Notas iniciais
Meninas que bom que estão aqui!!! Preparadas para conhecer o homem mais frio do mundo? Ele vai mostrar um pouco disso hoje meninas! Bom sábado minhas lindas!

Nós passamos o dia na carroça em que eu há poucos dias dividi com James, eu olhei para a parte de trás mais vezes do que o necessário para conferir se estava tudo ali mesmo. É claro que estava tudo onde deveria estar e eu queria tanto que tudo estivesse como deveria estar. Eu e James juntos.

– Olhe.

Edward apontou para o horizonte. Tinha uma casa no fundo. Eu apenas assenti. As montanhas atrás davam a ela a imagem perfeita do Oeste que eu imaginei, o cansaço estava me dominando. Eu queria deitar e agradeci por já estarmos chegando, ele forçou mais o cavalo e a casa foi se aproximando até eu perceber como ela era grande. Quando chegamos mais perto tinha cadeiras na varanda e o deserto à frente e tudo que eu mais queria era uma cama e chorar, chorar por tudo. Edward parou em frente a casa e me ajudou a descer, meu vestido gasto e empoeirado finalmente se sobressaltou quando eu percebi como a casa estava limpa.

– Venha.

Ele apenas deixou tudo na carroça e então entramos. Ao abrir a porta ele me mostrou o que eu nunca imaginei. A casa estava toda mobilhada e cheia de coisas totalmente femininas. Cortinas delicadas balançavam nas janelas, tapetes escuros estavam pelo chão e sofás estavam adequadamente perto da lareira com cadeiras acolchoadas. Não fazia sentido. Vasos e flores.

– Sua mãe que mora aqui? – perguntei e ele fez uma careta.

– Alice decorou a casa quando encomendou as coisas que iriam para casa dela. Ela disse que minha esposa iria agradecer pelo trabalho dela.

Bom, eu era grata e vi então o piano acomodado no fundo e fui até ele. Há quanto tempo eu não sabia o que era um piano? Eu pensei que nunca mais veria um. Toquei-o sentindo como minhas mãos estavam sujas demais para apreciar como eu queria. Tirei rapidamente a mão dele.

– Você toca? – perguntei enxugando as lágrimas que desciam com as lembranças de James me vendo tocar enquanto éramos noivos.

– De maneira nenhuma! – ele exclamou. – Alice herdou isso e não o queria na casa dela de jeito nenhum, colocou aqui e pediu que arrumasse uma noiva que pelo menos fosse civilizada e tocasse um pouco. – ele fez silêncio enquanto eu me recuperada. – Você toca isso?

– Foi há muito tempo. – respondi e virei de costas para o piano.

– Você deve tocar isso... Está chorando por quê?

– Meu pai me deu um piano quando era pequena, aprendi com ele a tocar, eu tocava no dia em que conheci James e toquei durante muito tempo com ele sentado na sala e minha mãe bordando alguma coisa. Eu tenho sentimentos! Eu acabei de perder meu marido!

– Vou mostrar seu quarto. Você pode chorar lá se quiser.

Então ele apenas começou a subir as escadas e eu acompanhei aliviada por não precisar mais estar na presença dele. O andar de cima eram apenas quartos. Ele me colocou em um que tinha no final, era eu acho o maior e tinha uma cama confortável demais. Tudo limpo e arejado.

– Quem vive aqui?

– Bom, eu vivo.

– Só?

Ele cruzou os braços e me encarou feio.

– Por que não posso viver bem?

– Não é isso.... estamos no meio do deserto! Como tudo isso chegou?

– Como você! Na carroça.

– Deus como é grosso!

– O que você pensou? Diga-me agora o que pensou quando vinha para o Oeste?

– Eu não pensei em nada! Nada mesmo! Eu estava com meu marido e ele...

– Ele era um idiota tolo que deveria ter ouvido falar que descobriram ouro nas terras indígenas, mas não deve ter conhecimento que aquele ouro não pode ser ao menos tocado sem que acha uma guerra que não haverá! Porque ninguém que mais uma chacina!

– Ele queria uma fazenda. – disse com a voz baixa – Íamos ter uma vida juntos...

– Nesse pedaço de mundo? Não, ele queria ouro. Chegou uma caravana antes de você... tinham uma dez pessoas... os índios os expulsaram como sabem fazer, mataram dois e fizeram misérias dos que sobreviveram.

– Caravana.... – eu lembrei que íamos em uma. O que estava acontecendo? James sabia disso?

– Pelo jeito conhece esses não é mesmo?

– Saia! Se esse é meu quarto eu o quero fora!

Ele apenas virou e me deixou. Eu sentei no chão chorando e me vendo perdida. Não podia voltar para a casa e estava agora presa a Edward. Eu deitei no chão mesmo, senti meu corpo todo relaxar e então adormecer, alguma coisa me fez sair dali e antes de voltar ao sono eu ouvi algo como “menina estúpida”. Eu acordei com o sol em meu rosto e queria fechar as janelas, mas percebi que estava em uma cama e sem sapatos. Precisei de algum tempo para perceber que eu estava na casa de Edward e que tinha realmente perdido James. Quando procurei me situar melhor achei minhas malas e senti meu estômago reclamar pelo longo tempo em que fiquei sem comer. Eu precisava lavar meu rosto e comer alguma coisa.

Eu desci as escadas ainda pensando como faria o café da manhã, mas o cheiro maravilhoso que vinha da cozinha me fez sentir mais fome. Quando abri a porta da cozinha levei um susto e gritei.

– Calma... – a mulher falava e eu procurava algo para me defender. Ela andava devagar com a faca na mão e eu tinha medo de tudo.

– Não me machuque... por favor...

– Por que iria te machucar? — Ela perguntou parando na cozinha.

– Você... você...

Edward entrou pela outra porta que dava para o lado de fora e nos olhou sem saber o que estava acontecendo.

– O que foi Sue? Ela te atacou?

– Como assim a ataquei? Ela é que é a ...

– Não ofenda Sue. – disse sério.

– Parem com isso. – ela disse e olhou sério para ele. – Não avisou que tinha alguém aqui.

– Ela é minha esposa.

Ela arregalou os olhos.

– Esposa? Alguém respondeu aquele anúncio estúpido naquele jornal seu?

Ele riu e seu sorriso o tornou menos bruto.

– Não, nem foi preciso. Ela só fica até o final do inverno, ela é da cidade.

A mulher me olhou sem entender.

– Isabella. – me apresentei. – Me desculpa. Eu nunca vi um índio de perto... em Chicago...

– Não ligue para os modos dela Sue.

– Pare de falar com sua esposa assim. – ela o repreendeu e ele apenas deu os ombros e sentou-se à mesa que estava mais perto de mim. A mesa estava com muitas coisas para comer. – Vá chamar os outros antes de comer.

Edward falou algumas coisas ruins e foi embora mal humorado. Nessas horas eu achava que ele não passava de uma criança. Vendo as roupas dela achei que ela parecia mais uma índia agora. Os cabelos longos, os colares coloridas e o vestido marrom e bem enfeitado.

– Sue, eu ajudo na fazenda com meu marido.

– Prazer. – estendi a mãe e ela apenas sorriu.

– Seu marido trabalha aqui?

– Ajuda com os cavalos e com os bois. A família precisa de ajuda.

– São muitos? –perguntei olhando para a janela e vendo outra casa mais ao fundo e um estábulo grande.

– Os maiores e melhores da região. A criação é muito boa mesmo.

– Eu não sabia.

– Pelo jeito não sabe de nada, aquele menino sempre aprontando. Eu vi aquele garoto crescer e sei como Esme sofreu com ele, sempre foi assim.

Edward entrou com mais dois homens. Os dois com as mesmas características que Sue.

– Esse é meu marido Billy e meu filho Jacob. Os dois ajudam aqui na fazenda.

– Prazer senhora. – os dois falaram juntos e então sentaram para comer. Eu apenas esperei eles terminarem e me sentei me sentindo casada. Edward parecia não me ver ali, conversava sobre os afazeres do dia e de como esse inverno seria diferente. Perderiam menos cabeças de gado e fariam novas obras depois que ele terminasse.

– Há uma nova encomenda chegando esses dias, Sam disse que viu alguns homens vindo para as terras Cullen.

Ele revirou os olhos e Sue me entregou uma xícara de café e eu agradeci seu cuidado.

– Deve ser coisa de Alice, não sei como não apareceu aqui ainda. Acho que Jasper está mantendo aquela pequena na linha finalmente.

O tal Jacob riu alto e disse algo como ela ser a própria natureza quando queria alguma coisa e Jasper apenas uma brisa leve, Sue me entregou alguns pães e comi em silêncio. Eles se levantaram e então Edward antes de sair me olhou.

– Suas coisas estão no seu quarto, Sue já tem muito trabalho. Arrume-as, isso vai ocupar seu dia. Toque aquela coisa, acho que não faz bem ele ficar parado do jeito que fica.

– Não vou tocar.

– Problema seu então.

Ele saiu e eu chorei. Fui até meu quarto afinal de contas. O que eu tinha para fazer mesmo?