A casa dos monstros
17 Capítulo 17 - A dor de Ben.
Notas iniciais
Passou alguns dias, desdo conflito com Rake. Em uma segunda eu estava na casa dos monstros. O dia todo eu dava de cara com Rake ou Ben. Sério isso? É algum trocadilho? Por que as pessoas que mais me odeiam se deparam comigo sempre?
Estava cansada de ver a cara deles, então fui direto para meu quarto, mas no caminho vi Jeff, no corredor.
– Jeff...?
– Oi?
– Está indo para seu quarto?
– Sim.
– Ótimo, vou para lá também.
– Como assim?
– Vou para seu quarto.
– Eu nem te convidei.
– Estou me alto convidando, querido. — Sorri de leve, claro que quando eu usava a palavra "querido" ou "querida" era com amor, nunca usei-a para ironizar.
– Mas... — Ele me olhou de baixo a cima. — Tudo bem...
Segui atrás dele, até seu quarto, entramos, na maior cara-de-pau eu me atirei na cama dele. Ele não pareceu se importar, então subiu em cima de mim e deitou a cabeça nos meus seios — eu vestia uma blusa preta de alças e uma calça jeans rasgada — fiquei um pouco surpresa, ele nunca tinha tomado uma atitude dessas, normalmente ele era sempre tão quieto.
– Que está fazendo?
– Deitado.
– Isso eu sei, mas você está deitado nos meus...
– Eles são fofos.
– Folgado.
– Fala a garota que se atirou na minha cama.
– Haha, okay, não posso falar nada.
– Devo lembra-la que também se auto convidou para vir aqui.
– Sua cama é mais confortável.
– Só por isso que quis vir aqui?
– ...Não... Eu estava com saudades de passar um tempo com você. — Falei calmamente.
O rosto dele esquentou, eu senti mesmo por cima da blusa. Então depois de um tempo ele disse:
– Eu sou importante para você?
– É.
– O quão importante?
– Ainda não posso lhe dizer.
Ele continuou deitado sobre mim, não o achei pesado, quer dizer eu estava muito confortável, e ele pelo visto também.
Mais tarde eu e ele saímos da casa e andamos pela floresta. Eu já tinha notado a presença de Rake e Ben. Eu sabia que Ben estava aprontando.
– Ora, ora, o casalzinho apaixonado está dando uma volta pela floresta? — Ouvi uma voz petulante, não muito grossa, uma voz de menino. Era Ben.
Me virei, ele me provocou, como eu ansiava por aquele momento, agora poderia me vingar de Rake e dar uma lição em Ben.
– Diferente de você, Ben, eu tenho alguém que gosta de mim. Eu não fui abandonada enquanto me afoga...
– Cale a boca! — Ele berrou, me interrompendo.
– O que foi, Ben? Isso te faz se senti mal? Essas lembranças o afligem?
– ...Cale...
– Não é minha culpa se seus pais te odiavam. Sim, Ben, eles te odiavam, tanto que não se importaram com sua morte.
– Isso não é verdade! — Ele parecia perturbado.
– Não é? Nem um funeral você teve. Ora, Ben, eu posso não ter estado lá, mas eu sei o que aconteceu. Tenho tudo nos registros.
Jeff me olhou com um largo sorriso, ele parecia adorar o jeito com que eu manipulava a mente de Ben. Rake ficou quieto, ele apenas olhava Ben, até que finalmente disse algo:
– Você é fraco. — Falou no idioma comum.
– Calado! — Ben gritou.
– Ben, você é apenas um sádico, ridículo, mal amado, sozinho. — Eu voltei a falar.
– Não sou. Mamãe e papai me amavam!
– Quer se juntar a eles...?
– Como assim?
– No inferno, haha, ou você acha que pecadores como eles foram para o paraíso? — Eu dei um sorriso macabro.
– O que eles fizeram para ir para o inferno?
– Eles nem pensaram em te ajudar. Eles pensaram apenas em suas vidas miseráveis.
– Mas...
– Aceite isso, vai doer menos. Humanos são podres, adoram pecar, muitas vezes escolhem o lado ruim, porque estão ocupados demais pensando neles mesmos. Poucos humanos conseguem ser bons o bastante para ir para o paraíso. Nenhum humano que só pensa em si deve ir para o paraíso, todos devem sofrer pela eternidade no inferno. E essa é a verdade, Ben.
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