A descoberta do Oeste
7 Seu lugar
Eu não poderia fugir de Edward por toda a vida, mas por dois dias seguidos eu realmente me poupei de sua presença e sofri um pouco solitária. O que fazia sorrir era o fato de que quando o inverno acabasse eu estaria fora desse lugar e talvez pudesse retomar minha vida. Mas o que eu teria quando voltasse? Eu não seria a mesma pessoa com certeza, eu não me sentia a mesma. Sue por vezes me olhava desconfiada e eu temia pelos conhecimentos dela, se eu pudesse sairia correndo para nunca mais voltar.
– Encontraram cavalos selvagens. – eu saí de meus pensamentos e a vi parada na porta da sala. Eu estava sentada olhando o nada.
– Eu não sei o que isso pode significar. – disse desanimada.
– Pelo que ouvi são mais de cinco, acho que Edward não volta por esses dias.
– Dias?
– Sim, eles vão tentar pegar o número maior que puderem e trazer.
– E o que faremos com mais cavalos?
– Vender eles domados para o exército. É isso que dá muito dinheiro. Edward sempre é procurado pelos generais para saber quantos ele em suas posses.
Eu não servia de nada nessa fazenda então dei os ombros sem me importar.
– Gostaria de um chá?
– Vou subir... me sinto um pouco esgotada.
– Alice esteve aqui ontem, só passou na verdade, ela pediu que entregasse uma caixa, mas não queria incomodar então deixei ali.
Ela apontou para uma caixa que estava perto da janela. Eu já tinha visto, mas não tive o menor interesse de abrir.
– Obrigada Sue, muita gentileza sua receber.
E ela ficou me olhando, eu deveria abrir não é mesmo? Levantei calma e fui até a caixa abrindo e vendo algo que me fez sorrir.
– O que é?
– Costura. Um it completo... muito amável da parte dela.
Era como se ela soubesse de alguma forma. Eu voltei sorrindo com a caixa na mão e sentei com os olhos de Sue em mim. Peguei a agulha e comecei a colocar as linhas e pedi para Sue pegar as coisas que estavam em meu quarto, ela desceu com tudo nas mãos sorrindo e me viu começar a bordar. Eu passei horas costurando, bordando e fazendo tricô com as lãs que tinham dentro da caixa.
– Você precisa comer alguma coisa. – ela terminou de acender a casa e eu olhei para ela sorrindo.
– Você não foi? – perguntei surpresa.
– Edward me pediu para te fazer companhia, Jacob e alguns homens estão no celeiro dormindo. Já os acomodei e dei janta a todos.
– Oh... eu nem vi... eles chegaram a quanto tempo?
– Eles chegaram para ajudar com os cavalos e o gado, ficamos muito ocupados aqui no inverno e eles vem para manter tudo em ordem se revezando. O pagamento é comida e abrigo.
Eu não fazia idéia de como uma fazendo era antes de chegar aqui.
– Fiz uma sopa e está quente, venha comer.
Levantei colocando as coisas em cima da cadeira e vendo o que tinha feito com um certo orgulho.
– Você é muito boa. – me virei para Sue sorrindo. – Todos nós temos talentos senhora, acho que só precisa saber qual é o seu papel aqui e será muito feliz.
Não, eu não seria. Eu não tinha papel algum aqui neste lugar, mas apenas sorri e fui jantar. E quando fui dormir eu vi as luzes e a movimentação do lado de fora, o frio parecia ter chegado e as noites estavam mais frias e havia um certo vento. Os homens poderiam estar mais abrigados, mas nem imaginava como era frio lá fora com os animais. Sue comentou que eles ficariam o inverno todo? Eu apenas sentei na cama sem sono quando subi e me senti de alguma forma revigorada e então desci com apenas uma vela e peguei o material para costurar um pouco mais.
– Senhora... senhora... – abri os olhos com uma certa dificuldade. Sue me olhou e eu percebi que estava sentada com a linha e os panos na mão. – Trouxe água, mas ninguém respondia, entrei porque fiquei preocupada.
– Desculpe os transtornos... eu acho que dormi...
Ela olhou para a cama e viu que estava cheia de tecidos e algumas peças de crochê.
– Vai tomar café aqui ou lá com Edward?
– Ele voltou?
– Pela manhã, os homens estão com os cavalos. Eles conseguiram mais do que o esperado.
– Acho que ficarei aqui se não se importar.
Ela me olhou um pouco mais antes de sair e então lavei meu rosto e minhas mãos enxugando com a toalha que tinha perto da bacia. Quando terminei de tomar café eu desci com uma toalha nas mãos, eu não tinha visto nada em cima do piano e senti que o trabalho que tinha feito nas bordas daria uma vida ao piano que estava jogado naquela sala. Sorri quando vi que não havia ninguém, mas pelas vozes os homens estavam perto da casa e quando passei pela janela avistei eles com dois cavalos agitados e muitos homens.
Olhei o piano e de repente eu quis tocá-lo, eu quis mais do que colocar um pano e procurar um vaso bonito para colocar ali.Então eu andei até ele, coloquei o pano em cima satisfeita com o efeito que deu e me sentei. Meu coração estava acelerado com a aproximação e eu pela primeira vez em tanto tempo sorri. Era algo familiar aquilo, como se eu estivesse quase em casa. Confiante, eu abri o piano o toquei suas teclas e dedilhei algumas notas. Como ele poderia estar afinado? Apesar de não entender isso, eu comecei uma valsa e sorria quando as notas conseguiam trazer um pouco de luz, a música encheu algo dentro de mim e eu fechei os olhos tocando com mais intensidade e confiança.
Quando terminei eu abri meus olhos e lá estavam alguns homens me olhando com seus chapéus na mão e Sue sorrindo. Eu fiquei imediatamente com vergonha e abaixei a tampa pensando que não deveria ter feito isso.
– Muito lindo senhora! – um homem falou um pouco receoso. – Nós sempre quisemos ouvir esse... piano...
– Oh...eu...
– Consegue tocar enquanto cantamos? – um perguntou animado e eu pensei sobre isso.
– Precisam se apresentar, ela não conhece vocês... – Sue falou;.
Sam, Billy, Quil, Seth e Luke. Eles tinham aparências diferentes. Sam era alto e forte, um pouco mais jovem, mas mesmo assim mostrava que poderia ser muito útil, Billy e Quil eram mais baixos e mais morenos que Seth, esse deveria ser o mais novo e mais sorridente. Luke era como um xerife, alto, magro e olhos intensos. Cada um se apresentou a mim com Sue me falando suas funções.
– Pode senhora Cullen? – Seth perguntou.
– Cante... vamos ver o que acontece... – falei divertida e então Seth começou a cantar tímido em um ritmo diferente e Quil bateu palmas determinando o ritmo e já na segunda parte eu já acompanhava fazendo todos sorrirem e até mesmo baterem palmas mais alto. Sue sorria e ria às vezes dos trechos da música e quando terminamos percebemos a presença de Edward. Todos se desculparam e saíram rapidamente deixando o ambiente, frio e vazio demais.
Levantei e fechei o piano não me deixando intimidar pelos olhos dele que mostravam desagrado.
– Então sabe mesmo tocar isso? – perguntou irônico.
– Sue você tem algum vaso para colocar em cima do piano?
Sue ficou olhando para mim e então eu fui até ela com calma.
– Talvez Alice tenha colocado algo nos armários da cozinha, vamos ver.
Deixei Edward e toda sua amargura para trás e fui procurar um lindo vaso para colocar, achei na verdade três vasos e espalhei pela casa arrumando de acordo com meu gosto, abri as janelas e pedi para Sue arrumar algumas coisas que não me sentia satisfeita. Ele ficou algum tempo me observando enquanto eu andava pela casa e fazia aquilo que queria e me senti bem ignorando ele, talvez esses meses passassem mais rápido se eu apenas fingisse que ele e toda sua arrogância e amargura não existissem.
– Vou servir o jantar aos rapazes lá fora, fiz uma sopa bem quente.
Olhei para fora. Já era tão tarde? Peguei as coisas que tinha feito durante a tarde e então entreguei a Sue.
– Fiz algumas luvas, por favor entregue a eles..
Ela me olhou surpresa e então sorriu.
– Eles vão ficar tão agradecidos.
Sorri satisfeita para realmente feliz. De alguma forma eu poderia ajudar não?
– Não estou com fome...
– Precisa comer. – ela disse séria. – Ficou o dia andando e nem tomou o chá, acho que um pouco de sopa vai fazer bem.
– Deixe ela Sue, é melhor que sobra não?
Edward estava parado na entrada da sala e eu queria saber a quanto tempo ele estava ali, mas apenas saí deixando-o com suas palavras agora sem sentido e sem qualquer tipo de efeito sobre mim.
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