A Yullen Horror Story

4 Encontrado. Parte final.


Notas iniciais
Yo minna-san!
Bem, eu disse que ia postar segunda, mas como acho que não vou ter tempo, lá vai o cap hoje.
Esse ainda é meio curto, já que é apenas a continuação do cap anterior. Mas os próximos voltarão ao tamanho normal.
Agora sim veremos a história começar a ficar tensa...
Espero que gostem!

Havia começado a chover. E juntando isso ao vento forte e a enorme distância a ser percorrida, seria praticamente impossível pra mim chegar a tempo se algo tivesse acontecido.

Bem, seria.

Não dá pra esquecer que é do Kanda que estamos falando.

Entrei na parte antiga da cidade, sentindo de imediato a atmosfera maligna e opressora do local, mas sem me importar minimamente.

Eu encontraria Kanda custe o que custar.

Que venham os demônios, eu tenho certeza que eles não ousariam me enfrentar nesse estado.

Comecei a procurar pela igreja, mandando a porta ao chão, vasculhando aquele lugar maldito de cima abaixo, vislumbrando vários vultos e ouvindo murmúrios estranhos por todo o meu trajeto pelos corredores escuros. Provavelmente os antigos habitantes que morreram e foram enterrados no cemitério atrás da construção.

Antes de sair do lugar em direção ao cemitério, passei pelo altar e quase pude ter um vislumbre perfeito de como foi encontrado o padre naquela noite.

“Foi um acontecimento que marcou como iniciada a maldição que se abateu sobre o nosso povo. Na noite do aniversário de treze anos das duas meninas, quando o pai delas decidiu batizá-las, já que concordava que deveriam escolher a própria religião; o padre apareceu morto, e de uma maneira tão brutal que nem os mais bravos homens ousavam permanecer no recinto.”

Fechei os olhos brevemente, ainda correndo, só que agora por entre as lápides e túmulos antigos. Se a igreja parecia ser o lugar mais assombrado do mundo, o cemitério era quase um passeio pela dimensão dos mortos. Juro que quando cai no chão, eu senti uma mão segurando minha perna. Isso sem contar os diversos calafrios que eu não sabia dizer se eram por causa do vento forte em conjunto com a chuva torrencial que caia no momento, ou por causa das presenças que eu sentia cada vez mais próximas de mim, a ponto de me tocar.

Sai de lá sentindo como se algo ainda estivesse nas minhas costas. Só não sei dizer se era tentando me arrastar de volta para o cemitério, ou me impedindo de tentar meu próximo destino. Aquele que eu encarava fixamente como se estivesse hipnotizado.

A casa do médico.

Comecei a andar em passos ritmados, obrigando meu corpo a seguir em frente enquanto todos os meus músculos lutavam para que eu corresse daquele lugar o mais rápido possível. A áurea da casa era tão pesada e intensa que eu mal podia respirar, sensação essa que só que agravou quando vi as marcas no chão. Pegadas.

– Kanda...

Entrei dando de cara com um cenário sinistro, aterrorizante e ao mesmo tempo caótico. Como se não bastasse a aparência assustadora do local, junto com aquela energia opressora que fazia meus ombros se curvarem, mesmo sem peso algum nas costas, ainda havia claras marcas de luta, como buracos de tiros por todos os lados, shurikens e facas presas nas paredes, móveis quebrados, sangue espalhado pelo chão...

Tudo isso parecia vir do andar de cima, e assim como pude praticamente vislumbrar o padre morto no altar, eu quase podia ver claramente diante dos meus olhos duas figuras em luta constante descendo as escadas e indo em direção ao porão.

Pisei no primeiro degrau da escada que levava ate lá sentindo meu corpo inteiro congelar de repente. Se o cemitério era um passeio pelo mundo dos mortos, a casa do médico era uma pequena amostra do inferno.

Continuei descendo, me encolhendo a cada gemido agourento da madeira velha na escuridão, sentindo-me cada vez mais frio e sem fôlego como se estivesse tendo minha vida sugada através dos meus poros.

Cheguei ao final da escada, parando em um corredor onde se podia ver uma fraca luz bruxuleante que parecia pertencer à velas. Apressei o passo em direção ao lugar, parando na soleira da porta sem entender o que estava diante dos meus olhos.

No meio da sala cercada por castiçais com as velas acesas, havia um grande circulo, com um pentagrama invertido no meio, e várias inscrições por entre as linhas, que pareciam ter sido feitas em sangue. No centro de tudo, havia um altar de pedra onde Kanda estava sentado tranquilamente com um esqueleto no colo, passando lentamente os dedos por entre os ossos de aspecto antigo.

– Kanda. – Chamei-o, vendo apenas suas orbes negras se direcionarem na minha direção enquanto ele passava os braços em volta do esqueleto, o puxando mais para perto de si, como se estivessem prestes a dançar uma valsa.

– Vejo que me achou. – Respondeu lambendo um filete de sangue que descia da sua testa, escorrendo pelo seu rosto, e parava na sua mandíbula.

Eu queria perguntar se ele estava bem, mas era óbvio que não estava; eu queria correr e passar meus braços a sua volta para então voltarmos pra casa, mas... Havia algo errado ali.

– O que está acontecendo aqui? – Perguntei dando um passo para dentro da sala, me mexendo desconfortavelmente.

– Isso te incomoda, não é? – Respondeu com outra pergunta, se aproximando do esqueleto como se fosse beijá-lo e rindo da minha expressão que eu nem sei se quero saber como estava.

– “Isso” o quê? – Perguntei estreitando os olhos.

– A morte... – Sussurrou passando o rosto pelo crânio do esqueleto como se fosse um gatinho. – Ou apenas tudo que já se foi.

– Onde quer chegar com tudo isso? – Questionei já agoniado com o rumo que aquela conversa estava tomando.

O que houve com Kanda, afinal?

– Hummm... Vejamos... Onde quero chegar, você pergunta. – Ele desceu do altar, ainda com o esqueleto, levando-o até uma cadeira no fundo da sala e o deixando sentado. – Eu tenho sim um objetivo com essa conversa, mas quero responder primeiro ao seu.

– Ao meu?

Ok, não estou entendendo nada.

– Sim, a resposta é: Não, não estou louco. E sim, eu sei como podemos parar isso tudo. E é ai que chegamos ao meu objetivo.

– E qual seria? – Perguntei sentindo um arrepio quente com o olhar que ele me lançou.

– Depende... – Sussurrou de maneira obliqua, escondendo o rosto brevemente atrás das longas madeixas escuras que emolduravam seu rosto soltas e bagunçadas.

Minha cabeça estava uma confusão total, ao mesmo tempo em que eu estava preocupado com o moreno, que estava todo machucado, me sentia confuso com suas ações, assustado com o que estava acontecendo, apavorado com tudo isso junto numa mesma situação e ainda por cima nesse ambiente obscuro. E para completar a minha loucura, agora começo a sentir meu corpo quente com apenas um olhar da pessoa a minha frente.

– Você me ama? – Perguntou sedutoramente tirando o sobretudo e ficando com o peito exposto, exibindo um sorriso de canto ao ouvir minha respiração se entrecortar.

Mas o que diabos ele pensa que esta fazendo?

– Você sabe muito bem que sim, e mais do que qualquer coisa nesse mundo. – Respondi convicto, mas recuando quando ele começou a se aproximar.

– Tem certeza? – Indagou me pondo contra a parede, com um braço de cada lado, impedindo-me de fugir.

– Totalmente. – Respondi tentando encará-lo fixamente, mas seu olhar parecia especialmente intenso dessa vez. – Mesmo achando que seus neurônios pifaram dessa vez. – Completei fazendo-o soltar um risinho e então aproximar o rosto do meu pescoço, me surpreendendo quando senti sua língua quente passar vagarosamente pela minha pele fria e molhada fazendo um gemido baixo escapar pelos meus lábios.

Já até imagino onde isso vai dar...

–Kanda para... Olha onde estamos... Pelo amor de Deus... – Tentei afastá-lo, mas ele continuava atacando meu pescoço enquanto suas mãos trabalhavam em se livrar da minha camisa.

– Deus? Você que deveria olhar onde estamos. – Murmurou mordiscando demoradamente minha orelha de maneira extremamente sexy.

– Kanda, eu tô mandando você parar. – Falei seriamente, empurrando-o pelo ombros para distanciá-lo de mim, ou com certeza eu nunca conseguiria convencê-lo de que realmente tínhamos que parar por ali. Encarei-o com seriedade tentando não me deixar levar pela sua expressão completamente convidativa. – Olha, você está machucado, nós estamos numa casa amaldiçoada, tem um monte de coisas acontecendo, e é perigoso fica.... Aaahhhhhhh! – Gemi alto quando ele me empurrou bruscamente contra a parede, roçando nossas ereções de maneira enlouquecedora.

– Coisas perigosas são excitantes. – Sussurrou friccionando nossos quadris sensualmente, e então descendo os lábios pela minha clavícula, até um de meus mamilos.

– Mas isso é passar do limites! – Berrei tentando parecer irritado, e eu realmente estava começando a ficar, mas suas mãos estimulando cada ponto específico do meu corpo não me deixavam falar em um tom de voz descente.

– Hmm... Limites... Isso me lembra do que eu queria perguntar desde o começo. – Comentou me erguendo pelo quadris, me deixando encostado na parede e praticamente sentado sobre si. Ou seja, chances de reagir: Zero.

– Por que não faz logo essa maldita pergunta? –Indaguei ainda tentando fugir do seu ataque, mas sendo parado quando ele imobilizou minhas mãos ao lado do meu corpo na parede, deixando seus lábios a centímetros dos meus.

– E se eu morresse? – Perguntou com sorriso que não condizia com a pergunta.

– Eu nunca permitiria isso. – Respondi ainda tentando entender seu objetivo.

– Se eu morresse... Você ainda ficaria comigo? – Perguntou por fim me encarando profundamente, com um olhar aflito completamente diferente do anterior.

– Eu ficaria com você de qualquer jeito, baka. Que crise é essa agora? – Questionei confuso. Desde quando Kanda tinha duvidas em relação aos meus sentimentos?

Ou melhor... O que era essa conversa toda sobre morte?

– É só que se eu morrer... Ainda vou continuar amando você. – Antes que eu perguntasse qualquer coisa, seus lábios atacaram os meus em um beijo quente de fazer o inferno parecer um freezer.

Agora eu estava completamente perdido.

Como parar desse jeito?

Suas mãos soltaram vagarosamente as minhas, deslizando pelos meus braços, pela minha cintura, me puxando com força para mais perto de si, chocando nossas excitações a ponto de me fazer revirar os olhos. Alguém aqui realmente não estava pra brincadeiras hoje.

– Kanda para... Imagina se aquele demônio aparece aqui... – Tentei colocar um pouco de razão na sua cabeça, mas parecia impossível.

– O demônio é algo que existe apenas dentro de nós mesmos... – Murmurou começando a desabotoar minha calça.

– Nnhh... Aahh... S-Seu bastardo pervertido... – Gemi entrecortadamente, me agarrando em seus cabelos enquanto sua mão me estimulava de um jeito que fazia meu corpo ferver. Deixando meus pensamentos ainda mais bagunçados. – Se a gente morrer aqui, a culpa é sua.

Senti minhas costas deixarem brevemente a parede e então entrarem em contado com algo mais liso e frio, a pedra.

– E esse risco não te anima nenhum pouco? – Sussurrou se livrando da minha calça, subindo as mãos vagarosamente pelas minhas coxas, colando gradativamente seu corpo no meu, seus lábios avançando pelo meu abdômen e seus olhos nos meus.

Eu ainda perco meu juízo por causa dele, é serio.

Eu não sou nenhum santo, admito, mas estávamos no meio de uma cidade abandonada, sendo ameaçados por criaturas vindas do inferno, no porão de uma casa amaldiçoada, no altar de um ritual maligno onde provavelmente pessoas morreram, depois de uma correria aterrorizante e... Minha mente só se concentrava no meu moreno.

– Eu vou me vingar. Aguarde. – Me dei por vencido, livrando-me do resto da sua roupa, não agüentando mais.

Parecia que todo aquele turbilhão de pensamentos confusos na minha cabeça havia se convertido em desejo.

Derrubei-o de cima de mim, o deixando de costas na pedra, sentando no seu colo e o puxando para um beijo assustador de tão luxurioso.

Aquilo era tão insano.

Suas mãos subiam pelas minhas pernas apertando minha cintura, roçando mais nossos corpos de maneira erótica, quente e depravada. Ao mesmo tempo em que nossas linguas se entrelaçavam libidinosamente em um beijo avassalador.

Era tão... Pecaminoso.

Me ergui, atacando seu pescoço voluptuosamente, enquanto umas de suas mãos ainda me estimulava e a outra arranhava minha nuca, arrepiando a minha espinha. Roubei seus lábios mais uma vez, me sentando sobre seu membro e descendo lentamente, arranhando suas costas a ponto de tirar sangue, com nossos gemidos misturados ecoando pelo local.

Parecia errado... Profano.

Eu me sentia tomado por um desejo animal, subindo e descendo sobre seu corpo ritmadamente, cada vez mais forte, arfando a cada estocada que me fazia chegar ao paraíso e voltar. Um arrepio de dor e prazer atravessou meu corpo quando senti uma mordida particularmente forte no meu pescoço, arrancando-me um ofego inesperado de tão excitante que fora a “carícia”.

Era tão alucinante que deveria ser considerado um crime.

A cada vez que ele penetrava fundo em mim, espasmos percorriam meu corpo, meus músculos formigavam, minha coluna se arrepiava insanamente entrecortando minha respiração que misturava com a sua. Suas mãos me puxavam para mais perto, me movimentando em cima de si, ao mesmo tempo em que acariciavam e marcavam minha pele de um jeito que parecia tortura de tão delicioso.

Minha mente já começava a dar voltas e percebendo que eu já estava no limite, ele inverteu as posições, me fazendo gemer em contato com a pedra fria, enquanto me estocava mais rápido e mais forte.

Mas mesmo assim...

Senti seus braços me envolvendo fortemente ao mesmo tempo em que chegávamos juntos ao ápice, praticamente urrando de prazer, sentindo o corpo um do outro com uma sensibilidade mais apurada, de maneira que um leve toque causava um grande abalo. Parecendo se aproveitar desse fato, ele começou a espalhar leves beijos pelo meu pescoço descendo em direção ao meu peito...

– Aaww Yuu... – Suspirei sentindo as batidas do meu coração que desaceleravam ao poucos voltarem a acelerar de maneira vertiginosa.

Seu rosto se aproximou lentamente do meu, nossos olhares conectados enquanto nossas mãos se entrelaçavam acima de nossas cabeças.

Nossos lábios se encontraram mais calmamente dessa vez, em uma demonstração de carinho mais terna depois de todo aquele delírio.

Enquanto for com você...

Será verdadeiramente amor.

Notas finais
E ai? Gostaram?
O próximo cap provavelmente virá daqui a duas semanas (culpa da minha mãe que vive me arrastando para aquelas viagens furadas para lugares no fim do mundo e tambem por que eu tenho que adiantar a outra fic). E vai explicar um pouco do comportamento bizarro do kanda nesse cap. Veja bem, um pouco. (Amo um Yuu misterioso...Ui).
Mas então... Quero saber, gostaram? Odiaram? Que seja, quero meus reviews (nem que seja me esculachando). E se realmente gostaram, recomendem!
Ah, tambem quero ouvir (ou ler, no caso), as suas teorias! Alguem tem algum palpite sobre quem era o esqueleto ou o que aconteceu?
Até mais!
Kissus~