A alma da conquistadora.
4 Incontrolável
Notas iniciais
Tudo correu bem à noite, acordei e não vi Dylan ao meu lado, fui até a taberna e encontrei minha mãe e meu irmão, já estavam trabalhando.
–- Onde está Dylan? – perguntei.
–- Está nos fundos da casa, ela passa o dia todo lá! – respondeu Lyceus. Fui ao encontro de minha filha.
–- Ei Dylan o que faz aqui?
–- Eu tô tleinando com minha espada – Dylan mostra-me sua espada de madeira.
–- Quem te deu isso?
–- Meu tiu fez pla mim! – Dylan me respondeu sorridente.
–- E por que uma espada? Pode machucar alguém com isso.
–- Mas é pa isso que sevem as espadas e você tem uma de vedade!
–- Mas eu sou uma adulta e sou guerreira, você é só uma menininha.
–- Mas vou ser uma glande guerreila quando quecer... como você mamãe!
–- Não gostaria que seguisse por este caminho Dy, ele só traz tristeza e nos afasta das pessoas que amamos.
–- É polisso que vivo com a bobó, po que você ecolheu esse caminho mamãe?
–- É, é por isso Dylan. – disse eu tristemente.
–- Hum... mas se eu não tiver uma espada como bou ploteger a bobó?
–- Vejamos... – procurei por uma vara do comprimento de um cajado, ensinei pequenos movimentos a Dylan durante um tempo e ela logo se afeiçoou à nova arma deixando a espada de lado, o que me deixou mais tranquila, passamos o resto do dia juntas, incomodamos mamãe e Lyceus na taberna, fomos ao lago e ao comércio de Amphipolis, ao caí da tarde me despedi de minha mãe, Lyceus e Dylan aos prantos pediu que eu não fosse! É claro que me comoveu.
–- Olha Dy, lembra que prometi te levar para morar comigo?
–- Sim.
–- O farei, mas você tem que ser paciente, tenho que resolver alguns problemas para zelar pela sua segurança e assim que tudo estiver seguro, volto para te buscar.
–- Plomete? – perguntou entre soluços.
–- Eu prometo! – nos abraçamos por um longo tempo e pude seguir meu caminho para Corinto!
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(Filemom)
Fiquei muito constrangido depois daquele incidente com Gabrielle e a conquistadora, a governante da Grécia nem mesmo voltou a falar comigo, me pareceu enciumada, mas foi muito razoável para ser sincero, a questão é que seria um despropósito se fizesse algo, é certo que tenho um apreço pela menina e nem sei por quê, mas ela nada mais é que isso, uma menina! Isso sem dizer que tenho um amor que acredito não ser correspondido dentro dos muros deste palácio. Saí de meus devaneios quando Dália me chamou.
–- Filemom!
–- Sim?
–- Sabe da Conquistadora? – Dália me perguntou.
–- Não, ela não está? – perguntei intrigado.
–- Não, a menina Gabrielle disse não tê-la visto por todo o dia. Não está em seu escritório e não à vi em nenhum outro lugar.
–- Oh sim me lembrei... lembra para onde a conquistadora vai nesta época do ano?
–- Verdade! Como não me lembrei disso, mas por que será que foi sem dizer nada? – Dália perguntou.
–- Talvez para não levantar suspeita aos traidores, pois ainda não sabemos quem são, apesar que a conquistadora já tem suas suspeitas.
–- Ela sempre tem. – disse Dália com um sorriso no rosto.
–- Sim, sempre. – confirmei.
(Xena)
Após dois longos dias de viagem me aproximei dos portões de Corinto, amaldiçoando aos deuses por não ter mais a mesma disposição de mais jovem, quando viajava constantemente e incansavelmente. Neste momento fui surpreendida por Filemom sorridente.
–- Minha senhora! Por onde andou?
–- Não creio que lhe deva satisfações ou seja prisioneira em meu palácio Filemom!
–- Claro que não conquistadora!
–- Deixe-me. Saiba que de minha vida cuido eu.
–- Sim, minha senhora, perdoe-me!
Passei próximo aos estábulos quando ouvi alguns gritos vindo de perto dos alojamentos dos soldados. Quando me aproximei vi um de meus soldados agarrando uma jovem, que me parecia muito com... não, não pode ser! Meu corpo gelou, meus músculos se contraíram e senti quando a violenta ebulição de meu lado sombrio se apoderava de mim... corri até eles, empurrei a menina e olhei friamente nos olhos daquele soldado, garantindo que seria a última coisa que ele veria!
–- Será que não posso passar poucos dias fora que vocês me causam problemas? – disse eu friamente, sem desviar meus olhos gélidos do soldado.
–- S... senhora... é ... é só uma escrava! – ele disse trêmulo.
–- É só uma escrava você me diz? Desde quando permito que abusem de minhas escravas? E o que é ainda pior acaso... VOCÊ SABE QUEM É ESSA ESCRAVA???
–- Não esperei que o infeliz respondesse, parti para cima dele desferindo socos e chutes por todas as partes do corpo do soldado quando ele caiu ao chão o suspendi sobre a minha cabeça e perguntei – SABE QUEM É ESSA ESCRAVA?
–- Não senhora, ela passava em frente o acampamento e achei que não haveria mal algum se...
–- Nem mesmo ouse terminar esta frase, IMUNDA! – disse entre dentes sentindo as trevas me inundando completamente, olhei na direção da escrava que ainda estava jogada no chão e arremessei o soldado que caiu desacordado quando atingiu uma das paredes do palácio, fui em direção à escrava e a agarrei pelos cabelos suspendendo-a.
–- O QUÊ FAZIA AQUI FORA GABRIELLE? – gritei.
–- Se... senhora – começou a chorar- Eu tinha terminado minhas funções em seus aposentos e achei que podia passear pelo palácio.
–- MENTIRA!!! – a escuridão e os ciúmes dentro de mim me cegavam, sentia a mesma ira que tinha em minhas batalhas, o mesmo ódio, o mesmo poder... – QUERIA MESMO PROVOCAR A LUXÚRIA DE MEU SOLDADOS, DEVASSA! MAS QUERO QUE SAIBA QUE VOCÊ É MINHA!!! – dizia enquanto arrastava Gabrielle pelos cabelos, nas escadas que levavam aos meus aposentos. Ao entrar na antecâmara dei um tapa em sua face que fez com que batesse contra as prateleiras de pergaminhos — O QUÊ QUERIA? SER ESTUPRADA? – disse lascivamente – Gabrielle chorava encolhida no chão onde caiu.
–- N..não senhora... eu... – dizia entre soluços. A puxei novamente pelos cabelos e a arrastei à câmara de dormir e a joguei em cima da cama.
–- SE É ISSO QUE QUERES, NÃO PRECISA PROCURAR UM SOLDADO EU MESMA FAÇO POR VOCÊ – gritava enquanto arrancava sua camisa.
–- Não senhora! Por favor! – ela gritava entre soluços. – subi em cima da menina e beijei-lhe os lábios vorazmente enquanto ela se debatia, até que senti uma dor no peito, afastei meus lábios e olhei em seus olhos ainda marejados, Gabrielle parou de se debater e olhava em meus olhos que se aquecia com aquele olhar, senti as trevas começarem a me deixar.
–- Xena... por favor. – ela disse suavemente. – ao ouvir isso senti que a besta havia sido dominada e sentei-me ao lado de Gabrielle.
–- Perdoe-me Menina eu... – disse tristemente.
–- Tudo bem, s...sei que essa não é você... Xena seus olhos eram frios e ameaçadoramente selvagens... e...essa não era Minha senhora, n..não a que conheci! – ela disse receosa e ainda soluçava.
–- Engana-se essa é quem eu realmente sou, Gabrielle. – olhei em seus olhos, aquelas esmeraldas me hipnotizavam.
–- Não é Xena... sei que pode mudar que pode se controlar e se quiser...bem... eu posso te ajudar. – disse ruborizando-se.
–- Você menina... como? – passei a mão por seu rosto – Veja o que lhe fiz... Sou mesmo um monstro!!! – não há como me ajudar menina.
–- Sim senhora há! – ela disse ainda temerosa mas encantadora.
–- Como??? – perguntei aproximando mais meu corpo do dela.
–- Com amor! – ela disse simplesmente como se fosse a coisa mais fácil do mundo.
–- Pelos deuses Gabrielle... e quem você acha que seria capaz de me amar? – perguntei frustrada.
–- Eu... se permitir... Minha Senhora! – me queimou com aqueles olhos verde-esmeralda.
–- ... – olhei profundamente em seus olhos... não resisti e a beijei, dessa vez suave e demoradamente, senti como eram doces seus lábios e a percebi correspondendo àquele beijo. Envolvi minhas mãos em sua cintura e a puxei para mais perto de mim, acariciei seus seios uma vez que já estava sem blusa e desci minha mão alcançando seu ventre, então...
–- Xena – disse ela entre meus lábios.
–- Mmm?
–- É que... eu ... sabe... eu... ainda... entende?
–- Não! – disse confusa.
–- É que... nunca fiz! – disse ela ruborizada.
–- Com uma mulher? – perguntei.
–- Não! Com ninguém! – mais vermelha.
–- Então quer dizer que é... virgem? – dessa vez eu fiquei constrangida, e entendi porque chorava tanto à minutos atrás, primeiro por que fui um ogro insensível e cruel, estava agredindo-a e segundo porque iria roubar sua inocência sem o menor sentimento, carinho ou cuidado e iria arranca-lhe o coração já que ela disse que poderia me amar. Se eu cometesse tamanha perversidade certamente não iria me amar e talvez à mais ninguém!
–- Sim Xena e... a...cho não estar preparada! – então começou a falar descontroladamente – É certo que sou sua escrava e pode fazer comigo o que quiser, mesmo que eu lhe implore se quiser irá fazer e ninguém pode lhe tirar esse direito, mas gostaria se pudesse me dar um tempo ao menos, pois tenho muito medo e...
Aproximei dois dedos de seus lábios a fazendo calar.
–- Xiii... calma Gabrielle não te forçarei a nada, se chegar a se deitar comigo será por que você quer, não a considero escrava, nunca considerei, se te fiz pensar isso foi por que mentiu para mim e quis te assustar, e também me afeiçoei desde o momento que te vi entrar na sala do trono com os outros escravos e queria te manter por perto. – disse calmamente olhando em seus olhos.
–- Então tudo bem se eu não quiser?
–- É lamentável – disse eu erguendo as mãos – mas assim seja!
–- Disse que não me considera escrava, mas é o que sou, então é seu direito se quiser...
–- Gabrielle... para de falar, antes que eu mude de ideia e te devore! – disse rindo.
–- Tudo bem... tudo bem... – ela respondeu rindo também.
–- Agora quanto a esse rosto, esses aranhões... – passei a mão sobre o rosto suavemente – o braço deve ter piorado, me perdoe Gabrielle eu realmente não consegui me controlar, acho que tive ci...ciu...ciúmes. – disse abaixando a cabeça evidentemente ruborizada!
–- Tudo bem nada que você não possa cuidar para que sare logo... mas me responda como conseguiu mudar sua pele de branca para vermelha em tão pouco tempo? – Gabrielle gargalhava o que me fazia ficar mais vermelha – e agora escarlate?
–- Tenho muitas habilidades! – sorri juntamente com ela.
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