A casa das sombras
2 Capítulo 02 - Ouija
Notas iniciais
Na semana seguinte, a família de Roger se mudou para a casa nova, a casa se localizava em lugar bem afastado das grandes cidades, onde havia uma floresta ao seu redor e a doce sensação de tranqüilidade. A casa tinha dois andares, no entanto a arquitetura do primeiro andar era diferente da do segundo o que causava uma certa estranheza ao se entrar lá, mas os quartos eram bem mais afastados e graças à arquitetura transmitiam um acolhimento bem generoso por causa do espaço.
Nos primeiros dias, a família estranhou a casa pelos ruídos de madeira velha que estalavam vindos do sótão, mas isso foi passageiro. Os meses se passaram rapidamente com o tempo, Jennifer fez novos amigos no colégio novo, Willy participava dos chás de vizinhas que eram realizados aos sábados para que seus bebês pudessem se conhecer. No entanto, o trabalho de Roger o forçava a ter que sair da cidade por um bom tempo.
Tudo ia muito bem na casa, até que Jennifer decidiu fazer o seu aniversário e chamar os seus novos amigos do colégio para confraternizarem na sua casa. A festa durou o dia inteiro, no final na festa, quando dera umas 21:00 horas Jennifer estava com suas amigas na sala de visitas.
— Vocês estão afim de jogar Ouija? – perguntou uma das amigas de Jennifer.
As outras meninas estavam empolgadas e curiosas para jogar esse jogo, menos Jennifer, que estava receosa quanto à natureza do jogo.
— Não sei... Eu nunca li nada de bom que tenha sido escrito sobre esse jogo na Internet.
— Bem você que sabe, a senhora que é a dona da noite – disse a amiga que sugeriu a idéia.
Jennifer viu todas as suas amigas perderem os ânimos aos poucos.
— Bem... Não acho que essa casa seja assombrada, então... só uma partida – disse Jennifer animada e em seguida todas elas se animaram também.
A amiga de Jennifer que tinha o tabuleiro na mochila o colocou na mesa. As garotas colocaram suas mãos na lente e começaram a perguntar.
— Tem alguém querendo se comunicar com a gente? – disse uma delas.
A lente se moveu para as letras “S”,”I” e “M”.
As meninas se entreolharam uma achando graça da outra, elas achavam que alguma delas estava movendo a lente e suspeitavam mais da que tinha sugerido o jogo.
— Quem faz a pergunta agora? – perguntou a que já tinha perguntado.
— Eu faço – disse a que estava do lado de Jennifer – Você é homem ou mulher?
A lente nem se moveu.
— E agora? – disse a que tinha perguntado – não era para dar uma resposta?
— Acho que ele ou ela não quer responder – disse a que ainda não tinha perguntado.
— Bem... Então deixa eu fazer a pergunta agora – disse Jennifer – Qual é o seu nome?
A lente moveu-se para as letras: “E” e “D”.
As meninas se entreolharam estranhando umas às outras.
— Ed... – disse uma delas – Ed é um apelido para quem tem o nome Edward, não é?
— Sim, então é um homem que está falando com a gente. – disse a que tinha sugerido o jogo.
— E o que mais vocês querem perguntar – perguntou Jennifer.
— Eu pergunto – disse uma delas – O que você quer Ed?
A lente começou a mover-se para as letras: “C”, “A”, “S” e “A”.
— Casa... – disse a que tinha perguntado começando a ficar com a voz fraca.
Em seguida sem nem se quer fazerem uma pergunta, a lente começou a mover-se para as letras: “F”, “O”, “R” e “A”.
As meninas olharam umas as outras com medo e em seguida a mesa começou a tremer sozinha e elas saíram correndo da sala e indo para fora da casa onde os pais de Jennifer estavam conversando com os vizinhos.
— Pai! – gritou Jennifer chorando e indo para os braços de seus pais.
— O que foi filha!? – disse Roger preocupado – Por que vocês estão com medo meninas?
— Tem alguém que não nos quer ali dentro, pai! – disse Jennifer chorando.
— Quem minha filha?
— Um homem chamado Ed! – disse uma das amigas de Jennifer.
— Um homem? Mas como assim? – disse um dos pais das meninas.
— Nós estávamos jogando o jogo Ouija! E ele falou com a gente e começou a tremer a mesa onde tava o tabuleiro! – disse uma delas.
— Ele também disse que quer a gente fora da casa! – disse Jennifer chorando.
— Calma, minha filha, calma. – disse Roger acalmando sua filha.
— Esses fantasmas de casas antigas, garotas – disse um dos pais das meninas – são que nem valentões de colégio, só querem chamar a atenção, se vocês ignorarem ele, ele vai embora. Com certeza.
— Concordo com você Julius – disse Roger – viu filha, se você enfrentar os seus medos eles vão embora, basta você ter fé.
A noite passou tranqüila na casa, Roger e Willy estavam céticos em relação ao ocorrido.
— Amor o que você acha sobre isso que ocorreu com a Jennifer? – perguntou Willy cobrindo-se com o seu lençol.
— Bem querida, sobre esses assuntos sempre ouvi muitas historias, mas nunca me convencerem o suficiente a ponto de me fazer acreditar nisso.
— Então você acha que foi fruto da cabeça das meninas?
— A minha parte intelectual diz que sim.
— E a outra metade?
— Acredita na história de Jennifer – disse Roger vestindo o seu pijama e indo se deitar – E você, querida?
— Acho que estou pensando da mesma forma que você.
— É mesmo? Então sabe o que eu estou pensando agora?
Os dois riram por um momento e se beijaram.
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