A cova dos Hipogrifos
10 . . . Mas são apenas elas mesmo - Stevie
Notas iniciais
Nunca tente levar um grifo numa coleira.
Depois de sairmos do matagal, Emily queria correr atrás de tudo que se movia, então tivemos de parar no pet shop mais próximo, compramos uma coleira do maior tamanho que tinha e arrumei em Emily, dissemos que ela era uma Dogue Alemão adotada. Andamos pela cidade por um tempo, até que tivemos de parar em um posto de gasolina para comprar alguma coisa pra comer, então é claro, esperei do lado de fora porque estava com um “cachorro” grande. Uma vida depois Dean e Thomas voltaram com quatro sacolas de plástico e três cocas mais uma garrafa de 1,5L de água.
–O que vocês trouxeram pra mim? – falei esticando a mão livre pra pegar minha sacola que tinha um S a caneta preta.
–Quibe – Dean me entregou a sacola e pegou o salgado no seu pacotinho, uma empada de frango – quer o refrigerante agora?
–Não – peguei a sacola E dei o bolinho de carne dentro dele pra Emily. -Para onde agora?
– Thomas comia um enrolado de espinafre. -Não sei – disse depois de engolir um pedaço do Quibe.
–Uau – Dean revirou os olhos.
–Ah, senhor esperteza, o que vamos fazer então? – estávamos quase socando um a cara do outro quando Emily deu uma bicada carinhosa na minha mão. Olhei pra bebê e ela indicava com a cabeça para a garrafa d’agua – Ah– coloquei um pouco de agua numa vasilha de plástico que Dean pegara na lanchonete e dei para Emily. Ela bebeu a agua como um passarinho qualquer.
–Vamos. . . – disse Thomas gesticulando com a mão -. . . Vamos pedir informações de. . . – Emily grasnou tipo, muito alto. Um hipogrifo, do tamanho de uma caminhonete se aproximou com um daqueles olhares assassinos. O animal era totalmente negro com um bico amarelo escuro, e tinha olhos azuis céu muito brilhantes. Ele era realmente lindo, mas parecia ser selvagem demais. O Hipogrifo empinou nos cascos e correu em nossa direção, o animal era bem rápido. Que bom que estávamos a metros e metros de distancia.
–O que a gente faz agora? – Dean estava visivelmente tremendo.
–Prepara o chip – eu soltei a coleira de Emily e saquei minha adagas – eu, Emily e Thomas vamos distrair ele. As adagas que eu havia trazido eram de bronze celestial e tinham 30 cm cada. Eu as usava pouco já que preferia a tática do “enche o saco e corre”. Quando o hipogrifo chegou mais perto, uma menininha segurando a mão da mãe gritou.
–EI! – comecei balançar as adagas acima da cabeça. Aquilo chamou a atenção do bicho que se virou e correu em minha direção. Thomas percebeu que aquilo era o momento certo, tirou uma flauta do bolso e tocou uma musica do The Beatles. Heras quebraram o chão cimentado e envolveram o hipogrifo se debatendo que passou a berrar talvez chamando reforços, mas a única coisa que conseguiu foi uma Emily louca correndo em volta dele. Depois de um tempo Emily, Thomas e eu já estávamos cansados, mas o hipogrifo não. Quando finalmente Dean terminou de arrumar o microchip, Emily caiu de cansaço e Thomas parou de tocar. Dean conseguiu chegar ao animal antes que ele se libertasse, mas quando ele colocou o chip em seu pescoço recebeu uma patada no braço que o jogou longe, fazendo-o bater de costas numa arvore.
–NÃO! – joguei uma das adagas no hipogrifo que acertou sua pata, eu realmente não queria fazer isso, mas a pata dele começou a sangrar e assustado ele voou enquanto guinchava o que eu pensava seriam palavrões. Corri até onde Dean havia caído e estanquei peguei uma atadura e um pote de néctar em minha mochila. O braço do garoto estava ensopado de sangue e o corte era bem feio. Depois de passar néctar no ferimento com Dean mordendo a língua para não berrar, eu estanquei o sangue com a atadura e limpei o braço com um pouco de agua. Sentei ao lado dele.
–Hipogrifo inútil – ele disse esfregando a parte da cabeça que havia batido.
–Consegue mexer o braço? – falei ofegante e ele assentiu com a cabeça mexendo o braço pra mostrar.
–Vai ficar bem – Dean encostou a cabeça devagar na arvore e olhou para o céu com aquela cara fofa que ele sempre fazia quando pensava distraído (*-*). Percebi que o examinava fixamente e desviei o olhar.
–Vocês estão bem? – Thomas chegou perto com Emily atrás dele, ela estava andando curvada e dificilmente. O sátiro notou o braço de Dean – Dean, o que aconteceu?
–Aquele maldito me acertou – ele respondeu ainda olhando pra cima. Havia um tom de raiva em sua voz.
–Dean – eu coloquei a mão em seu ombro com cuidado – o que aconteceu? Isso vai se curar rápido.
– É que. . . – ele hesitou e então olhou pra dentro dos meus olhos, o que deve ter me corado um pouco, e chegou a uma conclusão dentro de sua cabeça quando desviou o olhar -. . . Nada – ele tentou se levantar, mas gemeu quando se apoiou no braço ferido e caiu sentado de novo. Thomas pegou seu braço bom e o puxou o máximo que podia devido ao seu tamanho. Ajudei ele e Emily esfregou o bico na perna do garoto.
–Caramba – Dean tinha pegado o rastreador do microchip e o examinado – o lugar que aquela “coisa”esta indo é tipo, longe demais!
–Então – eu disse pegando o rastreador e dando uma olhada rápida – a gente tem mesmo muito o que andar.
–Não – disse Dean encostando-se à arvore – temos que identificar outros animais para sabermos se todos vão pro mesmo lugar.
–Dean tem razão – Thomas recolocava a coleira em Emily – vamos primeiro, encontrar outros.
–Não – falei um pouco alto demais – aquele Hipogrifo era estranho, ele devia ter algum tipo de relação com o “sequestrador”, ele. . . – parei de falar porque Dean colocou a mão do braço bom em meu ombro.
– Stevie, era só mais um Hipogrifo, vamos rastrear outros e vai ficar tudo bem – mas não estava tudo bem, aquele animal tinha mesmo uma coisa estranha, ele era muito diferente de todos os que eu já havia visto.
–Ok – disse me afastando um pouco e pegando a coleira de Emily– Vamos continuar.
–Tem outro matagal não muito longe daqui – Thomas disse com um sorriso – quem está afim de adentra-lo?
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