A dona da fama
4 Mudando de caminho.
Quando a aula acaba, Clovis, o motorista que trabalha há anos em nossa família, está me esperando na porta da escola. Entro na Mercedes blindada e o Clovis fecha a porta em um movimento sutil. Tiro da minha mochila o cabo USB e o celular e entrego a Clovis.– Qual música a senhorita deseja ouvir?– A quinta sinfonia de Beethoven, a versão rock. A música começa em alto volume, ecoando em meus ouvidos me deixando extasiada. Leve, imagino o piano em minha frente e começo a dedilhar o ar, imagino Ben tocando o violino elétrico e eu tocando o piano e algum desconhecido, uma ombra nesse caso tocando a guitarra e outra duas mais a fundo tocado a bateria e o baixo e mais no fundo a orquestra e Leni Crovoasqhi de maestro.
Sem perceber acabo adormecendo em meio ao rock neoclássico, acordo quando paramos em frente às escadarias da mansão que lembra um pouco a casa em que o Will Smith vai morar em Bervely Hills naquele seriado Um maluco no pedaço. Só a fachada na verdade, por que o resto é tudo o dobro do tamanho. No entanto, algo estava errado, pois era para o Clovis me levar para a esola de música e não para casa.– Clovis, eu não deveria estar na M.A. ?– Só estou cumprindo ordens da sua mãe, senhorita.– O que minha mãe teria de tão importante para me fazer faltar na M.A. ? Será que ela sabe as consequencias que isso trará pra ela? Dona Ângela vai ficar uma fera.–Tudo o que sua mãe me disse foi para trazê-la pra ca deppois da escola. E também acho que tenha razão quão aborrecida sua avó irá ficar quando souber disso. — Ele me deu um sorriso cumplice e eu sorri de volta. Minha avó era maravilhosa, mas quanto as aulas de piano ela era dura, sempre pensei que minha vó era um sargento do piano. Sempre que eu faltava ela ficava furiosa. Minha mãe tinha um péssimo hábito de me fazer matar as aulas ás vezes para fazer compras e ir ao salão, fazer companhia à ela quando um de seus homens a largava. Eu era fruto de um caso de uma noite, enquanto o pai do meu irmão era o editor chefe do jornal das oito. Ele sempre foi bom pra mim, eu o considerava meu pai também, mas que meu irmão morreu e ele me largou. Minha vó disse que para ele era doloroso de mais me ver e lembrar que o Tomás, nunca mais iria estar... lá. E que doía pra ele me ver, pois ele sempre pensaria no Tomás. Naquela época eu só queria o meu pai perto de mim e minha mãe perto também. Só ue ninguém percebeu que eu estaa tão chateada quanto eles. Que eu me culpava tanto quanto eles. Que eu amva o Tomás tanto quanto eles. Enquanto eles estavam ocupados de mais, eu sempres estive lá para o Tomás. Eu estava sempre com ele e eles não. Eu precisava de apoio também. Ao sair do carro com a minha mochila a mãe me recebe com um abraço forte, estilo urso, apertando as minhas costelas me deixando sem respirar por um par de segundos. Eu faço uma careta involuntária, por causa da dor. Ela parece muito feliz em me ver, o que me espanta um pouco. Provavemente feliz com um caso recente. Esse tipo de coisa só acontece no começo de seus relacionamentos. Depois ela fica andando pea casa parecendo um fantasma, pálida com olheiras e um cabelo bagunçado comendo um bando de doces vendo um bando de filmes que te fazem chorar rios de lagrimas, sempre acompanho ela vendo esses filmes. Da última vez nós ficamos dez horas seguidas vendo um dorama japonês, Um litro de lágrimas. Pelo nome dá pra saber exatamente o que aconteceu. – Mãe? — Pergunto. -Eu não deveria estar na M.A. agora?– Sim querida, mas temos uma coisa muito importante acontecendo hoje. Suba e se arrume. -Ele me empurrou em direção à escada. Subi até o meu quarto e me deparei com um vestido azul bebê de tecido leve e de mula manca em minha cama de dossel. Meu quarto parece o quarto da Barbie, cheio de coisas rosa, uma cama com um dossel, um closet enorme e divã rosa dentro e mais ouro divã rosa em frente a cama, um piano branco de cauda, sem contar as paredes rosa com um céu cheio de nuvens no teto. Barbie de masi para o meu gosto. Não mudaria muitas coisas. Apenas iraria o dossel e pintaria as paredes de branco. Faz dois anos desde que convenci minha vó de subir o piano para o meu quarto, assim eu não teria que fazer nenhuma apresentação vergonhosa para os seus colegas de trabalho e amigos. Todos os meses tem alguma festa ou reunião na minha casa, e sempre minha vó me pedia pra tocar piano para os convidados. Mas sempre acabava errando alguma nota, ou as vezes a música inteira. O que me ajudou a convencê-la a subir com ele, sem contar o espaço que ele ocupava. Agora minha vó nem precisa bota uma tenda do lado de fora, pode colocar o dj com os seus muits convidados na sala gigantesca.
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