Notas iniciais
Capítulo dedicado à Rita fênix, que Deus te mantenha ao seu lado minha amiga.

Não desisti a prova disso é que estou de volta, a questão de tanto sumiço foram problemas emocionais que afetaram o físico, fazendo com que minha inspiração simplesmente desaparecesse, nesse período perdi pessoas importantes pra mim e fiquei no fundo do poço por um bom tempo. mas enfim estou de volta e concluirei essa fic, sei q não tenho mais meus leitores, mas preciso fazer isso pra retomar minha vida.

(Xena)

Mais uma vez encontrava-me à sacada de meus aposentos observando a imensidão do império ao qual criara e me afastara por tanto tempo, vejo os criados à demolir as construções provisórias que Gabrielle projetou aos aldeões desabrigados por minha crueldade. Havia mais de duas luas desde que minha amada havia partido. “Gabrielle... Ah minha amada Gaby por onde andarás?”. Ouço passos em minha direção, seguido de um pigarrear.

—Diga mamãe. – falo sem me virar.

— Até quando pretende manter o castigo de Dylan Xena? Não consigo mais ver minha neta isolada dessa forma, está triste, pouco come e anda fazendo as coisas sem ânimo, — A encaro suspirando.

— Hoje Cyrene, falarei com Dylan hoje. Creio que tenha ficado suficientemente claro para Dylan que seus atos rebeldes, resultem em consequências. – disse passando pelas tapeçarias de minha sacada ao interior dos aposentos.

— Ela é uma criança Xena, creio que tenha lhe aplicado uma punição muito severa. – disse minha mãe sentando-se em meu leito.

— É uma criança suficientemente esperta para nos despistar, despistar sua ama, aos guardas e seguir viagem rumo à Potedia. Teve uma punição á altura de sua travessura, porém a mesma se finda hoje, tenho uma informação que a deixará animada o suficiente para colocar o castelo a baixo.

— Imagino o que seja e já estava em tempo Xena, nunca vi esse palácio tão triste, nem mesmo quando você desapareceu por esses dois verões vi tamanha nuvem negra sobrevoando Corinto. – disse com ar de assombro.

— Não seja dramática mamãe. – saio sorrindo a passos largos de minha câmara de dormir e Cyrene me acompanha.

Seguimos ao quarto de Dylan ao chegar bato à porta.

— Pode entrar. – ouço minha filha responder sem ânimo. – ah é você mamãe. – responde ao me avistar ao lado do batente de sua porta.

— Também fico feliz em vê-la Dylan, embora não seja a recepção mais calorosa que já recebi em minha vida. – digo sarcasticamente e Dylan suspira revirando os olhos e atirando-se na cama.

— Vovó já foi se queixar que não como e veio me aplicar outra punição, acertei? – disse triste olhando para o alto teto de seus aposentos. Respiro fundo entrando em seus aposentos e pedindo espaço para sentar-me ao seu lado.

— Não Dy, não irei te punir, mas, você entende porque tive que lhe aplicar este castigo não é mesmo? – pergunto segurando uma de suas mãozinhas.

— Sim mamãe eu entendo. – sentou-se ao meu lado mas... – à interrompo.

— Sem mais Dylan, deixe-me concluir. — ela se calou. – creio que tenha sido suficiente o tempo que teve para pensar em seus atos e vim lhe avisar que partiremos á Potedia antes que o carro de Apolo desapareça no céu, portanto quero que se levante desta cama, se banhe, coma sua refeição descentemente e peça à Cassandra para lhe ajudar com suas vestes para a Viagem, me encarregarei das provisões e outras coisas, na próxima lua estaremos retornando com Gaby. – Vejo os olhos de minha filha brilhar, um grande sorriso se formar em seu rosto, no mesmo instante me abraça e enche meu rosto de beijos.

— Obrigada mamãe, obrigada. – vejo lágrimas em seu rostinho.

— Não chore minha criança. – seco suas lágrimas sorrindo junto a ela. – quero ver-te sorrindo é assim que tem que ser a filha da imperatriz. Coloquei-me de pé sustentando Dylan em meus braços e seguimos rumo á saída. Dylan sorria para minha mãe que estava à porta assistindo nossa inteiração.

Após deixar ordens à Filemon que se encarregasse de todas as atividades de Corinto até que eu regressasse, fui buscar Dylan que já me aguardava frente a porta de seus aposentos eufórica.

— Vamos logo mamãe, já arrumei meus pertences quero chegar logo a Potedia. – disse já me puxando pela mão.

— Certo já se despediu de sua avó, seu tio, de Dália?

— Já mamãe, vamos logo. – a segui em direção aos estábulos.

(Gabrielle)

Após nos livrarmos daquele monstro que um dia chamei de pai, tomamos nosso desjejum entre sorrisos e contava a Lillah e mamãe o que havia aconte4cido desde que cheguei ao palácio de Xena (ocultando alguns fatos que elas não precisavam saber ou não entenderiam se soubessem). Algumas marcas se passaram e fui ao comércio ver como andavam as coisas desde que parti.

A casa de mamãe era a mesma e faria uma reforma com minhas economias pra que pudéssemos viver com mais dignidade, peguei meu corcel e passei pelos portões de madeira, seguindo rumo ao centro do vilarejo.

Ao chegar comecei a olhar produtos interessantes, tecidos bonitos e algumas tralhas que não via serventia, “as pessoas vendem de tudo”- pensei. Bem, vamos às compras!

Comprava algo aqui e ali, pechinchava umas coisas ou outras, quando percebi que já havia adquirido alimentos e utensílios suficientes resolvi voltar para casa, antes que não pudesse carregar mais nada. Nesse momento ouço alguns rumores e me aproximo de um casal para entender direito o que acontecia.

— ... sim ela está aqui a imperatriz, aqui em Potedia... – dizia a mulher.

— Xena? A imperatriz Xena? Está aqui? – interrompo a moça, que não parecia satisfeita com minha intromissão.

— Sim, a única imperatriz que a Grécia tem. Conhece outra? – respondeu-me irritada.

— Não... — respondo mais pra mim que pra ela e saí apressada, monto em meu cavalo e retorno para casa de minha mãe.

Chego em casa muito irritada e mamãe me segue com Lillah em seus calcanhares.

— O que houve minha filha?

— Ela está aqui mamãe! Ela veio, não acredito que teve a coragem de vir! – dizia andando de um lado à outro após deixar as compras na mesa da cozinha.

— Quem veio Gabrielle? Quem te deixaria tão aflita, minha filha? – pergunta mamãe.

— Quem mais seria minha mãe? Bem se vê que Xena está em Potédia. – responde Lillah entendendo meu desespero e aceno positivamente para minha irmã com lágrimas nos olhos.

— Ela não pode fazer isso comigo, ela não tem direito... vou para o campo preciso refletir, se Xena aparecer digam... digam o que quiserem, não me importo. – digo enquanto puxava minha montaria.

(Xena)

Após alguns dias em marcha, embarcações e acampamentos com minha filha, que via tudo como uma grande aventura. Aproximamo-nos de nosso destino.

— Veja Dylan, aquele é o centro de Potédia. – mostro minha filha enquanto descíamos uma colina próxima ao vilarejo, minha filha olhava admirada e feliz por finalmente chegarmos à terra natal de Gaby.

— Vamos ver a mamãe agora? – pergunta eufórica.

— Primeiro o primeiro Dylan. Temos que descansar da viagem, nos banhar ingerir algum alimento depois podemos partir, quer reencontrar sua mãe com olheiras, poeira da estrada e cheia de fome? – pergunto sorrindo.

— Não mamãe. – Dylan sorri junto à mim.

Chegamos à uma hospedaria e um senhor me recebeu, reconheceu a insígnia em Argo e se curvou.

— Imperatiriz! – e vários olhos se voltaram à nós.

— Ei, levante-se homem... — disse eu o erguendo.- não quero chamar a atenção. – prossegui e arranquei a insígnia de Argo.- COMO NÃO VI ISSO ANTES! – esbravejei comigo mesma. Venha Dylan – ajudo minha filha a desmontar. Entramos na hospedaria em seguida.

— Olá posso ajudar? – pergunta uma jovenzinha muito simpática.

— Oh sim claro! Desejo um aposento para mim e minha pequena, com uma sala de banhos e uma refeição para duas pessoas. Mas antes poderia nos servir leite para a menina e hidromel, por favor. – fiz meus pedidos.

— Certo podem se sentar que já levarei suas bebidas, e pedirei ao serviçal que prepare seu aposento, qualquer outra coisa me chame sou Amarice. – disse nos indicando uma mesa.

Algumas marcas de vela se passaram Dylan e eu estávamos limpas, alimentadas, descansadas e próximas ao portão da moradia de Gabrielle. Da porta de sua casa Lillah nos viu e correu até nós.

— Olá, creio que seja a imperatriz a julgar por suas roupas e por quase não recebermos visitas. – disse desconfiada.

— E porque provavelmente já ouviu rumores q estou no vilarejo. – pergunto sorrindo.

— Na verdade não. – abriu o portão para nós. – Gabrielle chegou aqui bufando e nos contou. E quem é essa menininha linda?- pergunta acariciando os cabelos de Dylan.

— Sou Dylan, muito prazer. – diz toda educada estendendo a mão para Lillah.

— O prazer é meu Dylan vamos entrando. – ela foi à frente e a seguimos. – mãe temos visitas.

Uma senhora de olhos verdes e cabelos loiros, muito sorridente, aparece secando suas mãos em um pano.

— Olá senhora, como posso servi-la? – pergunta se inclinando.

— Bem, primeiro não se curvando a mim. Pois como tenho certeza que já deve saber somos família. Embora minha esposa tenha fugido de mim. – respondo tentando ser simpática. – e se puder me dizer onde a encontro seria muito bom.

— Oi moça eu sou a Dylan. – estende uma mão para a mãe de Gaby. — A senhora é minha avó?

— Oi garotinha. Creio que eu seja sim, Gabrielle falou muito de você. – Hecuba responde se abaixando para apertar a mão de Dylan.

— Mesmo? E o que ela disse? – se interessou.

— Ela dizia todos os dias. “sinto muita falta de minha filha”.

— Também sinto muita falta dela... onde está?

Neste momento Hecuba olha para Lillah como se pedisse ajuda. A moça se adianta e responde:

— Gabrielle disse que podíamos dizer qualquer coisa mãe. Logo não nos pediu segredo de seu paradeiro. – olhou para mim. – ela disse que iria para o campo distrair sua mente, venha te levo até o riacho de lá você a procura.

— Hecuba você poderia cuidar de Dylan até que eu volte? – pergunto.

— Não mamãe quero ir com você. – ela diz com voz chorosa. Me abaixo para falar com minha filha.

— Veja Dylan, não sei onde Gaby está e será bem mais rápido se eu for sozinha, te prometo que a encontrarei e não contarei que está aqui assim você poderá fazer uma surpresa quando Gaby te ver. – seus olhinhos brilharam e Dylan sorri.

— Tudo bem. Mas não demore. – ergueu uma sobrancelha. “Esta menina saiu mesmo a mim”. – penso. – levanto-me e sigo Lillah que já me aguardava na porta. – comporte-se e obedeça Hecuba. – Dylan acena e sorri.

Sigo às margens, por volta de meia marca de vela após Lillah retornar à sua casa, vejo uma clareira e avisto aquela figura tão conhecida por mim, a vegetação era rasteira com algumas flores silvestre que perfumavam o ar, um lugar que certamente remetia a Gabrielle.

(Gabrielle)

Estava próxima ao riacho olhando as águas se agitarem quando as pedras que eu jogava atingiam sua superfície. Sinto a aproximação de Xena.

— O que faz aqui? – pergunto sem olha-la.

— Vim te buscar, Gaby.

— E por quê? – ainda não a olho.

— Porque você é a mulher da minha vida, é o meu amor.

— Não Xena! Seu amor é guerra. – agora volto meu corpo para olha-la.

— Eu mudei Gaby, mudei por você meu amor você me faz ser uma pessoa melhor. — ela diz sentando-se ao meu lado.

— Não acredito mais em você, lamento, mas não consigo ver mais salvação pra nós.

— Volte comigo Gabrielle, não posso aceitar uma vida onde você não seja minha.

— Em todos esses anos Xena, fui vítima de seus ciúmes, da sua possessividade, fui puxada pelos cabelos e arrastada pelas escadas do palácio, presenciei a morte de homens por simplesmente me olharem, fui espancada e estuprada por você e todas às vezes eu te perdoei. Mas a única vez que tomo uma atitude que não chega aos pés do que já me fez passar, você não pode me respeitar? Você me traiu Xena! – uma lágrima teimosa cai de meus olhos.

— Eu não me deitei com ele Gabriele! – Xena quase grita ao dizer.

— E eu não me deitei com nenhum de seus homens ou com seu irmão, mas ainda carrego as cicatrizes de todos os castigos. – digo e afasto o cabelo lhe mostrando uma cicatriz na testa de quando bati a cabeça contra a estante de pergaminhos, após a primeira viagem de Xena depois que cheguei ao palácio.

— Gabrielle, eu já me desculpei, eu realmente lamento e infelizmente não posso voltar ao passado, mas eu acredito em você e sei que sou a única em sua vida.

— Xena eu também realmente lamento e infelizmente não posso voltar ao passado, mas eu não acredito em você e sei que não sou a única em sua vida. – a essa altura e após tantas negativas eu já acreditava em Xena, mas não poderia deixar ela se livrar tão facilmente, mesmo que não tenha se deitado com o deus da guerra, ela me abandonou, abandonou novamente à Dylan, matou centenas de homens inocentes e sabe-se lá, mais que atrocidades tenha feito. Eu ainda estava muito magoada.

— Bom Gabrielle se é assim que pensa tenho algo para você. – Xena foi até a sela de Argo e de lá tirou um pergaminho me estendendo o mesmo.

“Hoje me encontro imensamente feliz, foi a primeira vez que Xena disse me amar, realmente nunca pensei que ouviria essas palavras saírem de sua boca, mas confesso ser a melhor coisa que já ouvi. E agora tenho certeza que não há nada que eu deseje mais que ser amada por ela e que eu faria tudo para ficar ao lado desta mulher, Xena tem um lado sombrio eu sei, porém eu estarei aqui até que o último vestígio desse lado desapareça e quando isso acontecer, ainda permanecerei, pois quero ser e fazer a MINHA SENHORA feliz, não sairei do lado dela por nada, não importa o que aconteça.”

— Xena, isso foi escrito há muito tempo e são meus pensamentos. Quem lhe outorgou o direito de lê-los?

— Bom, desde que está perdido entre meus papéis acho que posso ler, se queria que ninguém lesse não tivesse escrito, é por isso que não escrevo meus pensamentos. – ela sorri erguendo uma sobrancelha, que audaciosa!

— A verdade é que desta vez fora apenas um desabafo, pois não tinha com quem mais dividir minha felicidade, não achava que um dia seria usado contra mim. – disse irritada. – mais tudo bem Xena você venceu. O que queres de mim?

— Apenas você Gabi, só quero você, quero que venha comigo e voltes para casa. – Xena diz segurando em uma de minhas mãos e aceno negativamente.

— Ainda que eu acredite em suas palavras, que tenha dito que o último corpo que teve em seus braços foi o meu, não é suficiente Xena eu preciso de mais, preciso de provas que não me deixará mais, o que realmente me incomoda é que a primeira oportunidade que teve em se tornar o monstro que conheci; você o fez, e deixou-me sem expectativa ou sem saber se um dia iria voltar. — disse eu sem olha-la.

— Não sei como posso te dar tais provas agora Gabrielle, mas posso prometer que farei o possível para que tornes a confiar em mim e tem outra coisa que pode te convencer de voltar comigo á Corinto...

— E o que seria? – Xena ergueu-me em seus braços me colocando em cima de Argo e rumou à casa de minha mãe.

— Saberás ao chegarmos. – disse ela sorridente enquanto cavalgava e puxava as rédeas de meu cavalo.

Notas finais
continua...