A alma da conquistadora.
35 Quem pensa que és?
Notas iniciais
— Senti sua falta Xena.
— E eu a sua Gaby.
— Porém, não sou capaz de te perdoar Xena, não sabe o que passamos em sua ausência, não te reconheço mais depois das atrocidades que cometeu com o exército de Ares. Tens noção de quantos inocentes tivemos que acolher porque tuas tropas invadiram e destruíram suas cidades, quantas mulheres ficaram sem sustento por terem perdido maridos e filhos para seus exércitos? Tens noção do quanto Dylan sofreu por achar que a mãe não a queria mais? – Gaby disse e pude ver a dor em seus olhos.
— Sinto muito meu amor, mas a dor de tê-las perdido me consumiu e só conseguia pensar em aplacar minha ira nos campos de batalha e como a raiva tomava meu corpo em pouco tempo já não respondia por mim, quando via a destruição que havia causado era que me recompunha e lembrava-me do único motivo de estar naquela situação, que era manter vocês a salvo.
— Não me importa agora seus motivos Xena, preciso de tempo e se realmente ainda me ama como diz saberá respeitá-lo. – disse Gaby já se afastando deixando-me enquanto a olhava subir as escadas.
Senti um ódio terrível me possuir e neste momento pedi a um dos guardas que selecionassem alguns dos prisioneiros que haviam sido condenados à execução na próxima lua e levassem até o meu salão de treinamento pessoal. ______________________________________________________________________
Uma marca de vela após estavam todos enfileirados cerca de uns quinze homens á minha frente e caminhei lentamente girando minha espada com um sorriso perverso nos olhos.
— Sabem por que estão aqui? – não houve resposta. – já que não respondem vou lhes dizer. Darei á vocês uma chance de serem livres. – sorri diabolicamente. – só que para isso terão que me vencer em batalha. Aos que concordarem lhes entregarei uma espada aos que não, morrerão ao fio da minha agora mesmo, então o que me dizem? — os homens se entre olharam. – bem ainda espero uma resposta e como todos sabem não sou conhecida por minha paciência.
— S, sim conquistadora. — responderam trêmulos e duvidosos, sorri triunfante.
— Guardas coloquem quinze espadas no meio do salão, soltem as correntes desses bastardos e permitam que me enfrentem. — e assim fizeram quando soltaram às correntes, os infelizes correram em minha direção com espadas em punhos e toda a ira que estava sentindo naquele momento ia se esvaindo à cada estocada de minha espada, em cada membro decepado ou sangue que corria de minhas vítimas, até que minha raiva se aflorou levando-me ao êxtase trazendo de volta a besta quando parei um golpe às minhas costas com minha espada mas, senti um corte na lateral de minha cervical, olhei para trás e vi a espada que expunha meu sangue na ponta, olhei friamente para o assassino que segurava a espada, ele tremia, lhe sorri e em seguida nossas espadas tilintavam violentamente.
— Sabe, não se ataca um guerreiro pelas costas mas, entendo que sua vida depende disso porém, não tens muita vida pela frente. – neste momento o homem arregalou seus olhos quando arremeti minha espada até o punho em seu abdômen e dei-lhe um chute deixando-o no chão junto com os outros quatorze que já havia matado. – limpem essa bagunça. – bradei aos guardas enquanto entregava minha espada para um deles a fim de que a limpassem.
(Gabrielle)
Voltava aos meus aposentos quando encontrei Xena totalmente ensanguentada descendo da torre.
— Nem mesmo irei te perguntar o que fazias, porém preciso saber o que fez com os prisioneiros que estavam nos calabouços. – perguntei irritada. Havia acabado de chegar de uma inspeção e não havia mais prisioneiros além dos ladrões que urravam de dor por suas mãos queimadas.
— Isso depende fala dos quinze que acabo de dar a chance de liberdade ou os que mandei executar na próxima lua? Ah sim! Talvez queira saber por que não estão lá... ou porquê queimei as mãos dos que restaram. – olhei-a horrorizada.
— Como tens capacidade de dizer tais coisas tão calmamente?
— Simples Gabrielle não sou Xena a conquistadora imperatriz de toda Grécia porque perdoo assassinos, estupradores ou ladrões em meu reino. Essa é minha lei e os bastardos que não estavam nos calabouços foram levados ao nível superior a fim de aguardar a sentença.
— E que sentença terão? – perguntei aflita.
— Serão enforcados. – sorriu. — lançados da torre. – disse entrando em meus aposentos e indo em direção à minha sala de banhos. A segui.
— Achas mesmo que podes sumir por dois verões e chegar dando ordens e aplicando sentenças como se tivesse saído noite passada? – pergunto irritada.
— Não acho Gabrielle, tenho certeza, afinal ainda sou a imperatriz aqui, minha pequena. – disse se despindo.
— O que achas que está fazendo? – pergunto corando.
— Preparando-me para banhar-me oras. Achei que fosse óbvio?
— Sim isso é óbvio mas, tens que fazer isso em meus aposentos?
— Seu? Ah sim, me perdoe minha senhora, achei que fosse a minha sala de banhos — disse ironicamente. — Ou espere ... Esta é minha sala de banhos. – riu. Entrando na tina.
— Oras Xena não me insulte, sabes que não dormirás ao meu lado.
— E onde espera que eu durma?
— Não sei, tem mais uma centena de quartos nesse palácio... Escolha um ou se quiser durma no celeiro, mas em meu leito não se deitarás. — Ela riu fazendo sinal de negação com a cabeça.
— Oras Gabrielle deixe disso e venha, junte-se a mim neste banho maravilhoso. Se te incomoda tanto, procure um aposento para você, tenho muita estima por este – saí bufando e pisando forte enquanto Xena divertia-se com minha irritação.
Ao sair de meus aposentos, ou melhor, o de Xena vi aquela figura sorridente correndo em minha direção, a pego em meus braços.
— Mamãe Gaby é verdade o que todos dizem? Minha mãe voltou?
— Sim minha princesa é verdade.
— E onde está quero vê-la. – suspirei ao ouvi-la, são incríveis as crianças, não guardam mágoa, gostaria de ter novamente essa inocência.
— Está em sua sala de banho espere... – não concluí o que dizia quando Dylan passou por mim como um raio entrando na antecâmara ao encontro de sua mãe.
(Dylan)
Caminhei lentamente com meu coração aos pulos e senti borboletas no estômago por saber que encontraria a pessoa que esperei ver por tanto tempo atrás das portas da sala de banhos.
— Gaby, sabia que reconsideraria minha proposta. – disse mamãe ao ouvir a porta se abrir.
— Não sou a Gaby mamãe. – virou-se lentamente e seus azuis se encontraram com os meus, que já estavam banhados em lágrimas.
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