Era bom acordar sem o peso que havia dentro de mim quando cheguei, era ótimo conseguir fazer as coisas sem ter que me preocupar com Edward ou com suas palavras. Desci sorridente e vi Sue sorrir de volta segurando algo nas mãos que não consegui identificar o que era.

– Os homens estão tão agradecidos...mandaram isso.

– O que é?

Quando me aproximei eu vi as flores, eram lindas.

– Dão no alto da montanha. Eles estavam fazendo apenas uma pequena excursão quando viram e trouxeram, falaram que vai combinar com os vasos que a senhora colocou pela casa.

Ontem à noite eu chamei todos para comerem dentro da casa e eles vieram arrumados e cheirosos. Edward não disse nada sobre isso e eu pensei que estava de acordo, quando os homens chegaram limpos, cheirosos e com os cabelos arrumados eu sorri e os recebi da melhor maneira possível. Ele ficou me olhando conversar e tocar com eles no final da noite, foi uma noite maravilhosa e feliz, nem os olhares de Edward para eles estragou isso e quando fui dormir eu me senti satisfeita pela primeira vez em tempos.

– Vamos colocar isso...

A tontura me tomou e Sue correu para e ajudar.

– Estou bem...

Eu ia dizer mais alguma coisa, mas estava muito tonta e então me deixei guiar para o sofá da sala. Deus isso estava mais forte do que das outras vezes.

– A senhora está branca!

– Vai passar, vai passar... não deixa as flores fora dos vasos, foram muito gentis...

– A senhora não pode estar falando com juízo...

– Pegue um pouco de água...

Ela saiu com as flores nas mãos e voltou só com o copo de água e eu bebi me sentindo um pouco melhor.

– Deve chamar o pai de Edward, ele está em outra cidade...

– Não vamos incomodar ninguém a toa. Vou subir e deitar... acho que só forcei a vista demais nesses dias...

– Vou levar o chá, alguns foram na cidade e trouxeram mais daquela lata de chá e café. Edward resmungou que estaria muito mimada por eles.

Eu levantei ainda com dificuldade e pela primeira vez me doeu saber que Edward achava alguma coisa. Ele não conseguia ver as pessoas me tratando bem? Não poderia ao menos aceitar que alguém não me achava inútil ou até mesmo um estorvo? Lágrimas se formaram em meus olhos e agradeci já estar de costa para Sue, ela não veria isso, ninguém precisava ver o quanto isso me doía. E assim que me deitei eu senti o cansaço me dominar e os olhos fecharam, eu estava tão cansada.

– Senhora... a senhora precisa comer..

Abri os olhos e vi Sue com um rosto preocupado olhando para mim. Me sentei e respirei fundo tentando entender que horas eram.

– Não tomou café e está aqui em cima há horas...

– Acho que estava cansada...

Percebi o cheiro bom e então ela me deu o prato de comida e a fome pareceu maior do que eu esperava, comi bastante e pedi água que ela trouxe imediatamente. Quando a porta abriu eu me assustei vendo Edward.

– O que faz aqui? – Sue se retirou rapidamente pegando tudo e levando com ela.

– Os homens estão preocupados. – falou me olhando como se analisasse cada gesto ou expressão.

– Eu estou bem... acho que foi só...uma fadiga sem importância.

Ele então entrou e viu as mudanças que fiz no quarto. Eu não estava afim de brigar com Edward e muito menos ter que explicar cada coisa que eu estava fazendo na casa, será que ele estava incomodado com isso?

– Eles nunca tiveram uma companhia feminina tão atenciosa. – sorriu e eu não soube o que estava por trás daquilo. – Muito atencioso as luvas e mantas, o inverno está mesmo chegando não é mesmo?

– Está e vai acabar mais rápido do que esperamos.

Ele parou de andar pelo quarto e me olhou.

– Está ansiosa para voltar para seus pais não?

– Eu sinto falta deles sim...

– E do seu ex-marido?

– Todos os dias. – eu percebi um sorriso irônico, mas continuei olhando firme para ele. – O que ele foi para mim o tempo não apagará, nos amamos mais do que um dia você será capaz.

Ele riu divertido.

– Acha mesmo que um homem honesto e amoroso como diz faz o que fez com a mulher?

– Ele não pediu para morrer se é isso que está insinuando!

– Não, mas deixou você sem proteção. Não se viaja com uma mulher sozinho, tem muitos perigos aqui e acho que ele sabia de cada um deles! Seu marido não parecia um inocente.

– Sabe qual é o seu problema? – disse me levantando – Você não sabe ouvir que um homem possa ser carinhoso, feliz e protetor. Sabe por quê? Porque isso incomoda seu ego, porque isso faz você ver como infeliz e sozinho você é. – Edward agora tinha uma expressão séria e desafiadora. – Porque isso é admitir que mulheres só podem estar interessadas mesmo em seu dinheiro ou na ilusão de um marido presente, elas não sabem do que eu as livrei e de certa forma você poderá mesmo só ter... – tentei lembrar das palavras exatas dele – um carinho a mais. Eu não quero um carinho a mais, eu nunca conseguiria viver só com um prazer temporário. Sabe o que mais o incomoda em James? O fato dele ser um homem apaixonado e entregue. Um homem amado pela esposa pelo que ele era e não o que tinha. Isso Edward Cullen você nunca saberá o que é e eu sinto pena de você. Pena porque o melhor de você não chega perto do homem maravilhoso que James foi.

Ele me olhava profundamente e o silêncio que estava no quarto provou para mim que cada palavra que disse era verdade.

– Você não sabe nada da vida Isabella.

Sorri feliz.

– O que eu sei me basta Edward.

E saí do quarto o deixando sozinho com suas experiências maravilhosas da vida. Eu precisava de um pouco de ar e saí vendo os homens me cumprimentarem de longe, só Luke chegou e me perguntou como eu estava.

– Coloque esse xale querida.

Sue trouxe um xale rosa que estava perto do piano e eu sorri para ela agradecendo. Sim, estava ventando e um pouco frio. Olhei para estábulo e tive vontade de ver os cavalos, quando cheguei lá Billy estava arrumando alguns cavalos e outros homens estavam limpando.

– Senhora.. como está?

– Bem obrigada Sam. Vim ver os cavalos...

Ele sorriu e vi que tinham mais de cinco ali.

– Temos quatro machos, mas estamos com uma fêmea e ela está prenha. Deve nascer já por esses dias, não vamos vender ela. Edward acha que eles ficarão melhor aqui do que vender para outros fazendeiros. Ele colocou ela lá trás, é mansa...

Eu fui andando e vendo os cavalos lindos e percebi o último. Preto, magnífico. Sorri percebendo que ela não se assustou com minha presença e toquei nela.

– Você é muito linda...

–Black Star. – Sam falou atrás de mim. – Esse foi o nome que eu escolhi.

– Lindo nome... ela é... nunca vi algo tão perfeito...

– Os cavalos selvagens são mais musculosos e tem o pelo mais brilhante por causa dos exercícios e a tipo de alimentação.

Me virei para Sam preocupada.

– Ela vai ficar bem aqui?

– Claro que sim! Edward nos manda para longe para trazer o tipo certo de alimento, passeamos com ela e fazemos o possível para que seja bem tratada. Quem sabe poderá montar ela qualquer dia depois que ela tiver o filhote.

Sorri feliz.

– Ela deixaria?

– Vamos treinar ela direitinho e quando estiver pronta...

– Não deveria estar aqui. – Edward falou atrás de nós e Sam imediatamente saiu.

– Por quê?

– Os cavalos estão arredios e alguma coisa pode acontecer, não estamos brincando de domar cavalos.

– E muito menos eu de fazendeira. – fui andando e então me virei quando tomei uma certa distancia dele. – Me diga como conquista suas mulheres se é tão desagradável?

Ele pareceu surpreso com minha pergunta e sorrindo eu voltei para casa pensando nas flores que ganhei. Eu queria mais vasos para encher a casa das flores.