Notas iniciais
Desculpe a demora continuo sem pc, mas não se preocupem não deixarei de postar. Quando Xena acha que está tudo bem, Gaby vem com outra bomba!

Cheguei a Corito pouco antes do anoitecer, vi a alegria no rosto de meus soldados que me cumprimentavam enquanto cruzava os portões do palácio. Acompanhada de minha loirinha.

– Seja bem vinda senhora conquistadora. – disse Filemon, com um sorriso no rosto.

– Olá Filemon, sei que estava ansioso por minha volta, não esqueci a promessa que lhe fiz quando fomos resgatar Dylan. — lhe pisquei um olho.

– Ora senhora eu fico feliz por sua volta, não apenas por sua promessa, realmente faz falta sua presença no palácio.

– Sei que sim, embora tenha certeza de que muitos prefiram quando não estou presente. Assim podem cometer faltas e não serem punidos. Ah! Antes eu me esqueça; compareça ao meu escritório ao nascer do sol começaremos bem cedo à resolver alguns assuntos, tenho que me atualizar sobre as questões burocráticas do império, resolver nossas baixas e as punições dos desertores, sobretudo o julgamento de Tebas e aqueles porcos que o ajudaram no rapto de minha filha. — dizia isso enquanto subia as escadas para meu quarto. — E quero resolver tudo por aqui o quanto antes, pois pretendo viajar novamente em poucas luas. – Alertei Filemon que viajaria novamente, pois acredito que Ares logo me chame para alguma batalha e tenho que deixar tudo resolvido por aqui.

– De acordo senhora. Estarei lhe aguardando na primeira marca de vela em seu escritório. – respondeu prontamente.

– Sei que sim, pode se retirar Filemon, preciso descansar.

– Conquistadora. – entrei em meus aposentos e encontro com uma loirinha muito atrevida me encarando.

– O que é Gabrielle? – sorri, pois tinha uma expressão muito engraçada e confusa além dos braços cruzados.

– Não me disse que viajaria novamente. – disse enfim.

– Não? ... Ah! É mesmo não disse. Então... Gabrielle vou viajar novamente! — lhe dei um sorriso irônico, após uma expressão falsa de seriedade.

– Xena, é sério acabamos de chegar. Além de que poderia ter me avisado, antes que dissesse à Filemon. Quando pretendia me dizer?

– Quando fosse partir. – respondi simplesmente retirando a espada e o chackram.

– Mas iria me deixar aqui, preocupada com você de novo?

– Eu não disse, justamente para não lhe preocupar, Gabrielle.

– Como acha que vou ficar quando for?

– Bem... Espero que bastante ocupada, pois terá vários pergaminhos para ler e colocar em ordem para quando eu voltar.

– Como assim? – franziu o cenho, confusa. Eu ri.

– Quero que me auxilie. Quando saio do palácio tudo fica fora de ordem por aqui, preciso de alguém, para me auxiliar com isso, os gastos desnecessários, os pagamento dos funcionários, os julgamentos pendentes, as baixas nos quartéis, a compra de ervas para medicamentos, as provisões, tudo isso fica pendente quando estou fora. Começarei à por tudo em ordem ao amanhecer e você irá me auxiliar, disse que sabe ler não é?

– Sim, mas... – ela me olhava, assustada.

– Gabrielle, quando chegou ao palácio você mesmo me propôs, que me servisse dessa forma, avaliei a ideia e realmente será de grande utilidade, te ensinarei tudo que precisa saber, agora venha me ajudar no banho, pois estou exausta e começaremos cedo. – Gabrielle me acompanhou e estava sem palavras, ainda me olhava como se visse uma assombração então a agarrei e puxei para dentro da banheira.

– Ah, Xena! Molhou minha roupa, agora minhas botas estão encharcadas! – começou a falar e agitar as mãos, gesticulando e tentando se soltar de mim que a segurava pela cintura.

– Agora sim é a Gabrielle que conheço. Sabe que você fica muito chata quando está muda? – ergui uma de minhas sobrancelhas, ela jogou água em meu rosto.

– Me deixa pelo menos tirar isso aqui. — tirou as botas e joguei fora da banheira, e fiz o mesmo com sua túnica. – Por que quer me ensinar agora, se quando lhe propus preferiu que eu ficasse em seus aposentos?

– Não achei que seria capaz de aprender tudo, eu não teria paciência para lhe ensinar e nem confiança em você para tal função.

– E agora, mudou de ideia? – ela perguntou incrédula.

– Sim. -respondi simplesmente. — Além de quê, quando eu não estiver aqui terá com o que se distrair além de ficar enchendo a paciência de Dália. – ri em seguida.

– Não encho a paciência de Dália. – Gabrielle gargalhou. Terminamos de nos banhar e pedi Gabrielle que fosse até a cozinha providenciar nossa refeição e fiquei repassando mentalmente os fatos que haviam acontecido nas últimas luas.

(Gabrielle)

– Dália!

– Menina Gabrielle! Soube que haviam voltado, mas não esperava vê-la esta noite, que bom que voltou!

– Também estou feliz em vê-la Dália... A conquistadora me pediu que levasse o jantar. Por isso pude descer, disse que lhe encho paciência. – abaixei olhar.

– Não ligue para as besteiras de Xena, mas diga-me como vocês estão? – Dália me perguntou.

– Bem, acho... Não entendo... o que quer saber?

– Sabe o que quero saber, você e Xena, estão se entendendo? – corei.

– Oh, sim! Tivemos um problema, ela achou que havia a traído com Lyceus e...

– Mesmo? Xena tem muita criatividade! – Dália gargalhou.

– Não foi engraçado, ela tentou atravessar a espada em Lyceus.

– Verdade? — É realmente isso não foi nada engraçado, nunca achei que ela seria capaz de ameaçar o irmão, Xena ama Lyceus! – Dália disse em um tom triste.

– É eu sei. – confirmei.

– E com você, como ela reagiu menina?

– Bem, ela... é... violentou-me! – disse em um tom quase inaudível.

– O QUÊ!!! – Dália deixou a bandeja que estava preparando a refeição ir ao chão! – e você diz que está tudo bem? Como isso foi acontecer, Xena perdeu o juízo?

– Calma Dália! Ela se sentiu ofendida, traída, enganada e reagiu da forma que achou que eu merecia e bem de certa forma eu causei isso!

– Como causou isso? Você ainda a defende, Gabrielle? – Dália perguntou irritada preparando outra bandeja.

– Não estou defendendo Xena, é que Xena disse que iria me vender para os comerciantes de escravos quando chegássemos a Corinto. E eu pedi que não fizesse isso que morreria sem ela e ela me propôs que me tornasse sua escrava corporal para que continuasse com ela. Xena quis me punir, pois achava que eu a havia enganado com Lyceus. – abaixei novamente a cabeça.

– Mas Xena deveria ter acreditado em você e o fato de achar que tinha sido traída não lhe dava o direito de ter te tratado como qualquer, afinal ela te levou para te proteger e se tornou sua maior ameaça. – Me entregou a bandeja.

– A questão é que ela já estava furiosa com o sequestro da filha, cansada da viagem e achou que tinha sido traída pelo próprio irmão? Acho eu foi muito para a cabeça dela! – concluí.

– Entendo, mas acredite Xena já passou por coisas piores e não surtou, na verdade menina você despertou em Xena ciúmes que nem mesmo ela sabia ter. – olhei para Dália surpresa e subi em direção aos aposentos de Xena. Coloquei a refeição na mesa da antecâmara e chamei minha senhora para que jantássemos.

– Xena eu... Gostaria de passar a jantar e dormir em meus aposentos e só me apresentar para os meus afazeres de agora em diante. – Xena engasgou com o vinho.

– O quê Dália andou te dizendo na cozinha? Mas que porra acontece em sua cabeça quando conversa com ela? – Xena estava irada.

– Nada! Nada acontece e Dália não me disse nada, só acho que depois do que aconteceu eu deveria me por em meu lugar, sou sua escrava Xena e essa é a verdade ainda que tenha sido cruel e ainda que nos amemos, você tinha o direito de fazer o que fez, pois sou sua posse, te pertenço, o fato de te amar, ser cortejada e amada por você me faz esquecer isso às vezes, acredito que se naquele momento eu tivesse em mente minha condição em relação à senhora não teria doído tanto a posição à qual me submeteu! – disse isso tristemente.

– Mas Gaby, achei que já havíamos resolvido isso, que já tinha me perdoado. – os olhos de Xena começavam a marejar, me levantei e ajoelhei em sua frente.

– E te perdoei meu amor. – segurei suas mãos entre as minhas. – Mas isso não quer dizer que posso continuar tratando-a como se nada tivesse acontecido, pois aconteceu e não estou certa de que não irá se repetir, prefiro me manter segura estando ciente de minha posição dentro do palácio e na sua vida, pois se a senhora vier a me punir novamente injustamente não tenho certeza que poderei te perdoar, se eu continuar alimentando essa ilusão de ser sua mulher, pois é o que sinto, mas sei que não sou. – me levantei e segui para o quarto em anexo ao de Xena, ainda em tempo de ouvi-la me chamar.

– Gabrielle. – disse com a voz rouca e baixa. – Não menti quando te disse o que sinto por você.

– Sei que não minha senhora e é o que mais me dói, saber que é capaz de machucar alguém que ama. Só me dê um tempo para que tenha coragem de enfrentar esse sentimento sem medo de me machucar de novo! – Xena fechou os olhos e eu me tranquei em meu pequeno cômodo.

(Xena)

Gabrielle Não estava errada na conclusão que havia tomado em relação à nossa atual situação, se continuássemos nos tratando como amantes, só nos confundiríamos, pois Gabrielle era minha escrava e a minha posição como imperatriz da Grécia não me permitiria ter ao meu lado uma escrava, já seria difícil desposar uma mulher livre que não tivesse a mesma posição social, sem que houvesse comentários maldosos dos nobres e reis de outras terras que tinham acordos com meu império, quanto mais uma escrava, seria impossível obter respeito se fizesse uma escrava de minha consorte, mesmo sendo linda, que tenha os olhos como esmeraldas lapidadas, os cabelos tão reluzentes como ouro e a pele macia como plumas... Ah não! Não vou poder conviver com isso... Tenho que resolver essa situação, vou convencer Gabrielle que não precisa ter medo de mim! Fui até o corredor e pedi a um dos guardas que chamasse Filemon.

– Senhora ordenou minha presença? – Filemon estava na antecâmara.

– Sim Filemon, vamos ao meu escritório.

– Filemon, é o único em que confio e quero te pedir um conselho e um favor.

– O que quiser senhora! – respondeu prontamente.

– Mas primeiro o primeiro, tenho que contar tudo o que aconteceu para depois lhe pedir sua opinião. – contei a Filemon o que havia ocorrido após ter resgatado Dylan, até antes de Gabrielle ir dormir.

– É muito complicado senhora, ainda que tenha se arrependido a menina não está errada, com certeza se sente temerosa, deve achar que a qualquer momento a senhora pode se descontrolar e agredi-la.

– Acho que causei um trauma em Gabrielle...

– Não é pra tanto senhora ela só está assustada!

– Bom então o que acha que devo fazer? Quero Gabrielle ao meu lado.

– Não sou muito bom com essas coisas senhora... Faz dois anos que tento me declarar à Dália e não tenho coragem. – ele disse envergonhado.

– Mas por que homem? É honrado, esforçado, tem uma boa posição no exército e muito gentil, sabe que Dália gosta de você o que espera ainda? – perguntei curiosa.

– Não sei senhora encho-me de coragem para falar, mas quando chego à sua frente minhas forças desaparecem, sinto que posso derrotar sozinho um exército, mas quando se trata de sentimentos sou um desastre. – Filemon disse derrotado.

– Então somos dois, meu amigo.

– Mas o que posso dizer senhora, é que enquanto Gabrielle for escrava se sentirá inferior, uma mulher já se sentiria pequena ao seu lado sendo livre, pois é a governante da Grécia; imagine então uma escrava? Não precisa de muito para ter essa menina senhora, Gabrielle é simples e já te ama só o que precisa é de um pouco de segurança, se ela se sentir segura com relação ao que sente por ela, se renderá senhora. – Filemon me impressionou.

– E vem me dizer que não entende dessas coisas de sentimentos, Dália tem que dar com a colher de pau na sua cabeça, para deixar de ser frouxo! – rimos os dois juntos.

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Na primeira marca de vela após o amanhecer, estávamos Filemon e eu resolvendo assuntos do reino após assinarmos sua promoção como General de meu exército, quando tive uma ideia.

– O que acha de darmos um jantar após tomar seu novo posto Filemon? Posso fazer um baile e você convidaria Dália para dançar, quem sabe assim não toma coragem e se declara logo a ela. – disse o provocando.

Claro e a senhora convida Gabrielle e a pede em casamento. – deu um sorriso sarcástico.

– Não tem graça Filemon. – disse irritada.

– O que não tem graça senhora? – disse Gabrielle entrando no escritório. Filemon me olhou confuso.

– Ah sim, não se surpreenda meu amigo, Gabrielle tem minha permissão para entrar no escritório ela aprenderá a organizar as petições, e outros documentos para me auxiliar enquanto eu estiver fora. – expliquei à Filemon. – Gabrielle pode começar colocando aqueles pergaminhos em ordem alfabética. – apontei para uma estante ao fundo do escritório, empoeirada e alta, Gabrielle olhou-me assustada. Sorri – É brincadeira, esses pergaminhos estão aí há anos nem mesmo saem de ordem. Sente-se aqui começaremos com suas lições.

– Como quiser senhora! – ela respondeu. Olhei para Filemon, ele entendeu e acenou negativamente com a cabeça.

– Então Gabrielle pode começar lendo este pergaminho. – Sorri para Filemon erguendo uma de minhas sobrancelhas, ele sorriu de volta piscando um olho.

– Gabrielle leu me olhou em seguida seus olhos estavam cheios de lágrimas, ela fechou o pergaminho, ignorou a presença de Filemon na sala, pulou em meu colo e me beijou voluptuosamente. A princípio fiquei sem reação, mas enfim fiz sinal com as mãos para que Filemon se retirasse da sala, levantei em seguida com Gabrielle agarrada em mim com as pernas em volta de minha cintura e tranquei a porta do escritório.

Notas finais
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