A cova dos Hipogrifos

11 Um amigo se vai - Dean


Notas iniciais
não ficou incriiiiiiiiiiiivel, principalmente depois dessa demora toda, e tambem duvido que alguem vá chorar no final.

Stevie só podia estar ficando louca.

Em primeiro lugar: quem leva um grifo numa coleira? Em segundo: ela acha que o hipogrifo que havia nos atacado tinha algum tipo de conspiração do mal contra nós. Sinceramente, ele era apenas um animal insignificante que poderia ter causado sérios danos ao meu braço que depois de alguns minutos ficou bem melhor. Andamos pelo que pareceu uma vida quando finalmente alcançamos uma trilha de bicicleta em meio às árvores. Adentramos e Emily quase foi atropelada por uma bike.

–Olha por onde anda com esse cachorro! protestou o ciclista.

–Olha você por onde anda! respondeu Stevie — Parece até que tem paralisia no pescoço e não sabe olhar pra baixo!

Thomas mordeu a língua.

–Segure a guia de Emily atrás de você eu disse assim ela não vai ser atropelada.

Stevie fez o que eu disse e seguimos pela borda da trilha, onde os pedestres podiam andar. Não demorou muito até minhas juntas doerem por causa da caminhada. Fiquei pensando porque Sonic havia sido capturado e pelo que, já que Stevie não queria me contar nada. Na caminhada, pensei no golpe que o hipogrifo de antes havia me dado. Eu ficara realmente constrangido por não ter conseguido salvar Stevie e Thomas, e ainda levei uma patada. Voltei à realidade e percebi que a trilha não era tão ruim. Era bem arborizada com alguns canteiros de flores e alguns estacionamentos para bicicleta.

– Stevie eu disse.

– Sim? ela respondeu.

– Poderia me contar a profecia? eu falei em tom pidão.

– Desculpa Dean, mas eu não posso ela disse Humm... Eu te conto depois.

– Esse depois significa: quando a missão acabar eu te conto, tá? Beijinho no ombro.

Stevie revirou os olhos e apertou o passo passando a minha frente.

–Você não vai conseguir nada assim disse Thomas ao meu lado e eu assustei.

–O que? perguntei ofegante.

– Eu posso ler seus pensamentos disse ele desdenhando você gosta da Stevie.

–O que?! exclamei com voz de ratinho. Thomas riu e me passou. Eu parei atônito. Era claro que eu gostava de Stevie, ela era tipo, minha melhor amiga no mundo todo, e sinceramente, eu tambem gostava dela pelo fato de ela ser bonita, engraçada, legal... (Dean: momento constrangedor aqui dá um Replay). Caminhamos por meia hora até Stevie desmoronar num banco e exclamar:

–Eu não consigo dar mais um passo.

–Eu tambem sentei ao lado dela será que tem alguma lanchonete por aqui?

–Vou ver disse Thomas com um sorriso maligno.

–Não! Deixa que eu... Esquece resmunguei e afundei no banco.

–O que foi? perguntou Stevie.

–Hã... Nada de repente percebi o quanto ela ficava bonita com a camisa do Acampamento.

Algum tempo constrangedor depois, Thomas voltou trazendo hambúrgueres. Comemos (claro que o de Thomas era vegetariano) e descansamos mais um pouco debaixo daquele carvalho que se esticava por cima do banco. Olhei a minha volta, mas o único vestígio de aves ali era alguns pombos sendo alimentados por dois gêmeos de aproximadamente 6 anos e uma senhora que devia ser a avó deles. Observei um dos garotos correr atrás de um dos pombos tentando agarra-lo. O pombo voou e o menininho começou a chorar.

–Coitado disse Stevie. Era raro ela sentir pena de algo.

–Você? eu disse com dó do garotinho?

– É ela disse dando de ombros por quê? Isso soa estranho pra você?

–Talvez um pouco vi uma movimentação numas moitas perto dali. Emily se agitou vocês viram...?

–Sim Thomas se levantou e farejou o ar monstros.

A pronúncia dessa palavra, uma Hidra, talvez um filhote porque era pequena, saltou da moita pulando no peito de Thomas. Tinha um corpo reptiliano e esguio, com sete cabeças de cobra compridas cor de musgo. Uma de suas cabeças arreganhou os dentes em sua cara.

–Hidra! eu gritei o que foi bem estupido.

–Nossa! Acho que a esse ponto já seria obvio né? Cuspiu Stevie. Ela se levantou e sacou as adagas. todas as pessoas começaram a se dispensar em pânico.

–Não! exclamei lembra-se do mito?

–Ah é Stevie guardou as adagas. As cabeças da Hidra sibilavam para nós como se dissessem: Cordeiro e semideus para o jantar!

–A distraia eu sussurrei pra Stevie.

–Você está louco? queixou-se Stevie se ela não perder uma cabeça, eu vou perder a minha!

–Confie em mim eu disse eu tenho um plano.

Acho que Stevie fez o seu trabalho porque ela deve ter pensado: Ah, ele é filho de Atena, o plano deve prestar. Mas bem, sinceramente, meu plano não prestava muito. Stevie foi para a beira das arvores e começou a atrair a atenção das cabeças gritando e batendo as adagas. A Hidra se virou pra ela e arreganhou os dentes, mas sem tirar a pata do peito de Thomas, que agora parecia estar inconciente. Aquilo me deu a chance de correr para detrás da Hidra, que nem percebeu minha presença. Vasculhei minha mochila e o encontrei. Um frasco de fogo grego novo em folha. Pelo canto do olho observei uma cabeça tentar abocanhar Stevie, mas a garota se esquivou bem a tempo. Estava quase destampando o frasco quando a cauda da Hidra bateu em meu rosto e cai no chão. O frasco de fogo grego rolou de minha mão e senti sangue descer pelo meu rosto. O gosto metálico dele invadiu minha boca. A Hidra se voltou para mim e sibilou em protesto.

–Olha pra mim seu verme! gritou Stevie, mas a Hidra não lhe deu atenção, estava interessada em mim.

–Stevie! gritei sem forças. Uma pata me empurrou contra o chão pegue o frasco! senti o bafo da besta em meu rosto que estava começando a queimar com ele. Era quente e cheirava a eucalipto, tive de segurar o ar para não inalar aquele bafo ácido. As garras da Hidra cravavam-se devagar em meu abdome, me forçando cada vez mais contra o chão, me dando dores de cabeça extremamente fortes. Minha visão começou ficar embaçada com pontos amarelos quando ouvi as cabeças gritarem. Forcei a vista e vi Emily cravando as unhas nas costas do monstro que guinchava em protesto. Ela me soltou e suas sete cabeças reptilianas se lançaram sobre suas costas, tentando abocanhar Emily. Percebi que o monstro tambem havia libertado Thomas e engatinhei até ele. Sacudi seus ombros. Ele não se mexia.

–Dean! gritou Stevie e me jogou o frasco de fogo grego, que quase deixei cair por causa da tontura que sentia.

–Emily! gritei saia dai!

A grifa entendeu e pulou das costas da Hidra, que girou para acompanhar Emily. Antes que o monstro percebesse, a cabeça do meio arreganhou a boca e joguei o fogo grego goela abaixo. A besta fechou a boca e engoliu. Todas as cabeças arregalaram os olhos e inclinaram os pescoços. A cabeça do meio, a que engoliu o frasco, emitiu um gemido que devia significar OH OH! E seu corpo todo explodiu. Ergui uma casca de arvore quebrada pra proteger a mim, Emily e Thomas. Thomas. Joguei a lasca e sacudi os ombros do sátiro novamente, mas ele não se mexia. Tentei checar seu pulso. Fraco. Senti lágrimas irromperem quando Stevie se ajoelhou ao lado de nós.

–Thomas! ela chamou, já chorando abertamente. Do peito do sátiro, escorria sangue de cinco furos redondos. De repente ele tossiu.

–Stevie sua voz estava fraca, quase inaudível.

–Ah meus deuses exclamou Stevie ainda dá tempo, só precisa de ambrosia e... ela hesitou quando Thomas pegou sua mão.

–Não dá tempo ele disse eu estou morrendo, você sabe disso.

–Não. agora Stevie falava mais como um sussurro.

Thomas voltou seus olhos pesando para mim.

–Prometa que vai cuidar delas, está bem? ele disse.

Eu acenei e soltei um soluço. Thomas sorriu uma ultima vez e virou uma pequena mudinha de Olmo. Soquei o chão em frustação e Stevie se sentou apoiando a cabeça em meu ombro, pondo-se a chorar entre soluços. Peguei a muda nas mãos e levantei, ajudando Stevie. Fomos até o meio das árvores, com Emily atrás de nós, e plantamos o Olmo. Senti um pesar nas costas por não ter salvado Thomas, me sentindo inútil novamente. Toquei meu próprio rosto, e quando tirei a mão estava vermelha de sangue.

–Precisamos cuidar disso disse Stevie com a voz embargada. Olhei para ela e percebi que seu braço tambem estava machucado, mas um corte não tão fundo. Lancei um ultimo olhar para o olmo e voltei para a trilha com Emily e Stevie em meu encalço. Ajoelhei-me diante da mochila e peguei um pacote de Ambrosia e engoli um pedaço. Dei outro a Stevie que hesitou em pega-lo.

–Devíamos ter tentado salva-lo disse ela depois de um longo tempo.

–Você sabe que não daria tempo soltei. Levantei-me ressentido por aquilo, pendurei a mochila nas costas e comecei a voltar pela trilha, chutando o pouco de areia de monstro que havia sobrado no chão.

– Eu sei! disse Stevie vindo atrás de mim Eu sei Dean! Mas devíamos pelo menos ter tentado!

Mordi o lábio e continuei a andar, sem olhar para a garota. Ela me puxou pelo braço.

–Dean ela disse por favor, me escuta.

–Estou escutando falei só não estou dizendo nada.

–Pelo menos olha para mim enquanto eu estou falando!

–Por quê? eu não estava com vontade de discutir agora, principalmente porque havia perdido um amigo e estava deprimido, mas Stevie parecia mais. Ela olhou para o chão, com olhos vermelhos e começando a inchar.

–Porque só sobrou a gente nessa ela disse por fim você devia no mínimo reconciliar isso.

Então ela passou na minha frente, com Emily a seguindo de perto. E com isso não nos falamos pelo resto do dia.