A dona da fama
1 Derrotei todos.
Notas iniciais
A classe estava quieta, todos ouviam atentamente, Clara uma garota de cabelos castanhos e de nariz recém-plastificado ler o texto em inglês. A manhã estava quente, bastante normal no mês de fevereiro. Raios solares banhavam as pedrinhas dentro da minha caneta reluzindo pequenos arco-íris na mesa. O nerd bolsista da minha frente seguia atentamente as linhas que a garota lia. Ele passava todos os intervalos na sala estudando, ou anotando coisas, sei lá o que eram. E por que eu sei disso? Ele meio que é o meu entretenimento nessa escola sem graça, não sei por que eu o considero um só apenas o considero, às vezes o atrapalho propositalmente como uma criança. Alguns vão dizer que o que eu faço é bulliyng, mas se o que eu faço é bulliyng, então podemos dizer que alguns estudantes do Japão são assassinos, já que lá as pessoas se matam por causa de bulliyng como se fossem chuva em outubro. Ele tinha cabelos negros bagunçados acima da orelha, acho que o cabelo dele só iria ficar no lugar se ele fizesse uma escova progressiva ou usasse gel, grandes olhos azuis atrás de um óculos de grau quadrado da ray ban, me pergunto se ele seja um garoto rico que não gosta de pagar para estudar então consegue bolsas para isso, já que ele usa roupas e acessórios de marca. Vou dizer a verdade, realmente o acho bonitinho, uma gracinha, mas ele é um estranho antissocial. Talvez eu esteja sendo um pouco hipócrita também, já que o meu único amigo nem estuda na minha escola. Mas não o considero um potencial namorado.
Jogo a minha borracha de estrelinha com a logomarca da emissora da minha avó — como ela diz, publicidade é tudo — E lá estou eu, sempre procurando um entretenimento melhor a cada segundo. Talvez isso seja de família. Tendo minha avó como dona de uma emissora, minha mãe sendo a ancora do jornal das oito e meu pai tendo uma empresa de publicidade, acho que não resta dúvida que entretenimento está no meu sangue. Dou tapinhas de leve em seu ombro esquerdo ele se vira e digo:
– Nerd, pega a minha borracha, por favor. — Dou um sorriso encantador, ou pelo menos é o que eu acho, a professora nos olha em desconfiança e ele me olha com uma cara de paisagem, da qual nunca muda. Nunca o vi animado ou sorrindo pra valer. Nem os professores mais engraçados conseguiram mudar tanto a expressão em seu rosto. Nem quando sai os resultados dos melhores alunos, do qual ele sempre fica entre os dez melhores a expressão dele muda. Ele procura com os olhos a borracha no chão e abaixa a cabeça na altura dos pés da cadeira, então empurro a borracha com os pés até estar no alcance dos pés dele que percebe e pega ela me devolvendo com a mesma cara de paisagem, o que me irrita pra valer. Queria socar ele, como ele pode continuar com essa cara e paisagem sem nem mostrar uma cara de revoltado ou puto da vida ou uma leve expressão de irritação. Se ele se expressasse ele com certeza seria popular com as garotas.
– De nada.
– Não há de quê nerd. — Respondo com um caloroso sorriso camuflando a minha irritação.
O sinal toca afirmando que a aula de inglês havia terminado, agora seria Educação Física. Os alunos começam a seguir em direção aos vestiários. Pego a minha blusa de Educação Física dentro da bolsa e sigo o rio de garotas em direção à pequena sala que cheira a suor. Sempre uso o short debaixo da saia do uniforme — medida tomada contra garotos que gostam de tirar fotos das calcinhas das garotas nas escadas ou quando as pobres estão distraídas, algumas mostram propositalmente, sempre têm vadias por todo canto, fazer o quê né — Tiro a gravata listrada de vermelho escarlate e azul petróleo e boto em cima do banco, logo em seguida desabotoo a camisa de manga curta branca e coloco a camiseta de algodão, desço o zíper da saia e deixo-a correr sobre meu corpo abaixo. Dobro o conjunto e enfio de cuidadosamente no armário de metal para não amarrotar. A maioria das garotas assim como eu usam o short por baixo da saia, então todas demoram mais ou menos o mesmo tempo pra sair da sala e que cheirava uma mistura eloquente de suor, desodorante e perfume caro, que são sempre muito enjoativos, o que me faz querer sair de lá o mais rápido possível. Como o tempo está excessivamente quente, apesar de tudo ainda úmido, pois ainda era fevereiro, temo a opção de escolher o esporte que quisermos fazer, então eu vou para o ginásio treinar judô, só para derrubar alguns garotos irritantes, o que me diverte um pouco nas horas do tédio e o nerd vai praticar atletismo. Essa escola tem um programa para atletas. Aqui estão alguns dos melhores atletas do país e ate de fora. Me pergunto como esse nerd tem um corpo tão bom. Nerds não deveriam gastar todo o seu tempo estudando? Talvez malhar um pouco seja algo bastante estimulante no aprendizado dele, ou ele seja uma daquelas pessoas que precisa ser bom em tudo menos comunicação. Uau! Ele é rápido! — Meu subconsciente ganha destaque aqui. As aulas de Educação Física são com todas as turmas da escola, não que tenha muitas, mas tem. São seis vestiários no total distribuídos perto da cada quadra, ginásio ou piscina diferente. Tem muitos judocas fortes nessa escola, apesar de ser a primeira vez que eu decido participar da aula de judô o colégio e ser bastante forte, só posso lutar com os mais fracotes porque eles são iniciantes e eu sou uma mulher e é a minha primeira vez de fato mostrando o que eu sei para essa escola. No entanto o que mais me irrita é que esses malditos instrutores acham que eu sou uma fracote só por ser mulher assim como esses iniciantes inúteis. Não perco tempo e imobilizo um por um, no total oito garotos e três garotas. Os instrutores ficam chocados, já que eu fiz três pessoas desmaiarem facilmente e vencer todas as minhas partidas.
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