A arte e como
17 Capítulo 17: Encontro com a flor
Capítulo 17: Encontro com a flor
Rainer tinha então Éster como uma irmã mais velha, algo novo para ele, e não só Éster tinha para o garoto um carinho de irmã, como passou a ensinar-lhe corretamente o alfabeto. Agora o menino já praticamente sabia ler um pouco de tudo.
Mas mesmo com Éster em sua vida, ele ainda sentia muita saudade de sua mãe, de suas irmãs, e de sua querida Blum.
E fora movido por isto, que certa vez, Rainer conseguiu pular o muro da mansão de Bernhard e ir de encontro à pequena vendedora de flores.
O garoto chegara ao centro de Hamburgo. Havia um clima um pouco mais triste que da ultima vez. Rainer passava de pessoa em pessoa perguntando sobre a tal garota das flores.
Os cidadãos o respondiam, mas falavam baixo. Quase não podia-se ouvi-los.
Fora então, que o jovem dirigiu-se a case de Brunhild, batendo à porta e esperando ansiosamente.
Brunhild o atendeu.
Mas antes que este pudesse pular de alegria, Blum já o segurava pela gola da camisa, encarando-o.
Blum: Seu mentiroso desgraçado!
Rainer: O que foi? O que está acontecendo?
Blum: Não me faça este tipo de pergunta garoto, você... naquele dia! Você não me contou que...
Rainer: O que está havendo?
Blum: Você é um deles não é!?
Rainer: Não sei do que está falando!
Blum: Bernhard, eu vi a foto no jornal... Como você pode ser tão...
Rainer: Deixe-me explicar, Blum.
Mas antes que Rainer pudesse se pronunciar, a garota já havia fechado a grande porta de madeira, bem em sua cara.
Rainer: Brunhilde! Por favor, não é o que você está pensando!
E então Rainer esperou por certo tempo, sentado numa pequenina escadaria que ligava a porta de madeira à rua.
O garoto colocou a mão em seu casaco, retirando um pedaço de papel, e logo, colocou-o por baixo da porta de madeira.
Não demorou muito para que a garota abrisse a porta novamente, indagando-o:
–Explique-se.
Rainer: Blum, eu não sou filho de Bernhard, os militares... Naquele dia... Eles realmente estavam atrás de mim!
Blum: E o que foi que você fez de errado!?
Rainer: Simplesmente nada...
Blum: O que quer dizer com nada!?
Rainer: Os militares... Eles... Eles confundiram meu pai com um judeu, e o mataram antes mesmo que pudesse provar o contrário.
Não é só isso, um deles também levou minhas irmãs embora.
Blum: E então, o que você fez?
Rainer: Eu segui um grupo deles até uma locomotiva. Então retirei alguns vagões que transportavam judeus.
Fora na noite anterior de eu te conhecer.
Blum: E o que o Bernhard tem a ver com isso?
Rainer: Eu fui levado para um orfanato, pelos militares, e Bernhard me adotou. Eu achei que fosse uma saída... mas estava longe de ser isso.
Blum: Rainer, e porque ele te adotou afinal?
Rainer: Sinceramente, eu ainda não sei.
Ele me mantém naquela mansão, junto com os empregados. Mas não me deu um afazer específico.
Eu passo o dia perambulando, mas aquele não é o meu lugar! Eu preciso reencontrar minha mãe, minhas irmãs... Eu...
Blum: Bernhard não é nada mais que um monstro, um homem que confina vidas dentro de suas fábricas. Você não tem noção de quantos parentes meus já morreram devido ao cansaço, pela corrosão que aquele trabalho imundo lhes proporcionou.
Venha cá.
E então Rainer adentrou na casa de Blum. Dificilmente poderia- se dizer que aquilo era um lar. Haviam alí diversos homens, mulheres e crianças esparramados. Muitos deles bem enfermos.
Blum: As fábricas de Bernhard fizeram isso com eles Rainer. Eu só não estou neste estado porque ainda consigo colher margaridas e vendê-las!
Rainer: Blum, eu sinto muito...
Blum: Eu ainda tenho uma última pergunta, antes que... eu possa pedir perdão por ter sido tão rude com você.
–O que é isso? (apontando para o papel que Rainer havia colocado por baixo da porta de sua casa)
–É uma pintura que fiz. Respondeu Rainer.
Blum: É linda! Gostei muito da garota que desenhou aqui, mas... quem é!?
Rainer: É você. Era algo que queria dar em troca disto.
E então Rainer retirou de seu casaco a flor de margarida que Blum havia lhe dado em seu primeiro encontro.
Blum: Obrigada, não sei nem como agradecer.
Rainer: Tudo bem Blum, tenho que voltar. A gente se vê em breve!
E então Rainer voltou para a mansão de Bernhard, tendo por vários momentos esquecido novamente de toda a dificuldade e crise que poderia existir no mundo.
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