A amizade de Godric Hollow's.
1 Dia em que conheceu James Potter.
Notas iniciais
Velório de sua mãe; dia em que conheceu James Potter; ano de 1966
Lembro-me como se fosse ontem. Apesar de ter se passado alguns anos é como se tivesse passado apenas alguns dias. Lá estava ele acompanhado de seus pais. O tempo estava nublado, o vento seguia rumo norte, nada tão forte, seria até agradável se as pessoas notassem mais a natureza, o balançar da árvores, a vida que elas pareciam ganhar com o dançar nos jardins da minha casa, se aquele dia não fosse o velório da minha mãe. Então ninguém sequer notou. Os Potter apareciam para prestar suas condolências, até então não tinha tido um contato tão próximo com eles já que havíamos nos mudado frequentemente por conta da doença de minha mãe. Um momento estranho pra se fazer amizades mas foi o que ocorreu. Não sei se os pais dele pediram para ele vim falar comigo, ou se veio por conta própria, mas enquanto meu pai conversava o Sr. e Sra. Potter, o garoto se aproximou de mim.
Eu me encontrava sentada no banco de madeira que era preso por correntes ao teto da varanda, ele servia como meu balanço, sempre ficava lá quando queria refletir sobre algo, mas naquele dia não conseguia pensar em nada. De vestido preto na altura dos joelhos com alguns detalhes em rendas, meia calça, sapatos, e fitilho de cetim no cabelo, — tudo na mesma tonalidade — ajustei-me no banco enquanto minhas íris esmeraldinas encarava o menino agora parado na minha frente. — Meus pais disseram que ela está em um lugar bem melhor. E que vai estar sempre olhando por você.— Foram as primeiras palavras que ele disse, meio estranho pra quem queria iniciar uma conversa, uma primeira conversa. Até então não tinha derramado uma lágrima, eu tinha apenas seis anos, não entendia de porquê mamãe ter me deixado.
Não sei se ele queria me consolar, mas aquilo fez eu entender que ela não ia mais voltar. Algo que eu estava me recusando à acreditar até então, por isso evitava pensar em qualquer coisa. As lágrimas caíram involuntariamente. O menino imediatamente sentou-se ao meu lado, enxugando-as de imediato ao tirar um lencinho de dentro da sua bermuda.— Não queria te fazer chorar, desculpa. — O coração espremido, a alma agora agoniada, mas apesar da pouca idade nunca queria deixar transparecer que tinha uma aparência de alguém fraca. — Tudo bem.— Disse à ele com a voz meia falha. Mas no fundo, com aquelas palavras, estava tentando convencer a mim mesma que tudo estava bem, que tudo ia ficar bem. - Toma pode ficar, você tá precisando mais do que eu. — E assim ele me entregou seu lenço depois de ter limpado boa parte do choro em minhas maçãs do rosto.
Apenas peguei o lenço e fiquei em silêncio por um tempo, então ele se adiantou, no mínimo tentando manter o diálogo. — Me chamo James. — Sorriu de forma sincera. Queria eu poder sorrir daquele jeito naquele momento, mesmo que eu forçasse um sorriso, não conseguiria nem mostrar os dentes. Mas ele estava sendo tão gentil que o mínimo que eu podia fazer era manter a conversa.
— Sou Marlene. — O sorriso dele se sustentou ao ouvir minha resposta.
— Podia ser Marlesma, que rima com lesma — Riu de si mesmo, fazendo uma piada na intenção de me animar. Porém não me deu tempo para concordar ou discordar e já foi logo se mencionando.
— Vamos ser amigos. Eu te prometo que vou fazer de tudo pra não te ver mais chorando.— Parecia confiante. Sempre falava muito e eu tão pouco. Se eu o tivesse conhecendo em outra ocasião minha reação seria diferente. Infelizmente naquele instante não era eu de verdade. Mas o que ele me disse por mais que tivesse acabado de me conhecer, me fez acreditar, e me confortou.
— Tá certo Jay! — E foi assim que o apelidei; o chamaria assim desde então; finalmente consegui retribuir o gesto amável dele com um sorriso singelo. O que James Potter não sabia, era que antes de sua promessa eu já havia prometido à mim mesma que aquelas seriam as últimas lágrimas que eu derramaria por algo ou alguém. Me tornaria alguém forte, além dos próprios sentimentos.
Os anos se passaram, não sei se ele se lembra da sua promessa, talvez se esquecera, afinal, seria um fardo muito grande pra carregar consigo; Entretanto, o lenço que ele me dera ainda tenho até hoje. Nos tornamos grandes amigos, e apesar dele ter mudado um pouco seu comportamento comigo — afinal, todo mundo cresce em um momento da vida, as pessoas estão em constante mutação — sei que dentro dele ainda tem um pouco daquele doce menino que eu conheci. O motivo de eu ter guardado o lenço? Ele simboliza que naquele dia eu não ganhei apenas um grande amigo, naquele dia perdi minha mãe mas ganhei um irmão. Poderia não ser recíproco o sentimento e ele não precisava saber, mas naquele dia nublado, aquele simples gesto, aquela simples conversa, mudou a vida de uma garotinha, daquela garotinha. E essa garotinha o tinha como seu herói desde então. Ela permaneceu e permanece forte até hoje. Tal qual sua promessa. Como eu disse, ele não precisava saber, mas se ela chegou onde está hoje, foi porque ele a sustentou.
(Recordação de Marlene Mckinnon)
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