A cova dos Hipogrifos
8 Encontro o bicho mas ele foje de novo - Dean
Notas iniciais
Argos nos deixou no Bronx.
– Como você pode saber que é aqui? – perguntei olhando a minha volta. O lugar era bonito até.
– Eu simplesmente sei – disse Stevie atrás de mim – intuição.
–Aham, sei – revirei os olhos – então, Srta. Intuitiva, aonde vamos?
–Humm. . . – Stevie foi interrompida.
–. . . Parque Van Nest — disse Thomas batendo no queixo. Eu até havia esquecido que ele estava ali.
– Parque Van Nest? Por quê?
–Argos falou que lá tem uma grande concentração de grifos e pombos.– ele falou farejando o ar – e sim, aqui tem mesmo cheiro de monstros.
–Argos falou?
–bem – Stevie corrigiu – na verdade ele escreveu em um papel, mas vamos dizer que falou.
Ela começou andar em direção ao parque segundo uma placa e eu e o sátiro fomos atrás. Passamos por uma rua com vários apartamentos em tijolos vermelhos, cercados, arvores e quadras de basquete onde alguns garotos jogavam muito bem, cesta após cesta. Também havia algumas casas coloridas de dois andares.
– Tem certeza que é por aqui que chegamos ao Van Nest? –perguntei á Stevie assim que passamos por uma escola onde umas criancinhas do primário brincavam em um parquinho no pátio cimentado. Um vulto negro e rápido passou voando acima de nos na mesma direção que estávamos indo.
–Sim – ela falou sem diminuir o passo – tenho certeza.
Andamos mais um pouco e chegamos ao parque. O lugar era uma extensão quadrada e grande cercado pelo menos 1 metro depois da rua. Varias árvores dos dois lados da cerca e por dentro dela alguns bancos estavam bem posicionados nos cantos com umas barras no centro do parque.
–Olha lá – Stevie agarrou meu pulso e com a outra mão apontou para um canto do parque. Um grifo prateado (sabia que era um grifo porque esses não tinham bumbum de cavalo e no lugar das garras de águia tinham patas de leão) com olhos vermelhos e aproximadamente do tamanho de um Buggy, seguia um rato de esgoto pela praça passando por pessoas e bichos de estimação. Ninguém notava o animal do tamanho de um carro.
– Esse grifo parece bem jovem, porque está sozinho? – perguntei e a garota me deu um tapa no braço
–Acho que ela não está falando do grifo – Thomas apontou para o ratinho e eu tentei prestar mais atenção. O bicho transmitia uma luz amarela estranha e ele tinha. . . Presas.
– Oque é aquilo? – eu estava realmente abismado.
– Como você quer que eu saiba – Stevie colocou as mãos na cintura — você é o nerd por aqui.
–EI!
–Aquilo não faz parte de nada do que eu já vi – Thomas balançou a cabeça negativamente – e eu já vi muito.
O rato saiu do parque e correu para um beco com o grifo em seu encalço. Stevie e Thomas foram atrás.
–Ah cara! – tive de correr para alcança-los. Quando cheguei encontrei uma Stevie e um Thomas pasmos, mas nada de rato mutante e grifo.
– Cadê as coisas? – perguntei ofegante.
–Voaram – disse Stevie balançando a cabeça e dando de ombros.
–Voaram? – perguntei – você não quis dizer comeu o rato e voou?
– Não – Thomas andou em direção ao fundo do beco – eles dois voaram.
–A coisa amarela voou?
–Sim – Stevie deu um soluço assustado – ele criou asas e voou.
–Isso parece com uma letra de musica – cocei o queixo.
–Cale a boca.
– Stevie – Thomas se virou pra nós – quantos grifos havia na praça?
–Só aquele – ela respondeu –vocês acham que. . . ?
–. . . Aquele “rato” levou todos os animais embora? – completei – sim, eu acho.
Thomas começou farejar o ar então torceu o nariz.
–Aqui não tem coisa boa.
–É – recuei do beco – temos de achar um lugar pra ficar.
Andamos praticamente o dia inteiro, todos os hotéis e motéis estavam ocupados ou em reforma. Depois de algumas horas de caminhada encontramos um hotel que parecia ser bom e arrumamos uma estadia pelo resto da noite, e não foi caro, tinha até café da manhã. Fiquei no mesmo quarto que Thomas, Stevie ficou num em frente ao nosso.
–Ela é durona – disse Thomas saindo do banho apenas com uma camiseta com um ornitorrinco, suas pernas de bode foram escovadas.
–Hum? – fiz cara de idiota – Ah, a Stevie. É ela é legal.
O sátiro deve ter percebido que falar de ime deixava constrangido então ele mudou de assunto.
–Pra onde você acha que aquele grifo foi “levado”? – ele se sentou na cama ao lado da minha.
–Não sei – respondi – Stevie não disse nenhum trecho da profecia que recebeu, ela só disse que a profecia não levava á lugar nenhum.
Thomas puxou os cobertores e se deitou de costas para mim.
–Bem, boa noite garoto.
–Boa noite – respondi, mas pretendia ficar acordado por mais um tempo. O sátiro apagou a luz do abajur dele eu do meu, depois fui pro banheiro e tranquei a porta. Tomei um banho e me troquei, quando sai do banheiro não podia enxergar nada então tateei á procura da porta e fui parar no corredor. Desci a escada e a luz do saguão de entrada estava acesa.
–Á que horas vocês apagam as luzes? – perguntei pra moça do balcão.
– Quando todos voltarem para o hotel – ela não tirava os olhos de uma revista Capricho – o que normalmente é ás quatro da manhã.
Eram 22h23min então eu tinha bastante tempo até o hotel fechar. Fui pra fora e comecei andar pela calçada sem propósito nenhum, até ver um vulto grande passar e rápido passar a alguns metros na minha frente. Fui devagar até onde a sombra tinha ido e fiquei frente a frente com um Hipogrifo dourado com traseira cinza e olhos brilhantes verde-folha que agora estavam apavorados.
–Sonic? – falei assustado. O animal também assustou e levantou voo – droga!
Corri de volta ao hotel e no caminho esbarrei em alguma coisa.
–Ai! – disse uma voz feminina que eu conhecia.
–Stevie? – ajudei a garota a se levantar. Eu conseguia enxergar um pouco de seu rosto por causa de uma luz que vinha de um poste atrás de nós. Ela não estava de pijama, e sim com uma calça jeans, All stars pretos e camisa polo azul.
–Dean? – ela já estava de pé, mas ainda segurava minha mão – cara, o que você está fazendo aqui a essa hora?
– O que VOCÊ está fazendo aqui? E respondendo sua pergunta, eu vim dar uma volta porque estava sem sono e encontrei uma coisa muito importante.
–O que? – ela não respondeu a minha pergunta e percebeu que estávamos de mãos dadas. Nós dois coramos e nos separamos. -Acho que encontrei o Sonic.
–CUMÉ QUE É? – Stevie olhou por cima do meu ombro (ela teve que ficar na ponta do pé) depois puxou a gola da minha camisa – cadê o bicho?
–Bateu asas e voou – nossos rostos estavam perigosamente perto, pelo menos até ela me empurrar.
–Você o espantou? – seu pescoço ficou vermelho.
–N-não foi minha culpa – estava ficando com medo que ela me cortasse em pedaços com uma de suas adagas – eu não disse nada, não fiz nada e ele fugiu assustado. Stevie caiu sentada e escondeu o rosto com as mãos.
–Meus deuses – me sentei ao lado dela – Stevie, vai ficar tudo bem, a gente vai encontrar o Sonic e voltar para o acampamento, provavelmente com algum membro faltando, mas vamos voltar.
Ela riu e levantou a cabeça, seu rosto estava brilhando por causa das lagrimas.
–Você é péssimo pra dar conselhos.
–Obrigado, eu sei – respondi dando de ombros e Stevie me deu um beijo de amigo (¬¬) na bochecha (¬¬).
–Vamos voltar pro hotel porque está meio estranho ficar sentado na calçada – ela se levantou e me puxou junto, mas eu nem ligava estava atônito e murmurava coisas como: não acredito nisso, não acredito nisso.
Mas mesmo assim voltamos para o hotel e conversamos sobre coisas idiotas como, quem iria vencer os jogos: Giants ou os Yankees.
Entramos cada um em seu quarto e assim que entrei no meu pulei na minha cama e dormi rápido.
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