A Yullen Horror Story

5 O pecado mora ao lado.


Notas iniciais
Yo minna!
E ai? Saudades? #leva.sapato.
Esse cap vai ser mais "explicativo" por assim dizer, e será importantíssimo já que estamos prestes a entrar para reta final da fic ( estou planejando chegar atpe o 10º cap).
Bom, espero que gostem!

Suspirei pesadamente olhando para o nada.

A coisa toda era muito pior do que podíamos imaginar. Uma porcaria de uma inocência, que no final das contas poderia nem poder ser utilizada, era muito pouco para tanto trabalho. Por mim, eu jogaria essa porra toda para o alto e ia embora arrastando o Moyashi junto, mas agora já era tarde demais...

- As correntes para suspender a cruz do sacrifício já começaram a ser fixadas...

- Kanda, não importa o que você me diga, você não esta bem. – Comentou uma voz do meu lado quase me fazendo dar um pulo.

Tch, era melhor eu dormir um pouco antes que eu surtasse de vez.

Mas se eu dormisse, o Moyashi iria...

- Não tô não. Então cuide de mim. – Puxei-o para meu colo o prendendo em um beijo ardente.

- Nhh... Yuu... Ahhhhh não! De novo não! Me solta Kanda! – Começou a protestar repentinamente se debatendo em meus braços. Apenas aproveitei para atacar seu pescoço, sorrindo maliciosamente ao sentir sua pele se arrepiar sob meus lábios.

- Te soltar? Tem certeza? – Sussurrei subindo uma de minhas mãos pela sua perna, sentindo-o se arquear contra mim.

- Siiiimmm... – Suspirou, se rendendo por um segundo, mas logo se recompondo – Crow Belt!

Senti uma familiar coisa estranha passando pelos meus braços e os prendendo atrás do meu corpo com uma força impressionante.

- Hhmm... Bondage, Moyashi? – Indaguei com um tom completamente depravado, sem conseguir segurar o riso com a expressão pasma no seu rosto.

- Quer que eu desmaie?! – Exclamou exasperado, subindo de volta na cama e me puxando para deitar no seu colo ainda amarrado. – Se você continuar me provocando, eu vou te fazer o uke dessa relação, ouviu?

- À vontade. – Comentei lhe lançando um olhar sacana. Não por duvidar que ele realmente o faria (nunca mais bebo perto dessa peste), mas simplesmente pelo fato de que ele estava morto de cansaço.

Ele riu por um momento percebendo o meu joguinho, se calado depois, deixando um silêncio incomodo se abater sobre nos.

- Yuu... Você realmente não lembra de nada? – Perguntou com um tom preocupado fazendo cafuné no meu cabelo.

- Tch. Fui nocauteado. Só me lembro de ter acordado beijando você naquela pedra. – Menti. E descaradamente.

Até porque, nem que se quisesse eu poderia esquecer o que fui forçado a ver, e muito menos a noite delirante com o Moyashi naquele porão.

- Ah... – Murmurou simplesmente com um olhar melancólico, mas logo se recompondo. Odeio quando ele fica disfarçando a próprias expressões. – Então tente descansar, pancadas na cabeça costumam ser perigosas. – Continuou me soltando e se deitando junto comigo.

- Tem algo errado? – questionei o encarando no fundo dos olhos, vendo-o desviar o olhar.

- Não. Nada. Apenas descanse, tem alguém que quero que conheça depois. – Respondeu bocejando e se aninhando contra meu peito.

- Tudo bem. – Murmurei passando os braços ao seus redor e acalmando minha respiração fingindo dormir.

Coisa que eu demoraria (e muito) a voltar a fazer, tendo em vista os riscos que ela implicava. Era como uma guerra constante, se um dos lados abaixa a guarda, perde. E perder significava muito mais do que eu poderia imaginar no momento.

Cocei os olhos na tentativa de espantar o cansaço, mas não tive o mínimo sucesso. Respirei fundo algumas vezes mais parecia que qualquer tentativa de me manter alerta era infrutífera. Havia uma constante pressão na minha cabeça me empurrando para a inconsciência, e ela não cedia nem por um mínimo instante. Era como morrer afogado, não importa o quanto você tente chegar à superfície, o quanto fique se debatendo, o quanto tente continuar vivo na esperança de que algo mude no ultimo instante... É simplesmente inútil. Mas isso não te impede de tentar.

Não sei quantas horas eu passei nessa luta comigo mesmo, mas a cada segundo que se passava eu estava mais desgastado. Já sentia minha mente extremamente cansada, meus olhos mal conseguiam se manter abertos... Era quase como se minha consciência estivesse sendo puxada para um lugar profundo da minha própria mente. Não tinha como resistir, nem como lutar... E foi no completo desespero que eu percebi que estava apagando...

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Acordei sobressaltado, nem um segundo parecia ter se passado desde a hora em que eu “dormi”, mas o céu já estava escuro. Eu ainda sentia a mesma pressão, o mesmo cansaço, e ainda estava na mesma posição de antes. Ainda podia sentir o albino dormindo tranquilamente encolhido contra mim, sem nenhum arranhão. Nada fora do lugar.

Respirei aliviado.

Talvez eu estivesse exagerando, não é?

Porém, não era isso que a minha intuição dizia.

Me distrai um pouco dos pensamentos perturbadores de que algo estava fugindo a minha percepção brincando com o cabelo do Moyashi, que ainda ressonava calmamente que nem um gatinho quando umas batidas fortes na porta acabaram com o meu humor. Pelo incessante barulho de passos e sussurros, não parecia ser uma pessoa só.

Consegui me levantar depois de uns cinco minutos de contorcionismo para não acordar o pequeno (acredite, foi necessária uma habilidade digna de um ninja, levando em conta que ele acordava com qualquer movimentação que fosse embora não se abalasse minimamente com o barulho de uma bomba), fui atender a porta, e bem como eu esperava, lá estava a clássica cena de vários moradores armados com foices, ancinhos, enxadas, pedaços de madeira e tochas. Deu até vontade de rir.

- O que é isso? Caça as bruxas? – Ironizei cruzando os braços, deixando bem óbvio pela minha expressão o risco de vida que eles corriam se continuassem com aquela palhaçada.

- Ontem á noite ocorreu uma chacina em uma fazenda próxima. Uma família inteira morreu. – O homem que vinha a frente se pronunciou, parecia um daqueles anciões bem antigos, deveria ser o patriarca da comunidade.

- E eu com isso? – Indaguei friamente sem me importar com as expressões horrorizadas que se espalharam pela multidão.

- A família do fazendeiro... Tinha exatamente catorze pessoas. – Falou seriamente, dando uma pausa para então continuar. – E apenas treze morreram. Está mais do que claro, a calamidade voltou. E dessa vez o demônio tem um pedido. – Continuou se aproximando um passo de mim. – Ele quer o garoto. – Sussurrou com uma voz agourenta apontando para a casa.

Desci calmamente da varanda, ignorando como a cada passo que eu avançava, eles recuavam uns três. Era bom mesmo, por que eu já estava imaginando mil maneiras de matar um por um da pior maneira possível.

- O que merda vocês são? Uma seita satânica que dar tudo o que ele quer? – Falei contendo minha raiva enquanto desembainhava a mugen lentamente. – Não é o lugar que é amaldiçoado, é a alma de cada um de vocês que é ... – Continuei lançando um olhar fulminante a todos os presentes. – Se estão dispostos a continuar com isso, é melhor começarem a escolher quem de vocês vai morrer primeiro. – Conclui pronto para acabar com o primeiro que avançasse, mas ninguém se moveu.

- Jovem, não tiro sua razão, mas nosso povo já sofreu demais com essa maldição. Não podemos, e não vamos, permitir que isso aconteça de novo. – O velho continuou.

- E eu não vou permitir que encostem em um fio de cabelo branco daquele pirralho.

- O que você faria se estivesse no nosso lugar? Esperaria sua família também ser morta? – Falou como se fosse o dono da razão.

Tch, como se vocês soubessem em que posição eu estou.

Como se o lugar de vocês fosse algo muito ruim em comparação ao meu.

Mas se eu estivesse em seu lugar, ainda assim estaria lutando, e não fugindo.

– Tch, é por isso que odeio gente fraca. – Comentei vendo os caras da frente me olharem como se quisessem me matar.

Sinceramente, estava me importando tanto com essas pessoas quanto me importo com insetos.

Por isso apenas me livro deles.

- Mugen Sayaku Shourai... – Comecei e não demorou cinco minutos para que eles começassem a correr.

Ora, vocês não iam me matar?

Pena que também não vão conseguir fugir.

- Kaichu... ICHIGEN! –Ataquei vendo os insetos infernais sem espalharem pela multidão disseminando o caos.

Os corpos se colidiam no meio da correria, pessoas eram pisoteadas, o sangue jorrava quando algum inseto abocanhava alguém, respigando nas pessoas em volta que entravam em pânico e corriam ainda mais desesperadas. As tochas se perderam no meio da confusão, incendiando várias pessoas, fazendo subir um cheiro irritante de carne queimada, enquanto elas corriam loucas ateando fogo umas nas outras ao mesmo tempo em que eram perseguidas e multiladas pelos insetos.

Era uma perfeita visão do inferno, e daria um bom quadro na minha opinião.

Na medida em que elas iam morrendo, o barulho ia diminuindo, as chamas iam se extinguindo sem ter mais por onde se propagar, e logo restou apenas uma confusão de cadáveres espalhados na rua de terra batida. E no meio de tudo, uma pequena garotinha pálida, de longos cabelos escuros e lisos, trajando um vestido azul claro.

- Quando te fiz aquela pergunta... Eu nunca imaginei que você pudesse ser pior que o demônio. – Falou se aproximando, as orbes escarlates me lançando um olhar indignado.

- Faço o que posso. – Comentei simplesmente vendo-a se sentar no meio daquilo, pegando um braço decepado e o abocanhando ferozmente, manchando o vestido de sangue.

- Deveria chamar sua irmã, vai morrer de indigestão se comer isso tudo. – Murmurei fazendo meu caminho de volta para a casa, essa garota me irritava.

- E você, deveria ver se seu amigo acordou. Imagina se ele vê o que você fez... – Respondeu irônica, ainda com aquela vozinha infantil, mas com o rosto completamente deformado, com uma bocarra imensa e cheia de dentes.

Apenas ignorei, voltando pra a casa e fechando aporta com um estrondo. Ela definitivamente me irritava.

Passei pelo quarto, vendo que meu pequeno ainda dormia pesadamente, e fui em direção ao quintal encontrando um buraco no chão, só agora percebendo que não estava com as mesmas roupas de quando fui dormir, já que estas jaziam completamente ensangüentadas no fundo do buraco.

- Tch, sabia que tinha acontecido alguma merda. – Murmurei pegando álcool na cozinha, pondo fogo em tudo e depois enterrando.

Tomei um longo banho, já que aquele maldito cheiro de fumaça tinha se impregnado em mim de uma maneira impressionante, depois troquei de roupa e fui preparar alguma coisa pra comer.

Pode parecer sacanagem, mas eu me sentia incrivelmente inspirado.

Passei um bom tempo na cozinha, até terminar o belo jantar que eu tinha arquitetado e então voltei para o quarto despertando meu Moyashi com um beijo.

- Hora do jantar, Allen.

----------------- POV do Allen ----------------------------------

Me espreguicei na varanda sentindo os raios de sol aquecerem minha pele. Simplesmente não tem como não acordar de bom humor depois de um dia muito bem dormido, e de um belo jantar acompanhando de um Kanda bem humorado (cena rara).

Só era estranho como a cidade, que era até um pouco movimentada, parecia deserta aquela hora da manhã. Acho que só vi uma pessoa ou duas correndo de uma casa para outra. Será que tem a ver com as treze badaladas da igreja? Possivelmente.

Kanda parecia melhor, todos os seus machucados já tinham cicatrizado, como era de se esperar, mas sua memória ainda não tinha voltado. Acho que isso seria uma questão de tempo.

Senti dois braços fortes envolverem minha cintura e um beijo atrás da orelha, e por falar no baKanda...

- Hum... Bom dia pra você também. – Falei sorrindo, encostando mais minhas costas no seu peito.

- Ainda não me disse pra onde vamos. – Murmurou enquanto eu pegava uma de suas mãos e descia os degraus da varanda, indo em direção ao riacho.

- Vou te apresentar uma pessoa que eu conheci. Ele perece saber bastante sobre toda história da maldição, e parece disposto a nos ajudar. – Respondi empolgado, afinal eu queria passar o mínimo de tempo naquele lugar, já haviam acontecido coisas demais.

- Hm. Interessante. – Comentou indiferente, parecendo mais desinteressado do que qualquer outra coisa.

- Vamos se anime! Talvez a gente encontre uma maneira de acabar com a maldição.

- Tch, a gente sacrifica uma virgem, fica bêbado, dana pelado na lua cheia e pronto. – Respondeu zombeteiro.

- Brincadeira. Sem. Graça. – Resmunguei vendo-o sorrir de canto com a minha cara azeda.

Atravessamos a praça principal da cidade, que também parecia anormalmente fazia. Apenas algumas poucas crianças brincava por ali, mas logo suas mães se encarregava de ir buscá-las e levá-las para casa.

- Tá tudo tão estranho hoje... – Comentei vendo que nem os comércios estavam abertos.

- Esse lugar é estranho. – Respondeu erguendo uma sobrancelha.

- Eu sei, mas está mais esquisito que o normal. – Murmurei dando um último olhar para a cidade antes de entrar na floresta.

- A gente não ia falar com a pessoa que você conheceu? – Indagou olhando em volta.

- E vamos.

- Então por que tá me arrastando para o meio do mato, seu pervertido? – Perguntou com um tom usual, me fazendo ficar vermelho.

- H-Hey, o pervertido aqui é você. – Respondi sem graça.

- Eu não estou seqüestrando ninguém para o meio da floresta. – Continuou, com um tom malicioso dessa vez.

- Ele mora aqui, seu pervo. – Respondi lhe dando uma cotovelada de leve.

- tch, e depois eu que sou anti-social. – Comentou me fazendo rir desacreditado. Alguém aqui realmente engraçadinho hoje.

Chegamos até a casa de Yeegar, primeiro bati na porta, mas ninguém atendeu. E quando eu estava prestes a bater novamente, senti uma mão gelada no meu ombro que fez um arrepio gélido se espalhar pela minha coluna.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!!! VAI PRO INFERNO ASSOMBRAÇÃO MALDITA! – Me virei pronto para acabar com seja lá o que fosse e...

Era Yeegar.

- Sério, eu sou tão assustador assim? – Perguntou me olhando com um olhar brincalhão enquanto Kanda ficava de risinho.

- E porque não me avisou que tinha alguém vindo, desgraçado? – Ralhei fulo da vida vendo a dificuldade que ele tinha em não rir.

- Ora, e perder essa cena? – Respondeu simplesmente.

- Cretino. – Murmurei emburrado.

- Vocês deveriam se casar. – Comentou Yeegar rindo enquanto nos dois ficávamos parecendo um par de pimentas. – Entrem, eu vou preparar um chá.

Entramos e nos sentamos a mesa, observando Yeegar começar a esquentar a água na lareira.

- Você tá bem? Quero dizer, sua mão está um gelo. – Perguntei lembrando da hora do susto.

- Eu estava colhendo umas algas no rio. – Explicou apontando para o cesto que vinha trazendo consigo quando chegou. – A propósito, sou Yeegar, é um prazer conhecê-lo. – Se apresentou ao moreno, mantendo uma certa distância, evitando a clássica cena de estender a mão e ser completamente ignorado.

Pelo visto ele era alguém bem perceptivo quanto a personalidades também.

- Kanda. – Respondeu o outro, e pelo visto ele parecia ter simpatizado com o mais velho (um milagre!). – São quimeras? – Apontou para a gaiolinha com animais estranhos que eu tinha reparado na primeira vez em tinha visitado o lugar, mas não sabia dizer o que eram.

- Sim. São rouxinóis com esquilos. – Explicou com um sorriso acolhedor, observando Kanda olhar curiosamente para as criaturinhas que olhavam de volta para ele, igualmente interessadas, fazendo a cena ficar muito fofa. – Se interessa por alquimia? – Perguntou Yeegar se sentando conosco trazendo o chá.

- Não. Só conheço alguém que gosta. – Olhei realmente admirado para o senhor.

Ele tinha conseguido arrancar algo além de monossílabos do Kanda no primeiro encontro! Sério, vou pedir umas aulinhas.

- Deve ser alguém importante, já que se lembrou de imediato. – Comentou o alquimista fazendo o moreno desviar o olhar e ficar fitando fixamente a própria xícara.

- Tch.

Sorri de canto, quem via jurava que Kanda não dava a mínima para Tiedoll, mas ainda me lembro do dia em que ele me contou que o general fazia as pinturas se mexerem usando alquimia quando ele era criança. Não tinha como negar, ele considerava o general como um pai para si, e foi impressionante seu humor não ter se fechado de imediato quanto teve isso reconhecido tão facilmente por um estranho.

- Então, você estava na parte antiga da cidade quando o relógio tocou, não estava? – Perguntou Yeegar mudando de assunto, prevendo que levaria uma patada se continuasse com assuntos pessoais.

- Estava. Aquilo faz um barulho dos infernos. – Respondeu parando de observar a fumaça do chá e se virando para o alquimista. – Por quê? – Indagou olhando desconfiado para Yeegar.

- Não aconteceu nada estranho enquanto estava lá? – O mais velho perguntou bebericando o chá sem tirar os olhos do moreno.

- Nada. – Respondeu dando de ombros.

- Tem certeza? – Insistiu.

- Sim. – Respondeu Kanda estreitando os olhos.

- Que estranho. A história diz que esse é o marco para o início da calamidade. – Comentou o alquimista mudando o foco.

Eu apenas que contive em observar, era como se um estivesse buscando sondar outro, Yeegar com perguntas e Kanda captando cada gesto que o outro fazia, e quando chagavam a um ponto tenso, mudavam de assunto. Parecia uma espécie de jogo de “conheça o inimigo”, mas de maneira amigável. Espero.

- Como tem certeza de que não aconteceu nada, se você não lembra? – Perguntei erguendo uma sobrancelha.

- Eu disse na hora das batidas, não depois. – Respondeu tomando um pouco do seu chá e tossindo logo em seguida.

- Kanda...? – Perguntei preocupado.

Não podia ser envenenamento, estávamos todos tomando o mesmo chá e eu não acredito que Yeegar faria uma coisa dessas, e depois Kanda não era o tipo de pessoa que se engasgava fácil assim.

- Não é nada. – Respondeu com a voz meio rouca.

- Acho que estava um pouco quente demais. – Comentou o alquimista com um sorriso simpático.

- Tem razão. – Falou o moreno o encarando profundamente.

Sério, só eu tenho a sensação de que há algo aqui que eu não sei?

- Lembra de ter visto algo antes de perder a memória? – Perguntou Yeegar bebericando seu chá mais uma vez. – Pode ser importante, afinal vocês sabem que não é apenas com um demônio que estamos lidando.

- Não, seja lá o que for veio por trás. – Respondeu concentrado, como se estivesse fazendo esforço para se lembrar.

- Entendo. – Falou o outro com um olhar pensativo. – Então é melhor voltarmos ao nosso antigo ponto. Allen, contou a ele? – Perguntou servindo mais chá.

- Aham. – Respondi afirmativamente.

- Então devem lembrar que para que um demônio permaneça na terra é necessário um hospedeiro, e um sacrifício. Que naquela época fora o médico e a mulher, respectivamente.

- Ahaaaam. – Respondemos em uníssono, ansiosos para saber onde ele queria chegar.

- Ontem, com a volta da calamidade, parece que o demônio pediu seu sacrifício. E alguns cidadãos se juntaram para ir atrás dele. Mas... Todos sumiram. – Concluiu em um tom como se soubesse que eles não haviam apenas sumido.

- Eu sabia que tinha algo estranho... – Comentei enquanto Kanda virava todo o conteúdo da xícara de uma vez só.

- Então você percebeu... – Falou pra mim, mas com o olhar fixo em Kanda, que o encarava no mínimo muito irado.

Percebi o cacete! O que diabos eles sabem que eu não sei?

- O que diabos está acont... Kanda? – Comecei a falar, mas parei assustado quando Kanda começo tossir. Mas a tossir muito. Parecia até que estava morrendo.

- Hey! Yuu! O que esta... – Corri pra perto dele assustado, mas ele se afastou.

- N-Não é nada. – Murmurou sem fôlego.

- PARA DE DIZER ISSO SEMPRE! – Berrei me estressando. – Será que custa me deixar ajudar?

Ele tossiu mais forte dessa vez, agora tossindo sangue.

- Ajuda muito ficando longe! – Ele se afastou e saiu correndo numa velocidade impressionante.

- HEY ESPER- Eu ia correr atrás dele, mas um aperto surpreendentemente forte no meu braço me impediu.

- Ele está certo Allen, é melhor você ficar. – Falou em tom preocupado, mas eu realmente nem liguei.

- O que está dizendo?! Me solta! – Me debati, mas ele tinha me pego pelo braço direito e eu não queria ter que usar o esquerdo para me soltar e machucá-lo.

- Estou dizendo que tinha água benta naquele chá, por isso que ele saiu assim. – Respondeu também nervoso.

Apenas o encarei perplexo sem saber o que dizer.

- M-Mas isso quer dizer que... – Continuei sem ter coragem de terminar.

- Ele estava mentindo o tempo todo Allen.

Notas finais
E ai? O que acharam??
Eu sei que dessa vez nem teve suspense, mas garanto que vou compensar nos próximos caps.
E por falar nos prox caps... Alguém já está imaginando a confusão que vai dar? rsrsrsrsr.
*Não esqueçam que teve um sobrevivente da família do fazendeiro...*
Quando a garotinha desse cap ter cabelos lisos, e a que o Allen viu ter cabelos cacheados, essa foi a maneira que eu encontrei para diferenciar as gêmeas.
Até o próximo!
Kissus~