A descoberta do Oeste
6 A outra face da esposa
– Ele sempre foi tão precipitado não é querida? – Tânia disse olhando para Alice que não compreendia como eu o que estava acontecendo.
– Não conheço esse lado dele, mas sei que ele fez uma ótima escolha, Isabella é uma dama. Viveu em Boston e agora está aqui nos dando um pouco de civilidade com sua presença. Mamãe a adora.
– Nossa querida Esme é uma pessoa amorosa e realmente gosta de qualquer um.
Mulher insuportável.
– Não, ela me pareceu muito seletiva. – falei docemente e firme – Ser agradável e educada com todos é realmente uma qualidade não encontrada muito ultimamente.
Alice soltou um riso abafado e desconversou falando dos preparativos para uma festa. Eu me perdi quando mulheres começaram a nos seguir até a farmácia local onde Alice tinha encomendado alguma coisa, depois a uma loja de tecidos em que ela afirmava ter os melhores tecidos da região e comprou tanto para mim quanto para ela. Eu não ia ficar tanto tempo, mas ela não me deixou escolha quando só falava e apontava. No final fomos comer em um restaurante com um grupo de mulheres que eu não gravei o nome e que estavam interessadas em minha família.
– Vivíamos em uma casa muito boa no centro de Boston, os negócios de papai garantiam nossa segurança.
– Irmão? – uma delas perguntou interessada.
– Não, mamãe teve um parto difícil. Mas temos um primo distante que papai chamou para ajudar com os negócios.
– Ele é casado? Virá te visitar?
Eu me lembrei de que precisava escrever para papai. Eu precisava mandar notícias o quanto antes, mamãe deveria estar às lágrimas enlouquecendo a todos ao redor. Levantei-me rapidamente e Alice me olhou curiosa.
– Onde fica os correios?
– Ao lado do banco, podemos...
Eu queria ficar um pouco sozinha. Eu precisava do silêncio para conseguir pensar em uma carta para papai e mamãe.
– Não precisa, acho que consigo me sair muito bem. Obrigada pela agradável refeição. – todas sorriam menos Tânia, Irina e Jéssica. Um trio esquisito que passou o tempo todo analisando cada gesto meu.
– Nos veremos na festa de inverno! Todos vão gostar de ver o que sabe sobre danças do oeste. – Jéssica sorria animada, mas tinha um desafio ali. Eu não pretendia entrar no jogo, eu tinha coisa e mais coisas para pensar e refletir do que uma dança estúpida de uma festa do oeste.
– Claro que sim.
Saí sentindo o ar quente e agradecendo por estar sozinha. O banco era uma construção grande e fui caminhando sem pressa, meu coração doeu por James e eu engoli a vontade de me desesperar. Eu precisava caminhar com minhas próprias pernas e ter que levar aquilo que uma vez ouvi: o fardo da viuvez. Quando entrei um rapaz sorriu simpático.
– Cartas para onde?
– Eu não escrevi... eu precisava...
Ele apontou para a esquerda, uma mesa e cadeira com folhas e lápis. Sorri agradecida e comecei a escrever para meu pai. Uma carta simples e que dava uma pequena noção do que estava acontecendo e de como seriam os próximos meses, mandava beijos e abraços para minha mãe, agradecia pelo vestido preto e também dizia que estava bem e cuidada. Como eles reagiriam quando eu voltasse? Como explicaria que me casei novamente em menos de três meses? Acho que papai ocultaria esse fato e viveríamos felizes de novo, juntos.
Terminei a carta percebendo uma nova presença no correio. Era uma mulher e eu revirei os olhos pensando: mais uma. Quantas mulheres Edward Cullen poderia conquistar e aparentemente deixar de lado? Levantei e fui até o rapaz sendo observada pela mulher.
– São dois centavos.
Agradeci por Alice ter me dado algumas moedas e coloquei junto com o envelope que continha minha carta.
– A mais nova Cullen, já a conhece Ben?
O rapaz a olhou e depois voltou para os carimbos que fazia no envelope.
– Não senhora.
– Essa é Isabella Cullen, o comentário de hoje da cidade.
Eu estava cansada disso.
– É só isso? – perguntei e ele me sorriu.
– Sim senhora, não espere respostas em menos de dois meses. As coisas aqui são diferentes...
– Oh claro... estamos no oeste não?
Ele sorriu e eu me virei vendo a mulher com um vestido vermelho chamativo e um chapéu chamativo que combinava com sua figura.
– Prazer minha querida, Victória.
– Isabella Cullen.
Eu já ia me retirar quando a ouvi dizer para o Ben que estava contando os dias para receber em seu quarto a visita de Edward Cullen. Meu corpo inteiro quis parar, mas eu me forcei a continuar andando como se não tivesse ouvido. Não era o fato de ouvir aquilo, mas o fato de que com certeza ele a procuraria e eu seria ridicularizada por todos. Enquanto eu andava pelas ruas eu pensava no motivo de um homem como ele aceitar um casamento. Não foi por gentileza, não foi por amor e muito menos por obrigação. Ele não era um homem que ligava para o que as pessoas pensavam ou se importava com qualquer outra coisa além de sua fazenda. Por que ele casou comigo? Eu vi a carroça sendo abastecida por alguns homens e então Alice e Jasper se aproximarem dela rindo com Edward segurando um pacote nas mãos. Nada fazia sentido, ele não se casaria porque era o mais certo ou algo assim, ele quis e por que ele quis?
Tânia, Jéssica e Irina cercaram a carroça sorridentes e se despediam de todos. Eu apenas cumprimentei cansada do longo dia, cansada dos pensamentos e querendo mais do que nunca a solidão do meu quarto. A volta foi do mesmo jeito, Alice animada contando às fofocas que tinha ouvido e Jasper paciente ouvindo e comentando uma coisa ou outra, às vezes Edward soltava um comentário sarcástico e cheio de deboche, mas só quando isso envolvia algum nome como Tânia, Jéssica ou Irina.
Jasper estava ajudando Edward a colocar as coisas dentro da casa e Alice me entregou os panos e outros produtos que tínhamos comprado. Eu não tinha muita animação, mas sorri cansada e quando eles saíram não me contive.
– Por que casou comigo?
Ele parou e me olhou. Naquela hora parecíamos que íamos ter um duelo.
– O que ouviu?
– O que eu teria para ouvir?
– Nada.
Mentiroso. O que estava acontecendo nessa maldita cidade?
– Victória disse que não vai demorar muito para você procurar o quarto dela, Tânia parece pensar que você tem motivos para sair correndo e casar com a primeira desconhecida e eu simplesmente não gosto do resto que desconfio.
Ele sorriu debochado.
– Por que casou comigo Isabella?
– Porque não tive escolha! Estou perdida nessa terra! – gritei e ele riu.
– Bom seus motivos então são nobres não é?
Uma onda percorreu meu corpo.
– Sabe que não vai poder casar mais não sabe? E eu vou embora daqui assim que esse maldito inverno for embora!
– Estou contando os dias!
Eu queria chorar. Nunca me senti tão desprezada na vida.
– O que fiz para me tratar assim? Não mereço isso! Não te fiz nenhum mal...
– Não minha querida, é mais inocente e iludida do que um animal que acabou de nascer, eles pelos menos tem instintos e você nem ao menos tem isso.
– Por que casou comigo?
– Porque não quero me casar. Porque quando for embora ninguém mais oferecerá suas filhas a mim como gado em dia de venda. Porque eu serei o marido largado pela mulher e conseguirei um pouco de carinho extra por isso. – Deus ele era desprezível. – Não quero mulher além..
– Páre! – gritei tapando os ouvidos e ele me encarou.
– Não gosta de verdades, não consegue lidar com mais nada do que sua frágil criação lhe deu não é mesmo?
– Você é bruto! Insensível e espero que mesmo que um dia uma mulher te destrua por dentro Edward Cullen, te deixe sem chão e te faça sofrer como nunca.
– Isso é uma praga esposa? Não frequentou suas aulas na Igreja como deveria?
– Isso é uma praga e espero que ela te alcance enquanto estiver aqui para te ver de joelhos implorando amor.
Fale com o autor