A alma da conquistadora.
36 Conselho de mãe
Notas iniciais
— Não sou a Gaby mamãe. – virou-se lentamente e seus azuis se encontraram com os meus, que já estavam banhados em lágrimas.
— Dylan? – mamãe se levantou cobrindo seu corpo com uma toalha e se aproximou de mim. Não resisti e corri ao seu encontro ela se abaixou e abraçou-me.
— Por que foi embora mamãe, por que me abandonou de novo? — perguntei com o rosto em seus ombros.
— Não entenderias agora minha filha, ainda és muito nova, só o que precisas saber é que se o fiz, foi para garantir vossa segurança e foi a decisão mais difícil de minha vida mas graças à Athenas isso jamais terá que se repetir, nunca mais me afastarei de você minha criança. – sorri ao ouvi-la dizer isso.
— Então não se cansou de mim? A culpa não foi minha? – pergunto sorrindo e olhando em seus olhos.
— Mas é claro que não Dylan? De onde tirastes tal ideia? Nunca mais repitas isso minha filha, você é o melhor que tive nesta vida e nem por um momento me cansaria de cuidar de você, és meu bem mais precioso ouvistes bem? – acenei com a cabeça e ela me pega nos braços indo em direção à sala de dormir. – agora fique aqui, pois vou me vestir. – joga-me em sua cama.
— Mamãe, sabia que tia Dália vai ter um bebê? – perguntei alto para que ouvisse de onde estava. O aposento de mamãe é muito grande e tem um quarto só para suas roupas.
— Ouvi uma conversa de Dália, sua avó e Gaby, então sim, não deveria, mas sei. – ela diz sorrindo enquanto volta à minha direção.
— Não sabia que a conquistadora ouvia atrás das potas, portas. – me corrigi e mamãe sorriu.
— Não sabia que ainda tropeça nas palavras. – deu um sorriso de lado. – não ouço atrás das portas ia até o aposento de Dália e elas falavam alto. Jogou-se na cama ao meu lado.
— Caso tenha se esquecido mamãe, sou grande mais ainda tenho seis verões, mamãe Gaby diz que é normal que erre algumas palavras. – dei língua á ela, que se fez de ofendida, pondo-se logo após a me fazer cócegas.
— Agora vai aprender a não me dar língua sua atrevida.
— Não mamãe, pála, pá...para com isso! – ríamos e rolávamos na cama aplacando as saudades.
(Xena)
— O que achas de sairmos por aí dando algumas ordens? – disse após algum tempo deitada com minha filha em meus aposentos.
— Não sei! Esse é o tipo de coisa que mamãe Gaby disse que não devo fazer... – diz ela tristemente.
— Pois digo que como futura imperatriz deves aprender a outorgar leis, e aplicar ordem à este lugar. – disse levantando-me e colocando Dylan em minhas costas. – agora vamos.
—Vamos! – diz Dylan animada.
Descemos as escadas em direção ao pátio principal e avisto ao longe crianças correndo e algumas tendas que havia visto quando cheguei dentro dos portões do palácio, ponho Dylan no chão e guiando-lhe pela mão me aproximo de uma aldeã que encontrava-se sentada cuidando de alguns pequenos.
— Olá! – digo suavemente.
— Olá, posso ajuda-la! – Impressionante como as pessoas não me reconhecem sem minha túnica ou tremem ao ouvirem minha voz, senão aplicando sentenças, tenho um pouco de humanidade afinal.
— Talvez senhora. – digo ainda com voz suave. – podes explicar-me o que se passa aqui? Porque tantas tendas e pessoas dentro dos portões do palácio?
— Ora, onde tens passado os últimos dois verões? Desde que Xena a conquistadora começou á arrasar os vilarejos vizinhos à Corinto, tivemos que nos refugiar, já que a maioria de nossos maridos foram mortos ou recrutados. – disse a mulher tristemente. – Então a bondosa dama Gabriele nos preparou essas tendas provisoriamente até que a guerra terminasse, para que pudéssemos voltar e reconstruir nossas aldeias.
— Compreendo. – olho para Dylan que brincava com algumas crianças. Vamos minha filha.
— Sim mamãe!
— D-Dylan é sua... IMPERATRIZ!!! – a mulher disse horrorizada. Lhe sorri e fiz sinal com o dedo para que se cala-se. – acalme-se, nada lhe acontecerá só não conte à ninguém que estive aqui. – a mulher acenou positivamente ainda muito trêmula, peguei a mão de Dylan e seguimos aos estábulos.
— Mamãe?
— Sim?
— Porque aquela senhora estava bem quando chegamos e mudou quando saímos?
— Como mudou filha?
— Não sei dileito mas, estava tremendo e gaguejando.
— Ah é o efeito Xena que causo as pessoas...- segui rindo alto, enquanto Dylan me olhava curiosa.
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Algumas horas de vela após Dylan já estava em seus aposentos e Cyrene se aproxima.
— Filha! – Ela me abraça.
— Olá mamãe.
— Xena... Olá mamãe está longe do que preciso ouvir. Ah...- ela suspira – Xena preciso saber o que aconteceu, sei que teve que partir para nos proteger disse isso repetidas vezes mas o que lhe fez voltar?
Flashback on
A última batalha durou duas luas sem descanso e conseguimos acabar com todo exército Tessalônico e como após todas as guerras que vencíamos os homens foram festejar e eu fui até a tenda de Ares, mas ao me aproximar ouvi que ele conversava com alguém.
— Não acredito que Xena se prestará à isso Ares, não pode mandar sequestrar a sua própria filha, só para que a mãe se case com você e se algo acontecer com a menina! – era Athena.
— Pouco me importa com o bem estar dela, contanto que me entreguem ela viva para convencer Xena a ficar comigo.
— Ares ela é sua filha! Não permitirei que faça mal á minha sobrinha, ela é sangue de meu sangue ainda que seja filha de um idiota como você.
— Pare de dizer, asneira Athena essa fedelha não é sua sobrinha, ela não tem sangue de Deus algum, Demétrio estava com Xena na noite em que o exército venceu sobre suas ordens era eu lá, vi a oportunidade de dizer que a pirralha era minha, pois todos achavam que a vitória era de Demétrio e ele não desmentiu, preferiu levar o crédito e Xena acreditou, pois ele voltara na mesma noite ao acampamento.
— ENTÃO VOCÊ NÃO É PAI DE DYLAN??? – irrompi pela entrada de sua tenda. – Ares eu nunca achei que encontraria prazer em palavra alguma proferido por você. – voltei-me para Athena. – Creio que já que minha filha não tem o sangue de vocês Ares não pode mandar o Pantheon atrás dela!
— Claro que não Xena o Pantheon virá busca-lo, para que seja julgado. – dito isso Athena envolveu Ares em sua aura e os dois desapareceram.
Flashback off
— E logo decidi abandonar a guerra e voltar mamãe.
— E quando chegou o que exatamente aconteceu?
Flashback on
Após descobrir que Ares havia enganando-me todo esse tempo, minha primeira reação foi retornar à minha vida, à minha filha, minha esposa. Sentia falta dos braços de Gabrielle, do sorriso de Dylan, suas broncas minha mãe, não sei como seria recebida por vocês, mas uma coisa era certa, eu iria voltar só precisava de um motivo, uma forma de me livrar de Ares e se como os deuses os quais, por algum motivo estavam me ajudando ultimamente, mais uma vez lançaram a solução à minha frente.
Retornei a Corinto, e fiquei intrigada com todo o movimento de aldeões por ali, vi abrigos, casas de camponeses espalhada por boa parte das dependências do palácio, adentrei e fui diretamente aos meus aposentos, procurei por minha esposa e não a encontrei, logo lembrei-me que devido à marca Gabrielle devia estar no salão de julgamentos, segui ao mesmo e antes que o guarda me anunciasse ouvi a conversa dentro do salão.
— A verdade Filemon, é que não posso mandar matar esses homens.
— MAS EU POSSO! – bradei em alto e bom som, irrompendo pelos portões do salão de julgamento vendo o problema que havia ali, Gabrielle piscou algumas vezes estática e após um breve sorriso, foi ao chão, corri até ela e a tomei em meus braços.
— S..Senhora? – disse Filemon gaguejando.
— Deixe de gaguejar homem e peça o curandeira que vá até meus aposentos.
— Sim Senhora, como queira. – retirou em passos largos
Segui até meus aposentos e coloquei minha esposa sobre nosso leito, e sentei-me ao seu lado aguardando a chegada do velho curandeiro. Porém, antes que o mesmo chegasse Gabrielle despertou.
— Vo...você voltou? – pergunta confusa.
— Voltei Gaby... para você meu amor! – respondi sorrindo.
— Não me chame de amor. – levantou-se.
— Mas é o que você é para mim Gabrielle! – respondo levantando-me também.
— Não Xena! Seu amor é a guerra... é só isso que importa à puta de Ares! – não acreditei no que ouvia, não imaginava que Gabrielle seria capaz de acreditar em tal boato.
— Nunca mais me chame assim Gabrielle! – eu disse entredentes.
— Então me diga Xena, como é chamada a mulher que se deita com Ares? Até porque esposa não pode ser, já que és casada comigo! E todos do Império a chamam assim: “Xena a Puta de Ares!” – nesse momento seguro com força suas mãos.
— Não fale comigo dessa forma Gabrille! – bradei furiosa..
— E como deveria chamar a “minha” esposa, que tem se deitado com o deus da guerra!?
— Você não sabe o que está dizendo. – seguro ainda mais forte seus braços e sinto meus olhos arder em fúria a besta beirava superfície.
— Solte-me Xena está me machucando. – não à solto então, ela faz mais força com uma das mãos conseguindo se soltar e acerta um tapa com as costas da mão em meu rosto e sinto uma ardência no mesmo leva os dedos à face e vejo sangue, olho friamente para Gabrielle tentando controlar meus instintos e abaixo o olhar.
— Eu nunca me deitei com ele! E o último corpo que tive em meus braços foi o seu, cabe a você acreditar ou não. – disse de forma suave e lancei lhe um último olhar, retirando-me em seguida.
Voltei ao salão de julgamentos.
Flashback off
Então é esse o motivo desse corte em seu rosto e as marcas roxas nos pulsos de Gabrielle?
— Sim mamãe! – disse tristemente.
— Pois trate de resolver isso Xena pois, se realmente está arrependida do que fez precisas cuidar de devolver um pouco de dignidade a essas pobres mulheres que perderam seus lares e família, talvez dessa forma consigas recuperar sua esposa. – disse minha mãe dando-me um beijo na face e retirando-se em seguida. Adormeci pensando em suas palavras.
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