A alma da conquistadora.
30 Uma guerra para vencer.
Notas iniciais
(XENA)
Restavam ainda algumas marcas para que o carro de Apolo surgisse no céu. Levanto-me cuidadosamente de meu leito para que o anjo que ressonava ao meu lado não despertasse. Olhei –a uma última vez antes de ir-me e depositei um beijo suave em seus lábios e deixei um pergaminho com minha insígnia destinado a Gabrielle sobre a mesa que Dália deixava o desjejum de Gabrielle.
— Boa noite minha pequena, cuide de nossa filha. – sussurrei enquanto me retirava de meus aposentos.
Já havia pedido à Filemon que selasse um cavalo e provisões para minha viagem, não levaria Argo, pois não queria expô-la a qualquer risco que pudesse correr em uma batalha, não me perdoaria se a perdesse. Aproximando-me dos portões do palácio vejo Filemon montado em um corcel, segurando outro pelas rédeas.
— O que significa isto Filemon? Onde pensa que irá? – pergunto tirando as rédeas do grande garanhão negro de suas mãos.
— Fiz um voto senhora, que a protegeria e se irá correr risco em uma ou mais batalhas estarei ao seu lado. – disse convicto.
— Não irá Filemon, preciso de você aqui. É o único em que confio para manter seguras as mulheres de minha vida além de que tem Dália, ela esperou muito tempo por você para que a abandone agora. Essa guerra é minha Filemon e eu irei vencê-la custe o que custar. – Filemon entristeceu-se, mas ergueu à mão ao peito e saudou-me.
— Como queira minha senhora. — Disse ele e saí em minha montaria, deixando tudo o que me era importante para trás.
Marcas de vela depois o carro de Apolo surgia no céu e ouço cascos de cavalo e passos acompanhando os meus ao longe. Escondo-me e camuflo meu cavalo aguardando a aproximação de quem quer que esteja me seguindo. Ao vê-lo poucos metros de meu esconderijo avanço sobre o perseguidor e o imobilizo.
— Xena, Xena calma sou eu. – vejo meu irmão abaixo de mim levantando as mãos em rendição.
— Mas que Ares Lyceus!!! O que faz aqui? – pergunto me levantando e erguendo Lyceus pela gola de suas vestes.
— Vou acompanha-la. – disse pomposo eu ri.
— E quem lhe disse isso? Aliás, porque me seguiu ás escondidas.
— Porque achei que me mandaria ficar como quando foi em batalha para Corinto. Então resolvi vir sem sua autorização!
— Achou que te mandaria ficar? – ele acenou a cabeça em concordância. – mas, não passou por essa sua mente heroica que eu descobriria que estava me seguindo e te mandaria voltar?
— Você não faria isso estamos muito longe do palácio para me mandar voltar agora.
— A não? Então olhe. – puxei as rédeas da montaria de Lyceus o coloquei sobre a mesma. Tomei meu chicote em mão e açoitei o pobre animal que saiu em disparada de volta à Corinto.
— E não volte ou te amarrarei pelo caminho Lyceus.
Sei que ele ficaria furioso comigo, mas se não queria expor Argos a tal perigo como poderia permitir que meu irmão se ferisse ou pior que fosse morto? Continuei meu caminho parando em algumas estrebarias e tabernas pelo caminho.
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(Gabrielle)
Desperto, feliz e com dores por todo o meu corpo, a noite com Xena foi maravilhosa, procuro minha esposa pelo aposento com o olhar e não a encontro. — já deve estar tratando dos assuntos que disse que teria que resolver hoje. – pensei. Levanto-me indo até a sala de banhos me lavo já que os serviçais já haviam enchido a banheira e em seguida vou tomar meu desjejum que já estava posto sobre a mesa. Percebi que havia dormido demais, pois tudo já estava devidamente preparado assim que acordei. Sento-me diante da mesa e me deparo com algo incomum, a minha frente estava um pergaminho com a insígnia de Xena destinado a mim, abri com curiosidade, pois Xena não era do tipo de mulher propensa a cartas de amor. Ao ler o pergaminho meus olhos se encheram de lágrimas e uma amargura se estendeu por minha garganta.
“Minha Rainha, quando ler este pergaminho provavelmente já estarei à caminho da Trácia, tem um exército de Ares a minha espera naquelas terras. Me perdoe mas, não tive escolha precisei partir para a segurança de Dylan e a sua. Acredite em todas as vezes que disse te amar, pois elas foram reais e creia que se eu tivesse uma escolha ficaria para sempre ao lado da mulher da minha vida e nossa filha, pois é assim que te vejo Gaby, a outra mãe de Dylan e que a ama tanto quanto eu, por isso te peço cuide de nossa menina e de seus interesses, assuma o lugar que é seu por direito, pois és minha esposa e cuide de tudo até que Dylan tenha idade para governar. Eu sempre te amarei.”
“X.”
Tive vontade de gritar e assim o fiz, passei minhas mãos sobre a mesa levando tudo ao chão e corri para fora dos meus aposentos em direção ao pátio em busca de uma resposta para o que eu havia lido na esperança de que fosse uma brincadeira de muito mau gosto. Vi Argo no celeiro e tive uma ponta de esperança. Aproximei-me dela e sorri, um sorriso que se desfez com a aproximação de Filemon.
— Ela não quis expor Argo aos perigos de uma guerra. – um frio subiu por minha coluna e como uma lança atravessando meu peito, recebi as palavras de Filemon, caí em um choro compulsivo e me ajoelhei no chão colocando as mãos sobre os olhos, O general de Xena me abraçou e me ergueu.
— Porque a deixou ir Filemon, porque não a impediu? – perguntei entre lágrimas.
— E quem consegue impedir a Imperatriz da Grécia, de fazer “o que tem que ser feito”?
— Vou dizer o que tem que ser feito; Xena tem que entrar por aquele portão e cuidar de suas obrigações, ela não tem o direito de nos abandonar, ela não tem esse direito! — disse alto o suficiente para que me convencesse disso, o que não adiantou porque tanto eu quanto qualquer outro naquele palácio sabíamos, que Xena tinha o direito de fazer o que bem quisesse. Então avistei o portão se abrir, suspirei alto e vi Lyceus se materializar em minha frente fazendo desaparecer meu último resquício de esperança de encontrar Xena novamente.
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(XENA)
Algumas luas depois chego ao meu destino e vejo o exército de Ares acampados, provavelmente à minha espera, aproximo-me.
— Ora, ora se não é minha querida conquistadora, ao que vejo cumpriu com nosso trato. – disse o verme se dirigindo á mim.
— Não sou mulher de faltar com minha palavra e ainda que fosse eu não teria alternativa Ares, ou teria?
— É claro que havia alternativa minha querida. – passou a mão por minha face — sempre há, poderia entregar-me Dylan para que eu a treinasse e seríamos uma linda família feliz. – gargalhou.
— Sabe bem que isso jamais acontecerá, me passe a estratégia que tem até agora e organize seus homens para que eu assuma. Não trouxe minhas tropas, não quero envolver bons homens em suas causas.
Fomos até o acampamento e os homens estavam enfileirados para me receber, o General de Ares bradou.
— Recebam Xena a imperatriz! – os guerreiros vibraram.
— Bem, não sei o que foi dito para vocês até o presente momento, mas esqueçam. – eu disse alto e em bom tom para que todos ouvissem. – a partir de agora as ordens são minhas, a voz que terão que ouvir e acatar é a minha, a vida e as almas de vocês me pertencem. Exijo lealdade dos meus comandados e o mínimo deslize será punido com a morte, só trabalho com os melhores e se algum de vocês não se julga capaz de me acompanhar nessa jornada, quero se se retire de minha presença. — Os soldados se entreolharam e não se moveram. — Muito bem ninguém se manifestou, sendo assim creio que não haverá problemas.
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