Se eu fechasse meus olhos por alguns segundos eu poderia imaginar James sorrindo para mim e estendo suas mãos para mim. Então eu correria até seus braços e ele me giraria como nos nossos melhores tempos. Seria perfeito e isso era o que pedia a Deus no meu íntimo. Só que abrir os olhos e ver a fazenda trazia a realidade que eu estava presa no Oeste com um marido frio e distante.

– Eles estão festejando. – os homens e a fogueira imensa perto do celeiro ainda não faziam sentido. – Todos queriam vir aqui falar com você, mas Edward mandou eles se afastarem porque você estava debilitada demais.

Olhei para Sue tentando entender isso.

– O que eles estão celebrando?

– O bebê, você deveria ter dito antes.

– Por que ainda não foi para sua casa?

Ela sorriu e foi arrumar a cama. Hoje eu estava um pouco melhor, mesmo assim não desci para nada. Precisava de paz.

– Edward e os homens iam festejar e não iria dormir ninguém aqui. Ele mandou que eu ficasse essa noite em um quarto vazio.

Eu ainda não conseguir entender o que eles estavam festejando do lado de fora, agora uma música soava e os homens riam de algumas danças esquisitas que alguém fazia. O cansaço venceu minha curiosidade e eu fui dormir. Um sono agitado, um sono inquieta em que eu ouvia James dizer adeus e a figura de Edward aparecia me olhando fria e quanto mais ele tentava me alcançar mais eu corria com medo dele e suas palavras ruins, do seu gênio forte e frio. Frio demais.

– Bom dia Sue. – ela se surpreendeu com minha presença na cozinha.

– Senhora! Sua cor está bem melhor. – ela fez um careta e eu ri.

– Eu sei que sou pálida.

– Mas está menos pálida. – ela afirmou mais claramente. – Acha que consegue comer alguma coisa?

– Acho que consigo comer tudo!

E tomei meu café sem tanta preocupação com mal estar ou enjoos, eu estava com muita fome e fiquei na cozinha conversando com ela enquanto tomava meu café.

– Estava tudo tão delicioso. Obrigada mesmo.

– Vai bordar?

– Acho que hoje vou tocar um pouco.

Ela sorriu e eu me diriji ao piano, era bom e maravilhoso treinar e olhei para a sala enquanto tocava e percebi como tinha muitas flores e vasos novos. Parei fechando o piano e indo até cada um tentando lembrar de quando eu os peguei, mas nada vinha.

– Bella! – a voz de Alice soou e eu sorri vendo ela quase correr em minha direção e me abraçar. – Um dos homens de Edward veio nos contar e fiz Jasper me trazer. Papai é claro confirmou antes que viéssemos.

– Que atencioso de sua parte.

Ela sentou e Sue veio com um chá e sorrindo. Ficamos falando como eu estava e de como Carlisle demonstrou sua preocupação com meu estado. O dia passou tão rápido com Alice e eu ignorei Edward no almoço. Ele ficava me olhando comer, me observando cortar o pão com as mãos enquanto Alice falava de sua fazenda e de como tem estado ocupada.

– Precisa voltar mais. – falei na despedida.

– Ou você pode ir na nossa casa passar uns dias, enquanto Edward caça seus cavalos...

– Ela não pode se cansar dessa forma .

Olhei para Edward.

– Eu decido o que posso ou não e acho que vou aceitar muito antes do que imagina, é claro que Jasper precisa estar Jasper...

– Será um prazer.

E eles foram embora me deixando com um Edward esquisito. Ignorei entrando na casa, os homens agora já estavam terminando seus serviços e falando mais alto.

– Por que você está assim?

Parei de andar olhando para Edward de forma estranha.

– Assim como?

– Você não vai sair dessa fazenda correndo.

– Você é um completo idiota Edward Cullen.

Subi as escadas não olhando para ele ou querendo saber sua resposta as minhas palavras. Nos próximos dias eu ignorava Edward, ele agora vinha sempre almoçar e fazia questão de jantar sempre na mesa.

– Sam vem jantar conosco. – ele anunciou subindo as escadas rápido demais. Levantei da cadeira de balanço que tinha chegado ontem. Ela era tão confortável e imaginei ter sido Alice que encomendou já que ela citou que a sua era magnífica e que eu deveria ter uma. Fui até a cozinha percebendo que Sue tinha feito mais comida do que o normal, ela sabia?

– Vai se arrumar para o jantar. – ela disse sem olhar para trás. Ela sempre sabia quando eu ou Edward chegávamos, apenas troquei por um vestido azul mais bonito que tinha, eu precisava comprar roupas porque logo essas não caberiam em mim.

Quando desci Edward e Sam conversavam animados, eu nunca o tinha visto assim. Nem Sam tão arrumado como ele estava.

– Boa noite senhora. – ele disse se levantando e Edward levantou junto com ele. – Você está muito bonita.

Antes de terminar a frase ele olhou para Edward como se medisse a sua reação, mas ele tinha aquele olhar frio e distante que não combinava com sua reação anterior.

– Obrigada Sam, muito gentil da sua parte fazer um elogio.

– Os rapazes... – ele estava visivelmente nervoso quando pegou uma caixa no chão e me entregou. Não era pesada e não combinava em nada com a aparência pesada que ela tinha. – É de todos nós...

– Presentes para uma mulher casada? – Edward comentou enquanto eu arrumava um lugar para sentar e abrir.

– Deixe-o em paz Edward.

Falei sem olhar para ver a reação de Edward e Sam, na caixa tinha o material para costura e bordados. Meu Deus, daria para fazer muitas coisas para o bebê, linhas delicadas, botões rosas e azuis.

– Oh Sam.... isso deve ter custado uma fortuna...

– Alice nos garantiu que iriam servir. Ela que escolheu.

O olhei emocionada e levantei indo até ele e realmente agradecendo o presente.

– Vocês não precisavam ter gasto o seu dinheiro.

– Isso não é nada senhora, foi um prazer e Alice afirmou que isso não é nada comprado...

– Sam, ela já está muito satisfeita.

Olhei para Edward com raiva por ter cortado Sam.

– Não é por que você não sabe ser agradável Edward que ninguém mais pode ser. ÀS vezes é bom ser tratada com carinho e respeito, ou suas conquistas nunca precisam disso?

– Isabella...

– Eu vou guardar a caixa em meu quarto.

Eu subi tentando me recompor da mágoa que crescia em mim por Edward, tentando frear as lágrimas e querendo entender por que ele às vezes conseguia ser tão ruim. Enquanto guardava a caixa eu lembrei do riso e pela primeira vez me perguntei por que eu não conseguia ser a razão de risos dele. Afastei esse pensamento e desci mascarando qualquer sensibilidade.