Acordei suada e com falta de ar depois de uma noite agitada com meu habitual sonho. O “sonho” é sempre o mesmo com algumas pequenas mudanças diariamente, eu o venho tendo a cerca de 11 meses, eles começaram no meu aniversário de 16 anos e eu ainda não sei bem o porquê, ele sempre começa comigo e meu melhor amigo conversando na cafeteria Starks que fica a dois quarteirões da minha casa, e toda vez ele faz a mesma pergunta:

– Quanto tempo ainda falta para o seu aniversário?

Então eu respondo com um sorriso no rosto quanto tempo falta, hoje a resposta foi:

– 1 mês, só mais 30 dias e eu completo 17, só mais 30 dias.

Oque eu não entendo é porque depois disso ele me olha com o rosto cansado e olhar abatido.

– Às vezes eu gostaria que o tempo congelasse e você não fizesse 17.

Então eu sorrio como se estivesse pedindo desculpas.

– Pare de ser bobo Henrique isso nunca vai acontecer.

Mesmo achando que ele está sendo dramático, ao tomar um gole do meu cappuccino eu olho nos olhos dele e levo a minha mão até a dele para consola-lo.

E é neste exato momento que eu ouço alguém sussurrar meu nome.

– Fernanda, Fernanda

E toda vez eu me assusto já que ninguém me chama assim com exceção da minha avó, porém isso não me impede de ter um arrepio de prazer e me inclinar para voz como se eu precisasse dela para viver.

Quando eu levanto a cabeça para olhar, para procurar o dono da voz eu me deparo com um homem de 1m80cm de altura, todo vestido de preto e com a cabeça abaixada de modo que eu nunca vejo seu rosto.

E é aí que eu geralmente acordo, mas hoje o sonho mudou, hoje a hora que eu levantei a cabeça para procura-lo ele está com a cabeça erguida e assim que eu fixo os olhos em seu rosto eu fico completamente hipnotizada por seus lindos olhos verdes que parecem ser capazes de enxergar a minha alma, eles contrastam perfeitamente com sua pele bronzeada como se passasse seus dias ao sol e uma boca cheia e vermelha que parece ter sido esculpida pelo melhor escultor do Universo e ter sido pintada pelo melhor pintor de todos os tempos.

E eu só consigo sair do torpor quando ele sussurra meu nome mais uma vez.

– Fernanda

A voz dele soa tão triste, quebrada e com tanta dor que parece que ele está sentindo uma dor física, como se alguém estivesse o apunhalando, então eu sigo o olhar dele quando percebo que ele está encarando minha mão segurando a de Henrique eu rapidamente solto como se doesse em mim também.

De repente a cena toda muda e eu estou totalmente confusa, de um lado eu vejo Henrique meu lindo melhor amigo com sua mão estendida pra mim, com um olha desamparado, e do outro lado eu vejo o rapaz que eu não sei o nome, correndo, então eu começo a correr também, só não sei se estou correndo dele ou para ele, e foi aí que eu acordei, Maldito despertador que nunca falha, sempre me acordando na melhor parte do “sonho”.