A caçadora do amor
4 Evite a todo custo entregar sua prima de bandeja à um amigo
Notas iniciais
3. Evite a todo custo entregar sua prima de bandeja à um amigo.
— Acorde! – dois segundos depois desse grito exagerado no seu ouvido, Gajeel sentiu uma mão gelada puxando seu pé com força.
— Sai demônio! – reclamou a empurrando e jogando as cobertas para longe. — É muito idiota ainda ter esperanças de que isso seja só um pesadelo? – falou consigo mesmo deitado de bruços, a ouvindo bufar.
Aquele tipo de situação já vinha acontecendo em seu cotidiano, tendo se passado dois dias desde que ela havia aparecido no Iron Dragon de forma repentina. Até agora Levy não lhe pediu pra fazer mais nada arriscado — e era isso o que mais deixava tudo suspeito.
— Ande logo, você deve estar atrasado pra alguma coisa. Seu celular não para de tocar, e não é o despertador.
— Me dê essa merda. – grunhiu sentando-se na cama meio tonto e pegou o aparelho no ar. Gemeu internamente ao ler o nome do contato.
— Fala aí Princesa das Neves, qual a boa?
— Boa nada seu Cabeça de Lata. Só queria saber se a querida tinha acordado pra aparecer no aeroporto na hora certa ou eu vou ter que chamar um táxi mesmo? — do outro lado da linha, dava pra ouvir os barulhos típicos do avião.
— Ah merda, eu tinha esquecido! – esfregou o rosto. — Te encontro lá.
— Não vejo a hora de poder ver meu carro de novo. — revirou os olhos com a reclamação do amigo. — Te vejo daqui meia hora.
— Não precisa se preocupar tanto assim, o trabalho foi de qualidade. Ele tá praticamente novo. Até. – desligou.
— Quem era?! – quase pulou da cama ao ouvir a pergunta. Os olhos da McGarden chegavam a brilhar.
— Minha puta pessoal. – revirou os olhos quando ela cruzou os braços. — Meu amigo. Tenho que buscar ele no aeroporto, o carro dele 'tava no conserto e agora tenho que devolver. – explica enquanto escolhe uma roupa.
— E pode tirar esse sorriso da cara, você não vai junto.
— Mas… Mas… – começou.
— Sem “mas”, você não vai e ponto. Sempre que eu puder evitar uma confusão pro meu lado, vou evitar. Então isso significa que você ir está fora de cogitação. – argumenta indo em direção ao banheiro.
Gajeel se questionava o que ela ficaria fazendo enquanto ele não estava. Levy andava um tanto silenciosa, o perseguindo pela casa ou pelo bairro de forma sorrateira. O moreno até que havia tentado descobrir, mas o máximo que conseguiu ver foram alguns rabiscos em forma de corpo que suspeitava representarem ele – aparentemente o dom pras artes da McGarden se restringiam em aparecer na sua porta e fazer um teatro enorme.
Depois de se arrumar e gritar, literalmente com Levy, dizendo que ela não ia de jeito nenhum, Gajeel saiu e foi pro aeroporto buscar Gray.
— Daí cara. – os dois apertaram as mãos e deram alguns tapinhas um nas costas do outro ao se encontrarem.
— E aí, muita coisa interessante em Barcelona? – perguntou ao ajudar o outro moreno a levar as malas pro carro.
Gray Fullbuster era um de seus amigos da época de escola – junto à Natsu –, que havia se formado em Direito e estava se dando bem na área. Aparentemente só os melhores eram chamados para conferências como aquela que ele havia acabado de voltar.
— Escuta só. – sinalizou ao ligar o carro é dar a partida. — Viu? Sem aquele barulho chato, eu disse pra você não deixar a concorrência mexer nele.
— Bom, eu tava meio desesperado aquela época e vocês não pegavam mais nada. Pareceu uma boa opção deixar ele com Midnight.
— Eu já te falei: aquele cara só dormia nas aulas. Ele não sabe diferenciar um parafuso de uma broca. – o outro riu. — Eu tô falando sério. Se tava tão desesperado eu podia ter te recomendado algum outro.
— No final eles sempre recomendam o Iron Dragon. – Gray revirou os olhos.
— Claro, você pode até ser bom defendendo alguém nos tribunais, mas nunca vai ser bom como eu em mexer com carros. – se gabou rindo. — Mas me conte como foi lá.
Gajeel escutou enquanto o outro falava sobre inúmeras reuniões intermináveis e as pessoas insuportáveis. Para ele era incrível como Gray conseguia se manter nesse ramo, aparentemente a advocacia era entupida de gente estúpida, orgulhosa e cheia de si.
Sentiu o celular vibrar com uma chamada então pediu pro amigo atender e colocar no viva-voz.
— Fala. – mandou sem ler o nome e prestando atenção no trânsito.
— Gajeel-kun?— só ao ouvir a voz ele gemeu internamente. Sua semana havia sido tão ocupada que ele esqueceu os compromissos.
— Hey Juvia. – cumprimentou ouvindo o barulho enorme na chamada. — O campeonato já começou?
— Ainda não, mas Aquarius já está ficando maluca de tanto perguntar de você. – informou o fazendo tremer ao imaginar a mulher. — Wendy-san queria te ver antes de competir.
— Que horas são? – olhou pra Gray.
— 12h47. – informou e ele fez um rápido cálculo mental. A competição de natação começaria às 13h30, não daria tempo de levar o outro pra casa e ir pra Panthom falar com a menina sem se atrasar.
— Juvia, eu vou dar um jeito aqui e prometo chegar aí o mais rápido possível.
— Sabia que Gajeel-kun tinha esquecido. – ouviu o suspiro. — Só venha, mesmo que atrasado. – pediu antes de desligar.
— Quem é Juvia?
— Minha prima. – contou ligando a seta e virando para a direita. — Vou te pedir um favor. Preciso ir na Phantom agora porque minha outra prima vai participar de uma competição de natação daqui a pouco. A gente para lá na frente e você pega a direção enquanto eu saio.
— Competição de natação? – o outro pareceu ficar interessado.
— É, as criancinhas até que mandam bem. – afirmou, lembrando de quando tinha ido em um dos treinos.
— Vamos lá, eu tô com a tarde livre hoje mesmo.
— Por que esse interesse todo, de repente?
— Talvez por que eu tenha competido quando era pirralho? – sugere revirando os olhos. — Acelera logo senão você vai chegar atrasado, Gajeel-kun.
— Bastardo. – grunhe ao ouvir o outro rir enquanto pisava no acelerador.
↓
— Wendy! — gritou ao chegar, desviando de um monte de gente para se aproximar da garota.
— Gajeel-nii. – ela começa a ir em sua direção, mas para no mesmo instante em que alguém puxa uma das orelhas do homem.
— Isso são horas de aparecer garoto?! – Aquarius exclama com seu típico mau-humor diário, que só piorava em épocas de competição como aquela.
— Mas eu tô aqui, não tô? – pergunta desviando das mãos dela e abraçando Wendy. — E quinze minutos antes! – gira a garota. — Vim só pra te ver mandar bem e deixar as outras pra trás. Ainda trouxe um amigo.
— Ai meu Deus. – a menina fica vermelha, escondendo o rosto com as mãos. Ele ri.
— Não precisa ficar com vergonha. – a solta. — Vai se trocar, Juvia deve estar te procurando.
— Tchau! – despede-se animada.
— Ela continua bastante tímida hein. – observa ao vê-la se afastar.
— Mas tá bem melhor que antes, Juvia disse que ela se entrosou bem com o novo pessoal. – comenta Aquarius enquanto andam. — Quem você tá procurando desse jeito?! Chega a dar um treco!
— Eu agradeceria se você desse menos chilique. – revira os olhos. — Aqui! — balança a mão para chamar Gray. — É meu parça.
— Parça. Tsk. – ela desvia o olhar. — Um marmanjo desse tamanho falando desse jeito, parece um marginal.
— E você com roupas coladas desse jeito, parece que esquece da idade que tem. Tá com quantos anos? Quarenta? – caçoa.
— Você sabe que é trinta e três, garoto estúpido! – puxa sua gola e só pára quando o outro moreno chega perto.
— Nossa, como esse lugar tá cheio. – reclama afastando o suor da testa. — Quase que não acho lugar pra estacionar.
— Realmente, ainda fico impressionada com a estrutura desse clube e dos milagres que eles fazem nessas competições pra caber tanta gente. – comenta Aquarius.
Gray encara o amigo, esperando alguma coisa – ou seja, que ele os apresentassem.
— Gray, essa é minha tia avó, ops… Prima, Aquarius. Aquarius, essa é a minha concubina. – fala.
— Concubina é o teu cu, arrombado. – quando percebe já tinha levado um tapa forte na nuca, mas isso não o impede de rir. — Desculpe pelo palavrão, prazer. – oferece a mão.
— Olha só, meu primo ainda consegue ter amigos descentes. – a mulher destila ao apertar sua mão. Gajeel apenas ergue a sobrancelha, fingindo não escutar. Ou não, né.
— Vamos logo, senão não conseguimos chegar nos nossos lugares. – chama, caminhando entre a multidão.
— Juvia conseguiu alguns lugares perto da piscina, por aqui. – a mulher segue na frente.
— E então, o que tá acontecendo aqui hoje?
— Competição entre os melhores do estado, alguma coisa assim. – explica ao entrarem no ginásio.
— Estadual hein. – assovia. — Pelo jeito essa menina deve ser boa.
— A Wendy manda bem, mas na verdade eu acho que ela conseguiu isso só porque Juvia tá treinando ela. Um outro garoto daqui também vai competir. – procura a azulada que estava com eles, porém havia sumido de repente. — Mas não deixa ela nem Aquarius escutarem eu dizendo isso, senão apanho.
— E qual dessas pessoas é ela? – Gray questiona ao sentarem na primeira fileira, observando as pessoas perto da piscina, que consistiam apenas nos participantes e seus treinadores.
— Hmm. – observa todos. — Aquela ali perto das escadas, com duas crianças. A mulher de cabelo azul.
— A menininha de cabelo azul é a Wendy? – concorda. — Quantas pessoas de cabelo azul você tem na sua vida?
— Até perdi as contas. – resmunga, lembrando de outra azulada que estava em sua casa.
— Porque eu nunca escutei você falar dela?
— Na verdade era pra você ter escutado, mas nunca andava com a galera na época da faculdade. – explicou enquanto compravam refrigerante de um velhinho. — Ela sempre saía pra beber com a gente, mas você era um nerd do caralho que preferia ficar estudando.
— Como você acha que eu me tornei um dos melhores? Dando pro meu chefe?
— Com essa sua cara, quase acredito que você realmente fez isso. – comenta sorvendo a bebida. — Eu também sou bom no que faço, e não pirei a cabeça daquele jeito. Você chegou a passar mal uma vez.
— Esqueça isso. – o outro abanou a mão. — Mas ela não é muito nova pra ter uma posição importante dessas? – cerra os olhos.
— Nós somos só um ano mais velhos que ela. Juvia entrou no ramo bem cedo. – Gray o encara esperando mais explicações. — É uma história complicada, só posso te dizer que ela precisava muito de um emprego quando veio morar com a Aquarius.
— E o quê que a Aquarius é dela?
— Tia. – o moreno assovia.
— Ela é velha assim? – fica impressionado.
— Não deixe ela te ouvir dizendo isso. – ralha, olhando ao redor. — E por que eu tô com a impressão de que você tá olhando a bunda da minha prima? – bate na cabeça do outro.
— Ela ser sobrinha da sua tia, torna vocês o que, exatamente?
— Não tenho muita certeza. – dá de ombros. — Resolvi simplificar tudo a considerando prima. É bem mais fácil.
— Já vai começar. – Aquarius surge do nada, acertando sua cabeça com um balde de pipocas.
— Filha da pu…— um apito soou.
— Cale a boca e preste atenção, garoto.
→
— Porra, e não é que os pirralhos são bons mesmo? – Gray comenta, estarrecido.
— Nunca subestime nossos garotos. – convencido, Gajeel cruza os braços.
— Mesmo que seja uma competição particular, tenho que admitir que Juvia mandou bem. – Aquarius levanta e balança a mão, observando Wendy se aproximar. — Parabéns querida!
— Mandou bem gatinha! – Gajeel dá uma piscadela.
— Boa garota!
Envergonhada com as parabenizações dos três, a menina se escondeu no abraço da mãe que sorria, orgulhosa. Sua filha havia acabado de ganhar o ouro em nado borboleta e agia como se aquilo não fosse nada.
— Onde está sua prima?
— Ela foi conversar com o senhor Jose.
— Hmm, se troque rápido que a gente vai comemorar depois. – manda, se virando pros rapazes quando a menina sai rápido. — Vocês vão ficar aqui?
— Bom, eu tenho umas coisas pra falar com Juvia… – Gajeel coça a nuca. Aquela tarde tinha o distraído bastante da turbulência de sua vida atual, mas agora que ele voltava a lembrar de toda a situação em que estava metido, chegava a ter calafrios.
— Eu vou esperar ele, não se preocupe com a gente. – Gray garante, apertando a mão da mulher. — Foi um prazer te conhecer.
— Igualmente. – ela sorri. — Até mais.
— Não rebole desse jeito nessa calça apertada, você fica parecendo uma cobra! – o metaleiro comenta quando ela já se encontrava longe.
— Ah, vai tomar no cu, moleque! – mostra o dedo do meio antes de sair pisando duro.
— Vocês são tão infantis. – os dois morenos viram pra trás a tempo de ver uma Juvia sorridente revirar os olhos. — Pelo menos dessa vez você veio. – cerra os olhos, lembrando da competição do ano antes que Gajeel não tinha aparecido.
— E a Wendy ganhou ouro ainda por cima! Coincidência ou destino? – caçoa, sorrindo ao abraça-la. — E aí priminha, conseguiu um belo aumento com essas vitórias?
— Bom, mesmo considerando o ouro da Wendy e as duas pratas do Romeo, um aumento não é tão fácil assim de se conseguir. – o afasta. — Se ficou aqui só pra dizer isso, pode ir embora, Gajeel-kun.
— Isso lá é jeito de me tratar?! – faz um drama. — Na verdade preciso te contar uma coisa. Ah, esse é o Gray. – apresenta, só agora lembrando da presença do amigo.
— Uh, olá. – ela desvia o olhar do outro na mesma hora, engolindo em seco. Gajeel analisa a situação rapidamente. Seu amigo era bem mais direto em demonstrar interesse, já que não tirava o olhar da mulher – esta que parecia ter ficado nervosa sem nenhum motivo. Credo, será que Juvia havia achado aquele cara bonito? O Gray?
Dava nojo só de imaginar.
— A Phantom não é um dos maiores clubes? Acho que o salário dela não é tão pequeno assim. – expressa o outro moreno ao vê-los concordarem enquanto andam em direção ao estacionamento.
— Mesmo assim. Três novas medalhas! Isso não é pra qualquer clube, e pra uma treinadora só! Se fosse eu…
— Por que todo esse interesse no meu salário no final das contas?! – ela bate um dos pés, agarrando uma das alças da mochila que carregava.
— Gray te acha nova pra ter tanto destaque como treinadora.
— E você tem o que? Setenta e sete anos pras pessoas confiarem tanto assim em você como advogado? – a azulada se dirige diretamente ao advogado, então suspira. — Desculpe, essa competição me deixou nervosa. O pessoal comenta bastante sobre você, mas a gente nunca se esbarrou.
— Tudo bem, isso é normal. Também era muito fácil me irritar antes de competir. – comenta, mudando totalmente de assunto.
— Sério? O que você praticava? – começam a conversar.
Gajeel observa o diálogo se desenrolar, suspeitando demais do interesse de ambas as partes. Juvia dificilmente dava bola para homens, muito focada na situação financeira dela – que era bem complicada –, e Gray só se aproximava de mulheres quando tinha alguma coisa pra tirar delas – tipo a roupa –, mas mesmo assim não era de ficar jogando papo pro ar.
O moreno preferiu imaginar que eles conversavam apenas porque estavam com ele e faziam isso por ele.
— De quem é essa carro Gajeel-kun?
— Meu. – responde Gray tirando a chave do bolso. — Agora você decide pra onde ir. – olha pro metaleiro.
— Tsk, de certo Natsu já deve ter começado a contar pra você essa história. Entrem no carro que eu conto no caminho, vamos naquela cafeteria perto da minha casa.
Sentado no banco do carona, Gajeel escutava enquanto o advogado dava partida no carro e começava a manobrar para sair do estacionamento.
— Natsu comentou comigo alguma coisa sobre terem metido você em encrenca no bar, mas não deu pra entender muita coisa já que ele não parava de rir.
— Você se meteu em uma briga, Gajeel-kun?! – Juvia ficou assustada lá do banco de trás.
— Eu sempre me meto em brigas de bar. – revira os olhos. — Ah se fosse só isso… Pena que o buraco é bem mais embaixo.
E contou tudo, desde a ligação de Jellal chorando até sua descoberta de uma Erza grávida, sobre o aparecimento repentino de um Gildarts bastante suspeito até a contratação de uma empresa maluca e o surgimento de Levy na sua porta.
— Não! Sério?! – sua prima parecia abismada.
— Vocês são idiotas ou o que?! – àquela altura Gray nem disfarçava a risada. — Ah cara, como eu queria estar lá naquele dia!
— E agora?!
— E agora que ela está lá enfiada no meu apartamento me esperando voltar. – responde mal-humorado. Juvia deu uma gargalhada.
— Não é possível que você deixou a mulher lá sozinha!
— Claro que sim, se eu fico lá ela me deixa maluco com esse papo de achar o amor da minha vida.
— Mas é claro! Foi pra isso que vocês contrataram ela Gajeel-kun!
— Ela está apenas tentando cumprir com suas obrigações. – Gray concorda. — Eu realmente queria ter visto sua cara quando ela chegou lá.
— Na verdade eu acho que você devia voltar pra casa e deixar a moça trabalhar. – Juvia comenta.
— Você tá doida?!
— Claro que não, mas é o mínimo que você pode fazer pra encontrar sua alma gêmea, certo Gray? – questiona inclinando-se para frente pra apertar uma das bochechas de Gajeel.
— Certíssimo. – o moreno sorri. — Nada melhor pra terminar o dia do que ser laçado.
— Espera aí, vocês acabaram de se conhecer e já 'tão se juntando contra mim?! Será que vendem cerveja nesse lugar?
— Nada melhor que ver um Gajeel todo paralisado. – a azulada ri ao chegarem na cafeteria. — Nada de bebidas alcoólicas, vê se chega em casa e colabora com a garota.
— Te conhecendo do jeito que eu te conheço, suspeito que não deve estar sendo nada fácil pra ela. – argumenta o outro moreno ao entrarem na cafeteria, ignorando o celular que não parava de tocar. — Vamos rápido com isso.
— Eu achei que contando isso pra vocês, vocês iam me ajudar. – fala ao pedirem três expressos.
— Mas não foi você quem disse que ela não vai embora por nada por causa do contrato?
— Não entendo muito bem sobre esse tipo de empresa de relacionamentos, mas todo mundo sabe que quebra de contratos resultam em multa. – Gray comenta ao serem servidos.
— Agora o jeito é você colaborar, embora seja muito hilária a ideia de você com uma cúpido. – Juvia quase engasga com a bebida ao rir.
— Não é cúpido, é Hunter of love. – retalia sentindo vergonha alheia por conta daquele título. Caçadora do amor era cem vezes mais estúpido que cúpido.
— Certo. – Gray sorri. — Infelizmente pra você, eu não posso ficar aqui de pernas pro ar. – ele parecia ter finalmente se irritado com as inúmeras mensagens que chegavam no seu celular.
— Você é uma vadia mesmo, não tinha o dia livre?
— Foi o que eu pensei também. Pena que meu chefe não. – argumenta ao levantarem.
— Acho melhor você voltar pra casa Gajeel-kun. – diz ao pagarem e saírem.
— Você vai embora como? – Gray questiona.
— Não se preocupe, posso pegar um ônibus aqui perto. – ela garante.
— Não se preocupe, eu posso te levar pelo menos até uma altura. – chama.
— M-Mas…
— Vá logo com ele mulher. – o metaleiro se irrita, a empurrando. — O horário desses ônibus são uma merda, e nem adianta ficar aqui se seu único comentário é: “acho melhor voltar pra casa e colaborar”.
— Tudo bem. – se rende. — Tchau Gajeel-kun. – começam a se afastar.
— Ah, Cabeça de Lata? Diga um oi pra ela por mim, e não se esqueça de levá-la na nossa próxima noite de bebedeira!
— Vai se foder, Elza!— grunhe ao se afastar, ouvindo o outro rir.
Chega em casa ainda batendo o pé, parando apenas ao se deparar com Levy no meio da sala, de braços cruzados e uma expressão não muito boa no rosto.
— Nem adianta me olhar desse jeito, você sabia que eu ia demorar. – grunhe prestes a se jogar no sofá, mas é interceptado pela mulher.
— Nada disso. – ela estende uma toalha pra ele. Opa, parece que essa fita já tinha rodado.
— O que é dessa vez?! – resmunga pegando a toalha da sua mão.
— Você não achou que ia ficar todo esse tempo sem fazer nada, né?
— Olha, se você tá brava por eu…
— Pode parar. – manda levantando uma mão. — Não estou brava, só percebi que não posso te deixar ficar trancado em casa se quero te arranjar alguém. Por isso… – começa o empurrando. Ele revira os olhos. — É melhor você ir tomar banho.
Depois de uma ducha bem tomada e de se vestir conforme ela tinha mandado, Gajeel escutou a azulada enquanto passava perfume.
— Estava pensando em alguns lugares que você podia ir. – ergue a prancheta. — Por hoje pensei na Mermaid Heel.
O moreno gemeu.
— Aquele lugar é barulhento, e as pessoas fedem à colônia barata. – reclama, estremecendo.
— É claro, é uma balada. – retruca fazendo algumas anotações. — Mas é o melhor tipo de lugar pra você começar.
— Sério mesmo que você quer que eu encontre o amor da minha vida numa balada?
— Eu não estou mandando você pedir ninguém em casamento. – a azulada revira os olhos, ajeitando sua jaqueta. — Só quero analisar se você está tão enferrujado em flertar quanto parece.
— Sério mesmo? – cerra os olhos, vendo-a ajeitar a si mesma. Ela havia trocado de roupa para, provavelmente, se misturar com as pessoas e persegui-lo sem problemas.
— Mas é claro! – o obriga a se levantar. — Agora já deu hora de você ir.
— E você vai de que?
— Te interessa?! – sorri. — Eu tenho meus meios.
— Aaaah, tenho certeza disso. – pega as chaves do seu carro. — Tome cuidado. – diz antes de sair. Afinal, por que o tipo de vestimenta pra ir em baladas tinham que ser tão curtas?
Desceu até a garagem e pegou o próprio carro, seguindo o caminho. Não saía da sua cabeça a ideia de que, se tivesse demorado mais, não precisaria ter que sair. Lembrando de algo, pegou o celular e enviou uma mensagem pra Gray.
[Gajeel: Não meta minha prima em problemas.]
Desligou o aparelho antes de receber alguma resposta, estava sem paciência de ter de se explicar. Independente do tipo de amizade – ou qualquer outro relacionamento, ugh — que aqueles dois decidissem ter, Gray tinha que tomar cuidado pra não envolver Juvia em seus problemas – coisa que ambos tinham demais.
Mas era muito improvável que alguma coisa entre os dois acontecesse, certo?
Deixando isso de lado, estacionou o carro perto do estabelecimento, preparando-se mentalmente ao ouvir a música alta.
— E aí Gajeel? Quanto tempo! – Risley Law gritou quando ele se aproximou do bar. Dava pra perceber que ao longo dos oito meses longe daquele lugar a mulher tinha emagrecido um bom tanto de peso.
— Também, depois de ter quebrado vinte copos, duas caixas de som e três cadeiras, Aranã e Beth não queriam nem olhar na nossa cara. – argumentou tomando uma caipirinha que ela havia servido.
— Você e aqueles caras não podem ficar bêbados juntos. – ela riu. Pra Gajeel ela parecia sempre estar dando risada. — Mas me fala aí, o que você veio fazer aqui sozinho? — deu uma cotovelada nas suas costelas.
— … Nada. – ditou analisando todo o pessoal que estava ali sob a música alta. Passou os olhos pela pista de dança, tremendo só de imaginar Levy no meio daquela multidão suada e bêbada então parou, observando uma mesa afastada.
— Quem é aquela? – apontou discretamente à mulher no canto.
— Quem?! Aquela ali?! – questionou gritando por cima da música.
— Sim! A no canto! – gritou de volta.
— Aaah! Minerva Orland.
— Ela vem sempre aqui? – perguntou desviando os olhos.
— Interessado? – deu um sorriso sacana. O moreno ergueu uma das sobrancelhas. — Sim. E já que você quer tanto saber: sempre desacompanhada.
— Isso foi de muita ajuda. – vira um copo de vodka voltando o olhar para a mulher.
Ela era uma morena realmente muito bonita, mas mesmo com a maquiagem bem feita, sua roupa ainda era formal demais para um lugar como aquele.
Gajeel quase tremeu quando ela voltou o olhar em sua direção e não o afastou de jeito nenhum, sorrindo discretamente após alguns instantes. Fazia tempo que ele não sentia aquilo. Tesão.
— Contato estabelecido. Me vê mais dois drinks. – pediu para Risley que acabou dando risada.
— Boa sorte garotão, vai que é tua! – gritou enquanto ele se afastava, desviando das pessoas no meio do seu caminho.
— Achei que só eu tinha coragem de vir a um lugar desses mesmo sabendo que ia ficar deslocado. – comentou ao se aproximar, deixando os copos na mesa. Talvez ele não devesse tê-la chamado de deslocada. Porém ela só sorriu e ergueu o copo.
— Gosto da aura desse tipo de lugar. – colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. — É tão óbvio assim que eu não devia estar aqui?
— Uma mulher bonita como você não deveria estar ali? – apontou para a pista de dança e por um momento vislumbrou uma cabeça com cabelos azuis, que logo sumiu.
Sorriu, tendo a impressão de que aquela era uma mensagem dizendo que ele estava se saindo bem.
— Não é como se alguém… Interessante tivesse me chamado. – diz com o copo perto dos lábios. O sorriso do moreno só se alargou.
— Gajeel Redfox. – estendeu a mão. Ela arqueou as sobrancelhas.
— Minerva Orland. – respondeu apertando-a.
O moreno não a chamou pra dançar – aquilo estava além dos limites que ele havia imposto a si mesmo, pois se achava ridículo nesse tipo de situação.
Depois de algum tempo de conversa, já era possível saber que ela era uma mulher independente com um humor bastante ácido, o que o fazia dar bastante risada. Quando a própria mulher deu a sugestão de irem à um lugar mais reservado, ele soube também que ela tinha atitude, por isso saiu de lá tranquilo mesmo com Risley Law lhe dando tchauzinhos com uma expressão sacana na cara.
Minerva era divertida e decidida, o tipo de pessoa que dava pra se imaginar por um longo tempo – mesmo que ele nem cogitasse esse tipo de ideia àquela altura. Eles saíram do prédio e continuaram a conversar enquanto ela fumava e ele tomava água, tentando anular o álcool a mente já que logo teria que dirigir.
Mas havia um defeito primordial. Se envolver com Minerva Orland era dolorido, e ele descobriu do pior jeito possível, então decidiu voltar pra casa.
Gemendo, ele sentou no sofá com as pernas tremendo.
— Tá aberta. – grunhiu quando Levy bateu na porta. A moça o encarou com as sobrancelhas levantadas.
— Um saco de gelo..? – ficou confusa, olhando para onde ele pressionava. Entre as pernas. — Ela é tão efetiva assim?
— Oh, claro! – jogou uma almofada na cara dela. — Nunca mais vou escutar você e sair dessa casa pra arranjar mulher!
— Mas o que aconteceu realmente? Eu segui vocês uma hora e pareciam estar se dando bem. – argumentou. — Só que tive que sair de lá pra não interromper o momento. – conta enquanto tirava a jaqueta.
— Bom saber que pelo menos um de nós dois se divertiu! – grunhe mal conseguindo se ajeitar. — As unhas daquela mulher eram enormes!
— Como? – ela o encara sem entender e ele faz um sinal em direção ao saco de gelo.
— Exatamente. – assente ao vê-la abismada. Já era a segunda vez que algo do tipo acontecia, na mesma semana!
— Não! Ela não fez isso, fez?!
— Ah cara, as coisas estavam indo bem demais pra ser verdade. – resmunga jogando a cabeça pra trás. Eles estavam tendo um papo legal, até que pareceu ser visível pros dois que conversar não era mais suficiente e eles acabaram num amasso incrível.
Tudo estava muito bom, mesmo quando ela colocou a mão lá embaixo, até que o moreno viu estrelas.
— Sem ser sexissista, mas por um instante eu me perguntei quem era o homem. – confessa. — Ela fincou as unhas com tanta força que parecia querer arrancá-lo fora e pegar de presente. – olha pra baixo, em direção ao amiguinho dolorido e depois pra Levy, que estava com o rosto vermelho e lágrimas escorrendo de tanto segurar a risada.
— Você é... patético.
— Queria ver se fosse você no meu lugar, inseto! — se irrita. — Seria muito bom alguém querer tirar seu pin…
— Não fala! – exclama pressionando uma almofada na sua cara.
— Quer dizer que eu quase acabo sem pinto e você quer bancar a puritana agora?! – rosna a empurrando. Ela ri.
— Sinceramente, o que eu faço com você?
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