A descoberta do Oeste
3 Sonho distante
Notas iniciais
– Ela está morta? – uma voz ao longe perguntou.
– Por Deus Carlisle ela está?
– Parem com isso! – gritou alguém e eu me assustei. Abri meus olhos me vendo deitada sob uma manta perto de uma árvore.
– Oh... ela acordou... – uma mulher baixa e de cabelos longos e pretos me olhou fazendo todo tipo de pessoas me olharem. Tinha umas dez pessoas me olhando. De onde vieram todas aquelas pessoas? Olhei ao redor percebendo que ainda estava perto da onde estava minha carroça.
– Você está se sentindo bem? – o homem que gritou perguntou. – Carlisle Cullen.
– Isabella Hunt.
Eu me sentei com dificuldade.
– Você tem alguma dor ou algo?
– Não. Acho que...
– Isabella seu marido morreu, achamos que foi algo acidental. Ele deve ter perdido a consciência quando caiu e bom, o lugar que bateu com a cabeça nos leva a crer que ele morreu disso entende? Sem atendimento e sangrando...
– Oh! – exclamei chorando. Meu choro alto era um misto de dor e desespero. O que seria de mim agora?
– Temos um padre conosco que está disposto a rezar uma missa aqui mesmo, meus homens estão cavando uma cova e já... preparamos o corpo.
– Deus! Eu... não consigo....
– Vamos, eu te ajudo menina. – uma boa senhora me levantou e eu queria ficar ali deitada chorando sozinha.
– Isso não está acontecendo... isso é um pesadelo...
– Não é, muitos homens bons morrem essa é a lei da vida.
Ela me ajudou a levantar e eu fiquei encarando a mulher que me amparava. Ela era mais velha e com certeza mais sábia. Tinha um ar que já viu aquilo acontecer várias vezes, mais vezes do que alguém aguenta na verdade. Ela me levou para um lugar longe, andamos muito até uma área no meio do deserto. O homem que me encontrou estava lá com um ar de pena, a sua noiva também estava. O homem que havia gritado que James estava morto me olhava de longe um pouco intrigado.
– Depois apresento todos sim?
O padre estava com a bíblia aberta e pronta. O corpo de James foi envolto em um lençol que trazíamos e estava dentro da cova, dois homens estavam segurando pás e eu olhava para aquilo como se fosse um pesadelo e eu fosse acordar a qualquer momento. A qualquer momento. Mas eu não acordei, eu estava hoje enterrando meu marido. O homem que eu enfrentei meu pai para casar, o homem que estava lutando pelo seu sonho. Não havia mais nada no Oeste para nós dois. Não havia nós dois e eu chorava desesperada amparada pela doce mulher que me segurava não me deixando cair.
– ... Que Deus leve a alma desse homem e console os seus.
Essa frase pareceu ser a deixa para que jogassem a terra e a cena foi demais para mim. Eu me virei e chorei alto e descontroladamente. O vazio e todos os meus medos tomando conta de mim. Eu estava sozinha e nem sabia como voltar para casa. Minha casa sempre foi onde James estava e agora não havia mais casa.
– Venha minha pobre, o deserto não é lugar para passar a noite.
– Eu não tenho para onde ir....
– Meu nome é Esme, vamos, vou levar ela...
O padre tossiu e todos nós olhamos para ele.
– Eu quero lembrar senhora Cullen que na sua casa tem um homem solteiro.
– O que tem isso padre? – ela perguntou um pouco sobressaltada.
– Não fica bem.
– Não fica bem deixar uma pobre e sozinha viúva no meio do nada!
– Esme por favor... ouça o padre...
– Carlisle não acredito que está concordando com isso!
– Tudo bem... eu... não sei quanto tenho...
– Ela pode ficar em nossa casa. – a mulher loira sorriu.
– Você acabou de casar Rosalie. – o homem falou e eu entendi que eles queriam privacidade. Engoli o choro que queria sair de mim.
– Eu posso voltar para casa....
– Onde mora criança? – o tal Carlisle perguntou.
– Moro em Chicago.
Todos pararam para me olhar. O que tinha morar em Chicago?
– Criança... o que vocês estão fazendo aqui? O que seu marido...
A voz da bondosa mulher soava cortando o silêncio.
– James queria vir para o oeste... ele dizia...
– Tolo! – gritou o homem que estava mais distante. Foi ele que insensivelmente avisou que James estava morto e agora o chamava de tolo.
– Não fale assim de James! – gritei.
– Edward por Deus! Não fale mais nada.
O tal do Edward soltou algumas palavras baixas.
– Não posso voltar?
– Se voltasse para Santa Bárbara que é o único lugar que tem trem para Chicago levaria pelo menos dois meses, o inverno está em nossas portas. Não há como atravessar o deserto nele. Tudo é mais perigoso.
– Dois meses? – perguntei assusta.
– Sim querida, você e seu marido estão muito longe de casa.
– Onde eu estou?
–Milwakee querida, ao norte tem índios e tenho certeza que eles como nós estão se preparando para o inverno. Ou seja, tudo está muito agitado por aqui.
– Tenho que voltar...
– Não há como. – o padre falou pesarosamente. – Na cidade não há lugar seguro para uma mulher sozinha, só homens e valentões. Exploradores bêbados...
– O que vai ser de mim? – perguntei desesperada.
– Eu me caso com ela.
Olhei para o homem que agora sabia que se chamava Edward e eu quase gritei assustada.
– Não posso me casar! Acabei de enterrar meu marido! – gritei não o abalando.
– Não precisamos contar que acabou de enterrar seu marido. – ele disse.
– Filha entenda uma coisa, essa é a melhor coisa que já lhe aconteceu. – o padre falou sorrindo.
– O senhor concorda com isso? Eu preciso do luto!
– Não há tempo para luto. – a mulher baixa falou.
– Quem é você?
– Alice Hale, eu sou esposa de Jasper. O que ajudou a enterrar seu marido.
O homem que ela apontou tirou o chapéu e me sorriu amigavelmente.
– Não pode ficar em nossa casa, estamos passando também... acabamos de nos casar...
– Deus como casam por aqui! – gritei indignada e todos riram. Menos eu.
– Ficaríamos felizes em receber você, mas também estamos com um visitante solteiro. O irmão de Jasper está lá e não seria bom... a sua reputação...
– Eu estou sozinha, acabei de ficar viúva, não me importo para isso.
– Mas nós nos importamos! – Esme falou. – Não posso deixar que fique mais de dois meses na casa de alguém sem os devidos cuidados. Não seremos chamados de cúmplices do pecado.
Respirei fundo nervosa. O que aquelas pessoas estavam pensando?
– Chegarei na cidade casada com ele e depois? Não ficarei aqui. Não ficarei mesmo!
– Eu mesmo a levo para sua casa depois que o inverno passar. – o tal Edward afirmou. – A levo em segurança com meus irmãos para Santa Bárbara, depois a levo para Chicago no trem e te deixo na casa de seus pais. Não correrá nenhum risco desnecessário.
– Promete? Eu quero voltar para casa.
– Dou a minha palavra, não ficará aqui se não quiser.
– Não há outra forma? Não tem ninguém na cidade? Um hotel?
– Homens solteiros e até casados saem e entram daquele hotel a todo o momento, aquilo não é lugar para uma mulher distinta. — Carlisle explicou – Você pode fica em nossa casa, eu e Esme viajamos muito pelas redondezas. Edward é quem cuida de tudo.
– Vocês... viajam...
– Sim, Carlisle é médico. – ela sorriu. – Nós cuidamos de todos na região.
– Como eu, sou o único padre que se arrisca nessas terras.
Eu o olhei assustada.
– O único?
– Sim, preciso voltar para minha cidade. Ela fica a cinco dias de cavalo, sozinho.
– Muito bem padre, comece a cerimônia e volte para sua igreja. O inverno o manterá ocupado por lá.
– Comece... o que...
– Vamos casar agora Isabella, não tem como ele voltar depois. Nós já avisamos que as coisas aqui não são como em Chicago.
Eu fui tomada por um pânico. E se ele estivesse mentindo? Eu estava tão transtornada. Tinha acabado de perder James, enterrá-lo e agora isso? Como saber se isso era o certo ou não? Olhei ao redor tendo ciência que não conhecia nada. Nada mesmo. Quando dei por mim todos os homens já tinham tirados seus chapéus, os casais juntos e sorridentes. Edward se aproximou e o padre fez todos os caminhos da cerimônia tradicional, mas não havia olhares ansiosos, carinho ou amor. Quando eu casei com James a cidade toda estava lá par ver meu vestido feito pela senhora mais distinta que havia, mamãe fez questão de encomendar meu enxoval na Europa e levou mais de seis meses para chegar até nossas mãos. Agora tudo isso estava longe, em uma lembrança distante.
– Aceita ser Isabella Cullen?
Eu fiquei olhando o padre com os pensamentos longe.
– Responda o padre. – Edward me deu uma leve sacudida e eu voltei a mim.
– Sim, eu aceito.
– Eu os declaro marido e mulher. – não houve aplausos ou festa. – Vou embora que já estou atrasado quando voltar anoto no livro o casamento e ficamos todos bem perante a lei.
Edward entregou ao homem algumas moedas e ele sorriu agradecendo. O padre se foi e todos começaram a se arrumar, Edward me ajudou a subir na carroça ocupando o lugar que James estava há apenas algumas horas. Meu coração se sentiu mal traindo o meu verdadeiro marido. Todos estavam em suas próprias carroças e então Edward se afastou um pouco e gritou de longe.
– Não vamos passar pela cidade, vou leva-la direto para a fazenda.
Esme sorriu para ele.
– Bem pensando meu filho, eu e Carlisle vamos fazer algumas visitas. Não nos esperem até amanhã, devemos ficar nos Newton. A esposa dele está com febre e mandaram nos avisar.
Enquanto todos pareciam se afastar e correr para algum lugar, eu estava pensando no que minha vida se tornou e quem era esse homem que agora eu estava presa.
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