Notas iniciais
Olá mortais, espero que tudo esteja bem. ♡ Vamos dar início a mais um capítulo.

Poseidon

A suave luz do amanhecer banhava o quarto, lançando um brilho quente sobre o ambiente. A brisa marinha entrava pela janela, trazendo o frescor de uma manhã agradável.

Com cuidado para não acordar Enna, levantei da cama e andei até a janela. Puxei a cortina branca e contemplei o movimento no pátio abaixo, os guardas conduziam treinamentos para os novatos. Com os frequentes ataques, era necessário reforçar a proteção do meu exército com mais homens.

Meus olhos retornaram à figura adormecida na cama. Enna, como as demais mulheres, tinha uma única incumbência: satisfazer meus desejos. Não via necessidade alguma em manter alguém ao meu lado, ao contrário de meus irmãos. Podia saciar minhas vontades quando bem-quisesse.

Caminhei até o banheiro de meu aposento e vislumbrei a banheira de mármore, abaixei para sentir a temperatura da água, estava agradável. Sem pressa, tirei as vestes e mergulhei. Encostado na borda dourada, permiti que meus pensamentos viajassem pelos últimos acontecimentos. Os portos estão sob constante ataque de monstros.

As coisas tendem a piorar, só essa semana perdi cinquenta homens para as quimeras, foi difícil proteger a orla de Falero. A sorte é que o véu que cobre o sobrenatural auxilia a manter os mortais quietos, porém murmúrios estavam começando a surgir.

Observei Enna na cama, desejava esquecer essa conversa sobre monstros e guerras. Me peguei pensando em Hades. Realmente, ele encontrou algo único em Perséfone: amor e companheirismo. Às vezes, admito sentir uma certa inveja.

O destino foi generoso, apesar de todas as adversidades. Costumo refletir que ele é uma grande incógnita em nossas vidas.

Se ao menos eu encontrasse alguém assim, será que conseguiria amar? Porém, tenho assuntos maiores a resolver. — Pensei comigo, não tenho tempo para viver atrás de uma mulher.

Desde o roubo da joia, tenho buscado seguir com minha vida enquanto meus homens e até mesmo mortais a procuram incessantemente. Propaguei a lenda com esse propósito.

Mergulhei até o fundo da banheira e lá permaneci com meus pensamentos. Quando a joia foi levada, precisei usar uma quantidade considerável de poder para manter os mares unidos e livres de problemas. Os piratas cometeram um grave erro ao me furtar, e pagarão um alto preço por isso. Eu os jogarei aos mares profundos e, certamente, pedirei a Hades ajuda para infligir as piores torturas.

Saí das águas e me envolvi com as toalhas brancas que estavam ao lado, peguei uma e sequei um pouco o cabelo, estava encharcado, enquanto a outra cobria meu corpo. Andei até a cama e percebi que Enna estava acordando. Puxei o lençol dourado, esperando que ela tomasse vergonha e saísse, afinal, conhecia as regras.

Peguei o quíton branco de linho no armário, era um pouco mais curto até o joelho e o prendi no ombro esquerdo com um pequeno broche, toquei o tridente dourado e sai a deixando sozinha.

— Você já deveria ter saído. — Afirmei passando pela porta, espero que essa situação não se repita.

Às vezes, parece testar minha paciência, sabe que não a quero aqui quando acordo. O nosso acordo foi somente para a noite.

Percorri os corredores decorados com mármore e cristais, admirando o belo trabalho das criadas na decoração com rosas azuis e brancas. Abri a porta da sala do trono, caminhei passando ao lado da fonte d'água ao centro da sala, observando os guardas sorrindo. Acenei com a mão para eles e logo retomaram uma postura séria.

— Relaxem, hoje estou de bom humor. — Sorriram, sentei no trono dourado, mantive meus olhos atentos ao mar Egeu. Controlar as águas tornou-se uma tarefa árdua. Já era difícil antes, agora ainda pior. Com um estalar de dedos, direcionei minha atenção

para o espelho no teto, desejando ver o porto de Falero. O reflexo revelou a enseada, ela se mantinha movimentada com grandes barcos, o dia sereno e com muita atividade comercial. Paz, pensei.

Um dos meus guardas, Lucas, entrou apressadamente pelo salão. Seus cabelos castanhos caíam sobre os olhos azuis, demonstrando desespero. Havia ocorrido algo e, sinceramente, esperava que fosse uma boa notícia. Não queria problemas tão cedo.

— Como ousa entrar dessa forma, Lucas? — indaguei, levantando e batendo o tridente no chão.

O som que se seguiu ecoou por todo o palácio, fazendo as paredes tremerem. Afinal, sou o soberano deste local, e as águas são minhas amigas. Não toleraria adversidades hoje.

— Desculpe, senhor, mas recebemos notícias sobre a joia dos oceanos. — ele disse, se ajoelhando diante de mim.

Meus olhos se iluminaram. A joia dos oceanos. Isso era maravilhoso. Finalmente, posso mostrar para meus irmãos que não sou um tolo preguiçoso como imaginam.

— Onde está? Vamos, me conte. — pedi, me acomodando no trono.

Isso era memorável. Tudo o que precisava estava ao meu alcance. Certamente, teríamos uma boa noite para celebrar.

— Ouvimos rumores que um grupo pirata estaria próximo a Falero, meu senhor, e alguns mercadores contaram que eles citaram a joia e um possível roubo antigo, pareciam procurar alguém. — estava afoito e animado. Mas alguns pontos chamaram minha atenção.

Roubo e alguém? Posso pensar que estou lidando com um ladrão, que rouba ladrão.

— Ótimo, prepare os soldados, um pequeno grupo. Vamos à terra. — ordenei. — Escolha os melhores, vamos descobrir do que eles estão atrás e onde está minha joia.

O guarda concordou e saiu apressado pelo salão. Pedi à Luara, uma senhora já de idade, para pegar minha capa. Ela estava terminando de colocar meu café, mas não teria tempo para tomar. Desejava visitar a superfície e estava ansioso.

Era uma senhora muito gentil e amável, seus cabelos grisalhos demonstravam que já havia vivido muito. Me tratava como se fosse um filho, sempre ouvindo meus devaneios. Com dificuldade, trouxe a capa de tons avermelhados. Bati o tridente ao chão, reduzindo-o a um tamanho menor, como um pingente, e o coloquei no colar dourado ao redor do pescoço.

— Obrigado, Luara. — Agradeci, e ela retribuiu o gesto com um sorriso. Essa senhora sempre me ajudava. Vi crescer, e agora a vejo envelhecer. A vida humana é tão mutável.

— Não precisa agradecer, senhor. Sabe que estarei aqui para o que precisar.

Agradeci novamente e segui em direção à saída. Ao chegar, avistei Lucas acompanhado de mais três guardas. Raramente pisava na terra, mas se a joia estava lá, minha presença era indispensável. Subimos à superfície por meio de um portal que se abria perto das rochas do porto. Era um local de difícil acesso, o que nos permitiria agir sem sermos vistos.

O porto estava agitado, e notei ao longe um navio negro ancorado. Apostaria até mesmo uma alta quantidade de dracmas que aquele pertencia aos piratas. Pedi a Lucas e aos demais que averiguassem, enquanto eu procurava por pistas, tudo precisava ser discreto. Não posso parecer um louco desesperado, algumas coisas precisam ser trabalhadas lentamente.

A baía era construída sobre rochas sólidas, e a madeira tinha um aspecto rústico. Enquanto caminhava, vendedores de mercadorias constantemente surgiam à minha frente, oferecendo peixes, mantos, tecidos e frutas. Não dei atenção a eles e continuei minha busca. Conversei com um casal de senhores, mas nada me disseram. Ninguém parecia ter coragem de falar sobre os piratas; era como lidar com fantasmas.

Caminhei até perto da praia, sentindo a areia quente envolver meus pés. Notei uma jovem sentada nas rochas, olhando fixamente para as ondas. Seus longos cabelos loiros com leves ondulações balançavam ao vento, e embora não conseguisse ver a cor de seus olhos à distância, sua presença me despertou certos desejos.

Andei até ela com cuidado, e embora tenha percebido minha presença, não me retribuiu o olhar. Fiquei em pé ao seu lado, curioso para saber o que se passava em sua mente.

— É lindo, não é? — disse, mas só consegui vislumbrar a cor de seus olhos azuis, como o oceano.

— O que você acha bonito? — estava curioso para saber sua resposta, já que dependendo dela, poderia investir mais.

— O mar.

Notei que sorria ao ver o bater das águas na praia. Com um movimento das mãos, fiz com que um casal de golfinhos ao longe começasse a pular. Um sorriso maior se formou em seus lábios.

— Gosto do mar, ele é volátil, instável e às vezes amável. — comentei, não podia revelar que era um deus. Precisava descobrir mais sobre essa jovem solitária.

Zeus não aprovava a interação entre deuses e mortais, mas ele não está aqui agora. Algumas leis do senhor dos raios me estressavam, por isso preferia meu palácio marinho ao invés do Olimpo.

— Acho que Poseidon não aprovaria você dizer isso sobre o mar — parecia disposta a continuar conversando.

— Talvez ele aprove — afirmei, e ela assentiu, ainda observando o casal de golfinhos. — Às vezes.

Percebi que virou o rosto lentamente para me olhar, depois balançou os ombros e voltou a encarar as ondas. Parecia que minha presença era indiferente.

— Como será que ele é? — perguntou, demonstrando curiosidade. — Será verdade que eles caminham entre nós?

Hum, os rumores chegaram até eles. Ela aparentava ter um jeito calmo, delicado. Estou tentado a dizer que gostei de sua presença. O sol estava alto e brilhante. A areia da praia era aquecida pelos raios solares, poderia ficar ali a manhã toda se quisesse.

— Como qualquer deus, forte, bonito. — tentava arrancar alguma reação dela.

— Não me importo com a beleza, às vezes ela engana. — retrucou, ousada. — Acredito que os

deuses seriam majestosos, entende? Acho que isso deve ter soado estranho. Mas, digo no sentido de serem autoritários e justos como grandes governadores.

Ri junto, sinceramente, ela não tinha maldade nos pensamentos. Tão jovem, estava na flor da idade. Acredito que tinha dezenove ou vinte anos, sua pele clara era banhada pelos raios solares e seus cabelos brilhavam. Uma mulher de deixar qualquer homem contente, será que era ao menos comprometida?

Sei que nessa idade muitas já estão casadas, ou com um casamento prestes a ocorrer.

— Acho que talvez Poseidon aprovaria sua concepção de divindade. — respondi. Ela olhou para mim sorrindo. Acredito ser o sorriso mais sincero que já vi, parecia ter me fisgado como um peixe na rede.

— Será que ele realmente aprova isso? Então, por que levou minha família? — questionou, notei algumas lágrimas escorrerem de seus olhos. Parecia uma jovem tão boa, mas com um passado sombrio.

Agora me julgava, nossa, como mortais são complexos. Confesso que minha relação mais profunda com eles era na cama.

— Poderia me explicar? — perguntei curioso. Aposto que sua família deve ter sofrido nas águas.

Não tinha culpa pelas almas que se entregavam ao oceano, nem tudo está sob meu controle, sobretudo o tempo de vida de cada mortal.

— Anos atrás, meu pai estava no oceano, minha família vivia da pesca. Quando era pequena, uma forte tempestade surgiu do sul do mar Egeu. Minha mãe me escondeu em um dos barris de pesca com algumas dracmas e outros itens que me ajudassem a sobreviver. A tempestade destruiu o barco. Nunca mais vi meus pais. Fui salva por pescadores da vila que me encontraram à deriva momentos depois. Pedi ao mar tantas vezes respostas, mas acredito que Poseidon seja um deus que não se importa com os corações mortais. — contou.

O mar Egeu sempre teve problemas, mas eu não era assim. Bom, acreditava. O roubo causou mais tormentas do que pensava. Sua fala me deixou triste e com raiva ao mesmo tempo. Tentei manter a calma, uma mortal julgando um deus, achei que ela era gentil demais. Mortais prezam apenas seu ego.

— Dizem que o mar tem problemas, talvez não seja certo culpar um deus. — expliquei, tentando parecer o mais gentil possível e não perder meu autocontrole.

— Para um deus seria fácil resolver, não acha? Ele faria o quê? Bateria com seu tridente? — disse sarcasticamente. Não aguentei aquilo. Sinceramente, ela brincava ao falar de uma divindade de forma tão banal.

Sentei ao seu lado e continuou me encarando, certa de seu pensamento. Seus olhos tinham um tom de azul mais frio, que me faziam lembrar das geleiras dos oceanos.

— Nunca diga que eu não me importo com os mortais, nunca mais. — rebati, fazendo com que aquele brilho azul nos olhos surgisse. Sua face se assustou e ela quase caiu de costas na areia.

Elevei meu poder para sentir a presença de um deus, estava longe das pessoas e ninguém notaria. Uma onda gigante se formou e se desfez na mesma intensidade, era o suficiente.

— Você é. — Ela ficou sem ar, tentando achar palavras para me responder. Percebi sua feição estremecer.

— Sim, sou. — Fiz com que as ondas da praia subissem alto. Ela permanecia em silêncio.

Me aproximei e ela virou o rosto, um pouco de medo. Isso é bom, mortais têm de entender que nem tudo gira ao redor deles. Às vezes, concordo com Hades que eles sejam pecadores imorais e mereçam o inferno.

— Nunca diga algo sobre mim que você não sabe, mortal. Afinal, desconhece meu coração para falar que não me importo. — Sussurrei em seu ouvido.

Ela me empurrou e saiu correndo. Não consegui ao menos saber seu nome e, para ajudar, ainda me culpava pelos problemas do oceano, algo que nem ao menos tinha controle. As pessoas são assim, culpam sem nem mesmo saber do que se tratam as coisas. É fácil demais julgar sem conhecer. Retornei ao porto e me encontrei com Lucas, estava ansioso por respostas.

— Acharam alguma informação que me seja útil? — falei rapidamente, esperando que tivessem descoberto algo em minha ausência.

— Alguns mercadores disseram que piratas passaram por aqui mais cedo e seguiram para a ilha de Rodes, localizada na parte leste do mar Egeu. — explicou, me aproximei ainda mais dele e senti sua respiração pesar. O medo de minha desaprovação estava estampado em seu semblante.

— Pegue mais guardas e vá atrás deles, me informem caso os encontrem. — ordenei. — Voltarei ao palácio marinho, preciso resolver algumas coisas em Atlantis.

— Sim, senhor. Sobre o roubo e a pessoa que procuram, não descobrimos nada, mas assim que possível o senhor será informado. — respondeu. Esperava que logo as informações surgissem. Afinal, essa situação não me cheira nada bem.

Enquanto partiam em busca dos piratas, resolvi dar uma volta pelo vilarejo. Queria saber o nome daquela garota solitária e nervosinha. Acho que tenho um apelido para ela: Leoazinha. Combina com seus cabelos dourados e sua atitude.

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O vilarejo era próximo ao porto, tinha uma atmosfera pitoresca. As casas eram pintadas de branco, com telhados de terracota, e as ruas estreitas com pedras. Era possível ver os pescadores consertando suas redes ao sol, enquanto as crianças brincavam animadas pelo local. O aroma de comida fresca e ervas mediterrâneas pairava no ar. Algumas crianças estavam perto da fonte, com uma estátua de peixe esculpida em pedra, onde jogavam moedas.

Olhei perto de uma árvore alta e a vi. Estava com um garoto de cabelos bem escuros que aparentava ter dez anos, e outra menina de mesma idade com cabelos do mesmo tom. Ela não se negaria a falar comigo. Sou um deus! Como alguém rejeitaria uma divindade?

— Olá! — cumprimentei enquanto me aproximava, notei seu desgosto com minha presença, mas não disse nada. Tentei parecer familiar, para não levantar suspeitas.

— Oi, moço. — disse o menino rindo e acenando para mim.

— Julian, seja educado. É senhor para ele. — interveio ela, o menino olhou um pouco triste.

Ele caminhou até mim com uma certa timidez. Era incrível a pureza das crianças, uma qualidade que muitas vezes se perdia com o tempo.

— Oi, senhor. — falou, seu tom revelava uma mistura de respeito e curiosidade. Passei a mão em seus cabelos e retribuí o sorriso.

— Achei que já tinha voltado ao mar. — soltou a jovem, ergui as sobrancelhas em surpresa.

Quem era ela para me tratar assim? Realmente o apelido de leoa, lhe cai bem. Gostava de mulheres difíceis, me deixavam excitado.

— Não é o momento ainda. — respondi, queria manter a postura, embora a vontade de dizer algumas verdades fosse forte.

A menina tinha cabelos curtos e olhos acastanhados, provavelmente irmã do garoto. Correu até mim e me abraçou. Senti um frio na barriga; nenhum mortal jamais havia feito isso e esse tipo de contato era bem estranho. Eu sabia que adoravam divindades, mas foi tão rápido.

— Não se importe, ela é assim mesmo. — disse o menino. — Gosta de mostrar carinho com as pessoas.

— Você é muito gentil. — notei a expressão desgostosa da jovem leoa.

— Ana, deixa ele. — pediu à menina. Pude jurar que percebi um toque de ciúmes, mas quem sou eu para questionar.

Àquela altura pouco importava se ela estava confortável ou não em minha presença. Gosto de provocar, especialmente até ter o que desejo.

— Acho que já vou.

— Volte para o mar, os peixes vão sentir falta de você — cruzou os braços. Realmente, ela ultrapassou os limites.

Sua feição permanecia inalterada. Mesmo sabendo que era um deus, se tornava algo indiferente para ela. Ousada, orgulhosa e um pouco autoritária.

Não sabia como agir; não podia demonstrar meu poder com tantas pessoas por perto. Essa leoazinha não tinha consideração, apesar de que mortais poderiam ter esse tipo de comportamento.

— Em respeito a eles. — Apontei para as crianças. — Não vou te responder, mas fique ciente de que tudo que fazemos, pagamos. Chegará o momento. — Sorri.

Ficou sem jeito, talvez tenha se tocado de que sou um deus e não um homem qualquer. Pegou na mão das crianças e me deixou. Voltei ao palácio ainda encucado com aquela audácia, nem ao menos pisquei de volta e Enna veio até mim correndo.

— Meu senhor, você parece tão triste. — disse, tentando me persuadir.

Aposto que queria livrar seu lado após não ter cumprido as regras mais cedo.

— Não estou, vá, me deixe só. — tentei deixar claro a ela que não tinha interesse em conversas.

Se desejasse alguma mulher, eu a chamaria. Posso escolher aquela que bem entender, mas infelizmente a jovem da praia não está inclusa.

Entrei no aposento e tranquei rapidamente a porta. Observei os quadros de conchas, algumas rosas azuis pairavam próximas a um vaso perto da cama, enquanto a janela estava levemente aberta. Passei a mão pela parede de tom verde-esmeralda, uma cor que me remetia à vastidão e à serenidade do mar. Deitei na cama sob os lençóis de tons dourados e vislumbrei o teto, ouvindo o som suave das ondas.

Meus pensamentos estavam na jovem, e não podia deixar de pensar qual seria seu nome. Estava triste pela situação de seus pais, mas também nervoso por acreditar que eu era o culpado. No entanto, não posso negar uma coisa: minhas partes baixas estavam contentes apenas com aquele olhar. Um olhar tão selvagem.

— Ainda vou saber seu nome, garota solitária. Você será minha leoa! — afirmei, observando uma pintura de golfinhos no teto.

Notas finais
Espero que gostem e me contem, o que acham da nossa mocinha. Confesso que adorei algumas patadas.