A alma da conquistadora.
41 Felicidade
Notas iniciais
Algumas marcas de velas após chegamos aos fundos da casa de minha mãe e avistei ao longe uma figura pequena de vasta cabeleira negra que corria sorridente ao meu encontro. olho diretamente para os olhos de Xena, que já havia descido de Argo erguendo a mão e me ajudando a descer da mesma.
— Isso é golpe baixo Xena – digo sussurrando à Xena.
— Não Gabrielle, isso é plano B. – responde a mesma sorrindo. “Como me perco neste sorriso”.
— Mamãe Gaby, que saudade. – Dylan tira-me de meu transe com um caloroso abraço em minha cintura, pois é onde alcançava seus bracinhos devido a sua altura. Abaixo-me um pouco para retribuir ao abraço.
— Também senti muito sua falta minha filha. – Digo com um misto de tristeza e alegria refletido no tom de minha voz.
— Então porque nos deixou? – Dylan pergunta soltando-se de nosso abraço.
— É um assunto delicado Dylan, talvez quando fores um pouco maior te explique. – olhei para Xena que acompanhava nossa interação.
— Enfim Dylan o importante é que sua mamãe Gaby voltará conosco para Corinto. – Xena se pronuncia e Dylan começa a pular.
Entramos na casa entre risos com as histórias de Dylan, que contava suas aventuras com várias caras e gesticulando muito. Conversamos com minha mãe e Lillah, que não ficaram felizes com nossa partida, mas entenderam meus motivos. Pedi às duas que fossem conosco para Corinto, mas negaram afirmando que suas vidas estavam neste vilarejo e não desejavam mudá-las. Arrumamos nossas provisões, jantamos todas juntas com muitos risos e lembranças, após algumas marcas dormimos no quarto que outrora dividia com minha irmã e partimos ao amanhecer. Caminhamos algumas marcas vela e cavalgamos por outras até que avistamos a mesma hospedaria que parávamos em nossas viagens, esta ficava localizada em um ponto específico para atender aos viajantes que passavam por esta região.
— Vamos até a hospedaria descansar um pouco, nos alimentar e seguiremos viagem. – Disse Xena descendo de Argo, faço o mesmo e estendo os braços para tirar Dylan de meu corcel. – Vá entrando com Dylan que já as encontrarei preciso levar os cavalos para serem cuidados.
Na hospedaria um senhor nos recebeu com muita cortesia e quando viu Dylan se aproximou da menina.
— Ora, ora, que mocinha bonita! O que uma menina tão bonita faz em uma hospedaria humilde como essa? – disse em tom de brincadeira.
— Bom, no momento o que faço é estar a ouvir um senhor que não conheço dizer que sou bonita, pois fique o senhor sabendo que já tenho um noivo. – arregalo os olhos com a fala de Dylan, ela me olha e sorri.
— Espero que isso seja mais uma de suas histórias, ou estou ouvindo coisas? – Xena aparece atrás de Dylan que volta para sua mãe e encara sua barriga erguendo os olhos lentamente para ver seu semblante nada amigável com as mãos na cintura. – engoliu seco e com meio sorriso deu um passo atrás.
— Mamãe, não sabia que já havia voltado. – Segui o senhor para ver nossos aposentos. – era só uma bincadeira. – disse vindo em minha direção com um sorriso travesso. Xena entra no aposento indignada.
— Não acha estar muito nova para pensar nessas coisas? – diz minha esposa já se despindo em direção à sala de banhos em anexo, vejo Dylan rir descaradamente, não acreditando na coragem de Dylan solto um sonoro suspiro.
— Não acho estar muito nova para muitas coisas que você acha que estou mamãe, entletanto, disse era uma bincadeira. ficar noiva de algum menino chato, metido ou faco não está em meus planos; não sei o que fazem os noivos, mas sei que não quero um, só disse isso para que aquele senhor parasse de me bajular com uma menina boba. Afinal o que eu poderia estar fazendo em uma hospedaria? Sei que sou bonita, falar essas coisas são desnecessárias e ele não falou desse jeito com a mãe Gaby. – disse Dylan irritada encarando a mim e Xena que a olhávamos assustadas.
— E se falasse certamente perderia o dom da fala, mas é ótimo não pensar nisso, a propósito quem anda falando esse tipo de coisas para você? – Xena diz saindo de seu transe ponho-me a esfregar suas costas.
— Tia Lillah disse que tinha um noivo, perguntei o que era um noivo e ela disse que era um rapaz para se casar e ter uma família, que a corteja e lhe dá presentes e ela disse que quando eu crescesse teria um. – disse sem cerimônias.
— Certo, muita informação. – me pronuncio – conheci o noivo de Lillah, não achei que ele seja o rapaz certo pra ela, mas enfim isso não é assunto para você ainda. Agora venha até aqui que vou te ajudar a se limpar.
E assim seguimos entre conversas e risadas. Terminamos nosso banho, a refeição chegou aos aposentos e algumas marcas de vela após nos alimentarmos, Xena prepara as montarias para irmos ao porto.
Sempre enjoei em embarcações, mas desta vez percebi que enjoava ainda mais, talvez seja pela quantidade de comida que comi mais cedo, fora as provisões no caminho, não entendo porque sinto tanta fome, apesar de que sempre me alimentei bem, porém ultimamente tenho exagerado; enquanto estava na casa de minha mãe certamente ganhei algumas curvas a mais, não que deva me preocupar talvez seja só saudade da comida de minha mãe, “Hécuba cozinha muito bem, sinto o gosto só em pensar!” e logo sinto outro enjoo sucedendo este pensamento. Observo enquanto Dylan corre de um lado para o outro e Xena conversa com um tripulante da embarcação, logo estaremos em casa.
(Xena)
Ao adentrar os portões de meu palácio sou recebida por um Filemon, muito aflito.
— O que há Filemon, não me parece muito bem homem? – digo descendo de minha montaria, pegando Dylan e a colocando no chão.
— Sejam bem vindas senhoras! O problema é Dália. Está sentindo dores há horas, o curandeiro disse ser necessário induzir o parto, mandaram chamar as parteiras, porém ainda é cedo para o bebê nascer, estou muito preocupado, temo pela vida de minha esposa e de meu filho. – Disse Filemon em um só fôlego, Gabrielle me olhou por segundos e correu em direção ao palácio.
— Deve ir à ala dos aposentos de Dália. – disse à Filemon que acenou positivamente não estranhando o comportamento de Gabrielle.
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— Vovó, vovó cheguei. – Dylan sobe os degraus correndo. – Mamãe Gaby voltou.
— Já não era sem tempo. — Diz Lyceus à Dylan a tomando em um abraço. — Mamãe foi aos aposentos de Dália ajudar, assim que souber de algo nos avisará.
— O bebê da tia Dália já vai nascer? – pergunta-me Dylan intrigada. – ela disse que demoraria ainda algumas luas.
— Sim minha filha, mas ocorreu alguma complicação e o bebê terá que nascer logo para que Dália fique bem. – tento explicar-lhe da forma mais simples que encontrei. – agora vá para seus aposentos tome um banho e troque esta roupa de viagem logo peço à Cassandra para levar algo para que comas.
— Sim mamãe.
Chego, em meus aposentos e começo a me despir com a intenção de me banhar, mas antes que consiga entrar na sala de banho sinto um furacão passando por mim. Era Gabriele que correndo me ultrapassa e logo ouço os sons inconfundíveis de que ela não passava bem.
— Gaby o que está acontecendo? – entro na sala de banhos preocupada e observo Gaby lavando a boca.
— Não sei Xena devo estar a adoecer, sinto essa náusea a todo tempo desde que saímos da casa de mamãe e tenho fome a cada instante, provavelmente por que nada tem ficado em meu estômago por mais de dez minutos. – diz Gabrielle tristemente se dirigindo à fonte de água termal que nos banharíamos, quando sinto seu corpo amolecer e a seguro para não ir ao chão.
— Gabrielle, Gabrielle acorde. – chamo por minha esposa enérgica, Gaby está desacordada, a seguro em meus braços e a coloco em nosso leito, logo em seguida, cubro meu corpo com uma túnica leve e saio em disparada ao encontro do curador. O encontro saindo dos aposentos de Dália, ouço choro de criança, e vejo Filemon passar por mim como um raio em direção ao som, fico tentada a ir ver o bebê mas, primeiro o primeiro.
— Senhor, Nikkos. — o novo curador me olha.
— Senhora imperatriz! – curva-se.
— Levante-se homem e se mova minha esposa está desacordada, preciso que a examine. — digo alto me irritando.
— É claro senhora, onde ela está? – ele levanta alinhando-se
— Vamos. – ele me segue. Chegando a meus aposentos ele se põe á observar Gabrielle, aproxima um pano embebido em um líquido de suas narinas e ela parece despertar.
— Xena? O que aconteceu? – me aproximo eufórica.
— Você desmaiou Gaby, pedi ao curador que a examinasse está bem?- ela acena positivamente com a cabeça e o homem começa a lhe fazer algumas perguntas. Ao final do interrogatório ele olha em minha direção.
— Parabéns conquistadora, sua esposa está grávida! – meu rosto nublou, de repente, como em um rompante disparo meu olhar para Gabrielle assustada e olho novamente para o curador.
— Está louco homem! Como grávida? Como bem sabes me faltam certos atributos para executar tal feito. – ando de um lado para o outro.
— Creio que não preciso lhe explicar como isso ocorre senhora. – o curador me olha apreensivo.
— ORA SEU...- o seguro pelo pescoço. -O QUE INSINUA SEU VERME? QUE MINHA ESPOSA ME ENGANA?
— Cla...claro que não senhora eu só...
— VOCÊ SÓ O QUE? – o homem começava a perder os sentidos.
— XENA PARE! –Gabrielle grita me despertando de minha ira. – vai mata-lo.
— Eu deveria mesmo por tal insinuação. – solto o homem que sai em disparada de meus aposentos. – Todavia, precisamos descobrir o que ocorre Gabrielle, porque essa hipótese é impossível! A menos que tenha algo a me dizer quanto a isso! – digo me aproximando de Gabrielle.
— Ora essa Xena! Acaba de sufocar o pobre homem ao insinuar tal fato e faz o mesmo?
— Não estou dizendo isso e sim que podes saber por que está doente Gabrielle. – neste momento ouço risadas seguidas de uma aura rosa e cheiro de flores primaveris. – Era só oque me faltava!
— Na verdade Xena... Tenho um palpite... – diz Gabrielle se levantando e olhando a deusa.
— Olha como minha amiga pensa rápido... Está vendo guerreira estúpida aprenda. – olho à deusa ameaçadoramente, ela apenas sorri.
— E posso saber por que raios você faria isso Afrodite? – pergunto irritada.
— Bem, cara Xena, digamos que lhes dei esse presentinho no momento em que resolveu ir buscar Gabrielle na casa de sua adorável mãe, minha amiga estava tão decidida a te deixar que pensei que ela não voltaria, principalmente por esse seu jeito de resolver as coisas de maneira tão delicada quanto um coice de mula, então resolvi dar uma ajudinha, uma vez que, quando Gabrielle descobrisse estar grávida voltaria para o palácio.
— É, mas consegui convence-la a voltar sem a sua “ajudinha”, porque não desfez isso? – aponto a barriga de Gabrielle
— Desfazer “isso”? Está brincando comigo? Foi a melhor ideia que já tive desde que Gabrielle entrou em sua vida. E o que está feito, está feito o bebê já está ai vocês só precisam cuidar e não precisam me agradecer. – no mesmo instante a deusa acena e desaparece deixando o cheiro de flores e a fumaça rosa para trás.
— E agora? – pergunto para Gabrielle que estava estática.
— Agora? Me diz você Xena.
— Bom, agora esse palácio ganhará mais uma criança, aliás duas, creio que o filho de Dália tenha nascido.
— O que? E porque não disse logo? – Gabrielle diz correndo para a sala de banhos.
— Tivemos um assunto de extrema emergência pra resolver antes não acha? – digo a acompanhando.
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1 ano após
Encontro-me na sacada de meu palácio apreciando o brilho do carro de Apolo apontando no céu e a magnitude de meu império, comparando ao brilho dos fios dourados do anjo que estava adormecida em meu leito.
“Quem diria que um dia estaria casada e teria filhos com a pequena escarava de olhos inocentes”
Hoje eu posso dizer com certeza que estou completa e feliz quando aquela jovenzinha entrou em meu palácio vi em seus olhos alguém que eu achava ter perdido e certamente, o olhar de Gabrielle assemelhava-me ao meu, quando ainda possuía esperança, humanidade, paz e foi isso que consegui após todo esse tempo lutando contra o monstro que havia me tornado, finalmente recuperei a minha essência.
— Gaby meu amor. – toco em seus cabelos.
— Xena? Bom dia. — Ela sorri e que sorriso lindo.
— Levante e se arrume, vamos tomar o desjejum fora dos aposentos hoje, vou buscar as crianças e já volto.
Uma marca de vela após estávamos próximas à fonte do jardim do palácio, Gabrielle estava radiante e eu me sentia orgulhosa, levei uma cesta com frutas, bolos bebidas e outras guloseimas, forrei uma toalha na grama fresquinha daquela manhã. Servi um copo de leite à Dylan e Gaby amamentava nosso pequeno que possuía agora seus três meses, Gabriel era um menino esperto de cabelos dourados como os de minha esposa e expressivos olhos azuis como os meus e de Dylan. Olho para Gaby, saindo de meus devaneios.
— Hey garotão. — Pego Gabriel de seus braços, ele mexe os pezinhos e sorri. – você gosta da voz da mamãe não é? – ele sorri sonoramente dessa vez. Dylan termina de comer e vai brincar pelo jardim, Gabrielle deita entre meinhas pernas com os joelhos dobrados e apoio Gabriel em sua barriga com as costas nos joelhos de sua mãe ficando dessa forma sentado. Gabrielle segura suas mãozinhas.
— Sabe Xena... Eu não imaginava que minha vida tomaria um rumo como esse, quando menina eu pensava em viajar pelo mundo, conhecer vários lugares e viver aventuras e pensei que assim seria feliz e realizada, no entanto tive que passar por situações terríveis para descobrir que a felicidade está dentro de nós e a realização está em tudo que fazemos com o coração, hoje me sinto feliz e realizada, porque tenho uma esposa carinhosa, atenciosa e linda. — sorri. — Dois filhos maravilhosos e perfeitos. As maiores realizações da minha vida foi você quem me proporcionou Xena e elas se chamam Dylan e Gabriel. – seguro em suas mãos.
— Você realmente me acha linda? — eu sorri, Gabrielle segura Gabriel se sentando de frente para mim.
— Sério que de tudo que disse foi só isso que você ouviu? — pergunta com uma das mãos na cintura.
— É claro que não. – sorrio. – Você Gabrielle e nossos filhos são a maior alegria e a maior conquista de minha vida, eu daria todo meu império, para vê-los sorrir, todos os meus bens para cuidar de vocês e a minha vida para que sejam felizes.
— Não poderíamos ser felizes sem você meu amor. — Ela segura minha mão.
— Eu só sou feliz por que tenho vocês. – a beijei suavemente, até Gabriele nos afastar reclamando e Dylan expressar um sonoro “OWNT”.
Voltando para dentro vimos Dália fazendo uma lista de organização com minha mãe sobre o banquete de aniversário do pequeno Nicholai, que ressonava tranquilamente no colo de Seu pai, Gabrielle sobe com as crianças e ele se aproxima.
— Tem uma coisa em seu rosto Xena. – passo a mão no rosto automaticamente. Filemon sorri.
— É algo como um sorriso e tem um tempo que ele não sai daí. — ele ri ainda mais.
— Isso se chama felicidade meu amigo, FELICIDADE! – Digo subindo as escadas, para me juntar minha família.
Fim
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