consegui. – ela disse, a voz fraca. – Despedidas são difíceis.

Ele concordou, percorrendo os dedos pelos cabelos da moça. Ele pensou que tinha sido melhor assim, afinal, já que Minerva poderia ter feito perguntas à Hermione e tornado aquela situação ainda mais constrangedora. Pelo menos, só ele sabia.

— Ela não ficou chateada, ficou?

— Não. – ele respondeu – Ela pediu para eu lhe agradecer pelo bom serviço prestado.

Hermione sorriu.

— Quando ela estiver de volta, bem, novamente... – Hermione começou a dizer, divagando com aqueles pensamentos que lhe ocorreram de repente – E quando tudo tiver voltado ao normal, claro, nós podemos contar a ela sobre nós.

Severo não disse nada, nem parou de acarinhá-la nos cabelos, mas internamente sentiu o peito apertar. Não entendia o porquê daquela conversa, justo agora.

— Prefiro pensar em como podemos aproveitar esse tempo juntos, na ausência dela. – ele disse, roubando dela um riso.

— Acha que ela vai ficar furiosa com a gente quando souber?

Ele pensou por um momento, quase decidindo contar à Hermione que Minerva já sabia de tudo. Mas conteve-se e disse apenas:

— Acho.

Hermione ergueu a cabeça para fitá-lo, estava séria agora que podia ter uma ideia de como sua Diretora reagiria. Mas nada importava, ela queria estar com ele e isso bastava.

— Pois que fique. – ela disse, e o beijou mais uma vez.

Severo desejou amá-la novamente, depois de ouvir ela dizer que não se importava com nada se fosse para tê-lo. Ninguém nunca tinha demonstrado tanto interesse por ele, antes. Ali, naquele sofá, abraçados, Hermione adormeceu com a respiração lenta e uma expressão muito tranquila nos lábios.

Sem denunciar sua partida, ele conseguiu se desvencilhar do corpo dela sem acordá-la e conjurou um lençol para cobri-la após ajustar a lareira. Afastou-se e de cima ficou um tempo olhando para ela, como dormia serena depois de ter lhe concedido tanto prazer. Achou que estivesse ficando louco, porque aquele não era um comportamento comum que ele teria depois de uma transa. Abandonou essa ideia e dirigiu-se ao banheiro.

Quando deixou os aposentos, vestido e limpo, Hermione ainda dormia calmamente. No salão da enfermaria, o silêncio e o vazio ainda imperavam, embora praticamente todos os leitos estivessem ocupados, exceto o de Minerva. Severo ocupou sua mente com afazeres de rotina, enquanto esperava Hermione acordar para dividir com ela alguns resultados obtidos nos testes das poções.

Já era quase final de noite quando as portas da enfermaria se abriram e de lá surgiu a imagem de um meio-gigante barbudo, carregando no colo uma figura tão pequena, por causa da diferença de tamanho entre eles. Severo se aproximou.

— Professor, eu o encontrei próximo ao banheiro do segundo andar. – Hagrid informou, um pouco exacerbado – Ele já estava assim.

Nos braços do gigante, repousava o corpo de Ronald Weasley, desacordado, com os braços estirados e a cabeça caindo para trás.

— Traga-o aqui, Rúbeo.

Com cuidado, ou pelo menos tentando, Hagrid depositou o rapaz em uma maca flutuante e, com magia, Severo levou-o para o leito desocupado. Imediatamente, começou as aferições dos sentidos vitais do rapaz. Primeiro a temperatura, que estava alta; os batimentos cardíacos, que estavam desacelerados. Severo se esquecera completamente do guarda-caças, mas Hagrid não fez questão de ser lembrado, e assim deixou a enfermaria.

— Hagrid? – Hermione o chamou, mas ele não ouviu e foi embora.

Ela tinha acabado de sair dos aposentos, depois de ter acordado sozinha no sofá, com frio e sem roupas. Após um banho, vestiu calças jeans e um suéter, por alguma razão, achou que devia variar além do uniforme escolar de sempre. Quando viu Hagrid, assustou-se. Mas depois entendeu, quando viu Severo deixar o leito de Minerva com uma bandeja de materiais nas mãos: havia um paciente novo e ele precisava da ajuda dela.

— Me diga, o que posso fazer? – ela perguntou.

— Separe as poções restauradoras, rápido. – disse, entregando-lhe a bandeja.

Hermione se afastou depressa até o armário de poções e separou tudo o que precisava. Rapidamente, dirigiu-se ao leito e encontrou seu professor debruçado sobre a cama realizando encantamentos com a varinha.

— Misture todas elas em um frasco, apenas. – ele ordenou – Depressa.

Ela fez o mais rápido que pôde, mas deixou um pouco do líquido escorrer pelas bordas. Entregou o frasco ao professor e viu quando ele se debruçou novamente para fazer o paciente ingerir o conteúdo. Ela ainda não tinha conseguido ver quem era, mas sabia que era um aluno, pois vestia as calças escolares. Esperava que não fosse de sua casa. Poderia ter facilmente contornado a cama, mas estava a postos esperando por quaisquer novas ordens de seu professor.

De repente, ela ouviu o aluno tossir e engasgar com o líquido das poções. Para evitar que se afogasse, Severo abandonou o frasco e ergueu Ronald da cama, colocando-o sentado. Só então Hermione viu, primeiro os cabelos vermelhos, depois a face sardenta, e paralisou onde estava. Rony continuava a tossir, de olhos fechados.

— Venha, me ajude aqui. – Severo a chamou, mas ela não reagiu. – Granger!

Hermione se deu conta do que estava acontecendo e enquanto lutava com as lágrimas para não caírem, contornou a cama e ajudou a manter Ronald sentado sobre ela, enquanto Severo continuava com os encantamentos. Aos poucos, as tosses iam se tornando pigarros e o corpo do rapaz ia relaxando, descendo até cair sobre os lençóis, adormecido novamente, enfim, estável. Ela quase desabou sobre ele, derrotada por vê-lo naquelas condições.

Percebendo o estado de paralisação de Hermione, Severo entendeu que tinha sido um choque para ela ver um de seus amigos enfermo.

— Hermione? – ele a chamou.

Ela virou-se para o professor, os olhos brilhando, querendo chorar. Severo viu quando ela quebrou o contato visual e segurou a mão do rapaz, acariciando com cuidado.

— Sim? – ela respondeu, meio aérea.

— Eu preciso de você. – ele disse, conseguindo roubar a atenção dela para si.

Aquela declaração poderia ter significado tantas coisas para Hermione, se naquele momento ela não tivesse que lidar com o medo que estava sentindo de perder Ronald para aquela doença. Com um último carinho, Hermione se afastou do ruivo e seguiu com Severo para o salão, onde deram início ao protocolo de cuidados que Ronald necessitava. Afinal, ali era o local de trabalho dela.

Notas finais
E então, já dá pra imaginar como as coisas vão se complicar lá na enfermaria com a chegada do novo doente. Veremos como eles vão reagir a tudo isso. Um abraço e nos vemos em breve, eu prometo!