A descoberta do Oeste
11 Orgulho e razão
Notas iniciais
Descendo as escadas devagar sobre um olhar atento de Edward eu pensava que o tempo passa sem ao menos sentirmos quando temos distrações. Parei para respirar um pouco e Edward segurou seu chapéu com mais força, eu ignorava todos os seus sinais de preocupação o deixando com apenas a máscara fria que tinha em meu rosto nos últimos meses.
– Sue fez o café.
Dei os ombros ainda sem descer os degraus que faltavam.
– Ela sempre faz.
A barriga de sete meses pesava. Eu me sentia muito mais cansada do que o de costume, o tempo ainda não estava totalmente firme, mas uma primavera vinha com todo seu esplendor com certeza. Edward foi para cozinha depois que eu acabei de descer e se sentou no seu local de costume, mas eu sabia que ele me olhava comer enquanto eu tentava com todas as minhas forças fingir que não percebia.
O inverno chegou trazendo novidades para mim. O frio era mais intenso, mudando o calor intenso pela neve. Eu não conseguia imaginar aquela fazenda cheia de neve até acordar com a janela cheia dela e desci animada para ver tudo. Só depois que fiquei algum tempo olhando cada paisagem coberta de uma camada grossa de neve que vi Edward parado atrás de mim me olhando. Eu já tinha uma barriga bem visível e ele apenas disse: você não deveria correr desse jeito. Segurei a vontade de me render aquela preocupação e apenas subi as escadas para me trocar. E foi um inverno difícil, segundo os peões o mais difícil de todos os tempos e eu podia entender porque agora nunca seria possível viajar. Os suprimentos continuavam chegando da cidade, mas a viagem era muito mais lenta e as notícias demoravam mais a chegar do que o de costume.
Desde aquele jantar com Sam eu poderia dizer que muitas coisas tinham acontecido. Naquele tempo eu mesma não me conhecia, não sabia como poderia ser tão determinada e talvez teimosa. Eu resisti com todas as forças que tinha a cada vez que me coração saltava quando ele entrava em casa, lutei com preocupação nas noites de frio em que ele ficava lá fora cuidando dos animais, tentei não admirar sua persistência em não perder um único animal ou a forma como seus homens o seguiam apenas com um olhar. Edward era um homem forte e muitas vezes incrível, ele mesmo trouxe seu pai de outra cidade quando Alice ficou doente e Jasper não sabia como fazer com sua esposa. Ele ficou mais de cinco dias fora e só voltou para pegar suprimentos para eles e voltou rapidamente. Ela se recuperou de um forte resfriado e assim que ele voltou com seu pai Carlisle veio me examinar e trazer roupas mais quentes que Esme tinha mandado.
Agora olhando para trás eu percebia que amei James demais, como uma menina apaixonada, mas isso era uma lembrança distante e quase nostálgica e que estava feliz por não ter passado aquele inverno construindo um lugar como James tinha previsto. Como seria se ele estivesse vivo? Edward tinha razão quando disse uma vez que éramos imaturos e irresponsáveis de uma certa forma. Na busca para provar a todos que ele não viveria na sombra do meu pai James nos colocou em risco, muitos, mas ele fez tudo por amor e eu não tinha dúvidas disso. Ele sonhava com um lugar grande para as crianças correrem, com muitos animais e uma vida ocupada com venda e compra de animais de boa qualidade. Como Edward.
– Não está com fome? – ele perguntou e voltei a comer rejeitando qualquer sentimento. Só quando ele se levantava e ia embora é que eu respirava fundo e deixava aquele sentimento fluir em mim.
– Vai para sala costurar? – Sue perguntou e voltei a mim.
– Não. Acho que vou andar um pouco.
Ela me olhando com aquele ar preocupado e sorri confiante, a barriga pesava, mas Carlisle disse que andar um pouco era bom, principalmente pelas manhãs e fui andando devagar vendo a paisagem se modificando mais uma vez. O sol estava ali, a neve derretia e tinha um certo verde em algumas partes.
– O casaco. – Sue me deu ele e voltou para seus afazeres. Coloquei ele e fui andando devagar e vi a movimentação da manhã, tínhamos mais gente agora que o inverno passou e muitos deles me cumprimentavam rapidamente enquanto eu percorria a fazenda admirando as mudanças.
Eu recebi uma carta dos meus pais há alguns meses atrás. Eles diziam estar ansiosos para me receber, mas não tinha dito nada do bebê e para sociedade eu teria que voltar uma viúva respeitável e não uma mulher casada. Caso mentisse meus pais tentariam arrumar um casamento, seria o mais conveniente, quem cuidaria de mim ou de minha mãe caso acontecesse algo com meu pai? Meu filho ficaria sem pai e desamparado em Boston. Eu tinha certeza de que voltar seria mais estranho do que foi sair.
– Está sentindo alguma coisa? – a voz de Edward soou. Ele estava suado e sua roupa suja. Olhei para ele sem saber o que fazer ou falar. Aqui eu não me sentia mais uma estranha, eu nunca seria tão boa na cozinha como Sue ou faria metade do trabalho dos homens, mas eu me sentia querida e respeitada por eles.
– Não.
– Você está parada há um tempo aí. – olhei ao redor vendo que estava perto dos estábulos.
– Queria ver os cavalos novos...
– Eles ainda estão muito arredios, o espaço ainda é sufocante para eles e...
– Tudo bem...eu...
Eu sai deixando Edward falando alguma coisa que não conseguia mais entender pela distancia e sentei no sofá deixando as lágrimas caírem com o medo do futuro dentro de mim, o que seria caso voltasse ou ficasse? Rose e Esme trouxeram tantas coisas para o bebê na última visita, eu confiava minha saúde em Carlisle e o berço que Edward encomendou era precioso demais, era forte e segundo Sam daria para alguns bebês mais. O soluço aumentou e eu peguei uma pequena parte do vestido para tentar me recompor, o bebê se agitou dentro de mim e pensei que nunca compartilhei com ninguém que ele mexia quando ouvia a voz de Edward e isso acontecia poucas vezes porque eu o desprezava demais para trocar mais que algumas frases dele.
– É triste ver isso.
Levei um susto com Sue entrando com um copo de água nas mãos.
– Eu... eu..
– Jovens como vocês deveriam achar um equilíbrio entre o orgulho e a razão.
Ele saiu me deixando mais pensativa do que eu já estava.
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