A arte e como

16 Capítulo 16: Lições


Capítulo 16: Lições

Os dias passaram longamente na mansão de Bernhard. Por sorte, Rainer logo fizera amizade com os outros criados da casa, os quais muitos deles tinham a mesma pretensão que o garoto. Logicamente, fugir.

Eva, a dona da casa, era uma mulher de aparência fria, mas, todos sabiam que havia nela um bom coração.

Por ora, ela temia o próprio marido, um homem muito poderoso que se aproveitara das possibilidades de se fazer riqueza na nova realidade vivida pela Alemanha.

Havia também Éster, uma garota um tanto solitária. Sem dúvida alguma, uma boa alma perdida dentro daquela mansão.

A menina, que logo estaria comprometida a casar-se com um rapaz qualquer (filho de mais um empresário Alemão), tinha um sonho distante, o qual Rainer logo iria descobrir.

Nos diversos momentos em que Bernhard estava fora de casa, Rainer podia aventurar-se um pouco mais pela casa, visitando uma vasta biblioteca (apesar de não ter tido uma alfabetização muito rica) e por vezes ouvindo algumas notas de piano.

Rainer espreitava-se pelo canto da porta, ouvindo atenciosamente as lições de piano de Éster.

Pois fazia tanto isto, que em uma ocasião fora descoberto.

Éster: O que faz aqui?

Rainer: Desculpe-me, eu só...

Éster: Você...?

Rainer: Eu gosto muito de ouvir suas aulas de piano.

Éster: Sério, e o que te levou a gostar?

Rainer: Eu...

Éster: Não precisa ter medo! Seu nome é Rainer certo?

Rainer: Isso.

Éster: Eu não sou como meu pai.

Rainer: Eu costumava ouvir todas estas músicas com meu pai no rádio.

Éster: Bem, infelizmente eu nunca tive esta oportunidade.

Rainer: Na maioria das vezes, escutávamos os grandes compositores austríacos e alemães.

Éster: E por que não uma compositora?

Rainer: É que...na verdade eu não conheço nenhuma.

Éster: Nosso povo dá muito valor à arte não é mesmo? Também quero compartilhar isto. Mas meu pai...

Rainer: Ser uma compositora? Isso seria realmente incrível!

Éster: Eu acredito que a arte é o bem mais precioso que temos. Não é como todas estas coisas fúteis que meu pai tem aqui. Não se pode fazer arte com dinheiro.

Rainer: Pare!

Éster: O que é?

Rainer: Tem alguém vindo aí!

Éster: Esconda-se, rápido!

O garoto acabou por esconder-se atrás de uma velha poltrona. Era bom nisto (na arte de esconder-se). E assim pode ouvir toda a conversa:

–Boa tarde senhorita! Está pronta para sua aula de pintura?

Éster: Mais pronta que nunca!

E então professor e aluna entraram na sala. E logo, Rainer fora espiar na porta novamente.

O mestre pintor tinha uma grande pasta, onde haviam diversos quadros os quais representavam as mais belas planícies e paisagens.

Rainer deu-se conta de como aquilo era incrível. Como toda a forma de imaginação e as mais belas imagens da mente humana, poderiam ser postas em um simples retângulo? (que outrora havia nascido branco e vazio).

Por tempos, o garoto fora acompanhando as aulas de pintura da jovem senhorita. E muito aprendeu. Apaixonou-se por aquela forma de arte, mais do que qualquer coisa.

Era claro, para Rainer, que o momento em que passava pintando e desenhando em blocos de papel, ou até mesmo pequenas telas que Éster lhe dava, era como um refúgio de toda a dor que havia sentido naqueles meses tão difíceis, e de tanta escuridão.

Notas finais
Próximo Capítulo: Capítulo 17: Encontro com a flor