Ela queria mudar alguma coisa mas nem ela mesmo sabia o que, olhou pela janela do trem e observou a noite escura e um pouco mais distante as luzes prateadas que se formavam em cima da colina, ali sua tia morava "Como sera que ela é?" ela pensou jogou os cabelos para trás e se encolheu no canto abraçando seu próprio corpo, as lampadas do trem eram de um amarelo escuro e assombroso seus olhos se fechavam e ela dizia a si mesma "Não durma, não durma!" mas seu corpo estava mole e cansado, um senhor já de idade avançada veio andando e sentou ao seu lado distribuindo um sorriso, a barba branca e rala presa ao queixo e um chapéu caindo da cabeça careca, usava um casaco de seda da era vitoriana, usava chelsea boots marrons e estavam sujas de lama. Apesar da barba e careca não parecia velho, os olhos eram negros e a boca estava em linha reta.
—Para onde vai pequena garota?-ele perguntou olhando para fora da janela e analisando a vista.
—Estou indo encontrar a minha tia!-ela respondeu e se encolheu mais no banco de couro macio e encostou os pés na mesa de madeira a sua frente.
—Eu estou indo ver a minha filha!-ele exclamou com animação e continuou -Onde sua tia mora?
Ela olhou lá para fora e observou a colina, agora se formavam nuvens de chuva no céu e raios disparavam lado a outro deixando ainda mais uma visão prateada. Talvez por isso se chamasse "A colina de prata" ao redor dela sempre havia um jogo de cores prateadas então ela colocou o dedo no vidro e respondeu:
—Ali!
Ele apertou os olhos, olhou pelo vidro e em seguida se assustou.
—A colina prateada?-ele gaguejou.
Ela confirmou com a cabeça e continuou a olhar pela janela dessa vez fazendo desenho com os dedos no vidro.
—Você é parente da rainha de prata?-ele perguntou gaguejando.
Ela ignorou sua pergunta, não conhecia a fama que a tia tinha por ali e também não a conhecia más ela era a sua única parente viva. Toda a família de Keyra tinha sido assassinada a pouco tempo, o seu pai era muito rico e deixou o seu dinheiro todo para ela porém a sua idade não permite que use o dinheiro então encontraram a Tia Lilian e a mandaram para morar com ela. O homem se levantou e saiu como se estivesse com medo, Keyra passou os dedos pelo colar da loba preso em seu pescoço o pai havia lhe dado de presente e disse que a loba sempre a protegeria ela se forçava a acreditar, a crer que a loba estava sempre olhando por ela.
O trem parou cautelosamente na estação e ecoou seu barulho irritante, ela se levantou do acento , um garoto alto de cabelos negros e olhos violeta segurava sua mala. Ela desceu do trem e observou a estação, não era muito velha mas também não era muito nova como a da sua antiga cidade, ela olhou para o garoto era extremamente alto e magro, seguia de um canto a outro com a cabeça baixa, ele parecia abandonado, ela andou de mansinho ate ele e disse:
—Oi!
Ele olhou para ela e arregalou os olhos, o tom violeta se tornou mais forte então ele abaixou a cabeça novamente e não respondeu. Ela fez uma careta e tentou novamente, mas o garoto não respondia a nenhum dos seus "Oi". Ele colocou as malas perto dos pés dela e saiu andando rapidamente em meio a multidão de pessoas, as luzes florescentes fazia seus olhos queimarem, mulheres bem arrumadas passavam de um lado a outro e ela com sua cara de criança se sentia deslocada, nunca fora vaidosa, a sua mãe dizia que a beleza exterior não valia de nada " De que adianta ser bela e formosa, se seu coração for podre e imundo!" essa era uma das suas frases de costume. Um homem alto e moreno veio andando calmamente em sua direção, muito serio, com passos silencioso ela teve medo e pensou em sair correndo.
—Senhorita Chimrey?-ele perguntou com voz grave.
Ela confirmou com a cabeça e uma mecha de seu cabelo caiu sobre o rosto lhe dando uma aparência desleixada.
—A sua tia espera por você!-ele exclamou, pegou sua mala e virou-se saindo andando.
Ela queria exitar mas o seguiu.
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