A caça-vampiros
3 Primeira lição
Notas iniciais
No dia seguinte, acordei cedo, tomei café e me arrumei. Tomei meu remédio diário que espanta vampiros. Meu pai me ajudou a fazer uma mochila, já que nos avisaram que depois de nos ensinarem técnicas básicas de sobrevivência contra vampiros vamos ficar em um acampamento na mata.
— Leve isso com você, pode precisar. — Disse meu pai me entregando uma arma carregada com estacas de madeira.
— Obrigada! Mas você não vai precisar? — Perguntei.
— Essa não é a minha. Essa é da sua mãe. Achei que além de te ajudar a se proteger iria gostar de ter algo dela junto. — Disse ele me abraçando.
— Eu adorei! Obrigada mesmo! Desculpa, mas está na hora de ir. Volto na semana que vem. — Disse me despedindo.
— Cuidado com os vampiros e sempre... — Dizia ele antes de eu o cortar.
— "Lembre-se de que na vida ou você caça ou é caçado". — Disse imitando a voz dele. — Já sei, já sei.
Abracei meu pai mais uma vez, guardei a arma na mochila e saí em direção à sede de treinamento dos caçadores.
Chegando lá, vi Mara parada na porta falando com alguém que parecia ser Zeke. Fiz sinal para Zeke não avisar que eu estava chegando e fingi dar uma mordida no pescoço de Mara para assustar ela. Só que ela me deu uma cotovelada na barriga e me jogou no chão.
— Ai!! — Berrei.
— Grace?? Que susto! Não faça mais isso! — Disse Mara assustada.
Levantei-me e abracei-a.
— Bem-vinda, Grace! — Disse Zeke.
— Ele que vai nos dar aula hoje e ele vai ser um dos instrutores que vão para o acampamento com a gente. — Contou Mara.
— Sério? — Perguntei olhando para Zeke que assentiu — Legal! O que vamos aprender agora?
— Vocês vão aprender a fazer estacas. — Respondeu ele.
Entramos em uma sala, lá havia várias outras pessoas e cada uma já segurava um pedaço de madeira. As carteiras eram para dois então deduzi que a aula deveria ser em dupla. Virei-me para chamar Mara só que quando olhei para trás vi que ela se sentou ao lado de um menino. Ele era alto, musculoso e moreno. Olhei para ela e fiz um sinal tipo: "E eu?", ela escreveu algo em um papel e jogou para mim. Abri o papelzinho. Nele dizia:
"Desculpa, mas ele é muito gato! Será que tem namorada? Preciso saber. Depois conversamos. Estou te devendo uma!"
Sorri para ela e me sentei em uma mesa vazia que não era muito atrás. Queria ficar bem na frente para prestar atenção. Diferente de Mara não estou afim de procurar um namorado, preciso estar muito focada se quero aprender mesmo a lutar contra vampiros. Então, prefiro não me sentar ao lado de um menino.
Peguei um pedaço de madeira e uma faca, sentei-me novamente na mesa e prestei atenção nas instruções de Zeke que estava ensinando a maneira correta para afiar a estaca.
— Posso me sentar aqui? — Perguntou um homem loiro e alto.
Queria dizer que não, mas seria grosseiro então disse:
— Hum, pode sim. — Disse voltando o olhar para a estaca que fazia.
Ele se sentou ao meu lado com um pedaço de madeira e uma faca.
— Qual é o seu nome? — Perguntou ele.
— Grace. E o seu? — Disse sorrindo.
— Meu nome é Jonathan. Você já era caçadora ou se mudou de outro grupo? — Perguntou ele parecendo querer puxar assunto.
— Eu era vampira. — Brinquei.
Os vampiros podem ser pacificadores ou caçadores, mas para isso eles tomam um antídoto que tiram sua sede por sangue e tomam a vacina que não deixa que transformem pessoas. Eles tomam vitaminas que agem como se fosse sangue de animal no organismo deles para eles não ficarem fracos ou desnutridos. Fazendo isso tudo eles perdem o poder de persuadir também.
— Sério? — Perguntou ele com os olhos arregalados.
— Não. É brincadeira! Sou de família caçadora. — Disse rindo.
Ele riu. O sorriso dele é lindo.. ele é bonito também. Distraí-me e cortei meu dedo sem querer.
— Aí! — Dei um gritinho.
— O que foi? — Perguntou ele sem entender.
— Eu me cortei. — Disse com o dedo na boca.
Ele me deu um band-aid.
— Obrigada! — Agradeci.
— Eu sempre tenho isso comigo. Nunca de sabe se um vampiro está por perto e vai sentir o cheiro do seu sangue. — Disse ele rindo.
Voltei a prestar atenção nas instruções de Zeke. Percebi que Jonathan já estava fazendo a estaca sem prestar atenção nas instruções de Zeke. Ele não deve querer ser um bom caçador como eu quero ser uma boa caçadora, melhor não dar mais atenção a ele. Ele já me distraiu demais.
Após as explicações de Zeke comecei a fazer a estaca. Observei a estaca das outras pessoas. Elas estavam mais parecidas com a de Zeke do que a minha. Tentei afinar mais, mas ficava torta.
— Desculpa, mas você não vai matar vampiro nenhum com isso. Tente afinar mais e quando fizer isso faça com força. — Disse Zeke.
Assenti e fiz o que disse.
— O que ele disse não vai te ajudar muito. Você não tem muita força para essa atividade então tem que usar habilidade. Tente usar a faca dessa forma. — Disse Jonathan segurando meu braço firmemente para me ensinar.
— Zeke é o melhor nisso. Acho que devia ouvir ele. — Disse.
— Eu ganhei troféu no campeonato de estacas ano passado. Acho que devia me ouvir. — Disse ele com o rosto próximo demais.
Virei meu rosto para a frente e abaixei a cabeça para ele não ver meu rosto. Senti meu rosto queimar, provavelmente estava vermelha.
— Bom, vou tentar fazer o que você disse então. — Disse fazendo, agora sem a ajuda de suas mãos.
Consegui terminar a estaca e ela estava perfeita. Realmente, o Jonathan estava certo.
— Parece que minha dica ajudou. — Disse Zeke sorrindo para mim.
Quando ia abrir a boca para falar que na verdade não foi a dica dele, Jonathan disse:
— Na verdade, fui eu que ajudei. Sua dica era boa, mas ela não tem tanta força assim.
Zeke franziu a testa por um instante, parece que ele não gostou muito do que ele disse, Zeke sorriu para mim e saiu.
— Obrigada pela ajuda com a estaca. Estava tão focada nela que esqueci de perguntar, você veio de qual grupo? — Perguntei.
— Eu.. bem, eu já era caçador. — Respondeu.
Sorri e sai da sala. Caminhei até o refeitório. Chegando lá, pus um prato de comida na bandeja e procurei Mara. Encontrei ela em uma mesa com o mesmo garoto que estava com ela na sala e mais duas meninas. Me sentei com eles.
— Oi! — Disse.
— Grace, esse é o Harry que era um pacificador, essa é a Joanna que também era pacificadora e essa aqui é a Lawren que era vampira. — Apresentou Mara.
— Prazer! Meu nome é Grace. Já era uma caçadora. — Me apresentei.
É incrível ver como os grupos nos definem. Sempre perguntamos de que grupo a pessoa pertence por costume, fomos criados assim. Será que sempre foi assim?
— Ela é minha amiga! — Disse Mara sorrindo.
Comecei a comer. Pensei que o suco de vitaminas seria ruim já que tinha uma cor estranha, mas na verdade era gostosa. Sua textura, porém, era ruim. Era como se tivesse farinha misturada no líquido.
— Aquele ali era o gatinho que estava com você na aula, não era? — Perguntou Mara.
Olhei para onde ela indicou. Jonathan estava sentado junto a outros meninos e uma menina. Ela ria de alguma coisa que ele dizia e abraçou ele. Será que era sua namorada?
— É ele mesmo. — Disse como quem não estivesse interessada.
— Por que você não vai lá falar com ele? Aí, meu deus! Ele está olhando para cá, deve estar totalmente afim de você. — Joanna disse.
— Você acha? — Perguntei.
— Eu tenho certeza! — Disse Lawren.
Não devia confiar em uma vampira, mas ela deve ser legal já que deixou de ser uma vampira. Acho que ela não era de nascença, talvez alguém transformou ela.
— Senta com ele. Ele é super lindo! — Disse Joanna.
— Não estou afim de distrações. — Disse firme.
— Não vai ser uma distração. Ele pode te ajudar! Eu e Mara vimos quando ele te ajudou com a estaca. — Disse Harry.
— Não é isso de "distração". Acho que você ainda gosta do Zeke. — Disse Mara.
— Mara!! — Gritei com raiva.
— Só disse a verdade! — Disse Mara rindo.
— Não é verdade! — Disse batendo na mesa.
— Você quis dizer Zeke, o nosso instrutor? — Perguntou Lawren.
— Ele mesmo. — Responde Mara.
— Chega! — Peguei minha bandeja e sai da mesa.
Coloquei a bandeja em uma mesa junto com as outras bandejas sujas, já que eu tinha terminado o almoço.
Me sentei em um banco perto de um jardim.
— Desculpa.. digo, por ontem. Fui grosso com você. — Disse uma voz atrás de mim.
Virei-me e vi Zeke. Ele se sentou ao meu lado.
— Eu fiquei nervoso e descontei em você. Só de pensar que a essa hora ela deve estar se transformando em uma vampira meu coração aperta. — Disse ele.
— Eu te desculpo. Só acho que não podemos deixar sua irmã de lado só por causa da escolha dela, afinal se ela se revoltar pode acabar matando pessoas para acabar com a depressão. — Disse.
— Você tem razão. Vou falar com ela quando voltarmos do acampamento. — Disse ele sorrindo.
Retribuí o sorriso.
Também não gostei de sua escolha. Os vampiros são monstros, animais ferozes, máquinas de matar. Drenam nosso sangue. Não sei o que é pior ter conhecido a vida nesse mundo antes da chegada deles e agora ter que enfrentar essa praga que está destruindo nosso mundo. Ou não ter conhecido o mundo antes deles — como no meu caso — e só conhecer esse com predadores. Acho que nunca conseguirei imaginar o mundo sem essas divisões, sem o conflito para decidir o que devemos fazer para ser como antes. Não vi como era a vida das pessoas antes da chegada dos vampiros, mas sei que nunca será como antes, talvez apenas obteremos a paz.
Ontem fiquei com raiva de Zoe porque não consigo entender a escolha dela. Por que ser um deles? Ela sabe que tipo de assassinos eles são. Foi tudo culpa desse namorado vampiro dela! Ele deve ter posto essas ideias na cabeça dela. Zoe é como minha irmã eu apenas aceitei sua escolha, mas não concordo com ela.
— Vá se arrumar. Agora será aula de luta. — Disse ele.
Saí para me arrumar. Prendi meu cabelo ruivo e longo em um rabo de cavalo, peguei três estacas como todos fizeram e posicionei-me em frente a um saco de pancada em formato de boneco.
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