A culpa é das lições

3 O clássico, você não fez - como resolver essa situação?


Notas iniciais
E assim terminará o primeiro caso, calma que ainda teremos mais 6. Deixe seu comentário com qualquer coisa, eu gosto de responder :3. Já estou pensando eu mais uma história estilo escola. O que vocês acham?

Como resolver essa situação?

1- Copie de alguém.

Não é uma solução muito confiável. O melhor (claro!) seria você ter feito, mas não fez (que feio!).

Procure sempre copiar de uma pessoa mais inteligente, a probabilidade de estar certo é muito maior. Mas eles normalmente não gostam de emprestar suas lições para fins copiativos, um grande desperdício não quererem compartilhar sua esperteza com o mundo!

Então como você provavelmente não vai poder contar com o nerd, copie apenas de uma pessoa mais inteligente que você. Aliás, o bom seria alguém mais no seu nível e talvez um pouquinho melhor que você pra não mostrar muito aparente que você copiou.

Sempre modifique um pouco as respostas, tem uma só resposta certa, mas vários jeitos de contá-la. E o seu logicamente não é igual ao do seu amigo.

Copie as menores respostas e deixe as maiores sem fazer. Diga que não conseguiu acha-las, mas pelo menos irá ter feito uma parte ( a mais rápida ).

História on:

Eu não estava tão apavorada assim, a aula de história era depois do recreio. Dava tempo de copiar de alguém. De preferência inteligente para não ter que ficar apagando as respostas idiotas que meus amigos põe.

Alfredo era o mais esperto da sala, e o mais egoísta também. Nunca emprestava seu caderno pra nada, nem que fosse pra copiar as respostas ou apenas as perguntas se alguém tivesse faltado. Também não ajudava se perguntássemos como era pra fazer tal exercício, falava que deveríamos ter prestado atenção na explicação do professor. Não é que a gente não prestou, simplesmente não entendemos. Nosso cérebro não é de raciocínio rápido como o deles, isso eles tem que entender.

Poderia deixar Alfredo fora da minha lista. Eu tinha que ser mais realista, ele não era no meu patamar de inteligência. Qualquer professor desconfiaria das minhas respostas brilhantes que não coincidem com as da prova.

Patrícia era mais no meu nível, aquele que não chega a ser gênio, mas burro ainda ta longe. Sem falar que era bem mais solidária com a preguiça ou falta de memória alheia de fazer a lição. Tinha certeza que poderia contar com ela para me ajudar.

– Ooooi Patrícia! — cheguei super alegre puxando uma cadeira para me sentar, dane-se de quem era. — Quanto tempo que não nos falamos!

– Lição de história? — desconfiou, ela me conhecia muito bem. Apesar de nem nos falarmos frequentemente.

– Que lição? — fiz-me de desentendida — Por que? Você fez? — encarei.

– Fiz mas...

– Obrigada, obrigada! — abracei-a antes que ela pudesse terminar a frase.

– Mas ta com o Maurício.

– Eu espero ele terminar.

– Depois já é a Ana.

– Mas você acha que eles vão demorar muito?

– Não sei, mas depois ainda tem o Jorge, o Caio, a Paula e a Nanda.

– Então deixa pra lá, obrigada mesmo assim.

Parece que eu ia ter que apelar para os meus amigos mesmo. Dentre eles, Fernanda era a melhorzinha, mas ela só escrevia textos ao invés de respostas. Mas era o que tinha e eu não podia reclamar de ninguém, eles pelo menos fizeram a lição!

– Não fez a lição de novo, Luana! — brigou comigo Fernanda.

Odeio isso. Lancei pra ela meu olhar de tédio, eu tinha certeza que a culpa não era minha. As pessoas costumam de dizer que eu devo ser santa para sempre falar isso, mas é a pura verdade.

Fernanda captou que eu não queria bronca, eu sabia muito bem que não tinha feito, por isso estava pedindo o caderno dela pra copiar. Entregou-o para mim com uma cara de que não estava gostando disso, ela era aquela que insistia para que todos virassem os certinhos no grupo, e copiar não era o certo.

Quando viro, vejo a professora de história na porta esperando todos se sentarem. What?! A aula dela era a quarta não a primeira!

– Professora, a sua aula não é agora. — falou um menino aquilo que eu estava pensando.

– Mas eu troquei com professor de matemática porque tenho que recolher os trabalhos de vocês. E tenho certeza que alguns iriam copiar até a minha aula.

Ela não estava olhando para mim, mas senti a indireta. Droga!

História off

2- faça na hora do recreio.

Caso você tenha a sorte de a aula que tem a lição ser depois do recreio, não perca tempo e vá logo fazer. Pode também copiar, mas faça você mesmo que é melhor.

Peça ajuda a um amigo para ir escrevendo pra você enquanto está pesquisando no computador. Um que tenha letra legível e escreva rápido, uma lesma ninguém aguenta e o recreio também não espera.

Não lanche. Além de a maioria não poder entrar no lugar com comida, isso iria atrasar. Vai ficar com fome sim! Quem mandou não fazer isso antes?

Nunca enriqueça de detalhes. Eles demoram e são desnecessários. Os pontos que você ganharia, não irão substituir aqueles que ganharia com um tópico não feito.

História on :

A aula de história era depois do recreio, iria na biblioteca quando o sinal tocasse e pesquisaria no computador. Só esperava que fosse um tema fácil e rápido.

– Como se comportavam as tribos indígenas do Zimbábue no início dos tempos?! Eu nem sei onde fica o Zimbábue! — exclamei ao pegar a folha da pesquisa de Gabriela.

– Acho que fica na África, mas isso não importa! Não temos tempo a perder, demorei muito para terminar isso.

– Demorou tipo quanto? — perguntei sendo arrastada para a biblioteca.

– O fim de semana inteiro mais ou menos.

– O que?! Eu não vou terminar isso nem em trinta recreios!

– Mas você sabe que eu sou mais lerda, e coloquei muitos detalhes.

Estava perdendo as esperanças de conseguir fazer aquilo, mas tinha que tentar. Era uma nota que eu estava precisando.

Ao chegar na biblioteca, vemos uma idiota placa de fui lanchar. Não sabia que ela fechava no recreio, nunca passei o intervalo lá. A multimídia era trancada com chave e só era aberta quando algum professor quisesse fazer uma aula nos computadores. Não disponibilizavam para os alunos sozinhos, era para isso que tinha na biblioteca.

– E agora? — virei-me para olhar a cara de Gabriela.

– Tá fechada. — respondeu já com os olhos no celular.

– Eu sei disso. Ei! Seu celular tem internet?

– Tem. Mas eu to usando.

– Me empresta aí. — tomei-o de sua mão. — Eu vou pesquisando enquanto você escreve o que eu ditar.

– Ei! Eu nem vi a mensagem que me mandaram! Não posso usar na classe, agora no recreio também!

– Calma que será por uma boa causa. Nossa! Você tem que mudar urgentemente esse plano de internet! Uma lesma seria mais rápida!

– Se não ta satisfeita pode devolver, eu não me importo.

– Afe! O sinal ta sumindo! Temos que ir pro jardim que é aberto.

– Mas lá não tem lugar para eu apoiar a folha e escrever.

– Sempre só pensando em você né Gabriela!

– Quer saber? Estou mesmo só pensando em mim. — falou pegando o celular de minha mão e indo embora. — Se vira!

Por que eu me envolvia com esse tipo de gente? O pior era que o meu celular estava descarregado e aprisionado na mesa do professor e eu só poderia pega-lo de volta no final do dia.

Faltava apenas quinze minutos par acabar o recreio. Será que eu encontrava a bibliotecária por aí?

História off

3-Finja que está doente e peça para ir embora.

Esse é um método super eficaz, principalmente porque é como se o trabalho fosse para o dia seguinte. Você vai para casa, faz e entrega ele como se nada tivesse acontecido ( porque realmente nada aconteceu, você fingiu tudo ).

Quando descobrir sobre a tal lição que você não fez, haja depressa. Não deixe para "ficar doente" muito próximo da aula do trabalho.O processo para você ir para casa é demorado, eles te darão um remédio e pedirão para você esperar a próxima a aula e voltar se não tiver melhorado. Só aí eles ligarão para os seus pais e isso demorará mais uma aula pra você sair.

Não converse durante o tempo em que estiver tentando ir embora. Se antes de pedir para ir a enfermaria você ficar tagarelando sem parar será difícil acreditarem que está realmente se sentindo mal. Não faça nada quando te derem o remédio, fique com cara de zumbi até ir.

Não pense em doenças elaboradas demais, uma simples enxaqueca já é o suficiente. Ficar tossindo sem parar e dizer que está com tuberculose é terrível, você nunca pode se mostrar o médico. Diga sempre os seus sintomas, não o diagnóstico.

E o mais importante, use apenas esse método para trabalhos muito importantes. Ficar doente toda hora apenas por uma liçãozinha fará com que comecem a desconfiar.

História on:

Sabia que não conseguiria fazer esse trabalho tão rápido, isso merecia uma tarde inteira de pesquisas. Teria que usar minha técnica especial pela primeira vez.

– Vou fingir que estou doente. — tomei a decisão diante dos meus amigos.

– Isso é meio arriscado, se der errado não terá feito nem mesmo uma linha da lição. — comentou Felipe.

– Mas nunca vai dar tempo de eu fazer essa lição tão rápido! — protestei.

– Vai dizer que tem o que? — perguntou Fernanda.

– Uma enxaqueca.

– Só isso? É uma coisa tão simples, pode ser curada com um remédio. — subestimou Gabriela.

– Só?! Como assim só?! Eu ainda estou usando enxaqueca. — fiz pose de metida ao falar essa última palavra — É muito mais chique do que uma dor de cabeça.

– E quando vai embora? — quis saber Paulo.

– O quanto antes! E lembrando, não falem comigo que eu não vou responder. Serei um zumbi até não estar mais aqui.

Dizendo isso, sentei na cadeira e abaixei a cabeça com uma expressão bem doente. Achei melhor levantar antes que eu dormisse, pois estava morrendo de sono. E nem quero lembrar da última vez que dormi na aula.

O professor de matemática entrou e logo me viu morrendo na minha carteira. Não deu muita importância e começou a explicar a matéria. Mas eu ia fazê-lo prestar atenção.

– Que houve, Luana? — perguntou assim que levantei a mão.

– Posso ir na enfermaria?

Ele respondeu coisas como " essa matéria é nova e importante ", mas quem liga! O trabalho de história ainda era mais importante no momento.

– Eu realmente não estou me sentindo muito bem. — minha voz saiu como se fosse minhas últimas palavras antes de morrer.

Com uma cara não muito boa, ele acabou por me deixar sair. Apesar de às vezes eles quererem, não podem deixar um aluno morrer na sala. E tudo aconteceu como eu previa. Recebi um remédio e pediram para eu voltar lá se não tivesse melhorado. E claro que eu não melhoraria.

A inspetora bateu na porta e me chamou, finalmente meus pais haviam chegado. Arrumei minhas coisas e lancei um olhar vitorioso para os meus amigos. Aposto que estavam morrendo de inveja de mim agora.

Enquanto andava pelo corredor em direção a saída, vejo a professora de história. Não queria que ela me visse, poderia cobrar meu trabalho agora. Passei bem depressa por ela, mas não foi o suficiente.

– Luana!

Me virei já sabendo o que ela iria falar.

– Aonde você está indo?

– Pra casa, não estou me sentindo muito bem. — não poderia dar outra resposta, estava com a mochila nas costas, beber água é o que não iria fazer!

– Poderia me entregar o trabalho agora já que não irei vê-la em minha aula?

Não! Eu realmente não poderia! Droga! Todo esse esforço tinha sido em vão. E o que eu iria responder?

– Bem é que eu...

– Já entendi. Zero. — falou secamente escrevendo um zero enorme em meu nome.

O que me restava fazer era ir pra casa e passar o dia todo no computador. Como sempre fiz, porque se não fizesse provavelmente minha lição estaria feita.