A caçadora do amor
3 Nem sempre um bonitão pode confiar em velhinhas "inocentes"
Notas iniciais
2. Nem sempre um bonitão pode confiar em velhinhas que parecem inocentes.
Um solteiro bonitão. De todos os tipos de pessoas que Levy podia ter pego como última missão, era óbvio que ela tinha de pegar o pior, – realmente pior – tipo de cliente possível. Previsível. Desde quando as coisas se tornavam fáceis para a McGarden?
Bufando, encarou o homem que estava sentado relaxadamente no sofá a sua frente.
— Qual a sua altura?
— 1,87. – tentou ignorar a enorme discrepância entre suas alturas. Eram praticamente 30 centímetros!
— Quando é seu aniversário?
— 17 de julho.
— Seu peso?
— Olha, você tá querendo fazer meu mapa astral, é? – reclamou. — Não faço a mínima ideia, da última vez estava com 90, mas acho que andei emagrecendo esses tempos.
Suspirando, a azulada anotou as informações em silêncio no papel. Estavam assim a tarde toda, a qual ela havia passado escutando o Redfox reclamar incansavelmente. Era incrível como ele não sentia nem mesmo vontade de respirar em meio a elas.
Ela conteve a vontade de cravar a sua caneta na testa dele, lembrando-se amargamente de que aquele era realmente o pior tipo de cliente com que tinha de se lidar, porém ainda possuía salvação. Elfman Strauss, um de seus trabalhos mais recentes era prova disso.
Contratara seus serviços após uma aposta ridícula com os amigos e foi uma verdadeira luta convencê-lo a colaborar. Embora tudo tenha se desenrolado de maneira mágica, e após três semanas ela percebeu que mesmo que não houvesse sido contratada, ele estava praticamente predestinado a cair nos encantos de Evergreen. A mulher era um imã de confusão, mas sabia lidar direitinho com o jeito bronco daquele cara enorme.
Agora Levy se perguntava como arranjaria uma mulher estilo Ever para aquele homem à sua frente. Gajeel possuía uma disposição quinze vezes superior à de Elfman para reclamar e discutir, e era dono de uma língua ferina que não deixava nada escapar.
Aquilo seria difícil. Para dizer no mínimo.
— Acho melhor pararmos por aqui. – comentou dando uma olhada em seu relógio de pulso. — Avançamos bastante por um dia.
— Claro, você me interrogou praticamente a tarde toda. – lá ia ele de novo. Ela revirou os olhos. — Agora, senhorita, depois de você me monopolizar por praticamente um dia, vou tomar um banho.
— Pois vá com prazer. – fez uma reverência exagerada em direção a ele, sabendo que, caso se mostrasse influenciada pelo mau-humor do mesmo, logo se veria subjugada.
Observou enquanto ele saía da sala e só então se permitiu respirar bem fundo. Aquele último trabalho a estava deixando muito tensa.
Foi em direção a sua mala e guardou as anotações que havia feito, sabendo que logo precisaria delas. Escreveu algumas medidas que teria de tomar caso quisesse que Gajeel conquistasse alguém no espaço de oito semanas.
Não que fosse muito complicado. Levy era totalmente consciente de que o moreno poderia conseguir qualquer uma com um mínimo esforço e estalar de dedos, considerando todos os atributos do homem que havia conseguido enumerar.
Porém, todavia, entretanto – o problema é que ele parecia não estar muito disposto a usar esses encantos para ajudá-la em seu trabalho. E mostrava muito menos disposição para colocar alguém fixamente em sua vida.
A única vontade que podia saborear agora era a de matar Makarov estrangulando-o com uma toalha da mesma cor daquela mala horrorosa que ele a obrigara a usar. Velho maníaco e manipulador, é óbvio que a havia mandado para cuidar daquele caso porque estava prestes a sair e queria maltratá-la em sua última missão.
Irritada, ela amassou pacote de bolachas nutritivas que viriam a ser seu jantar dos próximos dois meses e então viu Gajeel voltar com os cabelos úmidos.
— Vou ver se tem alguma coisa pra jantar, vai querer algo? – não era anormal as pessoas fazerem aquilo. Entretanto a azulada fora instruída e treinada para situações como essas, determinada a não criar nenhum vínculo.
— Não precisa, eu já comi.
— Claro, percebi. – comentou olhando o pacote de bolachas em sua mão, não parecendo nem um pouco constrangido. — Vai dormir?
— Agora não.
— Vai fazer o que então?
— Ficar aqui, oras.
— Eu vou assistir.
— Se eu estiver te incomodando posso ir pra outro cômodo. – deu de ombros.
— Você tá com cara de cansada e que quer dormir. – observou. Ele não estava errado, ela havia viajado a noite toda para chegar ali logo pela manhã e estava mortalmente cansada. Porém preferia passar a noite em claro à dormir na frente daquele homem. — Em que lugar vai se arranjar?
Revirando os olhos, ela pegou um fúton minúsculo que estava apertado dentro da sua mala. Após abri-lo, o esticou no espaço pequeno que havia reservado na sala.
Realmente, aquele trabalho lhe proporcionava muitas coisas e benefícios, porém havia alguns sacrifícios que ela era obrigada a fazer. Tipo dormir num espaço pequeno até mesmo pra ela.
— Vou fingir que não acho isso ridículo. – estava na cara que o moreno segurava a risada. — E o banho, vai tomar?
— Depois.
— Hmm... Depois quando? – arqueou uma das sobrancelhas. — Quando eu estiver dormindo?
— Talvez. – foi evasiva, desviando o olhar.
— E se eu passar a noite toda acordado? – ela mal podia acreditar numa coisa daquela, mas pela expressão de Gajeel, ele estava realmente considerando a ideia.
— Por mim tudo bem. – deu de ombros, chorando internamente. — Finja que não estou aqui. Serei como uma sombra.
— Então... – o olhar a estudou por um longo momento, e então pareceu tomar uma decisão, pulando no sofá. — Sempre é bom ver mais uma temporada de GOT.
Sem acreditar, a azulada observou por duas horas, ele assistir a série com tranquilidade. Ela estava encolhida em um canto no chão da sala olhando para ele, tentando pelo menos prestar atenção no que passava na televisão e sentindo a bunda ficar quadrada quando ele deu pause e levantou.
Levy fingiu não ver quando o moreno voltou para a sala com um copo enorme de refrigerante e um sanduíche tão alto que só não podia ser um prédio porque era feito de comida. Também fingiu ignorar o protesto do estômago, ante a presença de comida de verdade sabendo que teria de aguentar aquela tortura para o bem daquele último trabalho.
Sabia que ele a estava provocando, só podia ser aquilo. Gajeel seria sádico o bastante para chegar a esse ponto, mas ela não daria o braço a torcer.
Depois de um tempo Levy estava chegando em um estado tão dividido entre a fome e o sono que só percebeu que tinha cochilado e tido um pequeno delírio com comida, quando viu o moreno a sua frente.
— Você não tem jeito mesmo. – puxa seu braço, ajudando a se firmar de pé.
— Não fale desse jeito!
— Como se eu estivesse errado. – revira os olhos. — Vá tomar um banho quente, coloque um pijama que depois nós comemos juntos. Pedi uma pizza.
— O que? Quando? – atordoada, se questiona como poderia ter perdido tanto a noção do tempo.
— Você cochilou por uns dez minutos numa posição meio estranha aí nesse canto. – comentou enquanto lhe empurrava em direção ao banheiro. — Vamos fazer um trato: você me arranja um amor, e enquanto isso também não morre de fome debaixo do meu teto.
— Ei, não venha com tratos estranhos pra cima de mim! – ralha enquanto pega uma toalha que ele havia oferecido. — Eu sempre cumpro minhas tarefas com louvor.
— Já me dei conta disso McGarden, mas se quiser continuar preenchendo essa saia com tanto louvor, você não pode viver a base de bolachas. – termina com um último empurrão e uma palmada.
— Ei! — a azulada se vira instintivamente.
— Esse é só o troco por uma futura confusão que você, com certeza, vai me botar. Vá tomar banho logo que a pizza já vai chegar.
— Eu não vou te colocar em nenhuma confusão, pelo menos não de propósito. E pare de olhar pra minha bunda! – termina batendo a porta com força ouvindo a risada dele do lado de fora.
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— Eu não acredito nisso. – por mais que ele tivesse comentado aquilo, Gajeel sabia que Lily segurava sua risada o máximo que podia, então considerou a atitude do amigo.
— Pois acredite. – suspirou pousando a xícara de café na bancada.
— Sinceramente, você e aqueles caras tem o dom em se meter em qualquer tipo de situação. – argumenta enquanto caminham lado a lado pela oficina e vistoriam o serviço dos subordinados.
— Isso não é grande novidade, mas nunca pensei que íamos chegar a esse ponto. – passou a resmungar enquanto preenchia uma folha com pedido de peças que teriam de encomendar.
— E como ela é? – para um cara de trinta e tantos anos, Phanterlily – ou Akio, tudo dependia da situação e do nível de intimidade que se tinha com o ex-lutador de boxe – estava bastante interessado.
— Nem me faça lembrar! – grunhe.
— Ok! – o outro ergue as mãos em sinal de rendição.
— Ói, Gajeel! – Max aparece limpando a graxa do rosto com um pano. — Tem gente te chamando lá fora.
— Ah merda, quem é agora?
— É uma mulher, desse tamanho aqui. – sinaliza num ponto pouco abaixo do seu queixo.
— Aaaaaah, merda fodida. – larga os papéis, mal conseguindo acreditar. — Se for quem eu tô pensando que é... Traz ela aqui que a gente tá indo ver como o Macao tá se saindo com aquela moto ali.
— Ok! – o rapaz se vira e sai correndo.
— Ah cara...! – suspira passando a mão pelo rosto, enquanto escuta as informações de Macao. O dono da moto tinha destruído ela quando participou de um racha, e por ser importada, as peças eram muito caras.
Aparentemente aquele era um dia daqueles. Do cão. E além de ter peças caras com que se preocupar, também havia Levy McGarden, que caminhava confusa pela oficina enorme, repleta de homens. Esses que – óbvio — estavam olhando sua bunda descaradamente.
— Eu só me pergunto como você tá aguentando isso? – o moreno preferiu ignorar o sinal obsceno de nádegas feito por Phanterlily, tendo internamente as mesmas dúvidas.
— O que diabos você está fazendo aqui?! – a puxa pelo braço quando a azulada se aproxima o suficiente.
— Só vim conhecer seu trabalho, pra ter mais algumas informações.
— Eu achei que você era mais inteligente que isso. – ralha balançando as mãos. — Você sabe que tipo de coisas podem te acontecer se você continuar se enfiando em lugares cheios de homens repletos de feromônios?!
— Aaah, se for por isso, não se preocupe. Já estive em lugares piores. – o sorriso que ela deu transpassou uma tranquilidade tão grande, que ele quase não resistiu a tentação de pegá-la pelo pescoço e a estrangular. Ele tinha certeza que não queria saber que tipo de lugares eram esses que Levy se referia.
— Foda-se tudo isso! Eu não quero você atrás de mim, no meu trabalho, me fazendo um bando de perguntas inconvenientes!
— Não se preocupe, não vou te perguntar nada. Eu preciso saber mais sobre você, além do que você já conta. Conhecer o seu ambiente de trabalho já é um bom começo.
— Começo?! Olha mulher, é melhor você ir embora agora, e depois a gente conversa sobre isso.
— Por mim ela pode ficar aqui por quanto tempo quiser! – Eric gritou lá do outro lado, evidenciando que Gajeel não estava falando tão baixo assim.
— É claro que pra você ela pode, né seu filho da puta. – gritou. — Vai pra puta que pariu e não se mete!
— Lá na sua casa não dá pra trabalhar, babaca! – o outro respondeu dando risada.
— Deixe a garota ficar, Gajeel. – Bickslow se intrometeu. — Seria um bom motivo pra gente querer mostrar nossas habilidades e trabalhar melhor.
— Aqui vai um bom motivo pra você trabalhar: não ser demitido e continuar ganhando seu salário. – grunhe ao vê-los às gargalhadas e mostra o dedo do meio. — Você não vai falar nada?! – se vira pra Lily.
— O que você quer que eu diga? – apoia o punho sob o queixo. — A situação é no mínimo, interessante. Você é Levy McGarden, certo? – se dirige diretamente a mulher que, com certeza, estava achando graça de tudo aquilo.
— Sim! Prazer...?
— Akio. Souchou Akio, mas pode me chamar de Lily.
— Por que Lily?
— É uma longa história, só posso dizer que é melhor não se meter em uma briga comigo. – informou e a garota ergueu as mãos, sabendo que aquilo era muito improvável. — Qualquer dia te conto. – dá uma piscadela.
— Como se el... – Gajeel tonteia, atrapalhado. Enfim se vira para a garota. — O que você quer que eu faça pra ir embora? – questiona finalmente. Ele sabia que não devia ter perguntado aquilo, os olhos de Levy praticamente brilharam no mesmo instante.
— Só me diga que vai fazer qualquer coisa que eu pedir. – a azulada não falou aquilo num tom exatamente baixo, e poucos segundos depois todos aqueles homens fizeram um coro de vaias e exclamações.
— Aí sim hein! – cantarolou Bickslow enquanto carregava uma caixa cheia de peças.
— Se você não fizer, eu faço! – Warren gritou.
— Mas que por... – ele se interrompeu, respirando fundo três vezes para se acalmar. — Ok, nós temos um acordo. Agora vá para casa que depois a gente conversa.
— Tudo bem. – ela abriu um sorriso brilhante, que logo dirigiu a Pantherlily. — Até logo.
— Eu posso conversar com você agora se quiser! – exclama Bickslow.
— Tchau querida! – Eric gritou debaixo do carro que estava consertando.
— Qualquer coisa a Iron Dragon está aqui a seu dispor. – Warren praticamente lambeu os lábios ao vê-la passar e sair da oficina.
Gajeel suspirou e revirou os olhos quando o novo coro de vaias soou.
→
— Mas que merda você tava pensando?! – ele irrompeu no quarto perguntando, parecendo um furacão. E se já estava bravo antes, ficou mais ainda ao presenciar a cena de Levy na frente de seu guarda-roupas escancarado com tudo jogado em cima da cama. — Que porra é essa?!
Em apenas dois segundos, a mulher conseguiu desviar de suas mãos e fugir do agarre, gesticulando e sorrindo para tentar acalma-lo.
— Espere aí, não se estresse.
— Como assim: não me estressar?! Você tá me testando garota?! – grunhe embolando todas as roupas juntas e as jogando dentro do guarda-roupas de qualquer jeito.
— Claro que não, mas você disse que faria qualquer coisa que eu quisesse quando chegasse em casa. Certo? — a azulada argumentou.
— Eu só concordei com aquilo porque você apareceu no meu serviço. Sem avisar.
— Mas é claro, se eu avisasse você não ia me deixar ir!
— É óbvio, só não te agarraram lá porque você queria falar comigo! – ele estremeceu só de lembrar como havia enfrentado o resto da tarde daquele dia. Comentários como: 'quem come quieto, come mais', 'me conta onde você arranjou uma dessas' e 'se você não quiser, qualquer coisa tem o número do meu celular'.
Ele sabia que os eles só queriam tirar uma com a sua cara, já que dificilmente ele dava uma abertura dessas, mas isso não queria dizer que ficava mais fácil de enfrentar. E enquanto isso, Phanterlily apenas dava risada. Era frustrante.
— Olha aqui. – Gajeel a puxou pelas pernas e jogou a azulada sobre os ombros para levá-la até o sofá. — Não vá mais no lugar onde eu trabalho. E não mexa no meu guarda-roupa.
— Eu posso até não ir mais ao Iron Dragon, mas não prometo nada quanto ao seu guarda-roupas. – ele passa uma mão pelo rosto, tentando ignorar as pernas cruzadas. Já bastava o tanto de piadas que o moreno havia enfrentado durante toda a tarde.
Aparentemente, seus colegas gostavam de discutir a parte inferior da anatomia feminina com muita precisão.
— Mulher, como eu me livro de você?! Diabo.
— Você prometeu fazer o que eu pedisse. E foram você e seus amigos que me contrataram. – deu de ombros ao argumentar. — Não dificulte as coisas que elas acabam mais rápido.
— Ok, ok. – rendeu-se. — O que você quer então? Me conte.
— Na verdade, vá tomar banho que depois eu te digo. – começa a empurrá-lo em direção ao banheiro.
— Mas o que?! – agarrou a toalha que ela jogou. — Esse banho não teria nada a ver com uma boa noite de sono, né? – resmungou. Ele com certeza queria muito algo como aquilo.
— Não seja bobo, claro que não. – ela parecia tão animada com a resposta, que ele quase sentiu culpa de querer estrangulá-la com as mãos.
Quase.
←
Ainda sem acreditar, Gajeel se questionou pelo que seria a milionésima oitava vez como Levy havia o persuadido a sair de casa.
Depois de um bom banho, a mulher o arrastou para o quarto e o fez vestir uma roupa de sua escolha. A combinação tinha rendido uma discussão de belos quinze minutos já que a azulada fez questão de questionar sua preferência por cores realmente escuras e rendeu o comentário de que talvez ele só não encontrasse alguém por ter um gosto mórbido. Agora a única morte que ele desejava era a da sua estupida Caçadora do amor.
Depois de toda a baderna ela explicou que o moreno seria submetido a uma espécie de "teste", onde ele sairia e a azulada o vigiaria para ver no que dava.
Acabou que agora ele se encontrava no meio do shopping indo em direção ao cinema e com uma sensação chata de que estava sendo perseguido, mas por mais que olhasse ao redor, não conseguia encontrá-la no meio daquela muvuca de pessoas.
Talvez ela estivesse no modo hardcore de se esconder, bem diferente daquela vez no café.
— Isso é uma bela palhaçada. – resmungou para si mesmo, só então percebendo que havia um grupinho de colegiais à sua frente e que elas olhavam como algo pior que consternação – medo.
Ora, ora, será que ele ainda metia medo em pessoas dessa idade? Não era como se ele fosse bater nelas, ainda mais no meio do shopping, embora se sentisse bastante agressivo.
— Uma entrada pro Doutor Estranho. – pediu ao chegar no caixa, arqueando a sobrancelha pra atendente que de tão apressada, se atrapalhou e derrubou um monte de moedas no chão.
Certo, Levy tinha lhe falado alguma coisa a respeito de sua expressão pouco antes de sair...
— E vê se tira essa carranca da cara, por que assusta um monte de gente. Já basta você ser do tamanho de um brutamontes, não precisa ter essa expressão também! Esse deve ser um dos motivos de você estar solteiro até agora.
— O que você falou, Nanica?!
— Nanica é a sua vó! – de repente ela ficou muito vermelha. — Vá logo e não me decepcione!
Ok, ok. Sem carrancas e vontades mórbidas – mesmo achando tudo uma brincadeira de mau gosto. Esperou pacientemente enquanto a moça se ajeitava na cadeira.
— S-Seu lugar, Senhor...
— H6. – apontou e observou enquanto ela teclava. Respirou fundo três vezes antes de agradecer lhe lançar um sorriso.
Ele foi mínimo, mas o suficiente pra fazer a garota ficar vermelha. Ótimo, tomara que a McGarden tenha visto aquilo. Agora ficaria marcado como um conquistador barato de shopping.
Caminhou em direção ao outro balcão e, olhando no relógio, decidiu comprar pipoca e refrigerante antes de entrar na sessão. Dois minutos depois, quando decidia entrar na sala de cinema, o moreno percebeu que uma daquelas colegiais, a mais alta, vinha na sua direção.
Gajeel era de tudo, menos um papa anjo.
— Hmm, oi. – ela cumprimentou e ele assentiu com a cabeça. — Você... Provavelmente viu aquela nossa cena de antes. – apontou para as amigas logo atrás. — Eu só queria pedir desculpas sobre isso.
— Tudo bem, não precisa se preocupar. – respondeu se dirigindo pra sua sala e querendo fugir o mais rápido dessa situação. Seria muito complicado se alguém o visse com uma menor e o denunciasse.
— Aaah, olha! Vamos assistir o mesmo filme! – exclama animada e, quando ele percebe, a garota já estava o seguindo pela sala, sentando-se bem ao seu lado e não saiu de lá nem mesmo quando suas amigas chegaram e a sala escureceu, iniciando o filme.
Se já não bastasse todo o desconforto que o moreno estava passando por causa daquela colegial, ainda tinha que perceber ela incomodada. Ninguém merecia uma coisa daquelas.
Tentou aproveitar o filme, e quando aquela maga careca enrolava pra morrer a menina pareceu tomar uma decisão e segurou o braço dele e começou a fazer um carinho de leve.
Certo Gajeel, se controle. É só uma colegial. Não faz muita diferença se Levy está vendo isso.
Olhou pro lado, mas nem sinal da sua Caçadora. Ok.
— Meu nome é Yume. – disse no final do filme.
— Hm, Gajeel. – tá, como se saía de uma situação como aquela? Não era como se ele tivesse que arranjar alguém logo na primeira semana. Muito menos uma menor de idade.
— Desde o começo do filme você nem olhou na minha cara! – reclamou batendo o pé. Retraído, o moreno se virou calmamente em sua direção esperando uma crise adolescente.
Quinze segundos, esse foi o tempo aproximado para que tudo acontecesse. Em um segundo ela estava bem na sua frente, no próximo já estava em cima do moreno com a língua dentro da sua boca, e no outro de pé indo embora.
— Você é um idiota! – grunhiu antes de ir em direção ao seio acolhedor de seu grupo de amigas.
Gajeel ficou lá parado, embasbacado. Ele não tinha feito nada!
Será que aquela Smurf estava satisfeita com uma cena daquelas por este dia? E, mais importante: o que vinham ensinando a colegiais hoje em dia? Na sua época se aconselhava a ficarem bem longe de estranhos, ainda mais mal encarados como ele.
Confuso, saiu do shopping resolvendo que tinha aguentado demais por um dia. Não sabia se estava tonto por causa daquela garota ou do filme que virava o mundo uma série de vezes.
O que mais de estranho poderia acontecer aquele dia além de sua suposta Caçadora do amor invadir seu serviço e de uma colegial agarrá-lo? Certamente uma velhinha lhe oferecer um espetinho bem na frente da estação, de graça, era normal.
— Você é um garotão. – deu um sorriso desdentado, segurando seu braço. — Gertrudes, vem cá ver esse rapazote. – hm, ok. Qual foi a última vez que ele havia sido chamado de algo como rapazote? Ele nunca tinha sido chamado disso.
Sem acreditar, observou as velhinhas risonhas que o analisavam com bastante precisão, com as mãos. Tudo estava "bem", ou não muito, até que a com menos cabelos brancos e menos dentes – ou seja, a primeira – resolveu analisar um pouco mais lá embaixo, bem lá embaixo.
Com um grito estridente, Gajeel fugiu das duas velhas pegando o primeiro trem que viu.
Chegou em casa em meia hora, e se jogou no sofá, absorto nos tantos acontecimentos do dia. Dois minutos depois, Levy apareceu na soleira da casa com cara de riso.
— Olha, se for fazer algum comentário, é melhor calar a boca. – resmunga um tanto traumatizado. Primeiro ele tinha sido agarrado por uma colegial, e depois por duas velhas!
— Oras, – dava pra perceber que ela não conseguia segurar a risada direito. — Gajeel Redfox é, no final das contas, só um grande e suculento pedaço de carne!
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