A batalha de Maxwell
3 Capítulo 2
Levantei calmamente pensando em cada detalhe do sonho e o porquê da mudança.
Fui direto para o banho hoje, precisando de uma ducha para pensar direito, me sentindo mais calma saio do banho e vou me trocar, escolho uma T-Shirt azul e uma calça jeans preta, depois de vestida paro na frente da penteadeira para colocar minhas lentes, não que eu não enxergue direito, na verdade minha vista é melhor que de todas outras pessoas, mas eu uso elas porquê minha mãe insiste dizendo que eu não deveria chamar atenção, eu até concordo já que gosto de passar despercebida e tenho certeza que olhos que vão do lilás ao violeta e roxo escuro em alguns segundos dependendo do meu humor (apesar de que eu já consigo controlar isso quase totalmente) com certeza chamariam mais que um “pouquinho” de atenção.
Quando eu desci meus pais já estavam comendo e eu parei por um minuto para olhar para eles, eles são simplesmente deslumbrantes, minha mãe com, cabelos loiros, mechas bronze, olhos cor de mel e um corpo com curvas bem definidas, meu pai com 1m75cm cabelos bronze, músculos bem definidos e olhos azuis que pareciam um lago calmo, fiquei ali parada pensando no quão bem eles me criaram e o tanto que me amam, mesmo que eu seja adotada, coisa claramente visível na minha fisionomia, eu tenho 1m70cm, cabelos tão pretos quanto as asas de um corvo, curvas ainda mais bem definidas que a da minha mãe e bem tem o pequeno fator dos meus olhos violetas, minha mãe finalmente percebeu que eu estava ali.
– Bom dia querida, porquê está parada aí? E como você está se sentindo hoje?
– Bom dia mamãe e, nada não só pensando mesmo, e estou tão bem quanto nos outros dias se é que pode se chamar isso de bem, meu sangue continua parecendo prata derretida, os desmaios estão com a mesma frequência, a temperatura baixa continua e bom acho que é isso.
– Se tudo continua igual, pare de frescura e venha comer.
Ela disse claramente divertida, eu fui comer rindo junto com ela.
Papai me levou pra escola na sua Duster verde musgo, rindo e fazendo piada comigo, quando ele parou de conversar para atender uma chamada de negócios, eu encostei a cabeça na janela e fiquei admirada olhando a paisagem, eu amo o lugar onde moro, é tudo que eu poderia querer sol, calor e minha casa e a escola são bem próximas da Praia.
Ele me deixou próxima ao portão central da escola e eu fui diretamente para o lado onde minhas amigas ficam, após dar um abraço nele.
O dia passou normalmente chato e eu fui andando para casa após as aulas, quando coloquei meus pés dentro de casa, meus pais me olharam como uma expressão séria no rosto, me impondo algo, mas ao mesmo tempo pedindo desculpas por ter que faze-lo, então me adiantei e perguntei.
– O que está acontecendo?
Foi a minha mãe que respondeu.
– Seu pai recebeu uma oferta de emprego na cidade em que o Dr. Charles mora, o médico que havíamos comentado com você, aquele que pode tratar você, nós partimos pra lá amanhã cedo.
Minha primeira reação depois de sair do choque foi querer bater o pé e dizer que não iria que eu não largaria tudo o que tinha conquistado aqui para ir à um lugar desconhecido, mas depois de ver o olhar aflito no rosto do meu pai, e o desespero no rosto da minha mãe, pensei melhor e acatei a ordem sem contestar.
Eles me olharam com uma clara expressão de alivio e soltaram o ar, que eu acho que nem perceberam que estavam segurando, eu nunca me irrito e nunca contesto ordens dos meus pais, mas naquele momento eles acharam que eu iria fazer aquilo, no momento que eles me olharam com ar de gratidão eu percebi que fiz a escolha certa, apesar de tudo.
O resto daquele dia foi corrido, empacotamos tudo que conseguimos, mas ainda faltou muita coisa e Elenice a nossa empregada a mais de 5 anos ficou responsável por empacotar o resto e mandar para nossa nova casa que eu nem mesmo sabia onde ficava, Elenice tinha vida por aqui então não iria conosco e aquela noite ao me despedir dela não consegui conter as lágrimas e desatei a chorar como um bebê enquanto ela passava as mãos no meu cabelo me consolando, foi só depois de uma boa dose de choro e muitos minutos passados que conseguimos nos largar e ela foi embora.
Achei que não conseguiria dormir aquela noite, mas assim que sentei no sofá para assistir meus olhos se fecharam e eu adormeci, senti quando meu pai me pegou em seus braços e me levou para cama e tenho a vaga lembrança dele falando com minha mãe junto a porta do quarto que tudo ficaria bem e que eles me amavam.
O “sonho” se repetiu só que dessa vez o sonho voltou a ser o habitual mas dessa vez Henrique falou algo a mais ele disse
– Que bom que você está vindo me ver.
***
Quando acordei ao relembrar o sonho não entendi direito o porquê Henrique disse aquilo, já que havia se mudado a alguns meses e desde então não nos víamos pessoalmente, mas ainda assim me peguei com esperança de que estivesse indo para a mesma cidade que ele ainda que as chances fossem remotas, porém essa esperança de ir para a tal cidade não era pelo motivo certo, que seria rever Henrique, eu estava com esperanças de que estivesse indo para o mesmo lugar que o rapaz desconhecido que visitava meus sonhos.
O despertador marca 06:00 horas e eu não estou nem um pouco a fim de levantar da minha cama, mas como sou uma boa menina eu me levanto e vou me trocar para poder descer antes que o café da manhã comece, entro no meu closet que é quase do tamanho do meu quarto e já está quase vazio, apesar de ser um closet eu guardava mais livros nele que roupas, hoje eu escolho algo mais leve que o meu normal, coloco uma saia rosa clara uma T-Shirt branca com florezinhas e uma sapatilha branca.
Desmaio e quase caio da escada, por sorte meu pai estava passando e me pegou no último instante, e ficou comigo até eu e recuperar.
– Opa – disse ele me colocando de volta no chão após eu acordar.
– Obrigada, pai
– De nada, meu docinho
Eu sorrio para ele e vamos juntos tomar café, enquanto como minhas panquecas, pergunto aos meus pais sobre o lugar para onde estamos indo, quando minha mãe começa a descrever o lugar, eu já sei que não gostarei já que parece frio e chuvoso.
Eu mando mensagem para cada uma das minhas amigas avisando que estou me mudando, e embora sejam 07:00 horas elas aparecem na porta da minha casa para dizer tchau e cada uma delas me presenteia com algo para que eu não me esqueça delas.
Após elas irem embora eu guardo meus presentes, e enxugo as lagrimas que escorrem livremente pelo meu rosto, que agora já está vermelho e inchado.
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