A casa das sombras

3 O rapaz da floresta


Notas iniciais
Bons sonhos.

Dois dias depois do ocorrido, Willy estava encerando o chão do primeiro andar do lado da escada, o piso estava escorregadio demais, tanto que Willy quase cai no chão duas vezes, mesmo estando com seus chinelos. Porém Roger vinha descendo a escada desabotoando sua camisa de manga comprida, para entregá-la a Willy para ela abotoar um dos botões que tinham saído, mas ele ao descer a escada e dobrar para a direita e ir na direção de Willy, ele escorregou e como reação seu corpo foi para a frente e caiu contra parede de madeira que era entalhada e ficava debaixo da escada.

A parede de madeira se quebrou totalmente com o peso do homem caindo em cima dela, muita poeira se jorrou ao ar fazendo com que Willy começasse a espirrar. O fato da madeira se quebrar assustou tanto Willy quanto a Roger que começava a se questionar sobre o seu peso.

— Amor? – perguntou Willy olhando para o buraco na parede – Amor você está bem?

— Sim... – disse Roger levantando-se e saindo dos escombros – Nossa... ou eu engordei demais ou essa casa não passa por uma reforma há séculos! – disse Roger tirando os restos de poeira de sua roupa que era branca e passou para bege.

— Que estranho... – disse Willy olhando para Roger ofegante.

— Querida onde foi que você guardou a lanterna mesmo? – disse Roger colocando a cabeça para dentro da nova porta que ele havia aberto.

— Vou pegar... – disse Willy indo buscar a lanterna correndo e tomando cuidado para não escorregar no piso encerado.

— Querida.... A mulher que nos mostrou a casa falou alguma coisa da casa ter um porão?

— Não amor! – disse lá longe procurando a lanterna.

Ao ouvir o som da madeira se estilhaçando com o peso do seu pai em cima dela, Jennifer desceu as escadas correndo e quase escorregando no piso encerado.

— Pai o que houve? – disse ela.

— Eu sem querer abri uma nova porta...

— Mas... – disse Jennifer olhando dentro buraco, seu pai estava agachado e olhando para uma escadaria escura demais que ia para o porão da casa – a onde será que ela vai parar?

— Estou esperando sua mãe me trazer a lanterna pra descobrir, mas não venha pra cá não Jennifer, tem muita poeira e se lembre você é alérgica a isso.

— Aqui está a lanterna amor! – disse Willy entregando-a na mão de Roger.

Roger levantou-se e desceu as escadas iluminadas pela lanterna e lá de baixo ele ia falando.

— Me sinto o Indiana Jones aqui em baixo... – disse ele rindo.

A mãe e a Jennifer começaram a rir.

— Amor você é um palhaço...

— Nossa... – disse ele lá do fundo.

— O que foi pai? – perguntou Jennifer preocupada.

— Tem muitas telas aqui em baixo... Acho que o antigo morador deveria ser um pintor ou algo do tipo...

— O que mais você vê amor!? – perguntou a Willy.

— Hehee .... Amor! Acho que achei a lavanderia da casa! Aqui tem um tanque, uma pia e um chuveiro... – disse Roger lá no fundo do porão.

— Um chuveiro?... – disse Willy – que coisa estranha.

— E Deus disse: “Que se tenha luz!”! – gritou Roger lá do fundo – Achei as janelas daqui... só que estão fechadas por tijolos, por isso não sabíamos desse porão....

Roger subiu novamente para o andar de cima.

— Acho que com alguma reforma conseguiremos transformar esse porão em um lugar útil – disse Roger limpando suas mãos.

— Por quê tem um chuveiro no porão pai? – perguntou Jennifer.

— Isso é .... uma excelente pergunta, minha filha – disse ele.

— E o que tinha nos quadros amor? – perguntou a Willy.

— Pinturas estranhas... Um rapaz no meio da mata com uma espingarda, dois meninos com sacos na cabeça, uma menina com a sua mãe, uma empregada, um casal e um homem com um chicote... Agora eram só estas pinturas que se repetiam e repetiam, nada de diferente.

— Que coisa esquisita... – disse Jennifer.

— Pois é, vamos manter fechada essa nova porta com o papelão que ainda temos da mudança. Vou ligar pro seu tio Robert e vamos ver o que ele me tem a dizer sobre essa casa. – disse Roger.

— O que o tio Robert faz? – perguntou Jennifer.

— Ele é Arquiteto.

Três dias depois do ocorrido, Robert trouxe sua família para passar um tempo na casa de Roger.

— Como é bom ver você caçulinha! – disse Roger.

— Pareço bem mais velho que você agora Roginho hahahha! – disse ele abraçando Roger.

Robert tinha duas filhas da mesma idade que Jennifer e um garoto de 14 anos. Enquanto que os filhos de Robert e Roger caminhavam pelo terreno da família, Willy e a mulher de Robert conversavam sobre o bebê Jimmy, enquanto que Roger e Robert andavam pelo porão antigo da casa.

— Pensei em chamar você para me dizer o que acha dessa casa – disse Roger passando a lanterna por aquele lugar e mostrando o que ele tinha visto.

— Bem... A casa é antiga... bem antiga... – disse Robert olhando ao seu redor – Uooooou..... Bem mais antiga do que eu pensava... – disse Robert olhando para o chuveiro e para o tanque.

— Ah! – disse Roger – eu pensei que aqui embaixo fosse alguma espécie de lavanderia, nunca vi um chuveiro e um tanque num porão.

— Bem... só em casas antigas que se tem essas coisas...

— Você sabe do que se trata? É mesmo uma lavanderia?

— Bem... pelas pinturas acho que isso já serviu até de estúdio de pintura, mas a função desse porão era outra totalmente contraria à arte.

— E qual era?

— Matadouro... – disse Robert seriamente – Era aqui que o cozinheiro da casa matava os animais e cortava a carne, o chuveiro era para se limpar do sangue...

Roger começou a imaginar o cenário daquele porão servindo como matadouro de animais.

Enquanto isso, Jennifer, Anne, Lisa e George, andavam pela mata do terreno da família, eles estavam desbravando a natureza selvagem enquanto riam e contavam piadas.

Porém, um barulho lhes chamou a atenção, sons de passos pesados nas folhas secas da floresta pareciam estar próximos demais dos jovens. Então eles viram acima da colina um jovem rapaz indo embora com uma espécie de espingarda na mão, as meninas começaram a chamar por ele e ele nem lhes prestava a atenção, simplesmente seguia o seu caminho.

— Ei Você! Isso é uma propriedade particular! O que faz aqui!? – gritava Jennifer tentando alcançá-lo e com as garotas do seu lado junto com o menino – Espere! Espere!

Os jovens seguiram o Rapaz até, ele e o som de seus passos desaparecerem por entre as arvores.

Os adolescentes voltaram correndo para a casa, assustados e desesperados para dar a noticia.

— Mãe! Nós vimos um cara na floresta!

— Um cara na floresta? – perguntou a mãe das meninas e do menino.

— Sim ele andava com uma arma na mão! – disse uma das garotas.

— O que houve meninas? – disse Roger e Robert saindo do porão e indo ao encontro com as garotas.

— Nós vimos um cara pai, ele andava pela floresta carregando uma arma na mão! – disse Jennifer.

— Um rapaz... com uma arma na mão... como era o rosto dele? Vocês conseguiram ver? – perguntou Roger sério.

— Não... – disse Jennifer – ele estava caminhando e nós tentamos alcançar ele e não conseguimos...

— Ele vestia o que você sabe? – perguntou Roger insistente.

— Bem... – disse Jennifer olhando para as outras garotas – não lembro bem... alguma de vocês lembra?

— Ele parecia um fazendeiro – disse George.

— Será que é o que estou pensando que é? – disse Roger começando a olhar para Robert.

— Você viu esse cara que as crianças estão falando Roger? – perguntou o Robert.

— Sim! – disse Roger – Venha cá Robert! – disse ele indo para o porão com o seu irmão, quando os dois voltaram, trouxeram uma das telas de lá e mostraram para todos.

A imagem na tela era a de um jovem com uma espingarda na mão vestido de fazendo, era justamente o mesmo rapaz que eles viram na floresta só que agora de frente e menos sombrio.

— Ele se parece com o que vocês viram? – perguntou Roger.

Os adolescentes concordaram com a pergunta do pai, porém todos estavam surpreendidos com aquilo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.