A caça-vampiros
4 Primeiro combate
Notas iniciais
Tínhamos que acertar a estaca no coração do boneco onde tinha um círculo vermelho. Só acertei na terceira vez. Ficamos fazendo isso repetidas vezes. Depois Zeke nos ensinou a socar.
— Eles são mais fortes que vocês, então usem habilidade e agilidade.- Disse Zeke observando nossos movimentos. — Uma dica que dou é que trabalhem seus reflexos. Tamém é bom usarem cotovelos e joelhos para socar porque essas partes do corpo são mais duras.
Depois de mais alguns treinos partimos para a mata. Arrumamos os chalés e acendemos uma fogueira porque estava escurecendo. Teríamos que dividir o chalé com quatro pessoas sendo que meninos ficariam com meninos e meninas com meninas. Eu, Mara, Joanna e Lawren ficamos no mesmo chalé. Zeke pediu para todos nós ajudarmos a carregar as caixas com armamentos, comida e outras coisas para dentro do saguão. Peguei uma caixa e carreguei para dentro. Os meninos apostavam para ver quem carregava mais caixas ao mesmo tempo. Peguei mais uma caixa, quando estava carregando ela para o saguão esbarrei em alguém e tudo caiu no chão. Olhei para ver quem era. Era Jonathan.
— Desculpa, eu não te vi. — Disse corada.
— Tudo bem. Vamos, eu te ajudo. — Disse ele.
— Não, obrigada. Eu posso carregar. Por que você me acha sempre tão... fraca? — Perguntei ofendida.
— Você não é fraca. Eu só queria ser educado. — Disse ele sério.
— Obrigada, mas não quero ajuda. Eu quero carregar também e posso fazer isso sozinha. — Disse pegando a caixa e saindo.
Não sei poque, mas aquilo me encomodou. Eu sei que ele só queria ajudar. É que de certa forma aceitar a ajuda dele me fazia sentir fraca. Não estava tão pesado eu aguentava e eu queria mostrar isso. Quero ser a melhor caça-vampiros e para isso preciso mostrar que sou forte, independente e que sou útil para a humanidade. Quero salvar pessoas. Não quero ser a menininha em apúros esperando o herói, eu quero ser a heroína.
Agora estou me sentindo mal, não precisava ter surtado daquele jeito. Ele só estva sendo educado. Pelo menos agora ele sabe quem eu sou, sabe que não sou do tipo de menina que precisa de ajuda.
Coloquei a caixa no chão do saguão. Já tínhamos pego todas.
— Desculpa, não queria te ofender. Você é uma das pessoas mais focadas nisso aqui e é muito forte. Eu... eu só queria ser legal e ajudar. — Disse Jonathan se aproximando.
— Tudo bem. Eu fui meio... grossa, desculpa. — Disse.
Ele sorriu, saiu com seus amigos e a mesma garota do almoço.
— Vamos jantar? — Chamou Mara.
— Claro! — Disse correndo até ela.
Fomos para o lado de fora onde estava a comida. Sentei-me com as mesmas pessoas do almoço. A janta foi uma sopa que não era muito diferente da vitamina que tomamos no almoço.
— Isso deve ser rico em proteína. — Disse Harry analisando a comida.
Comecei a tomar minha sopa enquanto conversávamos.
— Hum, Grace, você piraria se eu dissesse que o Jonathan está vindo sentar aqui? — Perguntou Mara.
Engasguei na mesma hora com a sopa.
— Isso responde a pergunta. — Disse Joanna.
— Oi! Hum, eu posso sentar com vocês? — Perguntou Jonathan.
— Claro! A Grace adoraria. — Disse Mara.
Depois do que ela disse senti meu rosto esquentar então abaixei a cabeça.
Jonathan se sentou ao meu lado. Mara, Harry e as meninas se apresentaram. Logo todos já estavam conversando. Menos eu que preferi ficar mais na minha.
— Então, você e a Mara são amigas há muito tempo? — Perguntou Jonathan.
— Sim, nos conhecemos desde os onze anos. — Respondi.
— E o Zeke? Vocês conhecem ele, não é? — Perguntou ele.
— Ele é irmão da nossa amiga. — Expliquei.
— Parece que a Grace gos.. — Dizia Harry que parou no meio da frase.
Desconfio que Mara tenha chutado a canela dele. Não acredito que ele ia falar esse absurdo! Por que a Mara tinha que ter dito que eu gosto do Zeke?
Jonathan olhou para mim como se soubesse o que Harry estava dizendo. Corei na mesma hora. Mas acho que foi melhor assim. Afinal parece que ele tem namorada.
Depois de comermos conversamos mais um pouco e depois fomos dormir. No quarto, eu e as meninas ficamos conversando até que todas cairam no sono menos eu. Consentrei-me no fogo da lareira que esquentava o ambiente frio. O chalé era bem aconchegante, era grande e tinha quatro camas para o número exato de pessoas que devem ficar nele. Gosto do chalé porque é bem rústico e me faz lembrar de casa. Sem mesmo perceber meus olhos que pesavam se fecharam e cai em um sono profundo.
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No dia seguinte, acordei com o barulho das meninas se arrumando.
— Zeke me disse que hoje vamos caçar vampiros na mata. — Contou Mara animada.
— Que? Ele só pode estar brincando com você, Mara. — Disse Joanna que parecia preocupada com a ideia de caçar pela primeira vez.
— Ele falou sério. Também achei estranho, mas é verdade. Ele disse que se queremos aprender a matar tem que ser na prática. — Explicou Mara.
— Mas nós não sabemos nada sobre eles! Acho que vamos morrer hoje. Zeke está louco ou o que? — Reclamou Joanna.
— Bom, como já fui uma sei como matar, sei praticamente tudo sobre eles. — Disse Lawren.
— Vamos ser divididos em quatro grupos. Torça para estarmos no mesmo. — Disse Mara confiante.
— O que você acha disso, Grace? — Perguntou Joanna.
— Hum, acho que Zeke está certo. Não tem jeito...é só na prática mesmo. — Disse tomando meu remédio repelente de vampiros.
O comprimido é grande por isso não gosto muito dele. Tem vezes que arranha um pouco a garganta. Lembro que quando era criança chorava e dizia que não ia conseguir engolir, mas era necessário então acabava tomando.
Joanna parecia com medo.
— Não quero ir! — Gritou Joanna deixando lágrimas cairem.
Tentei acalmá-la dizendo que o grupo dela ia ajudá-la. Aos poucos ela foi parando de chorar e sua respiração desacelerou. Todas já estavam prontas. Fui até o espelho que ficava na parede do chalé. É um espelho simples, parece que já está ali há anos, ele é um espelho de corpo todo. Observei meu reflexo. Estava usando a roupa que nos deram, calça comprida, blusa de manga comprida, tênis e boné. Todas as peças eram camufladas para conseguirmos nos misturar nas árvores e outras plantas exóticas que existem na mata. Meu cabelo ruivo estava sedoso e brilhante. Eu ia prendê-lo com uma trança, mas achei que ficaria menininha demais, então achei que um simples rabo de cavalo seria melhor. Não quero parecer fraca, nem um alvo fácil.
Quero parecer uma verdadeira caçadora que mata sem dó nem piedade. Por um instante a imagem de Zoe me veio a cabeça, mas logo a afastei. Nunca conseguiria matar um vampiro pensando nela. Peguei a arma que meu pai me deu — achei que seria bom já que vamos enfrentar vampiros de verdade — coloquei-a em minha cintura, presa na calça. Depois peguei uma bolsa tipo pochete cheia de estacas e flechas e prendi na cintura como as minhas amigas fizeram, por último peguei uma metralhadora carregada com estacas de madeira. Agora parecia com uma verdadeira caçadora. Saí do chalé e reuni-me com as outras pessoas no saguão.
Fiquei ao lado de Joanna para dar mais confiança para ela.
— Como alguns já sabem, hoje vamos para a parte perigosa da mata. — Anunciou Zeke.
— Mas lá não tem vampiros? — Perguntou uma menina morena de olhos claros.
— Exato! É lá que é o nosso lugar, no meio deles. Hoje vamos enfrentar vampiros de verdade. — Disse Zeke deixando a menina com medo. — Entrem no ônibus. Está na hora!
Entrei no ônibus com as meninas. Ia me sentar ao lado de Mara, mas ela se sentou com Harry. Procurei por Joanna, mas quando a achei vi ela sentada com Lawren que tentava acalmá-la. Então me sentei em um banco sozinha. Sentei-me ao lado da janela, fiquei observando a paisagem, consegui ver a montanha de mata para onde iríamos.
— Nossa! Vendo você assim toda equipada... você está parecendo uma caçadora de verdade. — Disse Zeke se sentando ao meu lado.
— Não pareço uma, eu sou uma. — Disse dando ênfase no "sou".
Ele sorriu com o que eu disse.
— Eu sei. É por isso que te coloquei no meu time. — Contou.
Depois de todos entrarem Zeke anunciou os times. No meu time estavam Zeke, Joanna e Mara. As outras pessoas que estavam no time eu ainda não conhecia. A menina que almoça com Jonathan e seus amigos estava no meu grupo. Ela estava sentada ao lado dele nos dois asentos do meu lado que ficam na outra extremidade do ônibus. Jonathan ria de algo que a garota falava. Ele usava uma bandana vermelha em sua cabeça. Estava bonito. Seus olhos encontraram os meus por um instante, virei meu rosto para a janela imediatamente. Eles devem ser namorados, com certeza. Ela é loira assim como Jonathan, tem olhos cor de mel e é alta. Poderia dizer que está entre uma das meninas mais bonitas do acampamento.
Quando estávamos próximos da parte perigosa da mata saímos do ônibus — para que ele ficasse em uma área segura — e continuamos até a parte perigosa andando. Não demorou muito para chegarmos. Dividimo-nos nos times que já estavam formados e fomos a procura de vampiros.
— Que emoção! — Cantarolou Mara.
— Silêncio!! Esqueceu que eles tem ouvidos poderosos? Não estou afim de ser encontrada. — Repreendeu Joanna.
Mara revirou os olhos. Mara e Zeke andavam na frente Joanna ia atrás deles, eu atrás de Joanna, Becky — suposta namorada de Jonathan — ia atrás de mim e atrás dela mais pessoas que ainda não havia decorado o nome.
Escutei um disparo. Acho que tem um vampiro bem na frente de Mara. Joanna se encolheu. Me estiquei para vê-lo. Ele estava caído no chão. Mara comemorava, então ela que deve ter atirado.
Quando estávamos passando cautelosamente pelo vampiro caído ele se levantou do chão e com uma velocidade absurda ele agarrou Joanna. No mesmo instante ela começou a chorar.
— Calma! Ele não vai te morder, por causa do seu cheiro. — Disse Zeke se referindo ao remédio que tomamos diariamente.
O vampiro riu e disse:
— Você acha mesmo que esse remédio funciona? Se funcionasse mesmo eu não estaria conseguindo segurar ela tão perto assim de mim.
— Isso é impossível! Esse remédio é infalível! — Disse Zeke.
— Nós tomamos esse remédio todo dia, assim nos acostumamos com a substância. O cheiro não me incomoda mais. Quer ver? — Disse ele ameaçando morder Joanna.
Zeke estava se posicionando para atirar, mas o vampiro caiu no chão. Joanna correu até Mara. Vi uma estaca de madeira enfiada nas costas do monstro, na direção do coração. Quando olhei para cima meus olhos encontraram os de Jonathan.
— É mais fácil atacar por trás. Não tem muito osso para te atrapalhar. — Disse ele sorrindo.
Fiquei sem reação, não sabia que ele era tão bom assim.
— Cuidado! — Disse Becky me puxando.
Quando olhei a minha volta percebi o que acontecia. Estávamos cercados por vários deles. Como nosso repelente contra vampiros não funcionava mais eles conseguiram nos achar e nos cercar.
— Corram!! — Gritou Zeke.
Corri atrás de Becky. Corria o máximo que conseguia, mas era difícil acompanhar o passo dela, ela era muito rápida. Corria para tentar alcançá-la, mas a perdi de vista. Parei de correr. Nenhum sinal de um vampiro. Respirei fundo aliviada e bebi um gole de água de um lago que estava perto de mim.
Vi um vulto preto. Vi outro vulto. Vi mais um. Eram três vultos.
— Qual é?! Um contra três? Olha a covardia, hein? — Reclamei.
Eles pararam na minha frente. Dois homens e uma mulher, eles devem se alimentar de humanos, são bem fortes e rápidos. Vampiros que fazem a dieta de animais são mais fracos e às vezes perdem um pouco de sua habilidade de persuasão. Segurei minha arma com força . Acertei os dois homens.
— Você não fez isso! — Gritou a mulher raivosa se aproximando de mim.
Não posso correr porque ela é mais rápida então seria estupidez, também não posso lutar com ela porque ela é quatro vezes mais forte que eu. Dei dois passos para trás com a arma mirada nela.
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