A alma da conquistadora.
24 O casamento da Imperatriz.
Notas iniciais
Gabrielle dormia profundamente enquanto Dylan se deitou ao meu lado.
— Mamãe ainda está acodada?
— Agora estou. — acomodei-a sob minhas peles. — O que houve?
— Não consigo domi... fale do meu papai.
— Vamos ver... por onde posso começar?
— Diga-me como era lutar ao seu lado? — Dylan balançava as mãozinhas no ar como se manejasse uma espada.
— Como sabe seu pai era um dos generais de meu exército, tínhamos um plano para possuir a Gália, eu comandava o exército ao sul e Demétrio ao norte...
— Se vocês ficavam longe como namolavam?
— Se você não me interromper irá saber.
(Gabrielle)
Despertei no meio da noite e ouvi Xena contando sua história a Dylan fiquei curiosa e passei a ouvir também, mas sem me mover para que elas não percebessem que eu estava acordada.
— " Geralmente ao fim de cada batalha seu pai ia até minha tenda, nos encontrávamos para armar estratégias e trocar informações sobre o exército inimigo..."
—" E então namolavam ?" — Dylan interrompeu Xena.
—" Sim Dylan, e então namorávamos.... Assim em um desses encontros fizemos você."
—" Fizelam como?"
—" Como à um pão de nozes." — ri baixo ao ouvir isso.
—" Vocês me colocalam no forno?"
—" Não Dylan em minha barriga. Posso continuar?" — Dylan ficou em silencioso por um momento.
—" Não, depois dessa vou domi e vou domi com a vovó! — levantou-se — Vovó mamãe disse que sou um pão de noges!!! — Dylan correu em direção ao quarto de Cyrene.
— Bela história Xena! — disse eu virando-me em direção a ela e sorrindo.
— Não sabia que estava acordada. — ela respondeu com os olhos fechados.
— É sério isso Xena... Como à um pão de nozes? — perguntei rindo muito, em seguida Xena jogou-me um travesseiro.
— Vá dormir Gabrielle! — e virou-se para o outro lado.
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Na manhã seguinte estávamos à mesa tomando nosso desjejum enquanto Xena, tentava convencer Cyrene à partir conosco para Corinto, sua cartada final foi dizer que ela faria os preparativos da festa de casamento.
— Então dona Cyrene, ninguém melhor que minha mãe para organizar uma bela festa após a cerimônia de meu casamento! — Cyrene parecia pensar.
— Tudo bem, mas após a festa volto para minha casa. — Dylan observava a conversa enquanto comia uma bela fatia de bolo.
— Então está certo, vamos preparar tudo, pois viajaremos após o desjejum ainda temos que levar uma sacerdotisa do templo de Afrodite conosco. — Xena se levantou vitoriosa.
— Achei que nos casaríamos no templo Xena. — perguntei.
— Mudança de planos, não quero ficar muito tempo por aqui Gaby.
— Oh sim! — lembrei-me dos homens que Xena havia visto no caminho. Certamente ela não queria dar tempo para que eles nos alcançassem.
Nos preparamos e seguimos caminho ao templo de Afrodite e Dylan parecia preocupada.
— O que foi pequena, está triste? — Xena perguntou à menina.
— Só um pouco. — ela respondeu chutando uma pedra, distraidamente.
— E porque? — Xena insistiu.
— Porque queria lembrar do papai, você disse que ele me viu nascer, então eu o conheci mas não me lembro dele. — Xena olhou-me como se pedisse permissão para falar sobre seu antigo amor, não podia negar que ouvir sobre Demétrio me incomodava um pouco, mas sabia que aquela mulher ao meu lado, outrora havia tido um passado e parte deste passado seguia ao nosso lado em nosso presente. Assenti e Xena entendeu que poderia conversar com a sua menina.
— Dylan você era apenas um bebê, era muito pequena para lembrar-se.
— Mas poquê ele teve que voltar mamãe? Nós estávamos em casa, ele tinha que ficar conosco! — Dylan disse com lágrimas nos olhos, Xena a segurou em seus braços enquanto caminhávamos, Cyrene e eu seguíamos silenciosamente um pouco à frente.
— Seu pai voltou para retirar-se da guerra pois queria levar uma vida normal, cuidar de nossa família mas... — Xena pareceu voltar ao passado e parou de caminhar, olhei em sua direção e seus olhos escureceram, depois voltou sua atenção à Dylan — Mas ele foi enganado por um homem mau e este tirou Demétrio de nós.
— E então você ficou malvada de novo e me deu para a vovó, já sei! Essa parte vovó me contou. — ela emburrou a cara e cruzou os bracinhos.
— A verdade minha filha é que eu quis vingar a morte de seu pai e não poderia te expor à esse tipo de perigo, você me entende? — ela perguntou preocupada com um olhar doce e Dylan assentiu dando um beijo na face de Xena, continuamos nosso caminho.
Dylan sempre foi uma menina esperta e parecia ver a comoção nos olhos de sua mãe, realmente Xena queria mudar seu passado formar uma família, mas nós não podemos prever o que a menina, a senhora e a velha do destino nos reservam e o de Xena já estava sendo fiado desde que aceitou o trato com Ares.
Chegamos ao templo de Afrodite e Xena parecia irritada pois a sacerdotisa se negava à nos acompanhar.
— Escuta aqui, você sabe quem está contrariando?
— Todos sabem quem é a imperatriz da Grécia, senhora! Mas não posso abandonar meus afazeres no templo e não tenho quem fique aqui em meu lugar !
— Isso não importa e você vem comigo querendo ou não. — Xena puxou a espada e apontou para a mulher.
— XENA!!! — Gritei — O que pensa que está fazendo ?
— Convencendo ela. — me respondeu como se fosse a coisa mais óbvia a se dizer.
— Acalme-se senhora ela não lhe fará nada. Não é Xena! — dei-lhe um olhar sério.
— É, é... como quiser! — guardou a espada e virou com expressão de enfado.
De repente observamos ao centro do templo surgir uma aura rosa e um cheiro de flores primaveris começou a encher o ambiente, pudemos observar uma forma feminina sensual surgir em nossa frente com um ar irritado, a sacerdotisa se curvou, Cyrene não parecia acreditar no que seus olhos viam, eu e Dylan sorríamos enquanto Xena jogou os braços ao alto demostrando ainda mais enfado.
— O que acontece aqui???
— Moça como você fez isso? me ensina? — Dylan correu em direção à Afrodite com seus olhinhos brilhando.
— Talvez outro dia lindinha. — ela sorriu e passou a mão nos cabelos negros de Dylan. — Agora alguém pode me dizer que algazarra é essa em meu templo?
— Minha deusa, a imperatriz deseja que eu a acompanhe à Corinto, mas eu não posso deixar de cuidar dos afazeres em seu templo e tentava lhe explicar. — disse a sacerdotiza ainda ajoelhada aos pés de Afrodite.
— E eu posso saber o que quer com minha sacerdotisa Xena? — perguntou Afrodite à Xena.
— Me casar! — respondeu sem ânimo.
— ... — Afrodite parecia não acreditar no que ouvia.
— Vou ter duas mamães, tia!
— Dylan ela não é sua tia. — Xena disse pegando a menina nos braços pareceu incomodada com o que Dylan havia dito.
— Mas isso é maravilhoso! — gritou Afrodite saindo de seu transe. — Não se preocupe minha querida. — olhou para a Sacerdotisa. — Eu realizarei o casamento de minha amada Gabrielle com essa guerreira estúpida, afinal um acontecimento desses não se vê todos os dias! — Afrodite soltou uma sonora gargalhada.
— Então vamos andando que já estamos atrasadas.
— Acalme-se Xena, chegaremos em Corinto mais rápido que imagina! — interviu Afrodite e logo em seguida fomos envoltas pela mesma aura rosa em que Afrodite apareceu e surgimos no pátio principal do palácio.
— Que legal podemos fazer de novo? — disse Dylan aplaudindo.
— Não Dylan, não podemos fazer de novo nem deveríamos ter feito desta vez. — Xena falou com a filha. — Porque fez isso?
— Quanto antes começarem os preparativos mais rápido realizaremos esse acontecimento inacreditável! — Afrodite realmente estava maravilhada com meu casamento. — Agora se me derem licença, volto para a cerimônia! — e desapareceu da mesma forma que apareceu deixando cheiro de flores por todo o ambiente.
— O que foi tudo isso? — Cyrene finalmente disse algo.
— Intromissão de Afrodite como sempre mamãe! Venha vamos descansar te mostrarei onde ficará esta noite. — disse Xena enquanto Filemon descia as escadas.
— Senhora Imperatriz que bom vê-la e com visitantes.
— Filemon essa é minha mãe Cyrene, cuide para que se instale em um dos aposentos ao lado do meu e peça a Cassandra que prepare um banho e lhe mostre a sala de jantar.
— Claro senhora, como deseja será feito sua mãe se sentirá em sua própria casa.
— Assim deve ser Filemon agora vamos. Até o jantar mamãe!
— Vou com você vovó! — Dylan segurou a mão de Cyrene e subiu as escadas com ela.
( XENA )
Estávamos todos à mesa e fomos recebidas com um verdadeiro banquete, minha mãe parecia um pouco desconcertada com toda aquela recepção, mas olhava por todos os lados esperando ver uma figura conhecida.
— Acalme-se Cyrene ele sempre se atrasa mas logo o verá. — eu tentei a acalmar vendo sua agitação.
— Não quero simplesmente vê-lo Xena, quero o agarrar pelo pescoço, por ter me deixado tanto tempo cuidando de tudo sozinha, como não bastasse ter sido abandonada por uma filha o meu filho desaparece carregando minha neta junto! — Mamãe estava realmente irritada.
— Mas não foi você mesma quem pediu que ele trouxesse Dylan pois estava doente? — insisti.
— Sim, mas para trazê-la não precisava ter ficado de vez aqui.
— Mamãe! Que surpresa vê-la. — Lyceus vinha em nossa direção com os braços abertos, mamãe levantou-se e o abraçou em seguida fechou o cenho.
— Por quê não voltou para casa Lyceus? Fiquei preocupada. — mamãe disse ao mesmo tempo que dava tapas no braço de meu irmão.
— Ai! Eu enviei um mensageiro!
— É... grande consideração, filho desnaturado! — mamãe disse se sentando e todos começamos à rir.
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Ao amanhecer, descia as escadas em direção à cozinha para buscar água, quando ouvi vozes de mulheres discutindo.
— Hey! Que Ades acontece aqui?
— Senhora conquistadora! — Dália se assustou.
— Esta mulher tentou atacar-me com a colher de pau! — disse mamãe indignada.
— É claro, você invadiu minha cozinha! Nem ao menos sei quem és. — Dália rebateu.
— Dália, esta é Cyrene... minha mãe e mamãe esta é Dália a "dona" de minhas cozinhas. — disse rindo e fazendo aspas com as mãos.
— Sua mãe? E o que sua mãe faz aqui senhora?
— Eu vim fazer os preparativos da festa de casamento de minha filha! — Cyrene respondeu em meu lugar vitoriosa!
— Casamento? Espera agora que não entendo mais nada! — Dália dizia confusa.
— Deixe-me explicar Dália. Gaby e eu nos casaremos hoje e mamãe só aceitou vir à Corinto com a condição de fazer os aperitivos e outras coisas da festa de casamento.
— Entendo senhora mas por que não me disse antes, eu já teria começado à preparar tudo e...
— Por que sou eu quem fará tudo! Diga a ela Xena. — Mamãe olhou em minha direção.
— Direi uma coisa sim. Basta! Estou farta dessa discussão de vocês, eu bebi o suficiente ontem à noite e não tenho humor para essas brigas! Encontrem uma forma de trabalharem juntas ou nomearei um de meus servos para esta função.
— Tudo bem Xena, é uma satisfação e honra receber vossa mãe aqui senhora imperatriz!
— Assim deve ser. Agora por favor prepare uma bandeja para meu desjejum e de Gaby, peça à um servo que leve à meus aposentos... e vinho!
— Mas senhora o que realmente veio fazer aqui?
— Vinha beber água, mas depois disso desisti... Prefiro vinho!
— E depois diz que bebeu o suficiente ontem à noite! — Cyrene diz olhando para Dália. Saí da cozinha revirando os olhos, com o comentário de minha mãe.
Horas mais tarde andava de um lado ao outro no pátio principal do palácio não via a hora de que tudo isso passasse, nem mesmo em minhas mais difíceis batalhas ficava tão nervosa, o manto de seda com bordados dourados que usava sobre minhas vestes impecavelmente brancas, varria o chão enquanto caminhava de um lado a outro.
— Senhora precisa se acalmar! — dizia Filemon.
— Como posso me acalmar ela não vi... rá! — à vi andando em minha direção, tão bela com seus cabelos presos no alto da cabeça e algumas mexas esvoaçando pelo rosto, um vestido justo com uma fenda na perna esquerda e uma linda capa com mangas compridas aberta na frente sobre o corpo, que esvoaçava enquanto ela andava, olhando em meus olhos, neste momento algo me tira de meu devaneio.
— Ora, ora isso tudo está muito lindo mas vamos à parte importante dessa reuniãozinha. — disse Afrodite referindo-se à meu exército com suas famílias, todos os nobres da corte e das províncias vizinhas e pessoas que eu jamais havia visto em minha vida que vieram comprovar o que aconteceria quando foi anunciado pelos mensageiros o casamento da imperatriz.
— Gabrielle você está linda!
— Você também Xena! — ela disse com os olhos brilhantes e as bochechas coradas.
Afrodite realizou a cerimônia dizendo frases lindas e piadas com outras e enfim Dylan surgiu com as alianças linda como um anjo toda de branco e inacreditavelmente de vestido e sapatos, uma verdadeira princesa. Trocamos as alianças a deusa nos declarou casadas com sua benção e de todos os deuses e toda aquela conversa que me irritava profundamente. recebemos os cumprimentos da corte e de alguns outros convidados enquanto alguns se limitavam à se curvarem enquanto passávamos.
— Então vamos transferir esta comemoração para o salão de jantar. — disse eu mais alto do que realmente pretendia.
houve realmente um banquete, em nossa festa.
— Ao que tudo indica você e Dália se entenderam bem na cozinha mamãe! — Dizia a minha mãe que estava sentada à minha esquerda.
— Sim Dália se mostrou muito prestativa e parece que temos muito em comum não é?
— Claro Cyrene nos daremos muito bem! — Dália piscou um olho para minha mãe, olhei para Gaby que estava de meu outro lado e rimos.
Durante o jantar alguns duques se aproximavam para nos cumprimentar e outros tentavam conversar amenidades, falavam sobre suas esposas e família, e Gabrielle parecia muito interessada nesses assuntos, mas não mais que quando uma das esposas destes lhe pediam para ver sua aliança e ficavam admiradas com a aliança cravejada de pequenos diamantes.
A festa estava deslumbrante, puxei Gabrielle pela mão e a fiz me segui comecei à subir as escadas em direção aos nossos aposentos.
— Xena! O que está fazendo?
— Já me casei, agora vou levar meu prêmio!
— A quer dizer que sou um troféu? Pensei que fosse sua esposa! — disse divertida.
— É pode ser, troféu, esposa depois de tantas garrafas de vinho, hidromel e sabe-se lá o que bebi não diferencio mais nada! Agora venha aos nossos aposentos quero ver esse seu lindo vestido... fora de seu corpo!
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