A descoberta do Oeste
9 Mudanças de planos
Notas iniciais
Infelizmente nos próximos dias eu não me senti nem um pouco melhor, eram tonteiras e enjoos demais. Eu quase não descia para tomar café e muito menos tinha tanta disposição como antes, Sue subia com alguns caldos e com alguns pães frescos e era só isso que eu conseguia comer sem passar mal. Quatro dias depois algo inesperado aconteceu.
– Senhora... senhora...
Respirei fundo antes de responder, eu estava sentada na cama tentando me recompor.
– Sim. Pode entrar Sue.
Eu não entendia como todo aquele carinho de Sue poderia me irritar, mesmo não falando nada diretamente eu via seu olhar preocupado e suas pequenas olhadas para o quarto para ver se estava tudo realmente bem ou em ordem. Tinha horas que eu tinha vontade de gritar com ela e isso me fazia no momento seguinte me sentir mal, ela sempre foi a mais gentil de todas.
– O doutor Carlisle está aqui.
– Ah! Já lhe serviu algo? Um suco...
– Muito obrigado. – a voz dele soou atrás de Sue e vi a maleta em suas mãos. – Vim ver a linda esposa doente.
– Doutor...
Ele entrou e com apenas um gesto mostrou a Sue que ela poderia descer.
– Eu estou bem. – disse temendo um exame mais próximo.
– Querida, Edward mandou um de seus homens até mim preocupado com sua saúde. Deixe-me apenas reconfortá-lo com um pouco de notícia. – calmo e tranquilo ele sentou na beira da cama e abriu sua maleta. – O calor e a temperatura diferente de Boston podem estar afetando seu corpo, é muito comum. Ano passado um de nossos membros da cidade se casou com uma moça de Nova York, muito bonita, mas não resistiu a mudança climática e ficou seriamente doente.
Ele pegou uma espátula e mandou eu abrir a boca. Me senti com três anos de idade indo visitar o médico da cidade naquela consultório que me dava medo.
– A garganta está ótima.
Depois ele pegou outro instrumento e ouviu meu coração. Ouviu com muita atenção, mandou eu respirar profundamente e nada daquilo fazia sentido.
– Você tem estado mais sonolenta ou cansada querida? – temi. Será que tinha algum problema com meu coração?
– Bom...
Ele sorriu de maneira a me acalmar.
– Isso é só uma pergunta, seu coração bate em um ritmo peculiar.
– Tenho sim...
Carlisle apenas sorriu guardando os instrumentos.
– E imagino que uma moça letrada como você saiba exatamente o que tem.
– Sim... – disse derrotada.
– E por que ainda não contou para Sue? Apesar dela saber o que você tem, ela só não compartilhou com Edward e seus homens.
– Porque eu vou embora e isso não vai ser importante para ninguém aqui.
Minha voz saiu baixa. Era esse meu medo e minha preocupação. Era esse o motivo de tudo continuar em segredo. Eu queria e iria embora. Edward poderia destilar todo seu veneno em mim, mas não em meu filho e eu queria sair correndo para proteger o bem mais precioso que James deixou do nosso amor. Uma lágrima caiu de meus olhos quando eu me permitir pensar que nosso sonho de criarmos nossos filhos juntos nunca aconteceria, lembrei das palavras dele e de quantas vezes ele sussurrava que me daria muitos meninas e meninas lindos e brilhantes como eu.
– Não chorei, isso é uma benção.
– Eu sei que é... só... eu quero ir embora desse lugar. Aqui não é meu lugar.
Apesar de não estar olhando para Carlisle eu ouvi sua respiração pesada.
– Eu terei alguns meses ainda antes do bebê nascer quando o inverno acabar e eu quero muito sair daqui e deixar...
– Querida, você está magra e pálida. Visivelmente perdeu mais peso desde que a vi. São dias em uma carroça até a estação de trem e depois mais dias no trem para chegar a sua cidade. – meu coração estava apertado ao ouvir aquelas palavras – Durante a viagem você poderia perder facilmente o bebê, só pelo balanço dos cavalos e depois com tudo que envolve uma viagem longa de trem por essas ferrovias e não podemos esquecer que estará sozinha nela.
Parei de chorar me deixando olhar para o agora médico na minha frente.
– Se quer que esse bebê nasça saudável você precisa se acostumar a ideia de que agora está no Oeste.
Foi como um balde de água bem gelado em minha cabeça em um dia frio. As palavras dele me fizeram ficar horrorizadas. Como eu passaria mais tempo aqui? Edward iria me expulsar antes disso, ele não me suportava.
– Edward... não vai aceitar isso...
– Meu filho não tem muita escolha.
As palavras dele não me fizeram mais feliz. Ele estar ao meu lado porque não tinha escolha era insuportável de sentir dentro de mim. Seu olhar se tornariam mais frio? Suas palavras mais ferinas?
– Não existe a possibilidade de...
A porta se abriu e Edward olhou a mim e Carlisle com um ar estranho.
– É verdade? – Carlisle esperou ele continuar falando sem responder a pergunta dele. – Sue disse que ela pode estar com...
– Um bebê. Isabella está grávida.
Edward tinha uma outra expressão nos olhos. Por alguns segundos eu acho que todas as barreiras que ele montou ao redor dele caíram e nos olhamos apreensivos. Ele olhou para meu ventre, não havia nada ali que eu ainda não pudesse esconder, mas eu sabia que já havia.
– Precisamos conversar Edward.
Ele entrou determinado e firme e fechou a porta atrás dele.
– Tudo mudou, não acredito que ela aguente uma viagem depois do inverno. Se meus cálculos estiverem certo ela estará com seis para sete meses e uma viagem dessa ajudaria ou a perder o bebê ou um parto prematuro o que faria o bebê morrer pouco tempo depois de nascido.
Ele não tinha falado isso antes e me assustei com aquela possibilidade. Toquei meu ventre pensando que nenhuma daquelas coisas poderia acontecer, meu bebê tinha que ser protegido.
– Eu vou depois que o bebê nascer. – falei olhando para Edward. Só que ele parecia distante. Parecia pensativo.
– Isabella... – Carlisle ia continuar, mas Edward interrompeu.
– Você não acha que depois de um parto e um bebê recém-nascido vai sair correndo desta fazenda vai?
– Meu filho é problema meu!
– Seu filho não sobreviverá se o arrancar daqui em poucos dias ou meses de nascido Isabella! – e ele tinha uma expressão cuidadosa e receosa. – Você e ele precisariam de bons meses aqui para ficarem fortes para uma viagem dessas.
– Eu não posso ficar aqui! – era um sentimento desesperador que tinha dentro de mim e me fazia querer correr para longe deles. De todos eles.
– Você deve ficar aqui querida. – Carlisle tinha uma voz calma e mansa. – Pense no seu filho... sua gravidez requer cuidados.
– O que ela tem?
A voz de Edward soou.
– A gravidez dela precisa ser acompanhada de perto, ela perdeu peso, está abatida e acredito que os enjoos ainda vão debilitar ela mais um pouco até cessarem.
– Isso prejudica o bebê? — eu olhei para Edward tentando entender o que ele queria com aquelas perguntas que deveriam ser minhas, só minhas.
– Edward, tudo que prejudica ela prejudica o bebê. Nesse momento e depois do parto eles serão um só. Consegue entender isso?
– Explique isso a ela!
E então ele saiu do quarto. Carlisle me olhou como se nada tivesse acontecido.
– Vou falar com Sue sobre sua alimentação e virei aqui assim que possível.
– O seu filho me despreza.
Um silêncio pairou no quarto e ouvi apenas alguns segundos depois Carlisle se movimentando para sair.
– Ele não suporta coisas que não entende. Que não controla.
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