A dona da fama
2 Garota inconveniente.
– Solie você luta há quanto tempo?
–Há dez anos senhor. — O rosto do instrutor se iluminou após a minha resposta.
–Já participou de algum campeonato?
– Não senhor.
–Não entendo. Como alguém que luta judô por tanto tempo nunca quis participar de algum campeonato, nem que fosse para medir força ou por mérito.
–Não sou muito do tipo que gosta de ficar fazendo fama de mulher machona em campeonatos por aí. Comecei a aprender judô apenas para uso de defesa pessoal. E apenas para defesa pessoal.
– Mas seria um desperdício com o seu talento. Deveria tentar ao menos uma vez. Talvez pudesse competir até em MMA.
– Não desejo me tornar uma atleta. Vou comandar a emissora da minha avó assim que ela se aposentar.
– Que pena. Ao menos, quer começar a treinar com os mais fortes?
– Não agora, mas obrigada. De qualquer forma eu já treino com o judoca mais forte. — Um sorriso sínico e um tanto orgulhoso transparecia no meu rosto.
– E quem lhe ensinou tão bem?
– O mestre Carlos Moreira. — Sua expressão pareceu chocada e surpresa. Carlos Moreira é uma lenda viva no mundo do Judô. Ganhando o campeonato por cinco anos consecutivos. Nove vezes campeão do mundial no total. Não existia judoca algum que não o conhecia. Nem quem começou a treinar há pouco tempo, já que se você ligasse a ligasse a televisão ele provavelmente estaria em algum comercial ou apresentando o programa de esporte dele na emissora da minha avó. Eu tinha medo inicialmente dele, confesso que quando ele fazia cara de paisagem aquilo de assustava feito uma pombo.
De repente eu vejo um monte de garotas amontoadas umas nas outras como formigas em um doce. A sensação stalker da escola da o ar da sua graça. Meu perseguidor de carteirinha chegou. Um atorzinho convencido que se acha e sonha em compartilhar a emissora da qual eu um dia herdarei. Um monte de garotas o cercou enquanto ele andava tentando ir a minha direção. Fujo abaixada silenciosamente sem que ninguém me veja, como um ninja. Escondo-me em uma árvore que tem atrás de alguns arbustos ao lado do ginásio. Fico de vigia alerta pra ver se ele percebeu quando eu me escondi. Confirmo que ele não me notou quando ele entra no ginásio inocentemente ou é o que aquelas garotas acham, porém outra pessoa inesperada me notou e estava atrás de mim.
– A garota inconveniente. — ele sussurra para ele mesmo e respira fundo, no entanto tenho uma boa audição, e ouço, o que me deixa irritada. Max estava encostado na árvore, e eu nem tinha notado sua presença, o que é estranho já que eu tenho bons reflexos — tudo pelo entretenimento — talvez seja pelo fato da sua natureza quieta e solitária, que acaba se fundindo a natureza em um momento de distração. Viro minha cabeça no impulso em resposta ao seu sussurro.
– O que você disse?
– A penas disse que você é inconveniente. O que é uma verdade universal. Agora, o que você está fazendo aqui?
Ignoro o que ele disse ao ouvir um murmúrio ficando cada vez mais alto e irritante. Leon estava lá do outro lado do arbusto. Faço uma cara de desagrado olhando para o chão antes de me virar ou me esconder atrás do Maximiliam. Não tive tempo suficiente pra pensar no que fazer.
– Solie, você estava aqui matando aula esse tempo todo. — Chego perto do Maximiliam, envolvo o meu braço no dele, que ficou confuso, até eu, eu realmente não queria fazer isso, mas enfim, era isso ou ficar com aquele calo me incomodando o resto do dia. Na verdade eu gostei de abraçar ele. Sempre me perguntei como seria, mas a situação seria diferente em minhas fantasias.
– Leon, você está atrapalhando o meu momento romântico com o meu namorado. — Senti os olhos do Maximiliam me fitando e me dilacerando. Disse sem dó nem piedade o que jamais eu teria, ele pareceu chocado, deu um sorriso torto olhou para o Maximiliam que ainda me fitava e disse:
– Aproveite, seus últimos momentos como namorado da Sol, afinal você é o meu substituto e já que o oficial e verdadeiro chegou, então sua função de substituto acabou. — Um sorriso medonho e macabro surgiu em seus lábios, e quando eu percebi que o Maximiliam iria contar a verdade para ele, sem pestanejar calei ele com um beijo e agarrei a sua cabeça com as duas mãos. Senti sua língua se movimentando em sintonia com a minha como em um concerto de uma sinfonia, e agora era a vez o dele, no qual ele fez seu solo, descendo sua mão para debaixo da minha blusa, até esqueci que o Leon estava lá, quando me dei conta ele já estava longe pisando duro. O que foi engraçado. Parei com a pegação. Me levantei e arrumei a minha roupa. Quem diria que o nerd sabia beijar. U-lá-lá. Intensidade sem igual. Se nós ao menos nos gostássemos, seria bem melhor. De qualquer forma, eu me livrei do Leon por algum tempo.
– Te devo uma nerd.
– Não há de quê, mas isso não foi de graça. Se prepare. So-lie. — Ele se levantou e foi em direção à pista de corrida, mas eu acho que vi uma coisa estranha, por um par de segundos pensei vê-lo sorrindo. Cocei a minha cabeça e fui para o campo de softbol. Droga! Só havia percebido um tempo depois, que eu iria ser ameaçada por aquele nerd. Não tenho muito com o que me preocupar agora, foi apenas uma mentirinha, e depois era só eu dizer para a minha avó que o Leon vive cheio de garotas em volta dele e ele nem se lembra da minha existência. Pois é, ela é totalmente a favor que eu tenho um relacionamento com ele. Eca!
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